Sertanejo universitário

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Sertanejo Universitário)
Ir para: navegação, pesquisa
Sertanejo universitário
Gusttavo Lima, um dos mais conhecidos nomes do sertanejo universitário no Brasil.
Origens estilísticas Sertanejo, música caipira, arrocha, forró eletrônico, brega pop, tecnobrega, pop, embolada, e vanerão.
Contexto cultural Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná.
Instrumentos típicos violão, guitarra, viola caipira, violão de doze cordas, contrabaixo (4 ou 6 cordas), sanfona, teclado, piano, bateria, percussão e saxofone.[1]
Popularidade Em todo o Brasil, e em vários da Europa,[2] da América Latina e nos Estados Unidos.[3]
Formas derivadas Sertanejo
Arrocha
Subgêneros
Caipira (ou Sertanejo de Raiz)
Sertanejo Romântico
Pop Sertanejo , Arrocha sertanejo

Sertanejo universitário é um estilo musical que provém de uma mistura da música sertaneja, da música brega com toques e batidas provenientes do arrocha. É considerado o terceiro segmento na evolução da música sertaneja, estando atrás do sertanejo dito raiz, também chamada música caipira, e do sertanejo romântico brega, muito popular entre as décadas de 1980 e 1990[4]. Canções simples predominam nesse estilo, e por conta dos cantores do gênero serem em sua maioria jovens é considerado "universitário"[5]. Em vez dos tradicionais acordeões e violões, sintetizadores e guitarras elétricas[6] começaram a ser usadas com mais frequência nesse estilo de música. Esta variação se diferencia do sertanejo por ter mais elementos do pop, e linguagem informal.

Origem[editar | editar código-fonte]

De origem pantaneira vinda do estado do Mato Grosso do Sul e com reflexo no estado de Goiás, tem como os primeiros a tocar a dupla João Bosco & Vinicius, que em 1994 iniciaram sua carreira tocando em bares para universitários na capital, Campo Grande. No interior de Goiás iniciam Jorge e Mateus. O crescimento do estilo nos últimos anos se deve ao grande crescimento das universidades nas cidades do Centro-Oeste brasileiro. Os jovens universitários do Centro-Oeste brasileiro começaram a ter contato com o estilo de vida do eixo Rio-São Paulo, mas levaram junto sua cultura e histórico, o que resultou em um grande crescimento da música sertaneja universitária. Hoje, jovens médicos, advogados e juízes propagam o sertanejo universitário entre as classes sociais mais elevadas, o que gerou um fenômeno nunca antes visto, uma fusão da música caipira com meio e estilo de vida mais urbano. É pertinente colacionar que a música ouvida pelos jovens do interior invadiu as festas dos jovens de elite, se tornando a nova música popular brasileira, o que aumentou o envolvimento de pessoas com gosto musical sertanejo no círculo acadêmico.

História[editar | editar código-fonte]

A interação entre o interior e a metrópole no âmbito acadêmico contribuiu para o surgimento do estilo próprio[7]. Tendo as violas e violões se disseminado nos campus e repúblicas estudantis, a velha música sertaneja acabou por associar ao violão e à viola instrumentos modernos como guitarras, baixos, bateria, metais e instrumentos de percussão[5].

O resultado inicial foi uma nova roupagem das antigas e clássicas raízes sertanejas que com o avançar dos anos foram se distanciando dos estilos percussores e adquirindo identidade própria[8]. Neste cenário novo as influências musicais dos jovens do interior também foi gradativamente se misturando com outros estilos, em especial o pop, o arrocha e o funk carioca[7], estilos geralmente predominantes nas festas promovidas pelos jovens acadêmicos.

Embalado pelo grande apelo popular entre jovens dos gêneros associados, o novo segmento ganhou grande espaço na mídia. Letras e músicas simples, batidas dançantes e refrões de fácil memorização automática, gerando um grande "boom" do estilo, fazendo com que este saísse do restrito âmbito universitário e adentrasse por rádios e festas do Brasil[9]. A repercussão e sucesso do gênero tem feito com que a cada dia surjam novas duplas e conjuntos sertanejos.

