AR-10

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Armalite Assault Rifle 10
AR-10 in the National Firearms Museum.jpg

AR-10
Tipo Espingarda automática
Local de origem EUA
História operacional
Em serviço 19581985
Histórico de produção
Criador Eugene Stoner
Data de criação 1955-1956
Período de
produção
1956-1960
Quantidade
produzida
10.000
Especificações
Peso 4.05 kg
Comprimento 1050 mm
Calibre 7,62 mm NATO
Ação Atuação a gás
Cadência de tiro 700 tpm
Velocidade de saída 820 m/s
Alcance efetivo 630 m

A Armalite AR-10 é uma espingarda automática, arrefecida a ar, alimentada por carregador, operada a gás, de fogo selectivo, que dispara a munição 7,62 x 51 mm NATO (calibre .308 Winchester). Foi desenhada por Eugene Stoner, sendo construídos apenas cerca de 10.000 exemplares.[1]

História[editar | editar código-fonte]

A Armalite foi criada inicialmente como uma divisão da Fairchild em 1954, especificamente destinada à criação de novos materiais e projetos no ramo das armas de fogo. Nesse mesmo ano entrou para a empresa Eugene Stoner, um talentoso engenheiro de armamento ligeiro. A Armalite depressa colocou no mercado vários projetos de armas ligeiras.

Por essa altura o Exército dos Estados Unidos estava a testar várias armas para substituirem o obsoleto M1 Garand. Foram testados os Springfield T44E4 e T44E5 (essencialmente versões do M1 adaptadas para o calibre 7,62 mm) e o Fabrique Nationale T48 (o famoso FN FAL). A Armalite entrou tarde na competição, submetendo dois AR-10 para testes em 1956. Os testes foram favoráveis e, segundo algumas opiniões, o AR-10 foi a melhor espingarda automática testada.

Infelizmente, para a Armalite, o cano da arma, feito de uma liga de alumínio e aço experimental, falhou num teste de resistência. A Armilite depressa o substituiu por um cano de aço convencional, mas o mal estava feito e o AR-10 foi preterido em relação ao Springfield T44, que foi adoptado como M14 em 1957.

A Fairchild Armalite nesse mesmo ano vendeu a licença de fabricação do AR-10 à Artillerie Inrichtingen, uma produtora de armamento dos Países Baixos. Esta empresa construiu um número relativamente reduzido de exemplares do AR-10 para serviço da Guatemala, Birmânia, Itália, Cuba, Sudão e Portugal. Também a Alemanha, Áustria, Países Baixos, Finlândia e África do Sul compraram alguns exemplares para testes. Algumas das 100 AR-10 comprados pelo regime cubano de Fulgêncio Baptista, foram depois cedidos pelo regime de Fidel Castro aos guerrilheiros comunistas da República Dominicana.

Em 1958 a Armalite desenvolveu o AR-15, uma versão do AR-10 adaptada à munição 5,56 x 45 mm NATO. Contudo o insucesso das tentativas de venda do AR-10 e do AR-15 fizeram com que os seus direitos fossem vendidos à Colt. Esta conseguiu fazer com que as Forças Armadas dos EUA adoptassem o AR-15, tornando-se o famoso M16. A Fairchild acabou por dissolver a sua associação com a Armalite em 1962.

Legado de produção AR-10[editar | editar código-fonte]

Em 1995, antigo oficial do exército de Munições, Mark Westrom, dono da Eagle Arms, comprou a marca ArmaLite e a companhia se tornou ArmaLite Inc. Pouco tempo após, ArmaLite Inc. introduziu um rifle completamente novo, conhecido coletivamente de série AR-10B de rifles. Notavelmente, o AR-10B não foi projetado utilizando o desenho original do AR-10, mas ao invés disso, foi baseado na Colt AR-15A2, com partes ampliadas ou reprojetadas como necessário para atirar com o cartucho de 7.62x51mm NATO (.308 Winchester). O protótipo AR-10B foi composto de sub-componentes individuais, testados num receptor especial menor, feito de duas placas de alumínio equipados em um SR-25, da empresa Knights Armament Company, montado num receptor superior, e prototipado utilizando análises de computador. O protótipo completo do AR-10B foi o primeiro rifle fora da linha de produção. Desde 1995, a nova companhia ArmaLite também incorporou vários outros projetos e melhoramentos de engenharia para o AR-10, incluindo um novíssimo cartucho de metal, derivado do modelo dos Estados Unidos, rifle M14. A atual ArmaLite AR-10 é oferecida em diversas versões, incluindo um rifle A2 e A4 ou carabina com armazenamento desmontável, um alvo modelo (AR-10T), uma AR-10B retro com estilo sudanês de punho e alavanca de armar (produção limitada) e uma versão de calibre 300, Remington SAUM. Atuais usuários incluem a Polícia Tática de Ontario e a Unidade de Resgate.

Enquanto ArmaLite Inc. detém a marca americana de nome "AR-10", outros produtores de rifles produzem automáticas de 7.62x51mm que são baseadas no design do AR-10: o DPMS LR-308, KAC SR-25, Rock River Arms LAR-8, American Spirit Arms ASA .308, Fulton Armory Titan, LWRC's R.E.P.R., Bushmaster MOE 16 .308 e Smith & Wesson M&P10.

Utilização em Portugal[editar | editar código-fonte]

Páraquedistas portugueses armados de AR-10 saltam de um helicóptero na Guerra de Angola no início da década de 1960

Em 1960, a Força Aérea Portuguesa procurava uma espingarda automática para equipar as suas recém formadas Tropas Pára-quedistas, até então equipadas com o armamento padrão em uso no Exército Português (pistolas-metralhadora FBP e espingardas de repetição Mauser m/938), considerado inadequado para aquelas tropas de elite. Através da empresa belga SIDEM Internacional, foram adquiridas AR-10 fabricadas pela Artillerie Inrichtingen. Estas armas vieram a conhecer, pouco tempo depois, um intenso serviço em combate, equipando os Batalhões de Caçadores Pára-quedistas empenhados na Guerra do Ultramar, em Angola, Guiné e Moçambique. A AR-10 ganhou uma reputação de precisão e confiabilidade, apesar das más condições a que estava sujeita em África.

Algumas AR-10 portuguesas foram adaptadas de modo a poderem montar miras telescópicas de 3x ou 3,6x. Estas armas eram utilizadas por atiradores especiais em pequenas patrulhas para eliminarem guerrilheiros inimigos a grande distância. Outras AR-10 eram utilizadas pelos páraquedistas para o lançamento de granadas montadas na boca do cano.

Os planos para aumentar o número de AR-10 em serviço foram gorados em virtude do embargo holandês de armas a Portugal. As tropas pára-quedistas começaram então a ser equipadas com uma versão de coronha rebatível da espingarda automática G3 já em uso nas outras forças portuguesas. Apesar disso, alguns exemplares da AR-10 mantiveram-se em serviço e ainda equiparam o Destacamento de Pára-quedistas enviado para Timor em 1975.

Utilização no Brasil[editar | editar código-fonte]

O Brasil utilizará a espingarda automática AR-10 no BOPE do Rio de Janeiro, já foram encomendados 600 novos fuzis de coronha, punho e outras partes verdes; que é para compor o novo uniforme camuflado que será utilizado no combate ao crime nas favelas e nas matas do estado.

Referências

  1. "Armalite AR-10 (USA)". Página acessada em 10 de agosto de 2014.