Cristóvão da Grécia e Dinamarca

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Cristóvão da Grécia e Dinamarca
Príncipe da Grécia e Dinamarca
Cônjuge Nancy Stewart Worthington Leeds
Francisca de Orleães
Descendência
Miguel da Grécia e Dinamarca
Casa Schleswig-Holstein-Sonderburg-Glücksburg
Pai Jorge I da Grécia
Mãe Olga Constantinovna da Rússia
Nascimento 10 de Agosto de 1888
Palácio de Pavlovsk, São Petersburgo, Império Russo
Morte 21 de janeiro de 1940 (51 anos)
Atenas, Reino da Grécia
Enterro Cemitério Real, Palácio de Tatoi, Grécia
Religião Ortodoxo

Cristóvão da Grécia e Dinamarca (10 de agosto de 1888 - 21 de janeiro de 1940) era o filho de um rei da Grécia que pertencia a uma dinastia que perdeu e voltou ao trono várias vezes durante a sua vida. Passou grande parte da vida a viver no estrangeiro.

Família e infância[editar | editar código-fonte]

Cristóvão com a sua mãe, a grã-duquesa Olga Constantinovna da Rússia

Cristóvão nasceu no Palácio de Pavlovsk, a antiga residência da sua mãe, a grã-duquesa Olga Constantinovna da Rússia, no Império Russo. O seu pai era o rei Jorge I da Grécia. Cristóvão era o mais novo dos oito filhos dos reis da Grécia, vinte anos mais novo que o seu irmão mais velho, o futuro rei Constantino I, e tinha a alcunha de “Christo” dentro da família. Os seus irmãos mais velhos incluíam os príncipes Jorge, Nicolau e André.

Sobre o seu nascimento, a sua irmã Maria escreveu:

"Em 1888, os meus pais foram fazer uma visita à Rússia e nós ficamos em Tatoi com as nossas governantas e tutores. Nesse mês de Julho (11 de Agosto de acordo com o novo calendário) quando eu estava de regresso a casa, um criado entregou-me um telegrama que eu tive de levar até à minha irmã (Alexandra). Quando entrei no quarto encontrei-a sentada com o meu irmão Nicolau. Mostrei-lhes o telegrama que eles tentaram agarrar e, como vi que estavam tão entusiasmados com ele, provoquei-os e recusei-me a entregá-lo. Não demorou muito para eles o arrancarem das minhas mãos. A minha surpresa foi grande quando eles anunciaram que o telegrama tinha sido enviado pelo nosso pai para nos informar que tínhamos um novo irmão e que se deveria chamar Cristóvão."

O membro mais novo da família real grega não era diferente de qualquer outra criança, com uma adversão a banhos e aos estudos. Gostava também de pregar partidas causando grandes problemas aos seus sobrinhos, a grã-duquesa Maria Pavlovna Romanova e o grão-duque Dmitri Pavlovich, filhos da sua irmã Alexandra da Grécia que eram apenas, respectivamente, dois e três anos mais novos que ele. No entanto, conseguia sempre sair imune a castigos por ser o mais novo dos filhos e ter um lugar especial no coração da sua mãe. O seu pai Jorge era um pouco mais rígido, mas também partilhava o seu sentido de humor, herdado da sua família dinamarquesa e era frequente juntar-se aos seus filhos em corridas de bicicleta e patins pelos corredores do palácio da família em Atenas.

Cristóvão, tal como os seus irmãos, era um poliglota, falando grego, inglês, dinamarquês, russo, francês e italiano. Os irmãos falavam gego entre si e usavam o inglês com os pais. Eles, por sua vez, falavam alemão um com o outro.