Temática[editar | editar código-fonte]

Por surgir após o segundo movimento sertanejo (o sertanejo romântico brega), esse estilo já não conta com letras tão regionais e situações vividas por caipiras (como o Sertanejo raiz). Geralmente as letras abordam situações corriqueiras encaradas na vida dos jovens, tendo forte apelo temas como traição, embriaguez, promiscuidade sexual e ostentação[6].

Cantores e Músicas[editar | editar código-fonte]

O sertanejo universitário encontrou nos jovens a busca do seu crescimento, trazendo um enfoque em músicas que falam de amor e baladas. Hoje novos cantores vão surgindo ou outros adotam o estilo, e a cada dia o gênero vai se popularizando mais[9]. Exemplos desta expansão do sertanejo universitário são de músicos como João Bosco & Vinícius com o sucesso Chora, Me Liga, Michel Teló com o hit que virou febre internacional Ai Se Eu Te Pego[7], Gusttavo Lima com a canção Balada Boa, Jorge & Mateus com Amo Noite e Dia (música mais executada no Brasil por 12 semanas), João Neto & Frederico com Lê Lê Lê, Luan Santana com Cê Topa, Munhoz & Mariano com a música Camaro Amarelo, Cristiano Araújo com Maus Bocados, Thaeme & Thiago com Deserto, Marcos & Belutti com Aquele 1%, Wesley Safadão com Camarote, Marília Mendonça com a canção Infiel, Maiara & Maraisa com "10%", E Felipe Araújo Irmão de Cristiano Araújo Com a Musica A Mala e Falsa e Bora Beber e Jefferson Moraes Um Centímetro e Beber Com Emergência e Gabriel Gava com a Musica Frentista e Entre Outros

Crítica[editar | editar código-fonte]

Regis Tadeu em sua crítica para o Yahoo! disse que "[nada] é aproveitável. Do tal 'funk' ao 'pagode xexelento' (...) do sertanejo (...) ao tal 'forró eletrônico', o que se vê e ouve é [um] tsunami de lixo musical inédito na história da música brasileira."[10]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Gusttavo Lima diz que se considera pioneiro na música"Antes não existia esse título». natal.jovempanfm.uol.com.br. 15 de abril de 2014. Consultado em 25 de junho de 2014 
  2. Ramalho, Anna. «Sertanejo faz sucesso na Europa». Blog Anna Ramalho. Consultado em 29 de maio de 2014 
  3. Maldonado, Helder (29 de dezembro de 2012). «Sertanejo for export». Portal Sucesso. Consultado em 29 de maio de 2014 
  4. «Sertanejo Universitário: O sertanejo faz história». Extra. 2 de outubro de 2010. Consultado em 11 de maio de 2015 
  5. a b Rodrigues, Hedmilton (16 de outubro de 2011). «Quem inventou o Sertanejo Universitário?». Movimento Country. Consultado em 11 de maio de 2015 
  6. a b «Como e onde surgiu o ritmo sertanejo?». FM Hits. 30 de junho de 2014. Consultado em 11 de maio de 2015 
  7. a b c «Sertanejo Universitário - Dados artísticos». Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Consultado em 12 de maio de 2015 
  8. Oliveros, Ricardo (6 de fevereiro de 2012). «Saiba mais sobre estilo sertanejo universitário de Michel Teló». Uol. Consultado em 12 de maio de 2015 
  9. a b Ricco, Flávio (22 de setembro de 2010). «Sertanejo universitário cresce nas rádios de todo o país». Uol. Consultado em 12 de maio de 2015 
  10. Regis Tadeu (20 de agosto de 2015). «Indústria do "forró eletrônico" é o retrato de um Brasil cretino». Yahoo!. Consultado em 30 de outubro de 2016 

Bilbliografia[editar | editar código-fonte]

  • ALONSO, Gustavo. Cowboys do asfalto: música sertaneja e modernização brasileira. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2015.
  • ANTUNES, Edvan. De caipira a universitário: a história do sucesso da música sertaneja. São Paulo: Matrix Editora, 2012,