Disenteria amébica

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Disenteria amebiana (também conhecida por disenteria amébica e amebíase) é uma forma de disenteria, ou seja, diarréia dos protozoários sarcodina ou rizópodos (protista). É uma ameba típica, com movimentos por extensão de pseudópodes e capacidade fagocítica, que evoluiu para viver como parasita humano, ao contrário da ameba Entamoeba díspar, muito semelhante mas que raramente causa infecções sintomáticas.

A entamoeba tem duas formas, o trofozoíto activo e o cisto infeccioso quiescente.

A entamoeba alimenta-se de bolo alimentar, bactérias intestinais, líquidos intracelulares das células que destrói e por vezes também fagocita eritrócitos. Tem proteínas membranares capazes de formar poros nas membranas das células humanas, destruindo-as por choque osmótico, e adesinas que lhe permitem fixar-se às células da mucosa de modo a não ser arrastada pela diarréia. Além disso produz enzimas proteases de cisteína, que degradam o meio extracelular humano, permitindo-lhe invadir outros órgãos e isso é perigoso.

Há muitas estirpes, a maioria praticamente inócua, mas algumas altamente virulentas, e a infecção geralmente não leva à imunidade.

Ciclo de vida[editar | editar código-fonte]

Os cistos, com 15 micrómetros, são formas resistentes expelidas com as fezes de pessoas infectadas. Após ingestão de água ou alimentos contaminados, a passagem pelo ambiente ácido do estômago induz a sua transformação já no intestino numa forma amébica que rapidamente divide-se em oito trofozoítos, também amébicos. Os trofozoítos aderem fortemente ao meio, multiplicando-se e causando doenças, e em alguns casos transformam-se em formas císticas, que não aderem à mucosa e são expelidas pelas fezes.

Reprodução assexuada, possui ciclo monoxeno, a alimentação ocorre por fagocitose, locomoção por emissão de pseudopodes.Como é a transmissão da amebíase

A pessoa pode contrair amebíase:

  • Ao colocar qualquer coisa na boca que tocou em fezes de alguém infectado pela E. histolytica.
  • Ao engolir algo, como água ou comida, que esteja contaminado com E. histolytica.
  • Ao tocar a levar à boca cistos (ovos) de E. histolytica obtidos de superfícies contaminadas.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

Segundo a OMS, há 50 milhões de novas infecções por ano e 70.000 mortes. A disenteria amébica é mais prevalente nos países tropicais mas também ocorre nas zonas temperadas e mesmo frias. Na África, Ásia tropical e América latina, mais de dois terços da população terá estes parasitas intestinais, apesar da maioria das infecções ser practicamente assintomática. Ao contrário do que se pode pensar, não se restringe apenas a países tropicais, mas é freqüente também nos países de clima frio. A falta de condições higiênicas adequadas é a responsável por sua disseminação. A infecção pela Entamoeba é bastante disseminada, com uma estimativa de prevalência mundial da ordem de 10% da população apenas para as espécies Entamoeba hystolitica e Entamoeba dispar e é a terceira maior causa parasitária de mortes em todo o planeta. No Brasil, estima-se que a prevalência média de infecção pela Entamoeba, sintomática ou não, é de aproximadamente 23% da população. No entanto, o país exibe áreas de endemicidade onde esta taxa pode estar dobrada, e regiões onde praticamente não há casos. A Entamoeba histolytica pode permanecer no organismo sem causar nenhum sintoma. A infecção assintomática é mais encontrada em países, como Estados Unidos, Canadá e países da Europa. As formas graves de disenteria amebiana têm sido registradas com mais freqüência na América do Sul, na Índia, no Egito e no México.

Progressão e Sintomas[editar | editar código-fonte]

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Os trofozoítos multiplicam-se alimentando-se do bolo intestinal após as refeições e destruindo por lise devido à formação de poros membranares por proteínas especificas, os enterócitos (células da mucosa intestinal). A maioria das infecções é controlada pelo sistema imunitário, não havendo geralmente sintomas, mas havendo excreção de cistos infecciosos nas fezes. No entanto se existir grande número de parasitas, ocorre extensa necrose crônica (destruição) da mucosa intestinal, com ruptura dos vasos sanguineos e destruição das célula caliciforme que armazenam muco. Além disso o sistema imunitário reage à sua presença com geração de focos disseminados de inflamação do intestino. O resultado é má absorção da água e nutrientes dos alimentos (devida à destruição das vilosidades de enterócitos) com diarréia sanguinolenta e com muco. Outros sintomas frequentes são as dores intestinais, náuseas e vômitos. A formação de úlceras intestinais é comum, e as perdas de sangue podem levar à anemia por défice de ferro, particularmente em mulheres férteis (que já perdem sangue mensalmente na menstruação). A disenteria amébica pode ser recorrente, com períodos assintomáticos e outros sintomáticos, durante muitos anos. Por vezes ocorrem infecções bacterianas devido à fratura da mucosa do intestino. Esta infecção intestinal dura 12 dias. Se os parasitas se disseminarem para além do tracto , podem causar outros problemas. No fígado destroem hepatócitos até o sistema imunitário controlar a sua proliferação pela formação de um abscesso que por vezes cresce e pode levar a problemas hepáticos. Raramente podem formar-se abscessos no baço ou cérebro, complicações perigosas. Sintomas de invasão sistémica são a febre alta ondulante, tremores, suores, dores abdominais na zona do fígado (principalmente à direita junto ao rebordo costal), fadiga, hepatomegalia.

Diagnóstico e Tratamento[editar | editar código-fonte]

O diagnóstico da disenteria propriamente dita, é feito pela observação de amostras de três dias diferentes de fezes ao microscópio óptico. No entanto mais de 90% dos indivíduos com complicações sistémicas podem já ter resolvido a infecção intestinal, logo o diagnóstico pela análise de fezes poderá ser inconclusivo. Nestes casos a imagem do fígado pela Tomografia computadorizada, detecção do DNA do parasita pela PCR ou sorologia com detecção de anticorpos específicos poderá ser necessária.

No tratamento é usado metronidazol, iodoquinol, paramomicina ou furoato de diloxanida, e em alguns casos, dehydroemetina. Os abscessos hepáticos avançadas poderão necessitar de cirurgia.

Fezes formadas: pesquisa de cisto Fezes diarréicas: pesquisa de trofozoita

Prevenção[editar | editar código-fonte]

Não beber água de fontes desconhecidas, não comer saladas e outros vegetais crus ou frutas cruas com casca em zonas endémicas, lavar bem as mãos após usar o banheiro, mergulhar verduras por 15 minutos em uma solução de 0,3g de permanganato de potássio para 10 litros de água ou 3 gotas de iodo por litro de água, entre outros.