Lobo-guará
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| Chrysocyon brachyurus (Illiger, 1815) |
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Canis brachyurus |
O lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), também conhecido como guará, aguará e aguaraçu,4 é o maior canídeo nativo da América do Sul e a única espécie do seu gênero, Chrysocyon.5 6 A espécie não está diretamente ligada a nenhum outro gênero de canídeos e aparentemente é uma relíquia da fauna pleistocênica da América do Sul, que desapareceu, na maioria, após a formação do Istmo do Panamá.7 8
O lobo-guará habita as pradarias e matagais da América do Sul central, com distribuição geográfica indo desde a foz do rio Parnaíba, no nordeste do Brasil, passando pelas terras baixas da Bolívia, o oeste dos Pampas del Heath, no Peru e o chaco paraguaio, até o estado brasileiro do Rio Grande do Sul. Evidências da presença do lobo-guará na Argentina podem ser encontradas até o Paralelo 30, sendo que recentes avistamentos foram reportados na província de Santiago del Estero. Eles provavelmente também habitam o norte do Uruguai. Sua presença neste país foi confirmada através da captura de um espécime em 1990, mas desde então não foi reportado mais nenhum avistamento.2 9
Os biomas de sua ocorrência no Brasil são: cerrado, veredas, Pantanal, Campos do Sul, parte da caatinga e Mata Atlântica, sendo frequentemente encontrado nos Campos Gerais, região do estado do Paraná, próximo à cidade de Guarapuava, cidade esta cujo nome é uma referência ao animal.10
De uma população total estimada em 23 600 indivíduos, cerca de 21 746 encontram-se no Brasil, 880 no Paraguai e 660 na Argentina. O número de indivíduos na Bolívia provavelmente não excede os 1 000 animais.11 12 De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), o estado de conservação da espécie é pouco preocupante, mas no Brasil o lobo-guará é considerado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) uma espécie ameaçada de extinção, com estado de conservação vulnerável.2 13
Índice |
Taxonomia[editar]
A relação evolucionária com os outros membros da família canidae faz do lobo-guará um animal único. Apesar de exibir muitas características semelhantes às das raposas, o lobo-guará não está relacionado com estas e não tem as pupílas elípticas comuns ao gênero Vulpes. Estudos usando eletroforese de ADN não demonstraram ligações do gênero Chrysocyon com os outros canídeos analisados. Uma conclusão deste estudo é que o lobo-guará é o único sobrevivente à extinção de grandes canídeos sul-americanos do Pleistoceno Superior. Fósseis de lobo-guará originários do Holoceno e do Pleistoceno Superior foram escavados no Planalto Brasileiro.14
Um estudo comparando a anatomia cerebral de vários canídeos, publicado em 2003, colocou o lobo-guará junto à raposa-das-falkland e a outras pseudo-raposas do gênero Pseudalopex.15 Um outro estudo, baseado em análises de ADN e publicado em 2009, demonstrou que a raposa-das-falkland, já extinta, é a espécie geneticamente mais próxima ao lobo-guará, sendo que ambas evoluíram de um ancestral comum, que viveu há aproximadamente 6 milhões de anos.7 8
A espécie não-extinta geneticamente mais próxima do lobo-guará é o cachorro-vinagre (gênero Speothos), seguida por outros canídeos sul-americanos como o cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas, o Guaraxaim e as espécies pertencentes ao gênero das falsas-raposas, Pseudalopex.16
O lobo-guará, única espécie do gênero Chrysocyon, não está relacionado a nenhum outro canídeo moderno.7 16 Apesar de no passado já ter estado subordinado aos gêneros Canis e Vulpes, graças a suas semelhanças morfológicas,3 o guará é uma espécie distinta, que não pode ser descrita como raposa, lobo, coiote ou chacal.
Etimologia[editar]
"Lobo" origina-se do latim lupus.4 "Guará" e "aguará" se originaram do tupi agoa'rá, "pelo de penugem"17 . "Aguaraçu" veio do termo tupi para "guará grande".4 O nome do gênero, Chrysocyon, deriva do grego e significa "cão dourado".[carece de fontes] Guará vem do tupi e significa "vermelho".[carece de fontes]
Características[editar]
A pelagem do corpo dos lobos-guará é avermelhada, exceto no pescoço, lombo, patas e ponta da cauda, que são de cor preta, podendo as pontas da cauda, das orelhas e do papo serem da cor branca.
