São José do Rio Pardo

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Município de São José do Rio Pardo
"Cidade Livre do Rio Pardo"
"Sanzé"
"Berço de Os Sertões"
Ponte metálica sobre o Rio Pardo, projetada por Euclides da Cunha.

Ponte metálica sobre o Rio Pardo, projetada por Euclides da Cunha.
Bandeira de São José do Rio Pardo
Brasão de São José do Rio Pardo
Bandeira Brasão
Hino
Fundação 4 de abril de 1865 (149 anos)
Gentílico riopardense
Prefeito(a) João Batista Santurbano (PSDB)
(2013–2016)
Localização
Localização de São José do Rio Pardo
Localização de São José do Rio Pardo em São Paulo
São José do Rio Pardo está localizado em: Brasil
São José do Rio Pardo
Localização de São José do Rio Pardo no Brasil
21° 35' 45" S 46° 53' 20" O21° 35' 45" S 46° 53' 20" O
Unidade federativa  São Paulo
Mesorregião Campinas IBGE/2008[1]
Microrregião São João da Boa Vista IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Mococa, Tapiratiba, Casa Branca, Itobi, São Sebastião da Grama, Divinolândia, Caconde
Distância até a capital 257 km[2]
Características geográficas
Área 419,017 km² [3]
População 51 910 hab. (SP: 120º) –  IBGE/2010[4]
Densidade 123,89 hab./km²
Altitude 676 m
Clima tropical de altitude Cwa
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,815 (SP: 88º) – muito alto
PNUD/2000[5]
PIB R$ 1 017 558 mil IBGE/2009[6]
PIB per capita R$ 19 097,96 IBGE/2009[6]
Página oficial

São José do Rio Pardo é um município brasileiro do estado de São Paulo. Localiza-se a uma latitude 21º35'44" sul e a uma longitude 46º53'19" oeste, estando a uma altitude média de 676 metros. Sua população em 2010 é de 51 910 habitantes.[4]

História[editar | editar código-fonte]

Segundo Rodolfo José Del Guerra, historiador e cronista da cidade, em seu livro "São José do Rio Pardo: história que muitos fizeram", "(…)em 4 de abril de 1865 alguns fazendeiros se reuniram, traçando os planos para edificar a capela, primeira etapa para a criação da futura freguesia.

A 30 de maio de 1873, o Vigário Capitular do Bispado de São Paulo assinou documento autorizando bênção e celebração da missa e dos demais ofícios divinos na Capela de São José do Rio Pardo, filial da Matriz do Espírito Santo do Rio do Peixe. A primeira missa só foi celebrada em 19 de março de 1874.

A Capela Curada de São José foi elevada à categoria de freguesia em 14 de abril de 1880, pela Lei nº 70, da Assembleia Provincial. São José do Rio Pardo, desanexou-se da vila de Caconde, passando à de Casa Branca, constituindo-se em paróquia, confirmada pelo Bispo de São Paulo, em 1º de fevereiro de 1881.

Pela Lei nº 49, de 20 de março de 1885, a freguesia foi elevada à categoria de vila, vinte anos depois daquela primeira reunião dos fundadores. Mas outra lei determinava que sem o edifício da Casa de Câmara e Cadeia, construído às expensas dos respectivos povos, a Vila não poderia ser instalada.

Chegou 1889, o ano da Proclamação da República. Um acontecimento político, ocorrido em 11 de agosto, três meses antes da Proclamação, ressoou, projetando nacionalmente a Vila de São José do Rio Pardo. O episódio teve seu prelúdio em junho, quando membros da Sociedade Italiana XX de Setembro, infiltrada de republicanos, depois de uma festa de assentamento da pedra fundamental de sua sede, saíram às ruas, cantando a Marselhesa, defrontando-se com monarquistas. Houve agressão, confusão e envio de tropas. Dois meses passados, depois de aparente paz, a contenda recomeçou. Na noite de 10 de agosto, o Hotel Brasil, do republicano Ananias Barbosa, foi atacado pela polícia, depois de uma reunião e homenagens ao pregador republicano e líder, Francisco Glicério… A 11 de agosto de 1889, os republicanos (…) apoderaram-se do edifício da Casa da Câmara e Cadeia, que representava a força e a lei, hasteando, a bandeira revolucionária de Júlio Ribeiro, proclamando a República, sob o som da proibida Marselhesa."

No início do Século XX, São José do Rio Pardo acolheu grande quantidade de imigrantes, principalmente italianos. Também foi no município que Euclides da Cunha escreveu sua obra prima, Os Sertões, durante o período em que viveu e trabalhou no município, entre 1898 e 1901.

Euclides da Cunha[editar | editar código-fonte]

O escritor de Os Sertões redigiu o livro em 1902, juntamente com a construção da Ponte de São José do Rio Pardo. A chamada Casa de Zinco, feita de folhas de zinco, na qual Euclides escreveu e projetou suas obras está localizada à beira do rio Pardo e ao lado de sua ponte, protegida por uma casa de vidro. Devido à concepção d´Os Sertões nesse município, a Casa de Cultura Euclides da Cunha promove a Semana Euclidiana e a Maratona Euclidiana dos dias 9 a 15 de agosto; trata-se de eventos destinados a alunos das escolas do município e de outros.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Igreja Matriz de São José do Rio Pardo.

