Rua Coronel Fernando Machado

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A Rua Coronel Fernando Machado é uma via pública da cidade de Porto Alegre, no estado brasileiro do Rio Grande do Sul. Começa na Rua General Vasco Alves e termina na Rua Coronel Genuíno.

Histórico[editar | editar código-fonte]

A Rua do Arvoredo, que deu origem à Rua Coronel Fernando Machado, ganhou notoriedade por um episódio insólito, um crime ocorrido no século XIX, em que um açougueiro, auxiliado por sua mulher, esquartejava corpos humanos transformando-os em linguiça. O crime foi desvendado pelo cachorro farejador de um menino, vítima do açougueiro. O historiador Décio Freitas tratou do crime no livro O Maior Crime da Terra – O Açougue Humano da Rua do Arvoredo.[1]

Foi uma das primeiras ruas da vila de Porto Alegre. Em 1843, os vereadores determinaram a execução de calçadas aos proprietários da Rua do Arvoredo. Em 1851, a Câmara Municipal autorizou seu procurador a fazer um cano de tábuas nos fundos do palácio do verno, para canalizar as águas que desciam do morro, ali colocando de 20 a 40 carroçadas de aterro. Dois anos depois, foram realizadas obras na Rua do Arvoredo, desde a Rua de Belas (atual Rua General Auto), até o Alto da Bronze (atual Praça General Osório). Embora constando aberta até a Rua General Vasco Alves na planta oficial de 1839, o trecho imediato ao Alto da Bronze talvez se conservasse ainda irregular e intransitável.[2]

A inauguração da Fonte dos Pobres, em 1857, atrás do palácio do Governo, determinou a realização de algumas obras complementares. Os proprietários dos terrenos localizados em frente ao chafariz foram intimados a construírem um muro, para que fosse possível executar o nivelamento e aterro daquele trecho da rua.[2]

Em 1865, foi iniciada a construção do Seminário Diocesano (hoje Cúria Metropolitana de Porto Alegre), na esquina da Rua Espírito Santo. Nesta época, a Câmara concedeu licença ao tambeiro Propício de Abreu para manter vacas leiteiras em seu curral à Rua do Arvoredo.[2]

Em 1870, a Câmara Municipal mudou o nome da Rua do Arvoredo para Coronel Fernando Machado, em homenagem a Fernando Machado de Souza, coronel durante a Batalha de Itororó, em 1868, na Guerra do Paraguai.[2]

A Estatística Predial de 1892 registrou a existência de 234 prédios. No fim do século, havia um trecho da rua que concentrava um grande número de prostíbulos.[2]

Segundo o intendente José Montaury, o calçamento foi executado em 1906. A urbanização da Praça General Osório (Alto da Bronze), a construção da escadaria de acesso à Rua General João Manoel, a abertura da Avenida Borges de Medeiros e o ajardinamento dos fundos do Palácio do Governo foram fatores relevantes na melhoria da Rua Coronel Fernando Machado.[2]

Tombamento do casario da Rua Fernando Machado[editar | editar código-fonte]

Entre 1927 e 1928, Antônio Chaves Barcellos Filho mandou construir o conjunto de casas sobre a área em frente à Rua Coronel Fernando Machado, hoje números 464, 472, 480, 482, 492, 494, 504, 506 e 514. Os construtores das casas foram João Knogl e Theo Backer. Em dezembro de 1929 as casas foram vendidas para Felisberto Barcelos Ferreira de Azevedo.[3]

Os prédios formam um conjunto homogêneo com suas nove casas de três pavimentos geminadas. São construídas em alvenaria de tijolos e cobertas com telhas francesas. As coberturas têm a parte mais alta do telhado longitudinal, perpendicular à fachada da frente e quatro águas.[3]

Os prédios têm as fachadas simétricas, duas a duas, como casas geminadas. No geral, a movimentação nas fachadas é feita pelo desenho das aberturas nos diferentes níveis e alturas dos panos, sacadas e balcão com floreira.[2]

Em 1922, conforme o relatório do intendente José Montaury, foram ali plantados vinte jacarandás na rua. Em 1928 foi planejada a construção do belvedere e escadaria para a Rua Coronel Fernando Machado, com projeto do arquiteto Christiano de La Paix Gilbert, e execução pela empresa do arquiteto Theo Wiederspahn, e com ajuda da família Chaves Barcelos que, sendo dona dos imóveis do quarteirão, custeou um terço do total das despesas.[3]

O casario foi tombado Secretaria Municipal da Cultura e passou a integrar o patrimônio cultural de Porto Alegre.[4][5]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Referência bibliográfica[editar | editar código-fonte]

  • Franco, Sérgio da Costa. Guia Histórico de Porto Alegre. Porto Alegre: Editora da Universidade (UFRGS)/Prefeitura Municipal, 1992


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