Euskadi Ta Askatasuna

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Euskadi Ta Askatasuna
(ETA)
Basque Country location map.png

O E.T.A procura libertar o País Basco (em vermelho) da Espanha e da França
Lema "Pátria Basca e Liberdade"
Fundação 31 de julho de 1959
Tipo Organização com moldes marxistas nacionalistas e revolucionários
Estado legal Clandestina
Propósito Independência do País Basco
Sede  França
Flag of Spain.svg Espanha
Membros 200 membros e 400 simpatizantes
Línguas oficiais Língua basca
Filiação Partido Nacionalista Basco
Líder Gilmar Antonio
Fundador Partido Nacionalista Basco
Voluntários 400
Imagem do novo emblema da E.T.A.
Antigo emblema do E.T.A.

A Euskadi Ta Askatasuna (basco para Pátria Basca e Liberdade), mais conhecida pela sigla ETA, [1] é uma organização nacionalista basca armada. É a principal organização do Movimento de Libertação Nacional Basco e o principal ator do chamado conflito basco.

Foi fundada em 1959 como um grupo de promoção da cultura basca. No final dos anos 1960, evoluiu para uma organização, paramilitar separatista, lutando pela independência da região histórica do País Basco (Euskal Herria), cujo antigo território atualmente se distribui entre a Espanha e a França. Ao mesmo tempo, a ETA assumiu uma ideologia marxista-leninista revolucionária.[2] [3]

É classificada como um organização terrorista pelos governos da Espanha, da França,[4] do Reino Unido[5] dos Estados Unidos[6] e pela União Europeia em bloco.[7] Em geral, a mídia doméstica e internacional também se refere aos integrantes do grupo como "terroristas".[8] [9] [10] [11]

Desde 1968, a ETA foi responsabilizada pela morte de 829 pessoas e por ferimentos causados a milhares de outras, além de dezenas de sequestros.[12] [13] [14] [15] Estima-se que mais de 400 membros da ETA estejam em prisões da Espanha, França e outros países.[16]

O seu símbolo é uma serpente enrolada num machado. Foi fundada por membros dissidentes do Partido Nacionalista Basco. Durante a ditadura franquista, contou com o apoio da população e o apoio internacional, por ser considerada uma organização anti-regime, mas foi enfraquecendo devido ao processo de democratização em 1977. O seu lema é Bietan jarrai, que significa seguir nas duas, ou seja, na luta política e militar.

A organização reivindica a zona do nordeste da Espanha e do sudoeste da França, na região montanhosa junto aos Pirenéus, virada para o Golfo de Biscaia, região denominada por Euskal Herria (País Basco). A ETA reivindica, em território espanhol, a região chamada Hegoalde ou País Basco do Sul, que é constituído por Álava, Biscaia, Guipúscoa e Navarra; também reivindica, em território francês, a região chamada Iparralde ou País Basco do Norte, que é constituído pelos territórios históricos de Labourd, Baixa Navarra e Soule. O governo espanhol estendeu o estatuto de Comunidade Autônoma Basca a três províncias da Espanha - Álava, Biscaia e Guipúscoa - da qual Navarra não faz parte, possuindo esta o estatuto da Comunidade Foral de Navarra.

Denominação[editar | editar código-fonte]

Os integrantes da ETA são denominados etarras, um neologismo criado pela imprensa espanhola a partir do nome da organização e do sufixo basco com o qual se formam os gentílicos no idioma. Em basco a denominação é etakideak, plural de etakide (membro da ETA). Os membros e partidários do movimento frequentemente utilizam o termo gudariak, que significa guerreiros ou soldados.

História[editar | editar código-fonte]

Em 1952 organiza-se um grupo universitário de estudos chamado Ekin ('empreender' em euskera), em Bilbao. Em 1953, o grupo entra em contato com a organização juvenil do Partido Nacionalista Basco (PNB), Euzko Gaztedi. Em 1956 as duas associações fundem-se. Dois anos mais tarde (1958), os grupos separam-se por divergências internas, sendo que o Ekin converte-se em ETA no dia 31 de julho de 1959. Por questões ideológicas, a ETA desliga-se do PNB, passando a adotar a ação direta como estratégia de resistência, na mesma época em que diversos povos do hemisfério sul lutavam por independência. A primeira assembleia da ETA ocorreu no mosteiro beneditino de Belloc (França), em maio de 1962, sendo as resoluções:

  • A regeneração histórica, considerando a história basca como um processo de construção nacional
  • O que define a nacionalidade basca é a euskera, em vez da etnia, como fazia o PNB
  • Definem-se como um movimento não religioso, rechaçando a hierarquia católica, ainda que utilizem a doutrina da Igreja para a elaboração do seu programa social. Isto contrasta com o catolicismo do PNB
  • Defesa do socialismo[17]
  • A independência do País Basco, compatível com o federalismo europeu

Primeiras assembleias e primeiros atentados[editar | editar código-fonte]

Os esquerdistas conseguem uma definição maior da ideologia da ETA a partir da II Assembleia, que define as afinidades da ideologia do movimento com o comunismo. Esta assembleia foi realizada em Bayona, na primavera de 1963.

