Lobo-guará

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Como ler uma caixa taxonómicaLobo-guará
Guará no Zoológico de Colônia, na Alemanha
Guará no Zoológico de Colônia, na Alemanha
Estado de conservação
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Família: Canidae
Género: Chrysocyon
Espécie: C. brachyurus
Nome binomial
Chrysocyon brachyurus
(Illiger, 1815)
Distribuição geográfica
Maned Wolf area.png

O lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), também chamado guará, aguará e aguaraçu[2], é o maior canídeo nativo da América do Sul. A sua distribuição geográfica estende-se pelo sul do Brasil, Paraguai, Peru e Bolívia a leste dos Andes, estando extinto no Uruguai e talvez na Argentina, e é considerado uma espécie ameaçada. O Brasil abriga o maior número de animais; dos cerca de 25 000 indivíduos da espécie, cerca de 22 000 estão em território brasileiro.[3] Os biomas de sua ocorrência no Brasil são: cerrado, Pantanal, Campos do Sul, parte da caatinga e Mata Atlântica, sendo frequentemente encontrado nos Campos Gerais, região do estado do Paraná, próximo à cidade de Guarapuava (o nome da cidade é uma referência ao animal)[4].

A espécie não está diretamente ligada a nenhum outro gênero de canídeos e aparentemente é uma relíquia da fauna plistocênica da América do Sul, que desapareceu, na maioria, após a formação do Istmo do Panamá[5].

Índice

[editar] Etimologia

"Lobo" originou-se do latim lupu[6]. "Guará" e "aguará" se originaram do tupi agoa'rá, "pelo de penugem"[7]. "Aguaraçu" veio do termo tupi para "guará grande"[8]. O nome do gênero, Chrysocyon, deriva do grego e significa "cão dourado".

[editar] Características

O lobo-guará mede cerca de 1,30 metros no ombro e pesa entre 20 e 25 kg. A sua pelagem característica é avermelhada por todo o corpo, exceto no pescoço, lombo, patas e ponta da cauda, que são de cor preta, podendo as pontas da cauda, das orelhas e do papo serem da cor branca. Ao contrário dos lobos, esta espécie não forma alcateias e tem hábitos solitários, juntando-se apenas em casais durante a época de reprodução.

[editar] Reprodução

A gestação dura em média 65 dias[9] e resulta em ninhadas de até seis crias[10] sendo dois o número médio de crias[9] que nascem entre junho e setembro.[10] Os filhotes nascem pretos, com a ponta da cauda branca e pesam entre 340 gramas e 410 gramas. Sua maturidade sexual acontece com um ano de idade.[10] o lobo guará tem seus filhotes somente no mês de junho e quando nascem a fêmea não sai da toca e é alimentada pelo macho.

[editar] Dieta

O lobo-guará caça preferencialmente de noite e ataca pequenos mamíferos roedores e aves, mas a sua dieta tem uma forte componente onívora. Estes animais são bastante dependentes da lobeira (Solanum lycocarpum) e estabelecem, com esta planta, uma relação simbiótica: sem os frutos da lobeira, o lobo-guará morre de complicações renais causadas por nemátodos. Em contrapartida, o guará tem um papel fundamental na dispersão das sementes dessa planta.

[editar] Riscos de extinção

Embora não se enquadre na categoria crítica da IUCN, corre alto risco de extinção na natureza a médio prazo, em função do declínio populacional e da extrema fragmentação da área de ocupação. O tamanho populacional está se reduzindo, com probabilidade de extinção na natureza em 100 anos. As principais ameaças ao lobo-guará vêm da conversão de terras para agricultura, do fato de ser suscetível a doenças de cães domésticos, que competem com eles por alimento, e de acidentes como atropelamentos em estradas.

[editar] Iniciativas de conservação

Chrysocyon brachyurus2010.ogv
Vídeo: Lobo-guará no Zoológico Ueno, Japão.

A espécie ocorre em várias áreas protegidas na Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e, possivelmente, Peru. Na Argentina está classificada entre as espécies em perigo (EN), e no Brasil consta da lista de espécies ameaçadas. Sua caça é proibida no Brasil, Paraguai e Bolívia. Embora não existam iniciativas de conservação dedicadas à espécie, esta se beneficia dos projetos de proteção do cerrado.

No Brasil é encontrado nos Parques Nacionais de Brasília, das Emas, da Chapada dos Veadeiros, do Araguaia, da Serra da Canastra, Grande Sertão Veredas, da Serra do Cipó, da Chapada dos Guimarães, da Serra da Bodoquena, Ilha Grande, Aparados da Serra, da Serra Geral, São Joaquim, da Serra da Bocaina, do Itatiaia. Ocorre também nas Reserva Ecológica do Roncador e nas Estações Ecológicas Águas Emendadas, Uruçuí-Una, Serra das Araras, Pirapitinga e Taiamã. Ainda, nos Parques Estaduais Ibitipoca, Itacolomi, Nascentes do Rio Taquari, Caracol, Itapuã, Turvo, Cerrado e Vila Velha.Em Minas Gerais a RPPN, (Reserva Particular do Patrimônio Natural) no santuário do caraça também ajuda muito nesse aspecto, pois além de colocar o lobo como uma interessante e atrativa imagem aos turistas, também o preserva, alimentando-o. Uma fêmea de lobo-guará, que fora atropelada, passou por um tratamento com células-tronco no Zoológico de Brasília. [11] Este foi o primeiro caso registrado do uso de células-tronco para curar lesões num animal selvagem. [12]

Desenvolvem-se estudos ecológicos e de variabilidade genética da espécie em várias instituições de pesquisa brasileiras: na Associação Pró-Carnívoros, CNPq, União de Ensino do Planalto Central, USP, Fundação Zoobotânica de Belo Horizonte, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente, EMBRAPA e Universidade de Brasília.

Referências

  1. Rodden, M., Rodrigues , F. & Bestelmeyer, S. (2008). Chrysocyon brachyurus. Em: IUCN 2008. IUCN Red List of Threatened Species.
  2. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.873
  3. http://ciencia.hsw.uol.com.br/lobo-guara2.htm
  4. Conheça dez dos animais mais famosos da fauna paranaense - Lobo-guará Portal Gazeta do Povo - acessado em 6 de outubro de 2011
  5. http://www.sciencedaily.com/releases/2009/11/091102121449.htm
  6. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 043
  7. Infopédia, Dicionário da Língua Portuguesa, Editora Porto. (Acessado em 29/04/2010)
  8. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. pp.67,40
  9. a b http://ciencia.hsw.uol.com.br/lobo-guara.htm
  10. a b c http://ciencia.hsw.uol.com.br/lobo-guara1.htm
  11. Ambientebrasil - Lobo-guará atropelado por caminhão faz tratamento com células-tronco. (Acessado em 12/01/2011)
  12. G1 - Lobo-guará sobrevive a atropelamento graças a tratamento com células-tronco.(Acessado em 12/01/2011).
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[editar] Ligações externas

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