Golpe de Estado no Níger em 2010

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Tandja Mamadou, presidente do Níger capturado pelo golpe de Estado.
Localização do Níger.

O golpe de Estado no Níger em 2010 foi dado em 18 de fevereiro. Militares tiraram do poder o presidente Mamadou Tandja, que estaria preso no palácio presidencial. O governo do Níger foi assumido por Salou Djibo.[1] Após executaram o golpe, os militares estabeleceram o Conselho Supremo para a Restauração de Democracia (CSRD), anunciando a abolição da Constituição e a dissolução do governo.[2] Em comunicado lido pela rádio estatal em 22 de fevereiro, o autodenominado CSRD informou que Djibo "exercerá as funções de chefe de Estado e de Governo". Segundo a nota, essa decisão se refere à "organização de poderes e à criação de novas instituições durante o período de transição", mas não diz a duração desse período.[3] Posteriormente, o grupo decretou toque de recolher e fechou as fronteiras com os outros países.[4]

Sete ministros do governo do Tandja permanecem sob poder da junta militar, que porém, garantiu ter libertado todos, acusaram dois dirigentes do antigo partido no poder, o Movimento Nacional pela Sociedade em Desenvolvimento (MNSD). "Há cinco ministros que continuam detidos pela junta, provavelmente em Niamey", afirmou o diretor de comunicação do partido. Ele citou os ministros do Interior, Albadeh Abouba, de Infraestruturas, Lamido Moumouni, das Finanças, Ali Lamine Zène, das Relações Exteriores, Aichatou Mindaoudou, e dos Transportes, Issa Mazou. "Outros dois ministros, o da Defesa, Djida Hamadou, e o da Justiça, Garba Lompo, também estão entre os detidos pela junta militar", afirmou mais tarde Ali Sabo, vice-presidente do partido.[5]

Reação internacional[editar | editar código-fonte]

Países[editar | editar código-fonte]

  •  França: O governo francês condenou a tomada do poder por "vias não constitucionais", e pediu diálogo para sair da crise em sua ex-colônia.[6]
  •  Líbia: Com uma visita agendada para Cabo Verde, o secretário-geral do Comitê Popular da Líbia, Baghdadi Mahmoudi, adiou a essa visita, devido à crise político-militar no Níger, com o qual a Líbia tem uma fronteira.[7]
  • Senegal: O ministro dos Negócios Estrangeiros do Senegal, Madické Niang, disse no dia 19 de fevereiro, em Niamey, capital do Níger, que o seu país vai fazer tudo para permitir o regresso da democracia ao país. "Conhecendo a qualidade dos nigerinos, estou convencido de que poderemos ajudar este país a reencontrar a estabilidade política", disse o enviado do Presidente senegalês, Abdoulaye Wade, nomeado recentemente mediador da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para a crise nigerina. O ministro disse estar "muito satisfeito" pelo seu encontro com o chefe da Junta, Djibo Salou. "É um homem aberto, disponível. Soubemos que os membros do Governo foram libertados, que o Presidente Tandja encontra-se em excelentes condições e está sendo bem tratado", afirmou.[8]

Organizações[editar | editar código-fonte]

  • Cruz Vermelha: Uma delegação da Cruz Vermelha encontrou-se com o presidente deposto, Mamadou Tanja, para se inteirar das condições da sua detenção. Segundo o CSRD, o Presidente "está muito bem, encontra-se numa vivenda da presidência e pode ver a qualquer momento o seu médico pessoal". "A sua família vive atualmente no seu domicílio privado em Niamey, autorizamos uma delegação da Cruz Vermelha que deseja visitar-lhe para se inquirir das condições da sua detenção", indicou.[9]
  • União Africana: A UA puniu o Níger pelo golpe, suspendendo-o das atividades a serem realizadas, anunciou o embaixador de Uganda na UA, Mull Sebuja Katende, que preside o Conselho de Paz e Segurança da União Africana, ao final de uma reunião em Addis Abeba, na Etiópia. "A partir deste dia [19 de fevereiro], o Níger não participará mais de nossas atividades", anunciou. "Condenamos o golpe de Estado e impusemos uma sanção ao Níger: está suspenso de todas as atividades da União Africana", declarou Sebuja Katende.[10]
  • Nações Unidas: O secretário-geral, Ban Ki-moon, condenou o golpe, e expressou a disposição do organismo internacional para ajudar a resolver a crise de forma pacífica e duradoura. Ban "condena o golpe de Estado no Níger e reitera sua desaprovação de toda mudança anticonstitucional de Governo, assim como toda tentativa de permanecer no poder por meios não-constitucionais", afirmou o porta-voz, Martin Nesirky, por meio de um comunicado. O responsável da ONU "leva em conta a declaração do grupo de que sua intenção é restabelecer a ordem constitucional no Níger", afirmou o porta-voz. Ban também pede ao grupo para "trabalhar para conseguir em prol desse objetivo de maneira pactuada e inclusiva, com o conjunto da sociedade nigerina". Além disso, o comunicado pede "calma e respeito do estado de direito no Níger, da mesma forma que dos direitos humanos".[4]

Referências