A família real grega tinha uma relação forte com a família real dinamarquesa, à qual também pertencia oficialmente. A linha real grega era um ramo menor da dinastia de Schleswig-Holstein-Sonderburg-Glücksburg que tinha subido ao trono dinamarquês em 1863.[1]

Juventude[editar | editar código-fonte]

Quando Cristóvão chegou à juventude, juntou-se ao Exercito Helénico apesar de preferir ter estudado piano. Enquanto jovem, foi-lhe oferecido o trono de Portugal. A monarquia tinha caído em 1910 e o rei Manuel II encontrava-se no exílio em Inglaterra. Alguns monárquicos que não acreditavam na duração da nova república que estava a mergulhar o país no caos e não simpatizavam particularmente com as visões de Manuel II, viram em Cristóvão, pertencente a uma linha de sucessão real, mas virtualmente excluído do trono da Grécia por ser o irmão mais novo do rei Constantino que já tinha, ele próprio, os seus herdeiros, chamou a atenção deste grupo devido às suas excelentes relações com outras famílias reais incluindo a dinamarquesa, a russa e a inglesa, que poderiam ser muito úteis ao país. O pedido foi feito, mas o príncipe Cristóvão recusou-o, tanto por respeito à família real portuguesa como por falta de interesse em assumir o papel de rei quando estava satisfeito com a sua vida despreocupada. Mais tarde viria também a recusar os tronos da Lituânia e da Albânia.

Por volta de 1910, ele ficou noivo da princesa Princesa Alexandra, 2ª Duquesa de Fife, uma neta da rainha Alexandra do Reino Unido, tia de Cristóvão. No entanto o noivado não durou muito, terminando assim que os pais de ambos souberam da ligação.

Revolução Russa[editar | editar código-fonte]

A mãe do príncipe Cristóvão, a rainha Olga, era uma antiga grã-duquesa da Rússa antes do seu casamento com o rei Jorge I da Grécia. Com o rebentar da Revolução Russa de 1917, 17 membros próximos da família Romanov, incluindo o seu primo directo Nicolau II, a esposa e os cinco filhos, foram assassinados pelos bolcheviques.

Primeiro casamento[editar | editar código-fonte]

Cristóvão com a sua primeira esposa

No dia 1 de janeiro de 1920, Cristóvão casou-se com uma rica viúva americana chamada Nancy Stewart Worthington Leeds em Vevey, Suíça. A sua esposa que era, antes de se casar com ele, viúva e divorciada, recebeu o título de Sua Alteza Real, a princesa Anastásia da Grécia e Dinamarca, e a sua fortuna que tinha herdado do segundo marido, ajudou bastante a família real grega durante o exílio na década de 1920. O casamento aconteceu após seis anos de noivado durante os quais foram trabalhados os detalhes legais de um príncipe se casar com uma plebeia viúva e divorciada. Pouco depois do casamento, Nancy descobriu que sofria de cancro e morreu em Londres no dia 29 de agosto de 1923, deixando Cristóvão sem filhos. O príncipe tinha, no entanto, um enteado chamado William Bateman Leeds Jr. que, em 1921, se casou com a princesa Xenia Georgievna, sobrinha de Cristóvão pela sua irmã, a princesa Maria da Grécia e Dinamarca.

Segundo casamento[editar | editar código-fonte]

O príncipe Cristóvão voltou a casar-se mais tarde com a princesa Francisca de Orleães. Francisca era filha do príncipe João, duque de Guise e de Isabel de Orleães, uma filha de Filipe, conde de Paris. Os dois casaram-se em 1929 em Palermo, na Itália. A cerimónia civil realizou-se no dia 10 de fevereiro e a religiosa no dia 11. O casal teve um filho, o príncipe Miguel da Grécia e Dinamarca, que nasceu em 1939, pouco depois da morte do pai em Atenas.

Cristóvão e Anna Anderson[editar | editar código-fonte]

A primeira esposa de Cristóvão era mãe de William B. Leeds que era casado com a sua sobrinha, a princesa Xenia Georgievna e ambos viviam em Long Island, nos Estados Unidos. Em 1927, Cristóvão visitou-os. Na altura, Xenia estava interessada no estranho caso de uma mulher que dizia ser a grã-duquesa Anastásia, filha mais nova do falecido czar Nicolau II da Rússia. Tinha sido encontrada num hospital de Berlim para onde tinha sido levada após uma tentativa de suicídio. A sua história era de que, quando o resto da sua família tinha sido assassinada, ela tinha conseguido escapar para Bucareste com um soldado que a tinha resgatado da cave na casa Ipatiev. O mesmo soldado teria-a também levado para Berlim, mas abandonou-a à sua sorte.

