Astronotus ocellatus
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| Astronotus ocellatus ( Agassiz, 1831) |
O Astronotus ocellatus é uma espécie da família dos Cichlidae conhecidos sob uma grande variedade de nomes, como oscar e apaiari.[1] Na América do Sul, onde a espécie ocorre, o A. ocellatus é encontrado à venda como alimento nos mercados locais.[2][3] Porém, seu crescimento lento limita seu potencial para aquacultura.[4] A espécie também é muito popular como peixe de aquário.[5][6]
Índice |
[editar] Aparência, tamanho e coloração
Existem relatos de A. ocellatus que cresceram até o comprimento de 45 cm, atingindo um peso de 1,6 kg.[1] Os espécimes capturados na natureza são tipicamente escuros, com manchas alaranjadas, ou ocelos, no pedúnculo caudal e na nadadeira dorsal.[5][6] Foi sugerido que a função desses ocelos é limitar o ebarrar de nadadeiras pelas piranhas (Serrasalmus spp.), o que também ocorre com o A. ocellatus no seu ambiente natural.[7] Estudos posteriores têm sugerido que os ocelos podem também ser importantes para comunicação intraespécie.[8] Os espécimes também conseguem alterar rapidamente sua coloração, uma característica que facilita o comportamento ritual, territorial e de combate entre indivíduos da mesma espécie.[9] A. ocellatus jovens têm uma coloração diferente dos adultos e são listrados de faixas onduladas brancas e laranjas, além de possuírem cabeças com manchas.[8]
[editar] Distribuição e habitat
O A. ocellatus é nativo do Peru, Colômbia, Brasil e Guiana Francesa, e ocorre na bacia Amazônica, ao longo do sistema formado pelos rios Amazonas, Iça, Rio Negro, Solimões e Ucaiali, podendo também ser encontrado nos rios Apuruaque e Oiapoque.[1][2] Em seu ambiente natural, a espécie geralmente ocorre em habitat de rios com correntes lentas e águas brancas, e tem sido observado abrigando-se sob troncos submersos.[5] Populações ferais também ocorrem na China,[10] norte da Austrália,[11] e Flórida[12] como efeito colateral do comércio de peixes ornamentais. A distribuição da espécie está limitada pela sua intolerância a águas frias, o limite letal para essa espécie é de 12.9 °C.[13] São peixes de águas ácidas e neutras, com boa tolerância a alcalinas, o PH ideal fica em torno de 6.8 a 7.0.
[editar] Dismorfismo sexual e reprodução
Embora a espécie seja considerada largamente monomorfa sexualmente,[5] é sugerido que os machos cresçam mais rápido, e em alguns grupos de ocorrência natural, foi notado que os machos possuem manchas escuras na base da nadadeira dorsal.[6][8] Os espécimes atingem a maturidade sexual com aproximadamente um ano de idade e continuam a se reproduzir de 9 a 10 anos. A freqüência e o tempo de sua reprodução podem estar relacionados com a ocorrência das chuvas.[14] A. ocellatus são peixes de substrato reprodutivo biparental embora informações detalhadas sobre sua reprodução na natureza seja escassa. Foi observado que o estreitamente relacionado Astronotus crassipinnis pode, quando em perigo, proteger a cria em sua boca de maneira que lembra os Geophagus. Esse comportamento, entretanto, ainda não foi observado no A. ocellatus.[6] Em cativeiro os pares são conhecidos por geralmente selecionar e limpar superfícies lisas horizontais ou verticais onde depositam de 1000 a 3000 ovas. Como na maioria dos ciclídios, o A. ocellatus protege sua cria, entretanto, a duração dessa proteção na natureza permanece desconhecido.[6]
[editar] Alimentação e presas
O exame do conteúdo do estômago de A. ocellatus por Winemiller (1990) demonstrou que sua dieta natural consiste primeiramente de insetos aquáticos e terrestres (que compreendem 60% de sua dieta), embora pequenos peixes, e de maneira bem menor crustáceos, também sejam consumidos. A maioria dos peixes ingeridos por um A. ocellatus na natureza eram relativamente sedentários como peixes-gato, e incluindo as espécies Bunocephalus, Rineloricaria e Ochmacanthus.[7] A espécie usa um mecanismo de sucção, gerado por extensões mandibulares, para capturar a presa,[15] e já foi reportado exibições de mimetização de morte similar ao Parachromis friedrichsthalii e ao Nimbochromis livingstonii.[16][17] A espécie também tem uma absoluta necessidade de Vitamina C e desenvolve problemas de saúde em sua falta.[18]
[editar] História, taxonomia e sinonímia
A espécie foi originalmente descrita por Louis Agassiz em 1831 como Lobotes ocellatus, já que ele erroneamente acreditou que fosse uma espécie marinha, trabalhos posteriores assinalaram a espécie como sendo do gênero Astronotus.[8] A espécie também possui um certo número de sinônimos juniores: Acara compressus, Acara hyposticta, Astronotus ocellatus zebra e Astronotus orbiculatus.[19]
[editar] Reprodução seletiva
Um sem número de variedades ornamentais do A. ocellatus têm sido desenvolvidas pela indústria aquarista. Isso inclui formas com grande intensidade e quantidade de vermelho marmóreo por seus corpos, albinas, leucísticas e xantocrômicas. A. ocellatus com manchas marmóreas de pigmentação vermelha são ventidos como oscars red tiger, enquanto linhagens com coloração vermelha principalmente nos flancos são frequentemente vendidos sob o nome comercial de oscars vermelhos.[20] O padrão de pigmento vermelho difere entre indivíduos, no Reino Unido há o relato de um A. ocellatus com marcas que se assemelham à palavra árabe para Alá.[21] Em anos recentes variedades de barbatana longa têm sido desenvolvidos.
