Euskadi Ta Askatasuna

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Euskadi Ta Askatasuna
(ETA)
Basque Country location map.png

O E.T.A procura libertar o País Basco (em vermelho) da Espanha e da França
Lema "Pátria Basca e Liberdade"
Fundação 31 de julho de 1959
Tipo Organização com moldes marxistas, nacionalistas e stalinistas
Estado legal Clandestina
Propósito Independência do País Basco
Sede  França
 Espanha
Membros 200 membros e 400 simpatizantes
Línguas oficiais Língua basca
Filiação Partido Nacionalista Basco
Líder Gilmar Antonio
Fundador Partido Nacionalista Basco
Voluntários 400
Imagem do novo emblema da E.T.A.
Antigo emblema do E.T.A.

A organização Euskadi Ta Askatasuna (basco para Pátria Basca e Liberdade), mais conhecida pela sigla ETA, é um grupo que procura a independência da região do País Basco (Euskal Herria), de Espanha e França. A ETA possui ideologia separatista/independentista marxista-leninista e revolucionária.

É classificada como um grupo terrorista pelos governos da Espanha, da França e dos Estados Unidos, pela União Europeia e pela Amnistia Internacional.[1] O seu símbolo é uma serpente enrolada num machado. Foi fundada por membros dissidentes do Partido Nacionalista Basco. Durante a ditadura franquista, contou com o apoio da população e o apoio internacional, por ser considerada uma organização anti-regime, mas foi enfraquecendo devido ao processo de democratização em 1977. O seu lema é Bietan jarrai, que significa seguir nas duas, ou seja, na luta política e militar.

Este grupo separatista reivindica a zona do nordeste da Espanha e do sudoeste da França, na região montanhosa junto aos Pirenéus, virada para o Golfo de Biscaia, região denominada por Euskal Herria (País Basco). A ETA reivindica, em território espanhol, a região chamada Hegoalde ou País Basco do Sul, que é constituído por Álava, Biscaia, Guipúscoa e Navarra; também reivindica, em território francês, a região chamada Iparralde ou País Basco do Norte, que é constituído por Labour, Baixa Navarra e Soule. O governo espanhol estendeu o estatuto de Comunidade Autônoma Basca a três províncias da Espanha - Álava, Biscaia e Guipúscoa - da qual Navarra não faz parte, possuindo esta o estatuto da Comunidade Foral de Navarra.

A ETA foi criada em 1959, originou do Partido Nacionalista Basco (PNV), um partido político fundado em 1895 e que sobrevivera na clandestinidade durante a ditadura de Francisco Franco (1939-1975).

Denominação[editar | editar código-fonte]

Os integrantes da ETA são denominados etarras, um neologismo criado pela imprensa espanhola a partir do nome da organização e do sufixo basco com o qual se formam os gentílicos no idioma. Em basco a denominação é etakideak, plural de etakide (membro da ETA). Os membros e partidários do movimento frequentemente utilizam o termo gudariak, que significa guerreiros ou soldados.

História[editar | editar código-fonte]

Em 1952 organiza-se um grupo universitário de estudos chamado Ekin (empreender em euskera), em Bilbao. Em 1953, através do Partido Nacionalista Basco (PNB) o grupo entra em contato com a organização juvenil PNB, Euzko Gaztedi. Em 1956 as duas associações fundem-se. Dois anos mais tarde (1958), os grupos separam-se por divergências internas, sendo que o Ekin converte-se em ETA no dia 31 de Julho de 1959. Por questões ideológicas, o ETA desliga-se do PNB, utilizando a ação direta como estratégia de movimento de resistência na mesma época em que diversos países do hemisfério sul lutavam por liberdade. A sua primeira assembleia ocorreu no mosteiro beneditino de Belloc França em maio de 1962, sendo as resoluções:

  • A regeneração histórica, considerando a história basca como um processo de construção nacional.
  • O que define a nacionalidade basca é a euskera, em vez da etnia, como fazia o PNB.
  • Definem-se como um movimento não religioso, rechaçando a hierarquia da igreja ainda que utilizem a sua doutrina para a elaboração do seu programa social. Isto contrasta com o catolicismo do PNB.
  • O Socialismo.
  • A independência do País Basco, compatível com o federalismo europeu.

