Violeta Parra

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Violeta Parra

Violeta del Carmen Parra Sandoval (San Carlos, 4 de outubro de 1917Santiago do Chile, 5 de fevereiro de 1967) foi uma compositora, cantora, artista plástica e ceramista chilena, considerada a mais importante folclorista e fundadora da música popular chilena.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nasceu em San Carlos, comuna da província de Ñuble, filha de Nicanor Parra e Clarisa Sandoval[1]. Passou grande parte da infância em Lautaro. Sua família tinha poucos recursos econômicos, tinha oito irmãos e dois meio irmãos (filhos de um relacionamento anterior de sua mãe). Seu pai era em professor de música e sua mãe uma camponesa, ambos admiradores da música folclórica. Ao três anos, teve varíola[2].

Na infância, viveu em distintas localidades da zona de Chillán, onde teve as suas primeiras experiências artísticas[3].

Em 1929, compôs suas primeiras canções para violão[1].

Realizou seus estudos escolares até o segundo ano do secundário, abandonando-os em 1934, para trabalhar e cantar com seus irmãos em bares e circos.

Autodidata, cantora e tocadora de violão desde os nove anos, ingressou definitivamente na carreira musical aos 15 anos, após a morte do pai, quando deixou a casa da mãe, no interior do Chile, e foi morar em Santiago com o irmão Nicanor, que estudava na capital. Na época, formou com a irmã Hilda a dupla "Las Hermanas Parra"[4], que cantava músicas folclóricas na noite[5].

Nessa atividade, conheceu o ferroviário Luis Cereceda, com quem se casou em 1938 e teve dois filhos, Isabel e Ángel, que também viriam a se tornar compositores e intérpretes importantes. Em 1948, se separou. A desilusão desse relacionamento marcaria sua vida e obra[3].

Viveu em Valparaíso entre 1943 e 1945, e voltou a Santiago, para cantar junto com seus filhos.

Em 1949, gravou, em parceria com sua irmã Hilda, seu primeiro disco[1], voltou a se casar, com Luis Arce, e teve duas filhas nessa nova união: Luísa Carmen e Rosita Clara, que faleceu antes de completar um ano de idade. Em 1952 começou a pesquisar as raízes folclóricas chilenas e compôs os primeiros temas musicais que a fariam famosa.

Em 1953, já tinha alguns discos gravados, quando a música tradicional chilena viveu um período de resgate e valorização. Foi uma das importantes pesquisadoras de ritmos, danças e canções populares chilenas, chegando a catalogar cerca de 3 mil canções tradicionais[5]. Algumas dessas canções foram publicadas no livro: "Cantos folclóricos chilenos" e no disco "Cantos campesinos", editado originalmente em Paris[2].

Também em 1953:

  • foi contratada pela Rádio Chilena para produzir programas radiofônicos de música folclórica[1], o que impulsionou um rigoroso estudo das manifestações artísticas populares;
  • gravou pela Odeón, duas de sua canções mais conhecidas: "Qué pena siente el alma" e "Casamiento de negros"[2].

Durante o ano de 1955 recebeu o Prêmio Caupolicán e visitou a União Soviética, Polônia, Londres e Paris, cidade onde residiu por dois anos[1]. Realizou gravações para a BBC e para a Odeón e "Chant du Monde". Nesse período também recebeu a notícia da morte, por pneumonia, de sua filha Rosita Clara[2].

Em 1956, após seu retorno ao Chile, começou a coordenar a produção de uma série de discos intitulada "El Folklore de Chile", gravados pela Odeon. Na época, comandava o programa radiofônico "Canta Violeta Parra"[5].

Em 1957, radicou-se em Concepción onde ajudou a impulsionar um museu de arte popular na Universidade daquela cidade[2], voltando a Santiago no ano seguinte[1] onde começou sua produção como artista plástica. Percorreu todo o país, recompilando e difundindo informações sobre o folclore.

Em 1958, fundou o Museu Nacional de Arte Folclórica Chilena.