Na III assembleia, que ocorreu entre abril e maio de 1964, decidiu-se que a luta armada era a melhor maneira de alcançar os seus objetivos. A resolução foi publicada mais tarde no periódico "La Insurrección" e, País Basco. Nesta assembleia também se decidiu, por unanimidade, a ruptura final com o PNB, que para o ETA, "contrariava os interesses da libertação nacional".

É difícil definir qual foi o primeiro atentado do ETA, já que os primeiros não foram assumidos. Em todo caso, o primeiro atentado assumido pela ETA foi a morte do guarda civil José Pardines Arcay, em 7 de junho de 1968.

Em 1968, a ETA cometeu seu primeiro atentado de grande repercussão: o assassinato de Melitón Mananzas, chefe da polícia secreta de San Sebastián e torturador da ditadura franquista. Em 1970, vários membros da ETA são julgados e condenados à morte durante o processo de Burgos, mas a pressão internacional fez com que a pena fosse alterada, mesmo tendo sido aplicada a outros membros da ETA anteriormente. O atentado de maior repercussão durante a ditadura ocorreu em dezembro de 1973, com o assassinato do almirante e presidente do governo Luis Carrero Blanco, em Madrid, ação que foi aplaudida por muitos exilados políticos.

Aeroporto de Madrid, Barajas

Em 1978, com a nova constituição espanhola, o País Basco consegue grande autonomia. Porém, a ETA reivindica a independência total da região.

No dia 24 de março de 2006, a organização declarou um cessar-fogo permanente, que foi rompido em 30 de dezembro de 2006. A organização assumiu a explosão de um carro-bomba no Terminal 4 do Aeroporto de Madrid-Barajas, em Madrid.

Ao contrário do que sucedera no passado, a ETA não anunciou o atentado previamente, provocando o desmoronamento de três dos quatro andares do prédio (o mais recente terminal do aeroporto), a suspensão do tráfego aéreo num dos dias mais movimentados do ano nos aeroportos europeus, deixando 19 pessoas feridas e causando a morte de dois equatorianos.

Desenvolvimentos recentes[editar | editar código-fonte]

De acordo com um vídeo lançado pela estação televisiva britânica BBC em 5 de setembro de 2010, a ETA não "levará a cabo mais acções militares".[18] Em 10 de janeiro de 2011 um anúncio da ETA informou que vai adotar um cessar-fogo “permanente, geral e verificável”.[19]

Em 20 de outubro de 2011 a organização emitiu um comunicado anunciando o final de suas atividades[20] [21] após 51 anos, durante os quais provocou mais de 800 mortos. O fim da ETA aconteceu no momento em que a organização estava mais débil, devido ao seu crescente isolamento social no País Basco, pela demarcação progressiva do seu braço político, e à pressão policial que, em Espanha e França, destruiu a capacidade operacional dos seus comandos.[20]

Referências

  1. What is Eta?, BBC News 20 de outubro de 2011
  2. (em inglês) BBC NEWS World Europe Who are ETA ?
  3. (em inglês) "What is the MNLV (4)"
  4. (francês) French list of terrorist organizations, in the annex of Chapter XIV
  5. Proscribed terrorist groups.
  6. Foreign Terrorist Organizations (FTOs).
  7. EU's list of terrorist organizations
  8. "Eta gives terrorists disguise manual", The Independent, 15 de dezembro de 2007.
  9. Owen, Edward. "Eta terrorists demand protection money", The Daily Telegraph, 7 de agosto de 2007.
  10. Spain's rail ambitions: Ave Madrid. The Economist, 5 de fevereiro de 2009.
  11. Spanien: Mutmaßliche Eta-Terroristen gefasst – SPIEGEL ONLINE – Nachrichten – Politik. Spiegel.de, 2 de julho de 2007.
  12. Lista de víctimas mortales (em castelhano) Ministerio del Interior.
  13. Datos significativos del conflicto vasco, 1968–2003 (em castelhano) Eusko News (2003).
  14. ETA has killed 829 people as of 19 January 2011, Ministerio del Interior (Espanha)
  15. Peace at Last? | People & Places|Smithsonian Magazine. Smithsonianmag.com.
  16. 81 terroristas de ETA abandonan la cárcel en 2014 y dejan la cifra de presos etarras en 465 Cronica Global, 2 de janeiro de 2015.
  17. Izquierda abertzale: De la heterogeneidad al monolitismo. Por Rafael Leonisio Calvo.
  18. BBC News: Basque separatist group Eta 'declares ceasefire' bbc.co.uk. Visitado em 11 de janeiro de 2011.
  19. Agência Brasil: Grupo separatista ETA anuncia cessar-fogo permanente agenciabrasil.ebc.com.br. Visitado em 11 de janeiro de 2011.
  20. a b publico.pt. ETA anuncia o fim do terrorismo. Visitado em 20 de outubro de 2011.
  21. elmundo.es. ETA anuncia el cese definitivo de su actividad armada. Visitado em 20 de outubro de 2011.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre ETA