Denebola

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β Leonis
Dados observacionais (J2000)
Constelação Leo
Asc. reta 11h 49m 03,6s[1]
Declinação +14° 34′ 19,4″[1]
Magnitude aparente 2,113[2]
Características
Tipo espectral A3 V[3]
Cor (U-B) +0,153[2]
Cor (B-V) +0,107[2]
Variabilidade δ Scuti[4]
Astrometria
Velocidade radial -0,2 km/s[1]
Mov. próprio (AR) -497,68 mas/a[1]
Mov. próprio (DEC) -114,67 mas/a[1]
Paralaxe 90,91 ± 0,52 mas[1]
Distância 35,9 ± 0,2 anos-luz
11,00 ± 0,06 pc
Magnitude absoluta 1,92
Detalhes
Massa 1,75[5] M
Raio 1,728[5] R
Gravidade superficial 4,0 (log g)[6]
Luminosidade 15[5] L
Temperatura 8 500[6] K
Metalicidade [Fe/H] +0,00[5]
Rotação 128 km/s[7]
Idade (1–3,8) × 108[5] anos
Outras denominações
β Leonis, Deneb Aleet, 94 Leo, GJ 448, HR 4534, BD +15°2383, HD 102647, SAO 99809, FK5 444, HIP 57632.[1]
Denebola
Leo constellation map.png

Denebola (Beta Leonis, β Leo, β Leonis) é a terceira estrela mais brilhante da constelação de Leo. É uma estrela de classe A da sequência principal com 75% mais massa que o Sol e doze vezes a luminosidade solar. Com base em medições de paralaxe feitas pelo satélite Hipparcos, está localizada a aproximadamente 35,9 anos-luz (11 parsecs) da Terra.[1] Tem uma magnitude aparente de 2,113,[2] sendo facilmente visível a olho nu. Denebola é uma estrela variável do tipo Delta Scuti, o que significa que sua luminosidade varia levemente em um período de algumas horas.[4]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O nome Denebola é a versão encurtada de Deneb Alased, da frase árabe ذنب الاسد ðanab al-asad "cauda do leão", uma vez que representa a cauda do leão na constelação.[8]

Propriedades[editar | editar código-fonte]

Denebola é uma estrela relativamente jovem com uma idade estimada em menos de 400 milhões de anos. Observações interferométricas dão um raio de aproximadamente 173% o do Sol. A alta taxa de rotação deixa a estrela achatada, com um raio equatorial maior que o polar. Tem uma massa 1,75 vezes maior que a do Sol, o que resulta em uma luminosidade muito maior e um tempo de vida menor na sequência principal.[5]

O espectro desta estrela corresponde a uma classificação estelar de A3 V,[3] com a classe de luminosidade 'V' indicando que é uma estrela da sequência principal que está gerando energia através da fusão nuclear de hidrogênio em seu núcleo. A temperatura efetiva da atmosfera externa de Denebola é 8 500 K,[6] o que dá a ela a coloração branca típica de estrelas de classe A.[9] Denebola tem uma alta velocidade de rotação projetada de 128 km/s,[7] o que é apenas o limite mínimo da verdadeira velocidade de rotação. O Sol por comparação tem uma velocidade de rotação de 2 km/s. Esta estrela é uma variável Delta Scuti que exibe variações de 0,025 na magnitude cerca de dez vezes por dia.[4]

Denebola apresenta uma forte emissão infravermelha, que é causada por um disco de detritos circunstelar.[10] Como o Sistema Solar se formou num disco como esse, Denebola e outras estrelas similares como Vega e Beta Pictoris podem ser bons candidatos a abrigar exoplanetas. O disco tem uma temperatura de cerca de 120 K (−153 °C). Observações com o Observatório Espacial Herschel forneceram imagens que mostram que o disco está localizado a uma distância de 39 UA da estrela, ou 39 vezes a distância entre a Terra e o Sol.[11]

Estudos cinemáticos mostraram que Denebola é parte de uma associação estelar chamada de o superaglomerado de IC 2391. Todas as estrelas desse grupo compartilham um movimento comum pelo espaço, embora não estejam ligadas gravitacionalmente. Isso sugere que elas tenham nascido no mesmo lugar, e talvez inicialmente compunham um aglomerado aberto. Outras estrelas nessa associação incluem Alpha Pictoris, Beta Canis Minoris e o aglomerado estelar IC 2391. No total mais que 60 possíveis membros foram identificados.[12]

Referências

  1. a b c d e f g h SIMBAD query result - V* bet Leo SIMBAD Centre de Données astronomiques de Strasbourg. Visitado em 24 de outubro de 2012.
  2. a b c d Gutierrez-Moreno, Adelina et al. (1966), A System of photometric standards, 1, Publicaciones Universidad de Chile, Department de Astronomy, pp. 1–17, Bibcode1966PDAUC...1....1G 
  3. a b Cowley, A. et al. (abril de 1969), "A study of the bright A stars. I. A catalogue of spectral classifications", Astronomical Journal 74: 375–406, doi:10.1086/110819, Bibcode1969AJ.....74..375C 
  4. a b c Mkrtichian, D. E.; Yurkov, A. (5-7 de novembro de 1997), β Leo - Back to Delta Scuti Stars?, Brno, Czech Republic: Dordrecht, D. Reidel Publishing Co., pp. 172, ISBN 80-85882-08-6, Bibcode1998vsr..conf..143M 
  5. a b c d e f Di Folco, E. et al. (2004), "VLTI near-IR interferometric observations of Vega-like stars", Astronomy and Astrophysics 426 (2): 601–617, doi:10.1051/0004-6361:20047189, Bibcode2004A&A...426..601D 
  6. a b c Acke, B.; Waelkens, C. (2004), "Chemical analysis of 24 dusty (pre-)main sequence stars", Astronomy and Astrophysics 427 (3): 1009–1017, doi:10.1051/0004-6361:20041460, Bibcode2004A&A...427.1009A 
  7. a b Royer, F.; Zorec, J.; Gómez, A. E. (fevereiro de 2007), "Rotational velocities of A-type stars. III. Velocity distributions", Astronomy and Astrophysics 463 (2): 671–682, doi:10.1051/0004-6361:20065224, Bibcode2007A&A...463..671R 
  8. Allen, R. H. (1963), Star Names: Their Lore and Meaning (Reprint ed.), New York, NY: Dover Publications Inc, p. 258, ISBN 0-486-21079-0, http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Gazetteer/Topics/astronomy/_Texts/secondary/ALLSTA/Leo*.html, visitado em 12 de dezembro de 2010 
  9. "The Colour of Stars", Australia Telescope, Outreach and Education (Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation), 21 de dezembro de 2004, http://outreach.atnf.csiro.au/education/senior/astrophysics/photometry_colour.html, visitado em 24 de outubro de 2012 
  10. Cote, J. (1987), "B and A type stars with unexpectedly large colour excesses at IRAS wavelengths", Astronomy and Astrophysics 181 (1): 77–84, Bibcode1987A&A...181...77C 
  11. Matthews, B. C. et al. (2010), "Resolving debris discs in the far-infrared: Early highlights from the DEBRIS survey", Astronomy and Astrophysics 518: L135, doi:10.1051/0004-6361/201014667, Bibcode2010A&A...518L.135M 
  12. Eggen, O. J. (1991), "The IC 2391 supercluster", Astronomical Journal 102: 2028–2040, doi:10.1086/116025, Bibcode1991AJ....102.2028E 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]