Em 1959, adoeceu e ficou acamada durante vários meses, situação que a desenvolver seu talento como arpillerista.

Em 1960, expôs pela primeira vez suas pinturas a óleo na Feira de Artes Plásticas do Parque Florestal em Santiago[2] e conheceu e começou a namorar com o musicólogo e antropólogo suíço Gilbert Favré. As dificuldades em sua relação com Gilbert, inspirariam canções como: "Corazón maldito", "¿Qué he sacado con quererte?", "Run Run se fue pa’l norte" e "Maldigo del alto cielo"[2].

Em 1961, mudou-se para a Argentina, onde fez grande sucesso com suas apresentações. Voltou a Paris e ali permaneceu por três anos, percorrendo várias cidades da Europa, destacando-se suas visitas a Genebra. Nesse período:

  • compôs algumas de suas músicas combativas, como: "¿Qué dirá el Santo Padre?", "Arauco tiene una pena" e "Miren cómo sonríen", que podem ser consideradas como o início da Nueva Canción Chilena;
  • escreveu o livro: "Poesía popular de Los Andes"[2].

Entre 18 de abril e 11 de maio de 1964, foi realizada no Museu do Louvre uma exposição de suas pinturas, óleos, arpilleras e esculturas em arame, tendo sido a primeira artista latino-americana a ter uma exposição individual nesse espaço[1].

Em 1965, após o término de seu terceiro casamento, voltou ao Chile, onde se apresentou na "La Peña de los Parra", onde o público podia escutar boa música e tomar vinhos e onde teve início a carreira musical de seus dois filhos: Ángel e Isabel[5]. Depois instalou uma grande tenda com capacidade para cerca de mil pessoas na comuna de La Reina, local também se apresentaram: Patrício Manns, Rolando Alarcón, Víctor Jara, entre outros.

Em 1966, viajou para a Bolívia, onde realizou apresentações em conjunto com Gilbert Favré e gravou seu último disco: "Ultimas composiciones"[1], considerado como o seu melhor disco, que contém canções como: "Maldigo del alto cielo", "Gracias a la vida", "El albertío", "Run Run se fue pa’l norte" e "Volver a los 17"[2].

Emocionalmente abatida pelo fracasso do empreendimento e pelo dramático final do relacionamento amoroso com seu terceiro marido, o músico suíço Gilbert Favre, com quem ainda buscava uma reconciliação[5], cometeu suicídio em 5 de fevereiro de 1967, na tenda de La Reina.

Biografias escritas[editar | editar código-fonte]

Após sua morte foram publicadas diversas biografias, tais como:

  • "El libro mayor de Violeta Parra", de Isabel Parra, publicado em 1985, pela editorial"Meridión", de Madri (Espanha), mais tarde reeditado pela "Cuarto Propio");
  • "Violeta se fue a los cielos", de Ángel Parra, publicado em 2006, que serviria de base para o roteiro do filme homônimo, de 2001, dirigido por Andrés Wood[2].

Política[editar | editar código-fonte]

Violeta Parra pode ser considerada a mãe da canção comprometida com a luta dos oprimidos e explorados, tendo sido autora de páginas inapagáveis, como a canção "Volver a los 17", que mereceu uma antológica gravação de Milton Nascimento e Mercedes Sosa. Outra de suas canções, "La Carta", cantada em momentos de enorme comoção revolucionária, nas barricadas e nas ocupações, tem entre os seus versos o que diz "Os famintos pedem pão; chumbo lhes dá a polícia". Mas suas canções não apenas são marcadas por versos demolidores contra toda a injustiça social. O lirismo dos versos de canções como "Gracias a la vida" (gravada por Elis Regina) embalou o ânimo de gerações de revolucionários latino-americanos em momentos em que a vida era questionada nos seus limites mais básicos, assim como a letra comovedora de "Rin de Angelito", quando descreve a morte de um bebê pobre: "No seu bercinho de terra um sino vai te embalar, enquanto a chuva te limpará a carinha na manhã".

Museu[editar | editar código-fonte]

Em 04 de outubro de 2015, foi inaugurado o Museu Violeta Parra em Santiago[6].

