Rua da Praia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Rua da Praia
Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil Brasil
Trecho leste da Rua da Praia, entre a Praça Dom Feliciano e a Praça da Alfândega, a antiga Rua da Graça
Tipo Rua
Início Avenida Independência
Fim Avenida Presidente João Goulart

A Rua da Praia é uma das ruas mais tradicionais, bem como a mais antiga, da cidade brasileira de Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul. A despeito de a denominação oficial Rua dos Andradas ter sido estabelecida em 1865, o nome antigo ainda persiste na voz popular, e com ele esta rua tem sido celebrada por muitos cronistas e poetas locais.[1]

A Rua dos Andradas era chamada de Rua da Praia do trecho do Gasômetro até a General Câmara; e, de Rua da Graça do trecho entre a Rua General Câmara e a Senhor dos Passos.[2][1]

Histórico[editar | editar código-fonte]

A Rua da Praia existe desde a fundação da cidade, sendo aquela que corria exatamente à margem do Guaíba defronte ao antigo porto de Viamão, onde primeiro se estabeleceu uma colônia de povoamento na área da futura Porto Alegre. Na Rua da Praia se construiu a primeira igreja da cidade, a hoje desaparecida Capela de São Francisco das Chagas. Em sua extremidade oeste foram, desde cedo, erguidos os arsenais da Marinha e os Armazéns Reais, numa época em que as casas da rua ainda eram cobertas de palha.[1]

Seu trecho central, onde hoje é a Praça da Alfândega, era a área onde se concentravam os comerciantes, já que ali existia o cais de desembarque, e recebeu seu primeiro calçamento em 1799, por ordem do ouvidor Lourenço José Vieira Souto.[1]

Nestes primeiros tempos, a Rua da Praia terminava no cruzamento com a antiga Rua da Ladeira, atual Rua General Câmara, e o trecho que sobe até a Praça Dom Feliciano era chamado de Rua da Graça. Mas, a denominação deste trecho, ainda que presente em todos os documentos oficiais, não se fixou, e popularmente o apelido Rua da Praia se estendeu a todo o seu curso. Depois de c. 1843, quando a rua recebeu suas primeiras placas indicativas, o nome Rua da Graça não aparece mais.[1]

Athayde d'Avila: Rua da Praia, c. 1880. Acervo do Museu Júlio de Castilhos

Todos os viajantes estrangeiros que visitaram Porto Alegre no século XIX se referiram à Rua da Praia em termos elogiosos. Auguste de Saint-Hilaire a descreveu em 1820 como "extremamente movimentada (...) com lojas muito bem instaladas, de vendas bem sortidas e de oficinas de diversas profissões". Em 1858, o alemão Avé-Lallement fala dela como possuindo "casas muito majestosas de até três andares", o que atesta seu rápido desenvolvimento.[3]

O nome Rua dos Andradas foi adotado oficialmente em 17 de agosto de 1865, a fim de preparar a comemoração do dia da Independência daquele ano, e, em seguida, a rua passaria a ter seu primitivo calçamento substituído na parte central. Sua extensão completa só terminou de ser calçada em 1874.[3][1] Nova substituição das antigas pedras irregulares por paralelepípedos ocorreu a partir de 1885, prolongando-se por vários anos e, em 1923, outra mudança, agora para paralelepípedos de granito em mosaico,[4] que perduram ainda em alguns trechos intocados na derradeira modificação, na gestão do prefeito Guilherme Socias Villela.[3]

Com os sucessivos aterros da margem do Guaíba, a Rua da Praia afastou-se do litoral e, em meados do século XX, sua ocupação passara de ponto dos atacadistas para o comércio elegante e local de reunião popular em eventos cívicos, atraindo também inúmeros cafés, confeitarias, cinemas e restaurantes. Por ser o local preferencial para reuniões populares, a Rua da Praia testemunhou eventos violentos, como em 1890, 1915, 1923 e 1954, quando manifestações de cunho político resultaram em diversas mortes.[1]

Sua vocação agregadora se mantém até hoje, e o cruzamento da Rua da Praia com a Avenida Borges de Medeiros é conhecido como a Esquina Democrática, ponto consagrado de concentração de comícios e manifestações populares de variada natureza. Na atualidade, toda a extensão da rua está densamente edificada.[1]

Calçamento tombado[editar | editar código-fonte]

O calçamento da Rua dos Andradas, mais especificamente do trecho entre as ruas Dr. Flores e Marechal Floriano, foi tombado[5] pelo decreto municipal n.° 9.442 de 1989. Tal trecho possui em seu leito viário sete metros de extensão, com calçadas de cerca de 2,5 metros.

Na literatura[editar | editar código-fonte]

Trecho próximo à terminação oeste da Rua da Praia, vendo-se parte dos prédios históricos do Comando Militar do Sul.

A Rua da Praia ensejou a criação de um folclore urbano onde ela é o cenário e o protagonista de anedotas e casos pitorescos, tendo servido de inspiração para vários escritores locais. Já em 1852, José Cândido Gomes, nas páginas de O Mercantil, discorria sobre suas peculiaridades. Zeferino Brasil e Aquiles Porto Alegre também o fizeram, e Erico Veríssimo a tomou como cenário para várias cenas em seus romances.[1]

Atrações[editar | editar código-fonte]

Na Rua da Praia se localizam alguns dos principais pontos turísticos, instituições culturais e monumentos arquitetônicos de Porto Alegre, como a Casa de Cultura Mario Quintana, a Igreja das Dores, o Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa, o Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, o Museu do Comando Militar do Sul, o Museu do Trabalho, os prédios históricos do Correio do Povo, do Cinema Imperial, do Clube do Comércio, do Cinema Guarany, da Livraria do Globo, da Previdência do Sul, a Galeria Chaves, e em seu término ocidental faz frente à Usina do Gasômetro. Também na rua se localiza o Rua da Praia Shopping.[3]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências


Brasão de Porto Alegre
Porto Alegre
Arquitetura · Música · Demografia · Economia · Educação · Esportes · Geografia · História · Meios de comunicação · Prefeitura · Saúde · Transportes · Turismo

Portal · Listas · Imagens