José Luís Benício da Fonseca
José Luiz Benício da Fonseca, nome artístico Benício (Rio Pardo, 14 de dezembro de 1936) é um ilustrador e desenhista brasileiro.
Começando na carreira como aprendiz de desenhista em Porto Alegre com apenas 16 anos, transferiu-se para ao Rio de Janeiro em 1953, passando a trabalhar em departamentos de arte de agências de publicidade e na Editora Rio Gráfica. Benício chegou a ilustrar história em quadrinhos, mas nunca se considerou apto para isso.[1] A partir de 1961, começou a trabalhar para a McCann Erickson Publicidade, fez importantes trabalhos para a Coca-Cola, Esso e outros grandes clientes. Em 1963, já consagrado, muda-se para a Denison Propaganda.
Nos anos 60, Benício conquistou fama desenhando mulheres voluptuosas para capas de livretos de bolso da extinta Editora Monterrey, particularmente a série Gisele, A Espiã Nua que Abalou Paris, que tinha os textos feitos pelo jornalista David Nasser,[2] e centenas de livretos da coleção ZZ7, com a filha de Gisele, "Brigitte Montfort", também uma sexy, linda e voluptuosa espiã.[3] Adepto das mulheres com curvas e da exaltação do corpo feminino, como Vargas, o célebre desenhista da Playboy americana, Benício ficou conhecido como o 'rei das pin-ups' brasileiro, e tem como sua maior influência o trabalho do artista norte-americano Norman Rockwell, por mais de quatro décadas o ilustrador das capas do The Saturday Evening Post.
Nos anos 70 ele foi o mais solicitado e famoso ilustrador de cartazes do cinema nacional, produzindo mais de 300 deles em duas décadas - sendo obrigado a driblar e negociar com a censura da ditadura militar para aprovar seus trabalhos[4] - entre eles duas imagens que se tornaram ícones do cinema nacional: o cartaz da pornochanchada A Super Fêmea, que lançou Vera Fischer ao estrelato, e o de Dona Flor e Seus Dois Maridos,[5] o filme de maior público da história do cinema brasileiro.[6] Ele também foi o responsável por todos os cartazes dos filmes dos Trapalhões. Benício considera seu trabalho para o cartaz do filme Independência ou Morte, de 1972, para o qual Tarcísio Meira, que fez o papel principal de Dom Pedro I, posou ao vivo para ele, o mais elaborado de sua carreira nesta área.
Benício continuou em grande atividade pelos anos 80, trabalhando sempre com tinta a guache, até a posse do presidente Fernando Collor, que fechou a Embrafilme e paralisou a produção cinematográfica no Brasil por falta de financiamento. Com a chamada 'Retomada', já nos anos 2000, e a substituição do pincel pelo computador, tornando a execução dos trabalhos mais baratos, ele passou a ser menos solicitado pelo cinema. Com mais de 50 anos de carreira, ilustrando projetos de arquitetura e autor de trabalhos para as revistas Veja, Playboy e Isto É, entre outras, hoje dedica seu tempo a atender encomendas para ilustrações de anúncios publicitários e matérias internas de revistas, em seu estúdio particular no Leblon, Rio de Janeiro.
[editar] Prêmios
- 1986
- Grand-prix de ilustração no Prêmio Colunistas
- 1990
- Prêmio de ilustração arquitetônica do Instituto dos Arquitetos do Brasil, pelo projeto Orla Marítima da cidade do Rio de Janeiro.
Referências
- ↑ Sidney Gusman (07/04/06). Uma merecida homenagem ao talento de Benicio. Universo HQ.
- ↑ Mauro Dias (4/11/01). David Nasser, o repórter que inventava a notícia. Observatório da Imprensa.
- ↑ Brigitte, o fenômeno esquecido e outras fotos das capas. O Estado do Paraná (22/12/2003).
- ↑ Benício - o mestre brasileiro das pin-ups
- ↑ O Globo:Benício, autor de cartazes do cinema nacional, é tema de documentário do Canal Brasil
- ↑ Ancine