Relevo[editar | editar código-fonte]

O ponto mais alto do município é o Morro da Antena (canal 2), com 1.050 metros de altitude. O município encontra-se inserido no Planalto Atlântico, definido como uma das províncias geomorfológicas do Estado de São Paulo por ALMEIDA (1964) corresponde, geologicamente, a faixas orogênicas antigas com litologias de rochas cristalinas pré-cambrianas, cortadas por rochas intrusivas básicas e alcalinas mesozóico-terciárias. Quanto às formas o modelado dominante no Planalto Atlântico constitui-se por topos convexos, elevada densidade de canais de drenagem e vales profundos. É a área do Domínio dos Mares de Morros (AB’SABER 1970).[7]

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima de São José do Rio Pardo é tropical de altitude (Cwa). A temperatura máxima já registrada no município, foi de 36,4°C em 26 de setembro de 2003, e a mínima foi de 0,5°C, em julho de 1994.[8] O clima do município é amenizado por sua localização geográfica no vale do Rio Pardo, entre as montanhas da Serra do Cervo (braço da Serra da Mantiqueira). A média das temperaturas máximas varia entre 25°C e 30°C durante o ano, e média das mínimas cai para próximo de 10°C no inverno. As chuvas se concentram na primavera e verão (entre outubro e março), sendo janeiro, em média, o mês mais chuvoso. O inverno é seco e apresenta grande amplitude térmica. Massas de ar polar oriundas da Antártida limpam o céu e derrubam a temperatura em alguns dias, podendo criar condições para a ocorrência de geadas. Julho é o mês menos chuvoso e mais frio.

Dados climatológicos para São José do Rio Pardo
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima registrada (°C) 34,7 34,7 33,4 36,0 30,1 29,0 30,2 36,0 36,4 35,8 36,0 33,8 36,4
Temperatura máxima média (°C) 29,3 29,4 29,2 27,9 26,1 25,1 25,4 27,7 28,9 29,1 29,1 28,9 28,0
Temperatura mínima média (°C) 18,2 18,4 17,7 15,2 12,5 11,2 10,7 12,1 14,2 15,9 16,6 17,7 15,0
Temperatura mínima registrada (°C) 11,0 13,9 12,2 7,7 3,8 -0,5 1,1 2,9 3,0 7,5 10,0 8,9 -0,5
Precipitação (mm) 257,1 204,4 156,7 70,0 56,5 32,5 22,5 23,0 58,2 126,4 170,0 253,4 1 430,7
Fonte: [9] e[10] 26 de Dezembro de 2009.

Vegetação[editar | editar código-fonte]

A forma de vegetação predominante no município é a floresta estacional semidecidual, conhecida também como Mata Atlântica de Interior. A característica mais marcante desta floresta é que ela perde suas folhas na estação seca, e principalmente de maio a setembro. Outra característica importante desta região é a presença de uma transição do Cerrado para Floresta Estacional, com a presença de matas com características tanto de Cerrado quanto de Floresta (ecótono). Segundo último levantamento vegetacional realizado pelo Instituto Florestal do Estado de São Paulo, São José do Rio Pardo carece de áreas florestais de grande porte, sendo mais comuns no município pequenos fragmentos de vegetação em topos de morros e fundo de vales.

Fauna[editar | editar código-fonte]

Por estar localizado em uma área de transição vegetacional, São José do Rio Pardo abriga uma rica fauna. Já foram avistados na região exemplares de onça-parda (Puma concolor), lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) e cachorro-do-mato (Cerdocyon thous), este último muito comum nas fazendas. Nas últimas décadas houve um declínio da população de peixes, provocado pelo barramento do Rio Pardo para geração de energia elétrica. Peixes introduzidos pelo homem, como a tilápia, predominam nos rios do município.

Conservação da biodiversidade[editar | editar código-fonte]

Apesar de estar inserido em uma área de grande importância biológica,[11] poucos estudos são feitos no município no sentido de estimar e conhecer a real biodiversidade local. Não existe nenhum parque ou área protegida para conservar os resquícios de mata existentes no município. A ONG Grupo Ecológico Nativerde atua em prol do meio ambiente no município.

Transportes[editar | editar código-fonte]

Rodovias[editar | editar código-fonte]

O município de São José do Rio Pardo é servido por duas rodovias, a SP-350 e a SP-207.

Aeroporto[editar | editar código-fonte]

Aeroclube de São José do Rio Pardo (ICAO: SIPA) (Que Deu Lugar A Um Bairro)


Educação[editar | editar código-fonte]

O município possui duas instituições de ensino superior: a Faculdade Euclides da Cunha (FEUC) e um campus da Universidade Paulista (UNIP), além de uma unidade da Escola Técnica Estadual (Etec) do Centro Paula Souza e de uma extensão do Conservatório de Tatuí.

Igreja Católica Apostólica Romana[editar | editar código-fonte]

O município pertence à Diocese de São João da Boa Vista. No bairro Vila Pereira se encontra instalada a Abadia de Nossa Senhora de São Bernardo. O Arcebispo Metropolitano de São Sebastião no Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta é Filho deste município.

Administração[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. Distâncias entre a cidade de São Paulo e todas as cidades do interior paulista. Página visitada em 2 de agosto de 2011.
  3. IBGE (10 de outubro de 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 de dezembro de 2010.
  4. a b Censo Populacional 2010. Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  5. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  6. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2005-2009. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 14 de dezembro de 2011.
  7. http://www.sigrh.sp.gov.br/sigrh/ARQS/RELATORIO/CRH/CBH-PARDO/365/CAP%204.2%20E%204.3%20PG%2038%20A%2056.PDF
  8. Cooxupé - Meteorologia 16 de Junho de 2009.
  9. Título não preenchido, favor adicionar (em inglês).
  10. Título não preenchido, favor adicionar (em inglês).
  11. Ações prioritárias para conservação da biodiversidade brasileira Ministério do Meio Ambiente.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]