Rio Pardo

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Município de Rio Pardo
Bandeira de Rio Pardo
Brasão de Rio Pardo
Bandeira Brasão
Hino
Fundação 7 de outubro de 1809 (204 anos)
Gentílico riopardense
CEP 96640-000
Prefeito(a) Fernando Henrique Schwanke[1] (PMDB)
(2013–2016)
Localização
Localização de Rio Pardo
Localização de Rio Pardo no Rio Grande do Sul
Rio Pardo está localizado em: Brasil
Rio Pardo
Localização de Rio Pardo no Brasil
29° 59' 24" S 52° 22' 40" O29° 59' 24" S 52° 22' 40" O
Unidade federativa  Rio Grande do Sul
Mesorregião Centro Oriental Rio-grandense IBGE/2008[2]
Microrregião Cachoeira do Sul IBGE/2008[2]
Municípios limítrofes Santa Cruz do Sul, Pantano Grande, Cachoeira do Sul, Encruzilhada do Sul, Passo do Sobrado, Minas do Leão, Candelária, Vera Cruz e Vale Verde
Distância até a capital 140 km
Características geográficas
Área 2 050,531 km² [3]
População 37 602 hab. Censo IBGE/2010[4]
Densidade 18,34 hab./km²
Altitude 47 m
Clima Não disponível
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,754 alto PNUD/2000[5]
PIB R$ 430 998,704 mil IBGE/2008[6]
PIB per capita R$ 11 077,38 IBGE/2008[6]
Página oficial

Rio Pardo é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul. Foi uma das primeiras vilas a serem criadas no estado, e sua história está intimamente ligada à formação do RS. Teve um papel importante como fortaleza de fronteira na conquista do território aos espanhóis, e daí seu moto de Tranqueira Invicta; foi palco de várias cenas da Guerra Guaranítica, sendo a prisão do lendário Sepé Tiaraju, e também na Revolução Farroupilha e na Guerra do Paraguai foi um local que centralizou atenções. Sua origem é, desta forma, essencialmente militar. Povoada principalmente por açorianos, que fundaram famílias que se ligaram às mais ilustres do estado, tornou-se no século XIX centro de produção agrícola e seu porto fluvial um movimentado entreposto de comércio. Sua antiguidade deixou marcas ainda visíveis na cidade, em tradições e na sua rica arquitetura colonial.[7]

História[editar | editar código-fonte]

Às margens do rio Jacuí, é um dos quatro municípios mais antigos do Rio Grande do Sul e de grande importância histórica. No século XVII e século XVIII, compreendia quase 157 mil quilômetros quadrados, mais da metade do território sul-rio-grandense. O município de Rio Pardo deu origem a mais de 200 outros. Era habitada pelos nativos tapes, que foram depois reduzidos pelos jesuítas espanhóis nas Missões Orientais do Tapes, por volta de 1633.Os bandeirantes paulistas fizeram três incursões para escravizar missioneiros, obrigando as missões da região a recuarem para a margem direita do rio Uruguai, apesar dos portugueses terem sido derrotados e expulsos na última incursão, quando da batalha de M'bororé. Em 1715, chegaram ao atual município os primeiros colonizadores portugueses avulsos. O forte Jesus, Maria, José do Rio Pardo, em 1752, foi construído com o intuito de ser a fortificação mais a oeste na chamada guerra Guaranítica - (1753-1756). Alguns anos após, chegaram os primeiros colonizadores açorianos, que foram povoando a cidade inicialmente em volta do forte. Foram estabelecidas plantações e fazendas criatórias, que sustentaram a economia e a sociedade regional.

Quando das invasões espanholas, a partir de 1761, Rio Pardo nunca caiu, por isso sua alcunha : Tranqueira Invicta. Foi de Rio Pardo que, em 1801, partiu Borges do Canto e seus companheiros que, em aliança com parcialidades dissidentes dos guaranis missioneiros, insatisfeitas com a administração militar espanhola, conquistou as Missões para o império lusitano, que hoje representa 1/3 do estado. Após essa conquista, os guaranis missioneiros perderiam, em algumas décadas, o que restava das fazendas coletivas, em favor de latifundiários luso-brasileiros. Alguns historiadores contam que foi "no atalaia do Rio Pardo que se plasmou a alma guerreira dos rio-grandenses", visto que os Dragões (tropa de elite) estiveram em Rio Pardo de 1750 até 1823, portanto durante 83 anos.

Por estas razões, uma parte significativa das famílias do Rio Grande do Sul, com raízes no passado mais distante, tem ligação com esta cidade. Inclusive muitas famílias de proprietários vinham casar suas filhas com cadetes que vinham de todo o Brasil estudar na cidade. Em 1807, foi criada a Capitania de São Pedro e, em 7 de outubro de 1809, através do Decreto Real assinado por D. João VI, Rio Pardo foi elevado à condição de vila, com o nome de Vila do Príncipe. Em 31 de março de 1846, a vila de Rio Pardo foi elevada à categoria de cidade.