Discografia[editar | editar código-fonte]

  • El caleuche, Judas
  • El buen consejo, Entrégame la cabulla
  • Que rica cena, La cueca del payaso
  • A mi casa llega un gato, Ciento cincuenta
  • Es imposible, Luis ingrato
  • Qué pena siente el alma, Verso por el fin del mundo
  • Casamiento de negros, Verso por padecimiento
  • Verso por matrimonio, La Juana Rosa
  • El palomo, Verso por ponderación
  • Verso por despedida a Gabriela, Verso por el padecimiento de Gabriela
  • El joven Sergio, Canto a lo divino, Anticueca Nº 1, Anticueca Nº 2, Tres palabras, Travesuras
  • Ven acá, regalo mío, En los altos de Colombia
  • Camanchaca, El moscardón, Tocata y fuga, Galambito Temucano
  • Aquí se acaba esta cueca, Ausencia, Miren como corre el agua, Versos por el Apocalipsis, Parabienes de novios, Casamiento de negros, Dicen que el ají maúro
  • La refalosa, Paimiti, El palomo, Viva Dios, Viva la virgen, Cantos a lo divino, Meriana
  • Violeta Parra Vol. I
  • Violeta Parra Vol. II
  • cantos de Chile
  • Violeta ausente
  • Viola Chilensis
  • la jardinera
  • cantos campesions
  • el hombre con su razón
  • décimas y centecimas
  • cantos campesinos
  • las últimas composiciones de Violeta Parra
  • las alturas
  • 20 grandes exitos
  • folklore de Chile Vol. 3
  • folklore de Chile Vol. 4
  • folklore de Chile Vol. 5
  • el folklore y la pasión
  • canto y guitarra
  • un río de sangre

Como artista plástica[editar | editar código-fonte]

Exposições individuais[editar | editar código-fonte]

  • 1964: Exposição individual do corpo humano(desnuda) Louvre, Paris, França.
  • 1970: Recordando a Violeta Parra. Instituto Cultural de Las Condes, Santiago.
  • 2003: Óleos de Violeta Parra, Palacio Consistorial da I. Municipalidad de Santiago, Santiago.

Exposições coletivas[editar | editar código-fonte]

  • Feiras de Artes Plásticas ao ar livre, Museo de Arte Contemporáneo, Universidad de Chile, Santiago.
  • 1959: Exposição pictórica em Buenos Aires, Argentina.
  • Exposição en Genebra, Suiça.

Obras em coleções públicas[editar | editar código-fonte]

  • Fundação Violeta Parra, Santiago de Chile.

Obras em coleções particulares[editar | editar código-fonte]

  • Velorio de Angelito, bordado sobre tela, 27 x 41 cm
  • La Hija Curiosa, óleo sobre madeira, 36 x 46 cm
  • El Machitún, óleo sobre madera, 31 x 46 cm
  • Contra la Guerra, bordado sobre arpileira, 144 x 192 cm
  • Combate Naval I, bordado sobre arpileira, 225 x 130 cm
  • El Circo, bordado sobre tela
  • Árboles Coloridos, óleo sobre madera, 46 x 23 cm
  • La Cantante Calva, 1960, bordado sobre juta natural, 136 x 46 cm
  • Leyendo El Peneca, 1965, óleo sobre madeira, 51 x 73 cm

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h Cronologia, em espanhol, acesso em 05 de fevereiro de 2017.
  2. a b c d e f g h i j Violeta Parra, em espanhol, acesso em 05 de fevereiro de 2017.
  3. a b Violeta Parra (1917-1967), em espanhol, acesso em 04 de fevereiro de 2017.
  4. Essa dupla fez apresentações até outubro de 1953 (cf. Violeta Parra, em espanhol, acesso em 12 de fevereiro de 2017.)
  5. a b c d e VIOLETA PARRA, acesso em 02 de fevereiro de 2017.
  6. Museu Violeta Parra, em espanhol, acesso em 06 de janeiro de 2017.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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