Capitão Gancho

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Capitão Gancho
Personagem de Peter Pan
Nome original James Hook
Outro(s) nome(s) Jas.
Morada Terra do Nunca
Origem Inglês
Sexo Masculino
Espécie Humano
Cabelo Preto
Olhos Azuis
Características Gancho no lugar da mão direita
Atividade(s) Pirataria
Inimigo(s) Peter Pan, Wendy Draling, Sininho e os Meninos Perdidos
Criado por James Matthew Barrie
Romance(s) Peter and Wendy
Peça(s) Peter Pan Or The Boy Who Wouldn't Grow Up
Primeira aparição Peter Pan (Filme)
Última aparição Terra do Nunca
Época(s) séculos XVII e XX

O Capitão James Gancho (originalmente James Hook) é um personagem de ficção originário do livro e peça de teatro Peter Pan, de James Matthew Barrie, sendo um dos mais conhecidos vilões da literatura e cinema. Gancho é um notório capitão pirata que comanda um navio chamado "Jolly Roger", ancorado em uma baía da Terra do Nunca. Possui a mão direita substituída por um gancho, após ter sido decepada propositadamente por seu arqui-inimigo Peter Pan em uma luta contra o mesmo, onde foi dada de comer por Peter Pan a um grande crocodilo-de-água-salgada. O crocodilo apreciou tanto o sabor da mão do capitão, que veio a persegui-lo para devorar o que lhe restou do corpo desde então. Por sorte, o crocodilo engoliu um relógio, e sempre que o animal se aproxima, o 'tic tac' alerta Gancho e o previne de ser devorado.

Seu imediato é Starkey, não como atribuído por muitos popularmente. Smee só vem a ser o seu braço direito, o seu homem de confiança, porém não era seu melhor amigo, pois Gancho é desprovido de amigos. Smee ocupa o cargo de bosun (ou boatswain), termo que não possui tradução específica para o português pelo fato de ser originário da marinha britânica, e se refere aos oficiais que lideram oficiais ou marinheiros não comissionados em um navio. "Bosuns" também se distinguem por serem extremamente conhecedores de conserto de navios e liderarem a divisão dos homens permitidos ao seu posto nas batalhas.

É dito que Capitão Gancho era o único homem temido por Long John Silver (o terrível pirata do livro de Robert L. Stevenson, A Ilha do Tesouro) "...E Flint temia Silver", complementava. E também foi o "bosun" do próprio Barba Negra.

Ele detesta Peter Pan obsessivamente, como também aos Meninos Perdidos, e está disposto a persegui-los a vida inteira na esperança de vê-los andar na prancha e matar Peter Pan.

Há muitas adaptações das características do personagem, desde sua personalidade à sua aparência física, adaptações estas que costumam cair em contradição com as atribuições dadas pelo autor do livro original. Nunca houve uma adaptação literária de Peter and Wendy que retratasse os piratas ou outros personagens da Terra do Nunca como sendo plenamente provenientes das suas épocas efetivas.

Personalidade[editar | editar código-fonte]

Gancho possui uma natureza ao mesmo tempo impiedosa e maligna, mas certos sentimentos, principalmente quando se trata de Wendy, e como muitas vezes descrito no livro de J. M. Barrie, é arrependido de maltratar tanto os Meninos Perdidos. No entanto, nos momentos em que ele se mostra mais cortês, parece ainda mais medonho. Gancho tem uma essência sombria, deprimida, e quando se encontra mais triste são nos momentos em que conversa sozinho (principalmente quando se refere a si mesmo na terceira pessoa), resultado de ser um homem muito solitário, ou ao estar junto à tripulação observando os humildes homens conversando entre si enquanto ele não se interage, mesmo possuindo uma mente brilhante e grande conhecimento para transmitir. Entretanto, é citado que esta característica foi adquirida em sua escola, o Colégio de Eton, pelo fato dos mais cultos (geralmente os alunos mais velhos) não se misturarem com os de conhecimento mais rudimentar, sendo estes a classe dos alunos mais jovens ou os atrasados, automaticamente excluídos. Embora ele se comporte dessa maneira, na realidade isso não se deve ao fato de sentir medo em se socializar, mas apenas de optar por não fazê-lo.

Surpreendentemente, ele é deprimido pelo fato das crianças não gostarem dele, e não gosta de si mesmo por essa razão. Outro motivo, é quando ele repara nas suas tendências narcisistas, atribuindo então que fosse melhor talvez nem ter nascido. As únicas vezes em que se sente feliz é quando ele enterra seu gancho nas tripas de alguém, testemunhando o enrubescimento de seus atraentes olhos azuis na sequência. Apesar de sua evidente maldade, ele possui um lado sensível e gosta de flores, principalmente rosas, aprecia música suave, toca cravo, flauta, gosta de Shakespeare e de poemas (especificamente aqueles escritos pelo estilo incomum dos Lake Poets), sendo também um ótimo contador de histórias. Em política ele é um conservador.

