Sociolinguística

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Question book.svg
Esta página ou secção não cita nenhuma fonte ou referência, o que compromete sua credibilidade (desde janeiro de 2010).
Por favor, melhore este artigo providenciando fontes fiáveis e independentes, inserindo-as no corpo do texto por meio de notas de rodapé. Encontre fontes: Googlenotícias, livros, acadêmicoScirusBing. Veja como referenciar e citar as fontes.

Sociolinguística é o ramo da linguística que estuda a relação entre a língua e a sociedade. é o estudo descritivo do efeito de qualquer e todos os aspectos da sociedade, incluindo as normas culturais, expectativas e contexto, na maneira como a linguagem é usada, e os efeitos do uso da linguagem na sociedade. A sociolinguística difere a sociologia da língua em que o foco da Sociolinguística é o efeito da sociedade sobre a língua, enquanto a língua de sociologia foca o efeito de língua sobre a sociedade. A sociolinguística se sobrepõe a um grau considerável com a pragmática.

Há três termos importantes para a sociolinguística que podem ser facilmente confundidos entre si:

Variedade - a variedade são as diferentes formas de manifestação da fala dentro de uma língua, a partir dos diferentes traços que a condicionam, eles podem ser: sociais, culturais, regionais e históricos de seus falantes. As variedades linguístcas classficam-se como:

Dialeto: modo particular de uso da língua numa determinada localidade. Diferente do que pensam muitos linguistas, o termo dialeto não serve para designar variedade linguística.

Socioleto: é a variedade linguística de um determinado grupo de falantes que partilham os mesmos traços e experiências socioculturais.

Idioleto: é o modo particular de cada indivíduo expressar-se através da fala.

Cronoleto- variedade pertencente a uma determinada faixa etária, ou seja, modo próprio desta geração manisfestar-se.

Trecho extraído de BAGNO, Marcos. Nada na língua é por acaso: por uma pedagogia da variação lingüística. São Paulo: Parábola Editorial, 47-48, 2007.


Variante - o termo variante é utilizado nos estudos de sociolinguística para designar o item linguístico que é alvo de mudança. Assim, no caso de uma variação fonética, a variante é o alofone. Representa, portanto, as formas possíveis de realização. No entanto, na linguística geral, o termo variante dialetal é usado como sinónimo de dialeto.

Variável - a variável é o traço, forma ou construção linguística cuja realização apresenta variantes observadas pelo investigador.

História[editar | editar código-fonte]

Embora o aspecto social da língua tenha chamado a atenção desde cedo, tendo tido relevância já no trabalho do lingüísta suíço Ferdinand de Saussure no início do século XX, foi talvez somente nos anos 1950 que este aspecto começou a ser investigado minuciosamente.

Pioneiros como Uriel Weinreich, Charles Ferguson e Joshua Fishman chamaram a atenção para uma série de fenômenos interessantes, tais como a diglossia e os efeitos do contato lingüístico.

Mas pode-se dizer que a figura chave foi William Labov, que, nos anos 1960, começou uma série de investigações sobre a variação lingüística – investigações que revolucionaram a compreensão de como os falantes utilizam sua língua e que acabaram por resolver o paradoxo de Saussure.

