AR-10

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Armalite Assault Rifle 10
AR-10 in the National Firearms Museum.jpg

AR-10

Tipo Espingarda automática
Local de origem EUA
História operacional
Em serviço 19581985
Histórico de produção
Criador Eugene Stoner
Data de criação 1955-1956
Período de
produção
1956-1960
Quantidade
produzida
10.000
Especificações
Peso 4.05 kg
Comprimento 1050 mm

Calibre 7,62 mm NATO
Ação Atuação a gás
Cadência de tiro 700 tpm
Velocidade de saída 820 m/s
Alcance efetivo 630 m

A Armalite AR-10 é uma espingarda automática, arrefecida a ar, alimentada por carregador, operada a gás, de fogo selectivo, que dispara a munição 7,62 x 51 mm NATO (calibre .308 Winchester). Foi desenhada por Eugene Stoner, sendo construídos apenas cerca de 10.000 exemplares.

História [editar]

A Armalite foi criada inicialmente como uma divisão da Fairchild em 1954, especificamente destinada à criação de novos materiais e projetos no ramo das armas de fogo. Nesse mesmo ano entrou para a empresa Eugene Stoner, um talentoso engenheiro de armamento ligeiro. A Armalite depressa colocou no mercado vários projetos de armas ligeiras.

Por essa altura o Exército dos Estados Unidos estava a testar várias armas para substituirem o obsoleto M1 Garand. Foram testados os Springfield T44E4 e T44E5 (essencialmente versões do M1 adaptadas para o calibre 7,62 mm) e o Fabrique Nationale T48 (o famoso FN FAL). A Armalite entrou tarde na competição, submetendo dois AR-10 para testes em 1956. Os testes foram favoráveis e, segundo algumas opiniões, o AR-10 foi a melhor espingarda automática testada.

Infelizmente, para a Armalite, o cano da arma, feito de uma liga de alumínio e aço experimental, falhou num teste de resistência. A Armilite depressa o substituiu por um cano de aço convencional, mas o mal estava feito e o AR-10 foi preterido em relação ao Springfield T44, que foi adoptado como M14 em 1957.

A Fairchild Armalite nesse mesmo ano vendeu a licença de fabricação do AR-10 à Artillerie Inrichtingen, uma produtora de armamento dos Países Baixos. Esta empresa construiu um número relativamente reduzido de exemplares do AR-10 para serviço da Guatemala, Birmânia, Itália, Cuba, Sudão e Portugal. Também a Alemanha, Áustria, Países Baixos, Finlândia e África do Sul compraram alguns exemplares para testes. Algumas das 100 AR-10 comprados pelo regime cubano de Fulgêncio Baptista, foram depois cedidos pelo regime de Fidel Castro aos guerrilheiros comunistas da República Dominicana.

Em 1958 a Armalite desenvolveu o AR-15, uma versão do AR-10 adaptada à munição 5,56 x 45 mm NATO. Contudo o insucesso das tentativas de venda do AR-10 e do AR-15 fizeram com que os seus direitos fossem vendidos à Colt. Esta conseguiu fazer com que as Forças Armadas dos EUA adoptassem o AR-15, tornando-se o famoso M16. A Fairchild acabou por dissolver a sua associação com a Armalite em 1962.

Utilização em Portugal [editar]

Páraquedistas portugueses armados de AR-10 saltam de um helicóptero na Guerra de Angola no início da década de 1960

Em 1960, a Força Aérea Portuguesa procurava uma espingarda automática para equipar as suas recém formadas Tropas Pára-quedistas, até então equipadas com o armamento padrão em uso no Exército Português (pistolas-metralhadora FBP e espingardas de repetição Mauser m/938), considerado inadequado para aquelas tropas de elite. Através da empresa belga SIDEM Internacional, foram adquiridas AR-10 fabricadas pela Artillerie Inrichtingen. Estas armas vieram a conhecer, pouco tempo depois, um intenso serviço em combate, equipando os Batalhões de Caçadores Pára-quedistas empenhados na Guerra do Ultramar, em Angola, Guiné e Moçambique. A AR-10 ganhou uma reputação de precisão e confiabilidade, apesar das más condições a que estava sujeita em África.

Algumas AR-10 portuguesas foram adaptadas de modo a poderem montar miras telescópicas de 3x ou 3,6x. Estas armas eram utilizadas por atiradores especiais em pequenas patrulhas para eliminarem guerrilheiros inimigos a grande distância. Outras AR-10 eram utilizadas pelos páraquedistas para o lançamento de granadas montadas na boca do cano.

Os planos para aumentar o número de AR-10 em serviço foram gorados em virtude do embargo holandês de armas a Portugal. As tropas pára-quedistas começaram então a ser equipadas com uma versão de coronha rebatível da espingarda automática G3 já em uso nas outras forças portuguesas. Apesar disso, alguns exemplares da AR-10 mantiveram-se em serviço e ainda equiparam o Destacamento de Pára-quedistas enviado para Timor em 1975.