Ele costuma fumar charuto com uma espécie de objeto que possui um segurador duplo especial, de forma que ele pudesse fumar dois deles ao mesmo tempo.

O Capitão, afinal, não é só interessado em matar Peter Pan para tomar posse da Terra do Nunca, e por maior que seja o ódio por sua mão ter sido amputada, se orgulha pelo fato de ter sido substituída por seu gancho (no livro de James Barrie, há um momento no qual ele brinca com sua tripulação ao afirmar que, se tivesse filhos, queria que eles tivessem ganchos em suas mãos). Seu ódio por Peter Pan é anterior ao incidente e justificado pelo fato de Peter ser muito convencido.

Gancho é obcecado com "boa postura", de certa forma, para esconder o fúnebre interior consequente. O Pops, que é uma sociedade de Eton, tem o costume de fazer um exame para o indivíduo que deseja participar dela, onde um dos principais testes levanta a questão do "bom tom", cujas regras para ser aprovado são fingir não conhecê-lo, mas se mostrar capaz de possuir o glamour por natureza. Gancho tinha certo ciúmes de Smee, pois as crianças o apreciavam incondicionalmente por mais que lhes fizesse mal (graças à sua lealdade a ele), e se perguntava se seu bosun possuía esse dom dos "modos" no interior. Já pensou até em matá-lo por isso, mas isso era indispensavelmente fora das regras de etiqueta.

Gancho é um homem corajoso, disposto quase sempre a cravar uma luta justa entre seus inimigos e, principalmente, não tem medo de enfrentar os perigos que se encontram a sua frente. A única coisa que ele teme é o crocodilo específico que o persegue na Terra do Nunca, e uma vez na sua vida que se encontrou ferido e seu sangue estava com uma cor fora do comum, incluindo o fato de possuir certa fobia em relação a água (ele era sempre o último a deixar o navio).

Criação do personagem[editar | editar código-fonte]

Gancho não aparecia tão cedo na peça de teatro, com o caprichoso e coercivo Peter Pan encontrado da maneira mais próxima como um "vilão" nela. Ele foi criado para aparecer na cena inicial atuando na frente da cortina enquanto o cenário da Terra do Nunca era trocado para enfermaria da casa da família Darling, descrevendo a jornada das crianças para casa. Barrie expandiu a cena enquanto desenvolvia a peça.

O personagem inicialmente seria interpretado por uma mulher, Dorothea Baird, que era também atriz de cinema. A atriz já fazia a figura da mãe, Mary Darling. Gerald du Maurier (que substituiu Seymour Hicks, pois ela recusara a fazer o papel), pai de Sylvia Llewelyn Davies (a mãe das crianças que inspiraram Barrie a criar a história de Peter Pan), que fazia o papel de George Darling, persuadiu Barrie a deixá-lo fazer o papel adicional no lugar de Dorothea. Uma decisão de elenco que até hoje é aplicada em vários filmes e peças de teatro adaptadas sobre a história de Peter Pan.

A filha de Sir Gerald du Maurier, Angela, é onde o nome do meio de Wendy foi baseado.

Aparência[editar | editar código-fonte]

No livro de James Barrie, Gancho é descrito como cadavérico, lúgubre, com cabelo preto cacheado feito velas negras a distância, de olhos azuis inesquecíveis e depressivos. Possui um gancho no lugar da mão direita, que é frequentemente substituído no lugar da mão esquerda, como no filme de Steven Spielberg, Hook, cujo ator que o interpreta (Dustin Hoffman) prefere trocar pois ele é destro e dificultaria a manusear os objetos durante o filme. Também, nesse mesmo filme, o cabelo de Gancho é simplesmente uma peruca. No filme de animação da Disney de 1953, a justificativa que eles dão a cerca da substituição da mão que apresenta o gancho no lugar é de que seria mais fácil de representar os movimentos do personagem quando ele fosse ser desenhado. E também, na parte em que Gancho captura Sininho podemos notar que ele possui olhos verdes, mas isso é pelo fato de sua aparência ter sido baseada na do desenhista que o criou.

Na trilogia dos Catadores de Estrelas, escrito por Dave Barry e Ridley Pearson (Peter and the Starcatchers), Gancho é descrito como gorduroso, imundo, com um hálito terrível, olhos negros e um extenso bigode preto.

