Rumina decollata

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Exemplares adultos de R. decollata. Abaixo, vistas do ápice (esquerda) e da base da concha (direita).
Exemplares adultos de R. decollata. Abaixo, vistas do ápice (esquerda) e da base da concha (direita).
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Mollusca
Classe: Gastropoda
Ordem: Stylommatophora
Família: Subulinidae[1]
Género: Rumina
Risso, 1826[1]
Espécie: R. decollata
Nome binomial
Rumina decollata
Linnaeus, 1758[1][2]
Exemplares juvenís de R. decollata, apresentando o ápice da concha, primeiras voltas do topo da espiral, não truncado, como no indivíduo adulto.
Sinónimos
Helix decollata Linnaeus, 1758
Bulimus decollatus Draparnaud, 1805
Rumina incomparabilis A. Risso, 1826
Rumina truncatella A. Risso, 1826
Rumina ciuda T.A. de M. Monterosato, 1892
Rumina cylindrica T.A. de M. Monterosato, 1892
Rumina solida T.A. de M. Monterosato, 1892
Rumina cruda T.A. de M. Monterosato, 1892
Rumina pellucida' T.A. de M. Monterosato, 1892
Orbitina incomparabilis Germain, 1930
Orbitana truncatella Germain, 1930[3][4]

Rumina decollata é uma espécie de gastrópode da família Subulinidae, classificada por Linnaeus em 1758.[1][2] Originalmente habitando a região europeia em torno ao Mar Mediterrâneo, norte da África e oeste da Ásia,[5] este caracol terrestre se tornou espécie invasora na América e Extremo Oriente.[6]

Descrição e hábitos[editar | editar código-fonte]

A concha de Rumina decollata atinge de 2.5 a 3.5 centímetros de comprimento,[7] mais raramente podendo chegar a 4.5 cm.[3] Uma de suas principais características é o fato de que, em indivíduos adultos, o ápice da concha se apresenta truncado,[8] com o truncamento apical fechado por uma placa,[9] o que acabou lhe gerando a denominação decollata (degolada).[8][10] Após a maturação, os exemplares adultos quebram intencionalmente a ponta, deixando-a com uma extremidade rombuda. Há geralmente 4 a 7 voltas em espécimes adultos e um adicional de 3 a 4 voltas em juvenís.[3]

Conchas em indivíduos vivos apresentam coloração acastanhada e brilhante, conchas vazias apresentam coloração branca. O animal é relativamente curto, esbranquiçado e com pigmentos escuros sob o corpo, exceto em suas ranhuras; ocasionalmente enegrecido, cinzento ou marrom esverdeado. Tentáculos superiores (antenas) de sua cabeça longos, cinzentos e ligeiramente transparentes; tentáculos inferiores muito curtos.[9][11]

Possui hábitos noturnos e se mantém enterrado durante o dia, hibernando sob folhas decompostas e rochas em baixas temperaturas de inverno e em condições de estiagem. É espécie onívora, sendo considerada predadora de outros caracóis e lesmas.[7] Embora prefira se alimentar disto e de matéria orgânica, também podem comer mudas, pequenas plantas e flores, se os alimentos preferidos não estiverem disponíveis.[12] Na Europa, muitas vezes habita ambientes secos e abertos. No norte seco da África habita regiões até 5 a 10 quilômetros distantes da costa, excepcionalmente até 80 quilômetros ou mais, mas com padrões de distribuição mais isolados ao sul.[9] Se enterram até 10 cm de profundidade no interior do solo, em tais regiões. Não é muito frequente em substrato arenoso e argiloso,[9] sendo que a terra vegetal apresenta características mais favoráveis à sua reprodução, com uma maior produção de ovos.[7]

Distribuição geográfica[editar | editar código-fonte]

Rumina decollata apresenta ampla distribuição geográfica, desde o nível do mar até os 2.000 metros de altitude,[5] sendo uma espécie invasora na América e Extremo Oriente e originalmente habitando a região europeia em torno ao Mar Mediterrâneo (Portugal, Espanha, França,[13] Itália, Grécia[14] e Malta,[15] sendo rara na Bulgária).[9] Na região chamada Macaronésia ela foi introduzida em Açores, Madeira e Cabo Verde,[8] também habitando o norte da África, entre o Egito e Marrocos,[14] e o oeste da Ásia (Israel,[16] Turquia, Chipre[14]).[5][6]

Relatos informam a presença desta espécie na região sul dos Estados Unidos, onde foi introduzida nas costas do Atlântico, no Golfo e Pacífico. Na Virgínia, os espécimes são reportados apenas em Norfolk[17]; ou em Charleston, Carolina do Sul, no fim do século XIX,[8] e na Califórnia, durante a década de 1970, por sua caça ao molusco da espécie Helix aspersa;[18] também ocorrendo no México, Cuba, Bermudas e em toda a América do Sul,[6] aparecendo na Argentina a partir do ano de 1988 na província de Buenos Aires.[18] No Extremo Oriente da Ásia, foi detectada na China e Japão.[6]

No Brasil esta espécie foi relatada nos estados de São Paulo (CONSEMA, 2009), Santa Catarina (AGUDO-PADRON, 2008), Rio Grande do Sul (AGUDO-PADRON, 2009)[7] e Paraná. Foi averiguada em 2013 sua presença em Minas Gerais, na cidade de Passos.[19] É comumente encontrada nos jardins e parques de grandes metrópoles.[carece de fontes?]

