Ilha de Anhatomirim

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Ilha Anhatomirim
27° 25′ S 48° 33′ W
Geografia física
País  Brasil
Localização Governador Celso Ramos
 Santa Catarina
Área 0,045[1] (4,5 hectareskm²

A ilha de Anhatomirim ("pequena ilha do diabo" em língua tupi),[2] está situada na baía norte da ilha de Santa Catarina, atual município de Governador Celso Ramos, no litoral do estado de Santa Catarina, no Brasil.

Nesta ilha rochosa foi construída, no século XVIII uma das mais imponentes fortalezas do sul do Brasil: a de Santa Cruz de Anhatomirim, que, restaurada, constitui-se hoje uma das mais expressivas atrações turísticas de Florianópolis.

História[editar | editar código-fonte]

Ocupação[editar | editar código-fonte]

Historicamente a ilha de Santa Catarina foi um dos primeiros locais do litoral sul do brasil a sofrer o processo de ocupação pelos europeus. A partir do século XVII passou a existir uma preocupação da Coroa Portuguesa que lhe atribuía grande importância estratégica, uma vez que Desterro (primitivo nome de Florianópolis) constituía-se num importante ponto de apoio no trânsito para a Região do Rio da Prata. Como solução, a Coroa considerou conveniente fortificar o litoral catarinense, incumbindo o Brigadeiro José da Silva Pais, com o cargo de governador da Ilha de Santa Catarina, de projetar e implementar as defesas da ilha. Para esse fim, ele construiu quatro grandes fortalezas. A de Santa Cruz de Anhatomirim foi a primeira, erguida de 1739 a 1744,[3] seguida pela de São José da Ponta Grossa (1740), na Ilha de Santa Catarina, e pela de Santo Antônio (1740), na Ilha de Ratones Grande.

A ilha de Anhatomirim era particularmente interessante pelo fato de ...possuir ancoradouro seguro para uma esquadra de navios de guerra, e o porto que a protege permite a entrada de navios com 300 toneladas, se não deslocar muita água. Antes de prosseguirem viagem na travessia do canal, os navios devem enviar um bote a terra, a Santa Cruz. Ssua fortificação foi conquistada e ocupada durante a invasão espanhola da ilha de Santa Catarina, no início de 1777. A região somente voltou ao domínio português com o Tratado de Santo Ildefonso, em Outubro do mesmo ano.

Hospital e presídio[editar | editar código-fonte]

A época da Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870), a ilha serviu como depósito de convalescentes, e, no final do século, como posto de controle e de isolamento de doentes atingidos pela febre amarela. A ilha serviu como ponto de sinalização marítima, tendo recebido um farolete composto por uma coluna de ferro de 8 metros de altura. A sua lâmpada, elevada 37,5 metros acima do nível do mar, tem um alcance de dez milhas náuticas. Foi inaugurado em 1883, em substituição ao que existiu desde 1873.

Durante a Revolução Federalista, em 1894, o interventor federal, Coronel Antônio Moreira César, deu início a uma série de prisões políticas, culminando com o fuzilamento de dezenas de pessoas na ilha de Anhatomirim. Já durante a Segunda Guerra Mundial, a ilha abrigou uma estação rádio telegráfica da Marinha do Brasil, após o que caiu em abandono.

Biodiversidade[editar | editar código-fonte]

A fauna marinha é rica, com ouriços, estrelas-do-mar e peixes variados. Uma das grandes atrações são os muitos golfinhos que nadam em suas águas. Três pequenas praias arenosas completam o seu litoral. Seu relevo é bastante modesto: a altitude máxima é de 31 metros acima do nível do mar e a vertente norte apresenta o mais forte declive. Entre a ilha e o continente a profundidade é inferior a 5 metros, sendo intenso o processo de sedimentação.

A Ilha de Anhatomirim está contida na Área de Proteção Ambiental (APA), e a exploração de seus recursos naturais é severamente limitada pelas leis municipais.

Turismo[editar | editar código-fonte]

A Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim, é um monumento tombado como patrimônio histórico e artístico nacional, desde 1938. Foi restaurada na década de 1980, passando a sediar estações de aquicultura e oceanografia, exposições de artesanato e de arqueologia, ligados à Universidade Federal de Santa Catarina, e, nos últimos anos, tem sido incorporada a campanhas educativas e turísticas, visando a divulgação do aspecto histórico e cultural das construções militares do litoral sul brasileiro.

Atualmente a expressiva visitação à Ilha, especialmente por meio de escunas, alcança a cifra de 123 mil pessoas por ano.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Da redação. Ciência e cultura, volume 32. [S.l.]: Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, 1980. 804 pp.
  2. ESTEVES, Ricardo. Bagagem de um viajante. [S.l.]: Editora Leya, 2013. 46 pp. ISBN: 9789892035932.
  3. RIGOT-MULLER, Bertrand; et al.. Guia Brasil Renault. [S.l.]: Éditions Nouveaux Loisirs, 2000. 390 pp. ISBN: 9788521311386.