Ele costuma usar um grande chapéu com penas, calças até os joelhos, um casaco vermelho, possui certo ar de elegância e tem uma adorável dicção. Isso contrasta a descrição de Barrie na novela: "De certa forma ele é vestido com as vestimentas associadas com o nome de Carlos II". Mais tarde, Barrie também o descreveu como "Em uma palavra, o homem mais bonito que eu já vi, porém, ao mesmo tempo, talvez um pouco nojento" (J.M. Barrie no seu discurso "Capitão Gancho em Eton", em Mconnachie & JMB Speeches By J M Barrie).

Ele costuma carregar um terrível veneno, "...misturado por ele de todas as alianças mortais que já possuiu. Este ele fervera em um líquido amarelo totalmente desconhecido pela ciência, e era provavelmente a mistura mais venenosa da existência." como afirma Barrie. Nota-se também que na versão do filme de Peter Pan de 2003 (com Jason Isaacs e Jeremy Sumpter) que a cor do veneno é modificada. Eles adaptam a descrição, afirmando que o veneno "vermelho" vinha de suas lágrimas quando seus olhos ficavam rubros, "...uma mistura de malícia, ciúme e decepção". No livro de James Van Hart, Capt. Hook - The Adventures Of A Notorious Youth, o sangue de Gancho é descrito como sendo amarelo, da mesma forma que Barrie cita em "Capitão Gancho em Eton". O que se interpreta dessa observação é que se tende a relacionar o veneno que Gancho trás consigo com algo que vem dele próprio, que tenha a ver com dor ou sofrimento.

O personagem tradicionalmente é interpretado pelo mesmo ator que faz o papel do pai das crianças. Isto é baseado na crença de que "Todos os adultos são piratas".

Biografia do personagem[editar | editar código-fonte]

Barrie afirma que "Gancho não era seu nome verdadeiro. Para revelar quem ele realmente era, mesmo nessa data estabelecida, faria o país entrar em caos". Ele relata o conto de como Peter Pan cortou sua mão e a alimentou ao crocodilo, mostrando a causa da rivalidade entre eles. Barrie explica que "ele era o imediato do Barba Negra, e o único homem que Long John Silver temia". É citado que ele estudou no Colégio de Eton; na peça, as palavras finais de Gancho são "Floresça Etona" (Floreat Etona), o lema do Colégio. Barrie confirmou isto no seu discurso chamado "Capitão Gancho em Eton", no ano de 1927, na própria escola.

Exatamente como Gancho veio a estar na Terra do Nunca, foi como ele veio a se tornar um malicioso e um pirata, como ele veio a se tornar o Capitão do Jolly Roger, nunca foi explicado por Barrie. Alguns acreditam simplesmente que Gancho é só o equivalente do que o pai de Wendy. Outros sugestionam que Gancho era, de fato, Rei Carlos II da Inglaterra, "De certa forma ele é vestido com as vestimentas associadas com o nome de Carlos II, tendo ouvido em algum período do começo de sua carreira que ele possuía estranha semelhança com os malfadados Stuarts". Devemos também lembrar que os piratas se referiam a ele como Capitão "Gancho", antes de tê-lo substituindo a sua mão.

Peter and Wendy[editar | editar código-fonte]

Obra original - como a fábula conta, Peter Pan leva Wendy para a Terra do Nunca, onde vivem aventuras inimagináveis. Wendy ama Peter, embora ele a ame como uma mãe. Há uma parte na história onde Gancho cita também querer possuí-la como mãe dele e de toda a tripulação do navio. Como era de se esperar, Wendy, ao ouvir tal declaração, fica horrorizada.

Ao final, durante o combate entre Gancho e Peter, o capitão perde totalmente a vontade de lutar depois que seu arqui-inimigo lhe entrego a espada que perdeu ao longo da luta contra o próprio, evidenciando, num ato evidente de bom-tom. O capitão prossegue a luta sem vontade alguma até o momento em que Peter o chuta. Orgulhando-se de que seu rival não havia demonstrado bom tom desta vez, a vontade do Capitão de lutar retorna, e este orgulhosamente descreve a Peter sobre seu erro. Infelizmente para Gancho, mesmo com sua dignidade recuperada, era tarde demais para ele se reabilitar na luta ao cair na água e se deparar com o crocodilo (agora sem relógio) pronto para abocanhá-lo.

Capt. Hook - The Adventures Of A Notorious Youth[editar | editar código-fonte]

Este livro de J.V. Hart (ilustrado por Brett Helquist), é uma adaptação do conto de Peter Pan que conta sobre a notória adolescência de Capitão Gancho desde seus 15 anos de idade, descrevendo sua vida no Colégio de Eton e a forma sobre como ele se tornou o famoso pirata. O livro não possui tradução para o português. A sequência da obra terá o nome de Capt. Hook - The Pirate King, embora o autor já tivesse sugestionado Capt. Hook - Journey To Neverland. Há rumores de que a sequência havia sido cancelada, pois estava para sair em 2008, mas também há indícios de que seu lançamento ainda será em 2009.