Subespécies[editar | editar código-fonte]

Devido a ampla variabilidade de suas conchas, Rumina decollata apresenta separação por subespécies ou formas, tais como Rumina decollata maxima (na imagem), Rumina decollata saharica[4] e Rumina decollata gracilis.[16] Um estudo afirma que o gênero Rumina está representado em toda a região mediterrânea, até agora, apenas por uma única espécie, R. decollata (Linnaeus, 1758), com vários taxa de classificação mais baixa. Infelizmente, nenhum estudo sistemático fora realizado até agora para elucidar o estado dos diversos taxa dentro deste gênero. Portanto, problemas taxonômicos e de nomenclatura existem (BANK & GITTENBERGER, 1993).[14]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d «Rumina decollata, Decollate Snail» (em inglês). Encyclopedia of Life. 1 páginas. Consultado em 7 de fevereiro de 2016. 
  2. a b «Rumina decollata (Linnaeus, 1758)» (em inglês). World Register of Marine Species. 1 páginas. Consultado em 10 de outubro de 2018. 
  3. a b c «Rumina decollata» (em inglês). Terrestrial Mollusc Tool - idtools.org. 1 páginas. Consultado em 7 de fevereiro de 2016. 
  4. a b «Rumina decollata» (em inglês). WMSDB - Worldwide Mollusc Species Data Base. 1 páginas. Consultado em 7 de fevereiro de 2016. 
  5. a b c «Rumina decollata» (em espanhol). Waste Magazine. 1 páginas. Consultado em 7 de fevereiro de 2016. 
  6. a b c d Barker, G. M. «Natural Enemies of Terrestrial Molluscs» (em inglês). Google (Google Books). 1 páginas. Consultado em 7 de fevereiro de 2016. 
  7. a b c d Oliveira, Carlota Augusta Rocha de; Abreu, Paula Ferreira de (novembro de 2013). «Influência do substrato sobre crescimento, reprodução e mortalidade de Rumina decollata (Linnaeus, 1758) (Mollusca, Subulinidae) e da umidade sobre a eclosão da espécie». Bioscience Journal. 1 páginas. Consultado em 7 de fevereiro de 2016. 
  8. a b c d Batts, Jeanne Hines (abril–julho de 1957). «Anatomy and Life Cycle of the Snail Rumina decollata (Pulmonata: Achatinidae (PDF) (em inglês). The Southwestern Naturalist. Vol. 2, No. 2/3 (Texas Invasive Species Institute). pp. 74–82. Consultado em 7 de fevereiro de 2016. 
  9. a b c d e «Species summary for Rumina decollata» (em inglês). Animal Base. 1 páginas. Consultado em 7 de fevereiro de 2016. 
  10. «Decollate» (em inglês). The Free Dictionary. 1 páginas. Consultado em 7 de fevereiro de 2016. 
  11. «Rumina decollata (Linnaeus, 1758) Decollate Snail» (em inglês). Jacksonville Shells. 25 de abril de 2011. 1 páginas. Consultado em 7 de fevereiro de 2016. 
  12. Mahr, Susan; Mahr, Dan. «Know Your Friends - The Decollate Snail» (em inglês). University of Wisconsin. 1 páginas. Consultado em 7 de fevereiro de 2016. 
  13. Prévot, Vanya; Jordaens, Kurt;Van Houtte, Natalie;Sonet, Gontran;Janssens, Kenny;Castilho, Rita;Backeljau, Thierry (26 de julho de 2013). «Taxonomic and population genetic re-interpretation of two color morphs of the decollate snail, Rumina decollata (Mollusca, Pulmonata) in southern France» (em inglês). Springer. 1 páginas. Consultado em 7 de fevereiro de 2016. 
  14. a b c d Bank, R. A.; Gittenberger, E. (24 de dezembro de 1993). «Neither Ruminana truncata, nor R. gracilis, but R. saharica (Mollusca: Gastropoda Pulmonata: Subulinidae (em inglês). Naturalis Biodiversity Center. 1 páginas. Consultado em 8 de fevereiro de 2016. 
  15. Mifsud, Owen. «Rumina decollata» (em inglês). FAUNA and FUNGHI of MALTA. 1 páginas. Consultado em 7 de fevereiro de 2016. 
  16. a b Mienis, Henk K. (31 de dezembro de 1975). «Rumina decollata gracilis (PFEIFFER) in Israel» (PDF) (em inglês). Zobodat. 1 páginas. Consultado em 7 de fevereiro de 2016. 
  17. Hotopp, Ken (fevereiro de 2013). «Virginia Land Snails: Rumina decollata (Linnaeus, 1758) (non-native)» (em inglês). Carnegie Museum of Natural History. 1 páginas. Consultado em 10 de outubro de 2018. 
  18. a b Francesco, Claudio G. de; Lagiglia, Humberto (6 de dezembro de 2006). «A predatory land snail invades central-western Argentina» (em inglês). Springer. 1 páginas. Consultado em 7 de fevereiro de 2016. 
  19. Paschoal, Lucas Rezende Penido; Andrade, Douglas de Pádua; Cavallari, Daniel Caracanhas. «Primeiro registro do gastrópode invasor Rumina decollata (Linnaeus, 1758) no Sudeste do Brasil». Academia.edu. 1 páginas. Consultado em 10 de outubro de 2018.