Além da importante participação na conquista da região das Missões, o município se destacou na Revolução Farroupilha (1835-1845) e na Guerra do Paraguai (1865). A seguir, vieram colonizar a região os imigrantes alemães e de outras origens. A economia de Rio Pardo esteve apoiada na criação animal, na agricultura e no comércio, fortemente movidos pela mão-de-obra africana e afrodescendente escravizada.

Paleontologia[editar | editar código-fonte]

No município estão localizados afloramentos de grande importância e que têm contribuído para a paleobotânica.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Localiza-se a uma latitude 29º59'23" sul e a uma longitude 52º22'41" oeste, estando a uma altitude de 47 metros.

Sua população estimada em 2004 era de 37.935 habitantes.

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima é subtropical, apresentando verões muito quentes e invernos frios, com pequena ocorrência de geadas. As médias anuais de temperatura variam entre 18° e 20°C.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Dois rios cortam o município: o rio Jacuí, que corre no sentido oeste-leste, dividindo o território em duas porções e o seu afluente, o rio Pardo, que corre no sentido norte-sul.

Vegetação[editar | editar código-fonte]

É predominantemente formada por gramíneas nativas. As matas localizam-se às margens dos rios Jacuí e Pardo e seus afluentes. As formações vegetais são: Mata de Planície, Parque de Maricá, Vegetação Palustre e Vegetação Campestre.

Pontos turísticos[editar | editar código-fonte]

Prédios históricos[editar | editar código-fonte]

Casa de Cultura de Rio Pardo
Museu Histórico Barão de Santo Ângelo
Museu de Arte Sacra - entre as peças expostas encontra-se a imagem do santo do pau oco Santo Estevão, utilizado na época das guerras para esconder mensagens, ouro, prata, etc.

Igrejas[editar | editar código-fonte]

Museus[editar | editar código-fonte]

A Rua Julio de Castilhos (Rua da Ladeira) foi a primeira rua calçada no RS, no ano de 1813

Áreas históricas e panorâmicas[editar | editar código-fonte]

  • Rua da Ladeira (atual Júlio de Castilhos) [5] - construída em 1813 copiando a Via Ápia, é a primeira rua calçada no Rio Grande do Sul, ligando o antigo [Forte Jesus, Maria, José ao centro da cidade. Foi tombada em 1954 pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do Brasil
  • Forte Jesus, Maria, José do Rio Pardo, apelidado de "'Tranqueira Invicta" [6] - construído em 1752, hoje restam apenas três canhões e uma lápide com a planta da fortaleza
  • Praia dos Ingazeiros
  • Balneário de Santa Vitória
  • Monumento do Barão do Triunfo
  • Monumento às professoras Ana Aurora e Zamira do Amaral Lisboa
  • Ponte sobre o Rio Pardo (1754/1911)
  • Cemitério Municipal (1872) − com valor histórico e artístico
  • Cruz do Barro Vermelho - combate farroupilha e berço do Hino Rio-grandense
  • Ponte de Arcos Romanos (1848) - em Arroio do Couto
  • Barragem Eclusa do Anel Dom Marco − 22 km
  • Praia de Porto Ferreira e Porto das Mesas

Cidadãos ilustres[editar | editar código-fonte]

