Caso Junko Furuta

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O caso da colegial presa em concreto (女子高生コンクリート詰め殺人事件, Joshikōsei konkurīto-zume satsujin-jiken?) foi um incidente ocorrido em 1988-89 no qual uma garota japonesa, Furuta Junko (古田順子), com 16 anos na época, foi capturada, mantida em cativeiro, estuprada, torturada e brutalmente assassinada. O caso teve grande repercussão no Japão.

Criminosos[editar | editar código-fonte]

  • Hiroshi Miyano (宮野裕史, Miyano Hiroshi?) (Principal culpado. Mudou seu nome para Yokoyama Hiroshi (横山裕史, Yokoyama Hiroshi?))
  • Jō Ogura (小倉譲, Ogura Jō?) (Mudou seu nome para Jō Kamisaku (神作譲, Kamisaku Jō?))
  • Shinji Minato (湊伸治, Minato Shinji?)
  • Yasushi Watanabe (渡邊恭史, Watanabe Yasushi?)
  • Tetsuo Nakamura (中村哲夫, Nakamura Tetsuo?)
  • Kōichi Ihara (伊原孝一, Ihara Kōichi?)

Crime[editar | editar código-fonte]

Em 25 de novembro de 1988, quatro rapazes, incluindo Jō Kamisaku, na época com 17 anos (Kamisaku foi um novo sobrenome adotado por ele após ser liberado da prisão),[1] raptaram e mantiveram em cativeiro, uma estudante do terceiro ano do colegial de Misato, na prefeitura de Saitama, por 44 dias. Eles a mantiveram em cativeiro numa casa de propriedade dos pais de Kamisaku, localizada em Ayase, no distrito de Adachi, Tóquio.[2] [3]

Para evitar as buscas pela garota, um deles forçou Junko a ligar para os seus pais e dizer a eles que ela havia fugido de casa, mas que estava com "um amigo" e que não estava em perigo. Kamisaku também obrigou ela a posar de namorada de um dos garotos enquanto os seus pais (de Kamisaku) estavam por perto. Junko tentou escapar diversas vezes, implorando para que seus pais a ajudassem, mas eles não fizeram nada, aparentemente por medo de Yokoyama os machucasse. Yokoyama naquela época era um líder de nível baixo da Yakuza, e afirmou que ele usaria os seus contatos para matar qualquer um que interferisse.

De acordo com os seus depoimentos em julgamento, todos os quatro a estupraram, bateram nela com varas de metal e tacos de golfe, introduziram objetos estranhos incluindo uma lâmpada de vidro em sua vagina, a fizeram comer baratas e beber a sua própria urina, inseriram fogos de artifício no seu ânus e os acenderam, Junko a masturbá-los, cortaram seus mamilos com alicates, deixaram cair halteres sobre o seu estômago, e a queimaram com cigarros e isqueiros. Uma das queimaduras foi uma punição por tentar ligar para a polícia. Foi dito em depoimento também, que algum tempo depois dos primeiros atos de tortura, ela se torno incapaz de beber água, o que a fazia vomitar todas as vezes que tentava. Em certo ponto as feridas eram tão graves que de acordo com um dos rapazes, Junko levava mais de uma hora para rastejar escada abaixo para usar o banheiro. Eles declararam que "possivelmente mais de cem pessoas" sabiam que Junko Furuta estava aprisionada lá, mas não ficou claro se essas pessoas apenas visitaram a casa enquanto ela estava mantida prisioneira ou se também abusaram dela. Depois que os rapazes se recusaram a deixar ela ir embora, ela implorou em diversas ocasiões que a matassem e terminassem com tudo aquilo.

Em 4 de janeiro de 1989, após perderem uma partida de Mahjong solitaire, os quatro bateram nela com halteres, colocaram flúido de isqueiro nas suas pernas, braços, rosto e estômago e puseram fogo nela. Mais tarde naquele dia ela morreu pelo choque. Os quatro garotos alegaram que não faziam ideia do quão grave era o estado de Junko, e que eles acreditaram que ela estava fingindo.

Em 5 de janeiro, os assassinos esconderam seu corpo num tambor de 55 galões preenchido com concreto. Os perpetradores puseram o barril num terreno baldio recuperado em Kōtō.[4]

Prisão e julgamento[editar | editar código-fonte]

Os garotos foram presos e julgados como adultos, mas pela maneira como o Japão lida com crimes cometidos por jovens, seus nomes foram mantidos em segredo pela corte. Entretanto, a revista semanal Shūkan Bunshun divulgou os seus verdadeiros nomes, alegando que "direitos humanos são desnecessários para os brutos."[5] o verdadeiro nome de Junko e detalhes sobre a sua vida pessoal foram divulgados exaustivamente na mídia. Kamisaku foi julgado como um sublíder, pelo menos de acordo com o julgamento oficial.