O Revolucionário Trabalho de Labov

Nos conturbados dias de luta pela igualdade racial nos Estados Unidos, na também conturbada década de 1960, o lingüista norte-americano William Labov contestava frontalmente as afirmações – então bastante difundidas na sociedade norte-americana – de que os negros eram inferiores aos brancos porque eram “cultural e lingüisticamente privados”, ilógicos, monossilábicos, etc. Naquela época, tais afirmações eram vistas como respaldadas em resultados de pesquisas científicas de cujos métodos, procedimentos e instrumentos de coleta de dados Labov discordava. Para combatê-los, bem como para a eles criar alternativas, Labov inovou. Fez uso de seu profundo conhecimento da comunidade negra do Harlem, cuja cultura é bastante verbal, e a ele aliou bom senso, sensibilidade e criatividade. Como resultado, alterou vários dos procedimentos de pesquisa então vistos como firmemente estabelecidos e teve seu artigo alçado à categoria de um “clássico”. Inspecionemos algumas dessas alterações: (a) ao invés de selecionar sua amostra de acordo com padrões mais ou menos rígidos envolvendo diferentes combinações de fatores como sexo, idade, ocupação, classe social, etc., Labov recrutou sujeitos que, segundo ele, participavam da cultura vernacular das ruas e nada mais; (b) não tentou fazer emergir o discurso de seus entrevistados em locais com os quais eles estavam pouco familiarizados e nos quais se sentiam pouco à vontade (como, por exemplo, salas ou laboratórios de Universidades), então vistos como os mais adequados por serem considerados “neutros”. Pelo contrário, realizou as entrevistas no próprio bairro de residência dos entrevistados (o Harlem) e, pelo menos em um caso, no próprio quarto do entrevistado; (c) abandonou o uso de testes padronizados (então amplamente utilizados); (d) tentou fazer com que a entrevista se tornasse menos intimidante para os entrevistados (adolescentes negros) através da redução da assimetria entre entrevistador e entrevistado bem como do estabelecimento de uma situação informal que mais se assemelhava a um bate-papo entre amigos (o que então era visto como pouco científico). Para isso, fez uso de um entrevistador negro, também morador do Harlem, que conhecia os entrevistados e que, para superar ainda outros obstáculos e inibições, fez a entrevista com duplas de amigos na casa de um deles. Como resultado, Labov pôde mostrar uma visão completamente diferente da cultura negra e das capacidades intelectuais e lingüísticas de seus membros.

Seu conhecido artigo, “The logic of non-standard English”(1972), foi escrito há quase quarenta anos, mas seus vários ensinamentos continuam sendo atuais e relevantes. Dentre eles, destacamos dois. O primeiro é o de que fazer ciência é tentar conhecer aquilo que não se conhece e de que esse “conhecer aquilo que não se conhece” não raro passa pelo como tentamos conhecê-lo. Já o segundo se refere especificamente a esse como. O trabalho de Labov torna evidente que, para conhecermos um ser humano, uma cultura ou uma língua a partir de uma visão “de dentro” – ou seja, pelo que eles são e não pelo que parecem ser para quem está “de fora” – é necessário sermos sensíveis e, por vezes, pouco ortodoxos. Isso porque elaborar formas que possibilitem a emergência de suas características sem obstáculos ou preconceitos (coisa que é bastante conhecida por historiadores e antropólogos) não é tarefa trivial.

trecho extraído de NICOLACI-DA-COSTA, Ana Maria; ROMÃO-DIAS, Daniela; DI LUCCIO, Flávia. Uso de Entrevistas On-Line no Método de Explicitação do Discurso Subjacente (MEDS). Revista Psicologia: Reflexão e Crítica, 22(1), 36-43, 2008.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Linguística

Divisões
Fonética | Pragmática | Fonologia | Morfologia | Sintaxe | Semântica | Lexicologia | Estilística
Tipos de linguística
Antropológica | Cognitiva | Gerativa | Comparativa | Aplicada | Geolinguística | Computacional | Histórica | Neurolinguística | Política linguística | Psicolinguística | Sociolinguística
Artigos relacionados
Preconceito linguístico | Análise do discurso | Aquisição da linguagem | Línguas A e B | Sistema de escrita | Ciência cognitiva | Estruturalismo | Etimologia | Caso gramatical | Figura de linguagem
Família de línguas | Filologia | Internetês | Lista de linguistas | Gramática | Língua de Sinais | Alfabeto | Eurodicautom | Língua e cultura | Semiótica
Atos da fala | Análise do discurso

Ícone de esboço Este artigo sobre linguística ou um linguista é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.