A Gaivota

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A Gaivota
Comédia
Maly Theatre foto 4.jpg

Produção da peça no teatro de Maly em 2008.
Data de apresentação 17 de outubro de 1896 (117 anos)
Autor Anton Tchekhov
País  Rússia
Atos IV

A Gaivota (em Russo Чайка, Tchaika) é uma peça de teatro do dramaturgo russo Anton Tchekhov (1860-1904). A peça foi concebida pelo autor como uma comédia, mas ela foi interpretada e é tida por alguns como um drama ou uma tragédia.[1] O próprio Tchekhov chamou-lhe "uma comédia, três papéis de mulher, seis para homens, quatro atos, uma paisagem (vista para um lago), muitas conversas sobre a literatura, um pouco de ação, um toque de amor".

Tchekhov começou a escrever A Gaivota em outubro de 1895. Em dezembro de 1895, leu o texto a amigos, atores de teatro em Moscovo. O diretor do teatro, Kors, também presente, disse: "meu caro, isto não é para o palco!". Tchekhov ficou surpreso e reescreveu a peça. Informou-se sobre pormenores técnicos de encenação com Vladimir Nemirovic-Dancenko. Em agosto de 1896, a censura (todas as obras culturais na Rússia eram censuradas) dá-lhe carta livre. Tchekhov baseou-se no caso de Lika Mizinova para a figura Nina. Trigorin é inspirado em Ignatij Potapenko.

Personagens[editar | editar código-fonte]

  • Arkadina, Irina Nicolaevna (Senhora Trepilovna pelo casamento), atriz
  • Treplev, Konstantin Gavrilovich (Kostia)
  • Sorin, Piotr Nicolaievich (Petrusha), irmão de Irina
  • Zarechnaia, Nina Mihailovna, jovem filha de um proprietário rural endinheirado
  • Shamrayev, Ilya Afanasyevich, tenente aposentado e administrador de Sorin
  • Polina Andryevna, esposa de Ilya
  • Masha (Maria Ilichna), filha Ilya
  • Trigorin, Boris Aleksievich, escritor
  • Dorn, Yevgeny Sergeievich, médico
  • Medvedenko, Semion Semionovich, professor
  • Yakov, moço
  • Um cozinheiro
  • Uma criada

Sinopse[editar | editar código-fonte]

A Gaivota narra os conflitos de um jovem escritor. Os conflitos dos personagens criam uma ligação direta com o espectador ao mesmo tempo em que apresenta uma visão profunda de uma sociedade cada vez mais vulnerável aos males existenciais. A peça representa uma harmonia estética natural, algo incompatível com a frustração encarada pelo personagem central da trama. A poesia é um dos recursos mais utilizados.[2]

A figura central da peça chama-se Treplev é um filho de uma atriz famosa, Arkadina, que ao apresentar sua peça ao ciclo social de sua mãe fracassa duas vezes: Por sua peça rejeitada pela elite da arte e por seu amor, Nina, ter se apaixonando se por Trigorin, famoso escritor namorado da mãe de Treplev.

Treplev é um hamlet da comédia, um escritor romântico cheio de mudanças de humor e em permanente conflito interior, ridicularizado ainda mais pelo contraste entre os seus ideiais utópicos e as roupas simples e ridículas que usa, como pretendido por Tchecov, para espanto daqueles que viam na figura de Treplev um herói. Quando ele se decide suicidar, ouve-se um disparo vindo do jardim. Na casa, todos ouviram o disparo e pressentiram o que se passava. É então que Dorn diz: "aquilo foi um frasco de éter que rebentou", uma passagem que siderou alguns dos encenadores.

Histórico de encenações[editar | editar código-fonte]

A 17 de outubro de 1896, A Gaivota foi encenada pela primeira vez, no teatro Alexandre, em São Petersburgo. A peça foi vaiada e Tchekhov deixou o teatro em sobressalto, sem se despedir.[1] No entanto, dois anos depois, em dezembro de 1898 quando foi encenada pela segunda vez, foi um sucesso. Seguiram-se exibições por toda a Rússia, inclusive em Moscovo e Taganrog.

No Brasil, a peça teve como intérpretes, dentre outros, Pedro Cardoso, Fernanda Torres, Fernanda Montenegro, Samantha Dalsoglio, Fernando Torres, Celso Frateschi, Sérgio Britto, Renata Sorrah e Enrique Diaz.

Na Bahia, a peça foi produzida pela Lima Comunicação e realizada pela Cia Os Argonautas, com direção de Marcelo Flores e Harildo Deda. No elenco, Alethea Novaes, Annalu Tavares, Celso Junior, Jarbas Oliver, Lucci Ferreira, Márcia Andrade, Veríssimo Vasconcelos, Vivianne Laert,Tom Carneiro e Widoto Áquila.

Referências

  1. a b : Hoje na História RicardoOrlandini.net. (Novembro, 2009).
  2. A GAIVOTA vetor cultural.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • TCHEKHOV, ANTON PAVLOVITCH. GAIVOTA, A. 1ª ed. [S.l.]: COSAC & NAIFY, 2004. 111 p. ISBN 857503308-5