Os quatro garotos alegaram culpa para serem acusados de "agressão física seguida de morte" ao invés de homicídio. A família do garoto "A" venderam a casa deles por aproximadamente 50 milhões de ienes e pagaram essa quantia como compensação de danos à família de Junko Furuta.

Por sua participação no crime, Kamisaku passou oito anos numa prisão juvenil antes de ser liberado em agosto 1999. Em julho de 2004 ele foi preso por agredir um conhecido, o qual ele acreditara estar afastando uma namorada dele, e que supostamente estaria usando o fato dele ter participado do assassinato de Junko Furuta para isso.[1] Kamisaku foi sentenciado a sete anos de prisão por espancamento.

Os pais de Junko ficaram consternados pelas sentenças recebidas pelos assassinos de sua filha, e entraram com um processo contra os pais do garoto criminoso, aos quais pertencia a casa na qual os crimes foram cometidos. Quando algumas das evidências biológicas (sêmen encontrado no corpo) do crime foram descartadas como provas de acusação com base na incompatibilidade genética com todos os quatro acusados, o advogado responsável pelo processo decidiu que não fazia mais sentido seguir a diante com o processo e se recusou a continuar a representar os pais de Junko.

Em julho de 1990 o líder do crime foi sentenciado em primeira instância a 17 anos de prisão. A corte sentenciou um dos cúmplices a um tempo de quatro a seis anos de prisão, outro de três a quatro anos, e outro de cinco a dez anos. O líder e os dois primeiros dos três cúmplices recorreram à sentença. A instância seguinte deu sentenças mais severas ainda para os três que apelaram. O juiz dirigente da côrte, Ryūji Yanase, disse que a côrte o fez pela natureza do crime, pelo efeito na família da vítima e pelo efeito do crime na sociedade. O líder recebeu uma sentença de 20 anos, a pena mais alta possível abaixo de prisão perpétua. Dos dois cúmplices que apelaram, o que originalmente pegou de quatro a seis anos, recebeu um termo de cinco a nove anos. O outro cúmplice teve sua sentença aumentada para cinco a sete anos.

Mídia[editar | editar código-fonte]

O caso despertou atenção internacional para o sentenciamento e reabilitação de jovens criminosos, especialmente pelo fato dos rapazes terem sido punidos como adultos, e se tornou uma sensação em massa.

Pelo menos dois livros em japonês já foram escritos sobre o caso.

Um mangá escrito por Fujii Seiji e ilustrado por Kamata Youji foi lançado em 2004, contando em forma de crônicas os acontecimentos do crime.

Um filme explorador, Joshikōsei konkurīto-zume satsujin-jiken (女子高生コンクリート詰め殺人事件, Concrete-Encased High School Girl Murder Case?), sobre o incidente foi rodado pelo diretor Katsuya Matsumura em 1995. Yujin Kitagawa (membro da banda Yuzu) atuou no papel do principal culpado no filme.[6] [7] Outro filme, (Concrete, コンクリート?) AKA Schoolgirl in Cement, dirigido por Hiromu Nakamura, foi feito em 2004, baseado em um dos livros sobre o caso.

Em 2006, a banda japonesa Visual Kei/rock band the Gazette lançou uma música no seu álbum NIL chamada "Taion" (temperatura corporal); a música é um tributo a Junko.

"As Verdadeiras Histórias Modernas do Bizarro" de Waita Uziga incluem: "Estudante Dentro do Concreto", baseado no caso do assassinato de Junko Furuta.

Referências

  1. a b Wijers-Hasegawa, Yumi, "Man who killed as child back in court", The Japan Times, 29 de julho, 2004.
  2. Schoolgirl Murder, [1] (in Japanese), Consultado em: 3 de julho, 2009.
  3. Utting, Gerald. "Sales tax creates tempest in a Tokyo teapot." Toronto Star. 3 de abril, 1989. A15. Consultado em 29 de setembro, 2009.
  4. "Rapist, Murderer Given 20-Year Sentence." The Daily Yomiuri. Sunday 13 de julho, 1991. Page 2. Consultado em from LexisNexis. Consultado em 29 de setembro, 2009.
  5. Masahiro Sasaki. 私のおすすめ 佐々木 正洋 (em japonês). Zassi.net. Página visitada em 2008-03-09.
  6. Joshikôsei konkuriito-dume satsujin-jiken (em inglês) no Internet Movie Database
  7. Filme mit Beteiligung von Yujin Kitagawa (em alemão). Página visitada em 2008-03-09.
  • (1989-08-19) "Torture and Murder in Tokyo". The Japan Times Weekly Overseas Edition.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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