O autor admite que sua adaptação foi baseada no discurso de J.M. Barrie Capt. Hook at Eton, com o primeiro capítulo do livro a possuir o mesmo nome. Muitas ideias do conteúdo são fatos tirados de idealizações do autor original. Uma das frases marcantes do livro, "Um dia meus oponentes poderão vencer, mas não agora!", é um exemplo dessa extração de informação.

No livro, o nome de James Gancho é James Matthew, talvez com a adição da abreviação "B" no final, originária de seu pressuposto pai, conhecido somente por Lorde "B.", assim então, James Matthew "B.". Logo ao entrar no Colégio, ele faz amizade com Roger Peter Davies, apelidado de Jolly Roger, que seria a então teoria da origem do nome de seu navio. Jolly R também o passa a chamar de Rei Jas. (da mesma forma que Carlos II se apelidava Chas). Na obra, James é descrito por ser muito interessado, além de Shakespeare, na Revolução Francesa, Mary Shelley (escritora famosa e esposa de um alumnus de Eton, Percy B. Shelley), onde são duas coisas de uma época bem distante de Barba Negra. Ele também adora aranhas (principalmente as da espécie Lasiodora parahybana), e possuia uma de estimação na qual chamava de "Electra". James tinha uma tia por consideração (Tia Emily), da qual desprezava por paparicá-lo e freneticamente esconder sua vida infeliz em suas fantasias.

Em Eton, por ser reconhecido como filho bastardo do Lorde, ele suporta humilhações e trocadilhos referentes ao seu nome vindos dos alunos mais velhos, da classe e casa privilegiada dos King Scholars (que resumidamente são "bolsistas"), que rivalizam com os Oppidan Scholars (a "casta" onde James orgulhosamente fazia parte). Com sua soberba e insolência ele demonstra não se deixa rebaixar pelos seus inimigos, dentre eles Arthur L. Darling (cujo primeiro nome refere-se ao marido de Silvia Llewelyn Davies), e o confronta para um duelo de espadas onde o aterroriza com uma guilhotina de miniatura da escola. Em Eton, ele também é amado por uma jovem Sultana Otomana (Ananova Ariadne), que seu amor proibido foi a razão da qual seu pai de forma egoísta o castigou a embarcar em um navio chamado "A Bruxa do Mar" (Sea Witch) durante sete anos para que aprendesse a ter disciplina. Ele então conhece Bartholomew Quigley Smeethington, mais conhecido como "Smee", que cita que o navio transportava ouro-negro, que James descobre que isto eram escravos, como também a razão da qual a punição de seu pai era tão severa (já que não entendia antes, pois amava navios).

Ele consegue armar um motim e matar o contramestre do navio com um gancho, passando então a ser chamado de Capitão Gancho. O fato de perceber que havia se tornado um assassino tão rapidamente o decepciona, mesmo assim, ele transforma sua garra em um objeto de ameaça aos seus tripulantes descontentes. Hart não desiste em colocar características inventadas do Gancho que ele mesmo recriou no filme do qual foi o roteirista, Hook - A Volta do Capitão Gancho.

Alguns dizem que Tia Emily pode ser a Rainha da Inglaterra da história por possuir características semelhantes e demonstrar ter compaixão e até mesmo dar suporte ao amor de James com Ananova, mesmo considerando o fato de que seria uma catástrofe um bastardo amar uma aclamada sultana. Ou pela Rainha da Inglaterra ser de fato a mãe de James por suas características relativamente acolhedoras e por ser descrita a ser uma pessoa próxima a Lorde B.

James Barrie pode ter baseado Capitão Gancho em si mesmo, vide o primeiro nome de seu personagem, e também por citar que ele possuía um lado sombrio no seu interior, por isso Hart utiliza o nome do autor na sua adaptação (além de ser o nome que menos prejulgaria suas origens, o que interessaria um número maior de leitores). Na verdade, cada personagem da história de Peter Pan possui uma característica da personalidade de Barrie, e de forma contraditória ao que foi explicado no parágrafo, especialmente Peter Pan. A verdadeira musa de inspiração para o Capitão Gancho foi o Capitão Ahab de Moby Dick, como afirma o próprio autor. Mas como ele costuma envolver seus leitores com um ar de mistério compulsivo e nos persuadir de que há muito além do que ele cita em suas asserções, podemos encontrar centenas de outras possíveis "musas".