Vicente de la Mata

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Vicente De la Mata.jpg
Disambig grey.svg Nota: Se procura Vicente de la Mata, veja Vicente de la Mata (filho).

Vicente de la Mata (Rosário, 15 de janeiro de 1918 - Rosário, 4 de agosto de 1980) foi um futebolista argentino que atuava como atacante.

Começou a carreira em 1936, no Central Córdoba, pequeno clube de sua Rosário natal. Suas atuações o levaram, ainda como jogador da equipe rubroazul, à Seleção Argentina, sendo convocado para o Sul-Americano do ano seguinte.[1] No decorrer do torneio, foi negociado por 30 mil pesos com o Independiente, um dos grandes clubes argentinos. Inicialmente reserva, mostrou-se literalmente decisivo na competição, marcando os dois gols da vitória da Albiceleste na final, contra o Brasil.[2]

O time de Avellaneda ainda não havia conseguido títulos na era profissional do futebol argentino, o que mudou em um ano. De la Mata compôs um trio ofensivo que se tornaria o mais célebre da história do clube, juntamente com Arsenio Erico e Antonio Sastre,[3] no que foi a linha ofensiva mais goleadora na Argentina do período 1938-39,[2] justamente quando o Rojo faturou um bicampeonato seguido.[3] Sob eles, o clube também conseguiu um recorde de doze vitórias seguidas entre os dois campeonatos,[4] uma marca que só seria quebrada em 2001, pelo San Lorenzo.[5] A série foi interrompida em um clássico de Avellaneda, na terceira rodada do campeonato de 1939.[4] A frustração seria vingada no ano seguinte: em 3 de novembro de 1940, o Racing foi humilhado por 0 x 7 com dois gols de De la Mata, no que é até hoje a maior goleada do clássico.[6]

Imprevisível e com grande habilidade para esquivar-se dos marcadores,[7] inspirou desde cânticos como "¿Adónde va la gente? ¡A ver a Don Vicente!" e "¡La gente ya se mata! ¡Por ver a De la Mata!" até um tango de Nolo López chamado "Capote", como De la Mata era conhecido.[2]

No decorrer da década de 1940, as conquistas com o Independiente não vieram como se esperava. Em compensação, De la Mata seguiu conquistando Sul-Americanos com a Argentina, faturando os de 1945 e 1946. Ele, que já havia atuado ao lado de Roberto Cherro, Enrique García, José María Minella, Carlos Peucelle, Bernabé Ferreyra e Francisco Varallo, formou um ataque demolidor com Norberto Méndez, Adolfo Pedernera, Ángel Labruna e Félix Loustau.[7] Foi um dos membros da talentosa geração argentina dos anos 40 privada de uma Copa do Mundo, dentre outros motivos, devido à Segunda Guerra Mundial, que inviabilizou as edições de 1942 e 1946. Em 1947, mesmo consagrado, ficou de fora do título no Sul-Americano de 1947, com a concorrência tão acirrada que mesmo Alfredo Di Stéfano fora reserva ali.[8]

No ano seguinte à ausência, porém, conseguiu novo título argentino com seu clube. Àquela altura, era o único remanescente do tridente histórico. Deixou o clube em 1950, depois de treze anos, 363 partidas e 150 gols. Voltou para sua Rosário, primeiramente no Newell's Old Boys e por fim no mesmo Central Córdoba onde iniciara a carreira. Seu filho, igualmente chamado Vicente de la Mata, também seria ídolo no Independiente[9] e jogador da Argentina, no que foi o primeiro caso em que a seleção convocou o filho de alguém que já havia atuado por ela.[7]

Títulos[editar | editar código-fonte]

À direita, enfrentando o River Plate.
Independiente
Seleção Argentina

Referências

  1. TABEIRA, Martín (12 de agosto de 2009). «Southamerican Championship 1937». RSSSF. Consultado em 23 de agosto de 2011 
  2. a b c d POMATO, Alberto (abril de 2011). Vicente de la Mata. El Gráfico Especial n. 29 - "100 Ídolos de Independiente". Revistas Deportivas, pp. 30-31
  3. a b MELO, Tiago (27 de abril de 2011). «Sastre: um craque para brasileiros e argentinos». Futebol Portenho. Consultado em 23 de agosto de 2011 
  4. a b POMATO, Alberto (abril de 2011). Vicente de la Mata. El Gráfico Especial n. 29 - "100 Ídolos de Independiente". Revistas Deportivas, pp. 120-129
  5. LEAL, Ubiratan (abril de 2008). Sim, eles são grandes. Trivela n. 26. Trivela Comunicações, p. 43
  6. VENÂNCIO, Rafael Duarte Oliveira (9 de outubro de 2010). «Independiente – Racing: Tradição de grandes goleadas». Futebol Portenho. Consultado em 23 de agosto de 2011 
  7. a b c d PERUGINO, Elías (junho de 2011). Vicente de la Mata. El Gráfico Especial n. 27 - "100 Ídolos de la Selección". Revistas Deportivas, p. 69
  8. ANÍBAL, Alexandre (3 de janeiro de 2011). «Argentina e Copa América: uma relação de muitas vitórias (Parte I)». Futebol Portenho. Consultado em 23 de agosto de 2011 
  9. POMATO, Alberto (abril de 2011). Vicente de la Mata (h). El Gráfico Especial n. 29 - "100 Ídolos de Independiente". Revistas Deportivas, p. 104