Capital de risco

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Capital de risco é uma modalidade de investimento utilizada para apoiar negócios por meio da compra de uma participação acionária, geralmente minoritária, com objetivo de ter as ações valorizadas para posterior saída da operação.

Chama-se capital de risco não pelo risco do capital, porque qualquer investimento, mesmo a aplicação tradicional, em qualquer banco tem um risco, mas pela aposta em empresas cujo potencial de valorização é elevado e o retorno esperado é idêntico ao risco que os investidores querem correr.

Este modelo de investimento é feito através de sociedades especializadas neste tipo de negócio denominadas Sociedades de Capital de Risco. Estas sociedades além do contributo em capital, ajudam na gestão e aconselhamento.

Este financiamento está associado a negócios que estão a iniciar, em fase de expansão ou em mudança de gestão. Qualquer destas situações tem um risco muito elevado associado à incerteza do projecto em que a empresa se encontra, não se pode considerar como a solução mas sim uma solução.

Perspectivas[editar | editar código-fonte]

Como em qualquer bem econômico podemos olhar para o capital de risco pelo lado da oferta ou pelo lado da procura.

Pelo lado da oferta temos detentores de capital (investidores) que podem ser institucionais públicos ou privados que procuram oportunidades de investimento com elevadas margens de rentabilidade, elaborando para isso uma estratégia de redução de riscos, em aspectos como dispersão de investimentos, sectores em que investem, idade das empresas, avaliação das capacidades técnicas. Igualmente há investidores que aplicam não só capital como também saber fazer na área da gestão a quem normalmente se dá o nome de business angel ou angel investor Certamente que estes investidores estão à procura de lucros e portanto, introduzem nas cláusulas do contrato as opções de saída,[1] para garantir que em caso de sucesso não vão ficar eternamente amarrados aquela empresa.

A política económica portuguesa reconhece o papel dinamizador destes instrumentos pelo que por via legislativa ou através de institutos públicos tem vindo a apoiar o desenvolvimento do capital de risco.

Pelo lado da procura o empresário ou empresa que tem um bom projecto, dificuldades de angariação de capital ou de algum tipo de saber-fazer, e que querem continuar a comandar os destinos das suas empresas ou projectos procuram investidores que os deixem trabalhar, e obtêm a garantia de a qualquer altura poderem recomprar as participações sociais na posse desses investidores.

Diferenças geográficas[editar | editar código-fonte]

O capital de risco como uma actividade económica, teve origem nos Estados Unidos, e tradicionalmente continuam a ser as empresas americanas, as maiores participantes nos mercados do capital de risco, quer pelo lado dos investidores, quer pelo lado dos tomadores de capital.

No resto do mundo, esta actividade tem vindo a ter um grande este desenvolvimento quer pelo lado dos investidores, quer pelo número de business angel, quer ainda pelo número de empresas que recorrem ao capital de risco.

As entidades públicas, têm utilizado o capital de risco, como uma ferramenta para promover o desenvolvimento económico de muitas regiões ou sectores de negócio, sobretudo as novas tecnologias.

Nas regiões com menor desenvolvimento do sector financeiro, este instrumento desempenha um papel facilitador no acesso aos mercados financeiros, sobretudo nas pequenas e médias empresas (PME), que estão na fase de early stage ou start up.

Em 2008, os financiamentos de capital de risco, ainda foram dominados maioritariamente pelos E.U., (US $ 28,8 B investidos em mais de 2550 negócios em 2008), em comparação com os investimentos dos fundos internacionais (US $ 13,4 B investidos no resto do mundo), com um crescimento médio de 5%, nos negócios de capital de risco fora dos EUA, principalmente na China, Europa e Israel.[2]

Modalidades - Venture Capital e Private Equity[editar | editar código-fonte]

O capital de risco convenciona-se classificar como venture capital ou private equity, de acordo com o tipo de empresa receptora dos investimentos. Em geral, considera-se venture capital o investimento em empresas em estágio inicial, com potencial de geração de receitas e lucros ainda incerto, e possivelmente dependente de um produto, tecnologia ou mercado que não tenha sido inteiramente testado como proposição de negócios. O risco de um investimento de venture capital tende a ser maior do que o risco de um investimento de private equity. Por sua vez, investimentos de private equity tendem a envolver empresas mais maduras, tipicamente com operações comerciais consolidadas, que possam oferecer oportunidades de retorno destacadas em razão de uma potencial reestruturação societária, alteração na estrutura de capital, mudança de gestão ou outras modificação nos seus negócios. Geralmente o produto ou serviço prestado pela empresa receptora já é plenamente aceito pelo mercado, que por sua vez já se mostrou apto a sustentar as atividades da empresa receptora.[3]

Os investimentos de private equity normalmente envolvem valores muito superiores aos investimentos de venture capital. As operações emblemáticas de private equity incluem a compra da RJR Nabisco pela KKR em 1989 por US$31.1 bilhões e, mais recentemente, a aquisição da HCA pela KKR, Bain Capital e outros investidores em 2006 pelo preço de US$31,6 bilhões, a aquisição da Equity Office Properties pela Blackstone em 2007 pelo preço de US$23 bilhões (mais US$16 bilhões em dívidas assumidas), e a aquisição da TXU pela KKR, TPG e Goldman Sachs em 2007 pelo preço de US$45 bilhões.

Muitas operações de private equity são estruturadas como compras alavancadas (leveraged buy outs), que consistem em aquisições financiadas em parte pelas próprias empresas receptoras do investimento. Nestes casos, a empresa receptora toma empréstimos para custear o pagamento do preço devido aos acionistas vendedores ou para distribuir um dividendo para os investidores.[4]

Quando o investimento é bem sucedido e o valor da empresa aumenta significativamente após a compra alavancada, os investidores de risco realizam ganhos de capital em um valor que representará um múltiplo do valor originalmente investido, que tende a ser pequeno. Isto ocorre porque os bancos que financiaram a compra recebem de volta apenas o valor de seu empréstimo, acrescido dos juros do período, enquanto o investidor de risco colhe todos os frutos da valorização da empresa.[5]

As compras alavancadas já foram objeto de críticas por forçarem as empresas a incorrerem dívidas elevadas, aumentando o risco de uma falência em caso de uma reversão nas condições de mercado. Após as crises financeiras de 1988, 2002 e 2008, os bancos que financiavam as compras alavancadas de maior porte reduziram, ao menos temporariamente, a disponibilidade de crédito e passaram a limitar o endividamento das empresas alvo de compras alavancadas.

Referências

  1. Introduction to Venture Capital and Private Equity Finance,[1] The Encyclopedia of Private Equity
  2. [2]
  3. [3]
  4. [4]
  5. [5]


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