  • Deoclécio Paranhos Antunes. Natural do Rio Pardo (RS), nasceu aos 04 de julho de 1902; filho de Cristiano Carlos Antunes e de Maria Eugênia Paranhos Antunes. De Paranhos Antunes (como era conhecido nos meios literários), incluiu-se por seus méritos e destacada atuação entre os riopardenses ilustres; na carreira que abraçou, nos meios onde viveu como poeta, literato, jornalista (em Cachoeira),historiador e militar do EB. Poeta e historiador que assinava De Paranhos Antunes; fez parte da Academia Sul-Riograndense de Letras (1934-1944), ocupando a cadeira nº 30, da qual é patrono Marcelo Gama e da Sociedade Brasileira de Homens de Letras. Pertenceu também ao Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul,tendo publicado várias obras. (Fonte: Blog Maragato Assessoramento).
  • .José Joaquim de Andrade Neves, Barão do Triunfo, (1807-1869) - militar, chegou ao posto de general; combateu os farrapos, lutou em diversas campanhas; teve destacada atuação na guerra contra Solano Lopes; seus restos mortais estão na Matriz de Rio Pardo.
  • Alexandrino de Alencar - (1848-1926) - almirante da Armada Brasileira, ministro da Marinha, ministro do Supremo Tribunal Militar, senador da República.
  • Perseverando José Rodrigues Ferreira - nasceu em Rio Pardo no ano de 1801; presidente da Câmara Municipal de Rio Pardo que, por ocasião da revolução de 1835, assinou a resposta dos vereadores contra as propostas e insinuações do legalista Bento Manoel.
  • Antônio Simões Pires - nasceu em Rio Pardo em 1766, e faleceu na mesma cidade, em 1856; sargento-mor, vereador da Câmara do Rio Pardo.
  • Gaspar Pinto Bandeira - capitão.
  • João de Deus Mena Barreto, Visconde de São Gabriel (1769 - 1849) - fazendeiro e militar, distinguiu-se em diversas campanhas, atingindo o posto de marechal-de-campo; conselheiro de Sua Majestade.
  • José Martins da Cruz Jobim (1802-1878) - médico do Paço Imperial, lente e diretor da Escola de Medicina do Rio de Janeiro, deputado e senador.
Retrato de Manuel de Araújo Porto-Alegre
  • João Antônio da Silveira (1779-1871) - teve destacada atuação na Revolução Farroupilha; foi um dos seis generais da República Rio-grandense.
  • Francisco de Paula do Amaral Sarmento Mena (1804-1836) - tenente do Regimento de Dragões; deixou a atividade militar com brilhante folha de serviços; participou de diversas campanhas; poeta e ardoroso farroupilha, pegou em armas em defesa do ideal republicano; morreu em combate.
  • Manuel de Araújo Porto-Alegre, Barão de Santo Ângelo (1806-1879) - poeta, desenhista, pintor, arquiteto, escultor, historiador, jornalista, teatrólogo, professor, diplomata.
  • Antônio Vicente da Fontoura (1807-1860) - nasceu em Rio Pardo mas, ainda moço, transferiu-se para Cachoeira do Sul; abastado comerciante, vereador, juiz ordinário, chefe de polícia, juiz de paz; destacou-se na Revolução Farroupilha; foi ministro da Fazenda e deputado à Assembleia Constituinte da República Rio-grandense; emissário dos farrapos para tratar da paz.
  • Afonso José de Almeida Corte Real (1809-1840) - militar; participou da Campanha da Cisplatina; coronel das forças farroupilhas; salientou-se por sua bravura e morreu lutando.
  • Antônio Vicente de Sequeira Pereira Leitão (1809-1888) - advogado, promotor de justiça, juiz de Direito, chefe de polícia, desembargador; ardoroso republicano, participou da Revolução Farroupilha, exercendo cargos de destaque na efêmera república: ministro da Fazenda, da Justiça e da Guerra.
  • Sebastião Xavier do Amaral Sarmento Mena (1809-1893) - advogado, professor, jornalista, poeta; teve papel saliente na Revolução Farroupilha, fazendo parte da Assembleia Constituinte de 1842; destacou-se também na luta pela abolição da escravatura e na propaganda republicana.
  • Pedro Rodrigues Fernandes Chaves, Barão de Quaraí (1810-1886) - juiz de Direito, desembargador, diplomata, deputado pelo Rio Grande do Sul em três legislaturas, senador do Império.
  • Benjamim Franklim Ramiz Galvão, Barão de Ramiz Galvão (1846-1938) - médico, cirurgião do Exército na guerra contra Solano Lopes, professor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, preceptor dos netos de D.Pedro II, membro da Academia Brasileira de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, jornalista.
  • Protásio Antônio Alves (1859-1933) - médico, político, secretário do Interior do Rio Grande do Sul e vice-presidente do mesmo estado.
  • Ana Aurora do Amaral Lisboa (1860-1952) - professora, poetisa, escritora e política; fundadora, juntamente com suas irmãs Zamira e Carlota, do Colégio Amaral Lisboa; dedicou-se durante cinquenta e cinco anos ao ensino.
  • Ernesto Alves de Oliveira (1862-1891) - bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, ardoroso propagandista do ideal republicano, brilhante orador, jornalista, deputado à Constituinte de 1891, diretor da Instrução Pública do Rio Grande do Sul.
  • Vasco Henrique D'Avila (1905-1982) - engenheiro civil, bacharel em Direito, procurador da República do Estado de Santa Catarina, presidente do Conselho Administrativo, do Conselho Seccional da Ordem dos Advogados e do Conselho Penitenciário do mesmo estado; ministro do Tribunal Federal de Recursos desde sua criação, foi depois presidente e vice-presidente do mesmo e membro do Tribunal Superior Eleitoral; atuou também, várias vezes, no Supremo Tribunal Federal.

Esportes[editar | editar código-fonte]

No mulralha da china(um jogo famoso pelas criaças0 a cidade está representada pelo Riopardense, clube fundado em 2009 e que atualmente disputa a Segundona Gaúcha. Em 2013, o Peixe fechou um contrato com a Nike, conhecida fornecedora de material esportivo.[8]

Referências

  1. Fernando Henrique Schwanke UOL Eleições (outubro de 2012). Página visitada em 19 de janeiro de 2013.
  2. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  3. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  4. Censo Populacional 2010 Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  5. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  6. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.
  7. História de Rio Pardo. Página da Câmara Municipal
  8. Riopardense divulga foto com as novas camisas produzidas pela Nike. Zero Hora

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]