Tal como o príncipe Cristóvão explicou, “Esta foi a história que ela contou e, por mais incrível que parece, muitos acreditaram nela na altura (e ainda acreditam), incluindo dois membros da família imperial.”[2] Cristóvão também acrescentou: “Dezenas de pessoas que tinham conhecido a grã-duquesa Anastásia foram persuadidas a ver esta mulher, esperando que a pudessem identificar, mas nenhuma delas conseguiu chegar a uma conclusão definitiva.” Além de algumas memórias incoerentes, não havia nada que pudesse confirmar as suas informações. Cristóvão descreveu-a: “Em primeiro lugar ela não sabia falar russo, o que a grã-duquesa Anastásia tal como todos os filhos do czar, tinha falado fluentemente desde sempre e apenas sabia conversar em alemão.

Concluindo, o príncipe afirmou: "A pobre rapariga tinha uma figura patética com a sua solidão e fraca saúde, e era bastante compreensível que muitos dos que a viam deixassem que a pena fosse mais forte que a lógica. A jovem foi incapaz de reconhecer pessoas que a grã-duquesa Anastásia tinha conhecido intimamente e as suas descrições de salas nos diferentes palácios e outros locais familiares de qualquer membro da família eram muitas vezes pouco precisas.[2]

Opinião sobre a monarquia[editar | editar código-fonte]

O príncipe Cristóvão registou a sua opinião sobre a monarquia e aqueles que procuravam obter esse poder: "Nada neste mundo me poderia levar a aceitar um reino. Uma coroa é algo demasiado pesado para colocar de ânimo leve. Foi carregada por aqueles que nasceram para cumprir esse destino, mas o facto de alguém querer ter essa responsabilidade, sem ser forçado pelo dever a fazê-lo, está além da minha compreensão."[3]

Morte[editar | editar código-fonte]

O príncipe Cristóvão morreu em Atenas aos cinquenta-e-um anos de idade.

Genealogia[editar | editar código-fonte]

Os antepassados de Cristóvão da Grécia e Dinamarca em três gerações
Cristóvão da Grécia e Dinamarca Pai:
Jorge I da Grécia
Avô paterno:
Cristiano IX da Dinamarca
Bisavô paterno:
Frederico Guilherme, Duque de Schleswig-Holstein-Sonderburg-Glücksburg
Bisavó paterna:
Luísa Carolina de Hesse-Cassel
Avó paterna:
Luísa de Hesse-Cassel
Bisavô paterno:
Guilherme de Hesse-Cassel
Bisavó paterna:
Luísa Carlota da Dinamarca
Mãe:
Olga Constantinovna da Rússia
Avô materno:
Constantino Nikolaevich da Rússia
Bisavô materno:
Nicolau I da Rússia
Bisavó materna:
Alexandra Feodorovna (Carlota da Prússia)
Avó materna:
Alexandra Iosifovna
Bisavô materno:
José de Saxe-Altemburgo
Bisavó materna:
Amélia de Württemberg

Referências

  1. Linhas de Sucessão de Jiri Louda, Tabela 142
  2. a b Cristóvão da Grécia, pág. 217
  3. Monarchs In Waiting de Walter J.P.Curley

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Cristóvão da Grécia (1938). Memoirs of HRH Prince Christopher of Greece. Londres: The Right Book Club.
  • Curley, Walter (1975). Monarchs In Waiting. Londres: Hutchinson & Co (Publishers) Ltd. ISBN 0-09-122310-5.
  • Louda, Jiri; Michael Maclagan (1981). Lines of Succession. Londres: Orbis Publishing. ISBN 0-85613-276-4.
Commons
O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Cristóvão da Grécia e Dinamarca