Primeiras assembleias e primeiros atentados[editar | editar código-fonte]

Os esquerdistas conseguem uma definição maior da ideologia do ETA a partir da II Assembleia, que define as afinidades da ideologia do movimento com o comunismo. Esta assembleia foi realizada em Bayona, na primavera de 1963.

Na III assembleia, que ocorreu entre abril e maio de 1964, decidiu-se que a luta armada era a melhor maneira de alcançar os seus objetivos. A resolução foi publicada mais tarde no periódico "La Insurrección" e, País Basco. Nesta assembleia também se decidiu, por unanimidade, a ruptura final com o PNB, que para o ETA, "contrariava os interesses da libertação nacional".

É difícil definir qual foi o primeiro atentado do ETA, já que os primeiros não foram assumidos. Em todo caso, o primeiro atentado assumido pelo ETA foi a morte do guarda civil José Pardines Arcay, em 7 de Junho de 1968.

Em 1968 o ETA cometeu seu primeiro atentado de grande repercussão: o assassinato de Melitón Mananzas, chefe da polícia secreta de San Sebastián e torturador da ditadura franquista. Em 1970, vários membros de ETA são julgados e condenados à morte durante o processo de Burgos, mas a pressão internacional fez com que a pena fosse alterada, mesmo tendo sido aplicada a outros membros do ETA anteriormente. O atentado de maior repercussão durante a ditadura ocorreu em Dezembro de 1973, com o assassinato do almirante e presidente do governo Luis Carrero Blanco, em Madrid, ação que foi aplaudida por muitos exilados políticos.

Aeroporto de Madrid, Barajas

Em 1978, com a nova constituição espanhola, o País Basco consegue grande autonomia. Porém, a ETA reivindica a independência total da região.

No dia 24 de Março de 2006 a organização declarou um cessar-fogo permanente, que foi rompido em 30 de Dezembro de 2006. A organização assumiu a explosão de um carro-bomba no Terminal 4 do Aeroporto de Madrid-Barajas, em Madrid.

Ao contrário do que sucedera no passado, a ETA não anunciou o atentado previamente, provocando o desmoronamento de três dos quatro andares do prédio (o mais recente terminal do aeroporto), a suspensão do tráfego aéreo num dos dias mais movimentados do ano nos aeroportos europeus, deixando 19 pessoas feridas e causando a morte de dois equatorianos.

Desenvolvimentos recentes[editar | editar código-fonte]

De acordo com um vídeo lançado pela estação televisiva britânica BBC em 5 de setembro de 2010, a ETA não "levará a cabo mais acções militares".[2] Em 10 de janeiro de 2011 um anúncio da ETA informou que vai adotar um cessar-fogo “permanente, geral e verificável”.[3]

Em 20 de outubro de 2011 a organização emitiu um comunicado anunciando o final definitivo de toda e qualquer atividade[4] [5] após 51 anos, durante os quais provocou mais de 800 mortos. O fim da ETA acontece no momento em que a organização está mais débil, devido ao crescente isolamento social no País Basco, pela demarcação progressiva do seu braço político, e à pressão policial que, em Espanha e França, destruiu a capacidade operacional dos seus comandos.[4]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Militante do ETA foragido é detido no Brasil
  2. BBC News: Basque separatist group Eta 'declares ceasefire'. bbc.co.uk. Página visitada em 11 de janeiro de 2011.
  3. Agência Brasil: Grupo separatista ETA anuncia cessar-fogo permanente. agenciabrasil.ebc.com.br. Página visitada em 11 de janeiro de 2011.
  4. a b publico.pt. ETA anuncia o fim do terrorismo. Página visitada em 20 de outubro de 2011.
  5. elmundo.es. ETA anuncia el cese definitivo de su actividad armada. Página visitada em 20 de outubro de 2011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre ETA