[editar] No aquário
Os A. ocellatus são populares como animais de estimação, e são considerados como inteligentes pelos aquaristas. Em parte porque eles aprendem a associar seus donos com alimento[6] e é suposto que podem distinguir seus donos de estranhos.[20]
Apesar de seu grande tamanho e natureza predatória, o A. ocellatus é um habitante relativamente calmo no aquário, melhor abrigado com outros peixes grandes demais para serem considerados como alimento.[5][6][20]
A. ocellatus são conhecidos por desenraizar plantas, e por mover outros objetos em aquários.[22] São melhor mantidos em aquários com volume entre 200 e 600 litros.[20][22]
O A. ocellatus é relativamente tolerante à típica composição química das águas de aquário,[5] por seu grande tamanho e hábitos caóticos de alimentação, necessitam que um eficiente sistema de filtragem seja instalado no aquário.[20] O A. ocellatus não demanda um regime rígido em cativeiro, aceitando uma gama de alimentos que inclui pedaços de peixes e alimentos preparados para ciclídios.[5][6][20]
[editar] Ver também
Referências
- ↑ a b c Froese, R. and D. Pauly. Editors.. Astronotus ocellatus, Oscar. FishBase. Página visitada em 2007-03-16.
- ↑ a b Kullander SO.. Cichlids: Astronotus ocellatus. Swedish Museum of Natural History. Página visitada em 2007-03-16.
- ↑ CC. Kohler, WN. Camargo, ST. Kohler F. Alcantara, M.Rebaza, S. Tello, M. Del Aguila, G.Alvarez, M.Chonta, M. Maldonado, M. Magariños, A. Antezana, MA. Villacorta C., R, Roubach, S.Duque, E.Agudelo, C. Augusto Pinto, S. Ricaurte, J Machoa.. Aquaculture Crsp 22nd Annual Technical Report. Oregon State University, USA. Página visitada em 2007-03-16.
- ↑ Keith, P. O-Y. Le Bail & P. Planquette, (2000) Atlas des poissons d'eau douce de Guyane (tome 2, fascicule I). Publications scientifiques du Muséum national d'Histoire naturelle, Paris, France. p.286
- ↑ a b c d e f g Staeck, Wolfgang;Linke, Horst. American Cichlids II: Large Cichlids: A Handbook for Their Identification, Care, and Breeding. Germany: Tetra Press, 1995. ISBN 156465169X
- ↑ a b c d e f g h Loiselle, Paul V.. The Cichlid Aquarium. Germany: Tetra Press, 1995. ISBN 1-56465-146-0
- ↑ a b Winemiller KO (1990) Caudal eye spots as deterrents against fin predation in the neotropical cichlid Astronotus ocellatus. Copeia 3: 665-673
- ↑ a b c d Robert H. Robins. Oscar. Florida Museum of Natural History. Página visitada em 2007-03-18.
- ↑ SC. Beeching (1995) Colour pattern and inhibition of aggression in the cichlid fish Astronotus ocellatus. Journal of Fish Biology 47: 50.
- ↑ X. Ma, X. Bangxi, W. Yindong and W. Mingxue (2003) Intentionally Introduced and Transferred Fishes in China’s Inland Waters. Asian Fisheries Science 16: 279-290.
- ↑ Department of primary industry and fisheries.. Noxious fish - species information. Queensland Government, Australia. Página visitada em 2007-03-16.
- ↑ United States Geological Survey.. NAS - Species FactSheet Astronotus ocellatus (Agassiz 1831). United States Government. Página visitada em 2007-03-17.
- ↑ Shafland, P. L. and J. M. Pestrak. 1982. Lower lethal temperatures for fourteen non-native fishes in Florida. Environmental Biology of Fishes 7:139-156.
- ↑ Pinto Paiva, M & Nepomuceno, FH (1989) On the reproduction in captivity of the oscar, Astronotus ocellatus (Cuvier), according to the mating methods (Pisces - Cichlidae). Amazoniana 10: 361-377.
- ↑ TB. Waltzek, PC. Wainwright (2003) Functional morphology of extreme jaw protrusion in Neotropical cichlids. Journal of Morphology 257: 96-106.
- ↑ Tobler, M. (2005) Feigning death in the Central American cichlid Parachromis friedrichsthalii. Journal of Fish Biology 66: 877-881.
- ↑ Gibran, FZ. (2004) Dying or illness feigning: An unreported feeding tactic of the Comb grouper Mycteroperca acutirostris (Serranidae) from the Southwest Atlantic. Copeia 403–405.
- ↑ DM. Fracalossi, ME. Allen, DK. Nicholsdagger & OT. Oftedal (1998) Oscars, Astronotus ocellatus, Have a Dietary Requirement for Vitamin C. The Journal of Nutrition 128:1745-1751.
- ↑ Froese, R. and D. Pauly. Editors.. Synonyms of Astronotus ocellatus. FishBase. Página visitada em 2007-03-21.
- ↑ a b c d e f Sandford, Gina;Crow, Richard. The Manual of Tank Busters. USA: Tetra Press, 1991. ISBN 3-89356-041-6
- ↑ BBC News. Tropical fish 'has Allah marking'. BBC, UK. Página visitada em 2007-03-18.
- ↑ a b Leibel, Wayne S. A fishkeepers guide to South American Cichlids. Belgium: Tetra Press, 1993. ISBN 1-56465-103-7