O lobo-guará pode medir até 1 m de altura. Seu comprimento cabeça-corpo é de 1,2 a 1,3 m. A altura no ombro dos animais adultos oscila entre 74 e 78 cm, enquanto que o peso varia de 20 e 23 kg.6
Diferentemente dos lobos, esta espécie não forma alcateias e tem hábitos solitários, juntando-se apenas em casais durante a época de reprodução.6
Reprodução[editar]
A gestação dura em média 65 dias e resulta em ninhadas de até seis crias sendo dois o número médio de crias que nascem entre junho e setembro.12 Os filhotes nascem pretos, com a ponta da cauda branca e pesam entre 340 e 410 g. Os lobos-guará atingem sua maturidade sexual com um ano de idade.12 O lobo guará tem seus filhotes somente no mês de junho e quando nascem a fêmea não sai da toca e é alimentada pelo macho.[carece de fontes]
Dieta[editar]
O lobo-guará caça preferencialmente de noite, mas em época de reprodução é comum procurar alimento durante o dia[carece de fontes]. Ataca pequenos mamíferos roedores e aves, mas a sua dieta tem uma forte componente onívora. Estes animais são bastante dependentes da lobeira (Solanum lycocarpum) e estabelecem, com esta planta, uma relação simbiótica: sem os frutos da lobeira, o lobo-guará morre de complicações renais causadas por nemátodos. Em contrapartida, o guará tem um papel fundamental na dispersão das sementes dessa planta.
Estado e iniciativas de conservação[editar]
Embora o atual estado de conservação da espécie, de acordo com a IUCN, seja pouco preocupante,2 a médio prazo o lobo-guará corre risco de extinção na natureza, em função do declínio populacional e da extrema fragmentação da área de ocupação.[carece de fontes] No Brasil, de acordo com o ICMBio, o lobo-guará é considerado uma espécie ameaçada de extinção, com estado de conservação vulnerável, sendo ainda objeto de um plano de ação nacional cujo objetivo é a sua conservação.5 13 18 O lobo-guará ocorre em várias áreas protegidas na Argentina, no Brasil, na Bolívia, no Paraguai e no Peru.2 13 Na Argentina está classificada entre as espécies em perigo (EN).2 Sua caça é proibida no Brasil, Paraguai e Bolívia.2
As principais ameaças ao lobo-guará vêm da conversão de terras para agricultura, do fato de ser susceptível a doenças de cães domésticos, que competem com eles por alimento, e de acidentes, como atropelamentos em estradas.13 Uma fêmea de lobo-guará, que fora atropelada, passou por um tratamento com células-tronco no Zoológico de Brasília.19 Este foi o primeiro caso registrado do uso de células-tronco para curar lesões num animal selvagem.20
Estudos ecológicos e de variabilidade genética da espécie são desenvolvidos em várias instituições de pesquisa brasileiras, das quais pode-se citar a Associação Pró-Carnívoros, CNPq, a União de Ensino do Planalto Central, a USP, a Fundação Zoobotânica de Belo Horizonte, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente, a EMBRAPA e a Universidade de Brasília.[carece de fontes]
Ver também[editar]
Lista de unidades de conservação com ocorrência do lobo-guará no Brasil
Referências
- ↑ Wozencraft, W. C.. In: Wilson, D. E., and Reeder, D. M. (eds). Mammal Species of the World. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 16 de novembro de 2005. Capítulo: Ordem Carnivora, ISBN 0-801-88221-4
- ↑ a b c d e f g Rodden, M., Rodrigues , F. & Bestelmeyer, S. (2008). Chrysocyon brachyurus (em Inglês). IUCN . Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de 2012 Versão 2. Página visitada em 30 de outubro de 2012.
- ↑ a b Osgood, Wilfred H.. (1919). "Names of Some South American Mammals" (em inglês). Journal of Mammalogy 1 (1) pp. 35. Página visitada em 02 de dezembro de 2011.
- ↑ a b c FERREIRA, A. B. H.. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 2ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.
- ↑ a b Plano de Ação Nacional para a Conservação do Lobo-guará: Análise de viabilidade populacional e de habitat. 2ª ed. Brasília: Edições Ibama. ISBN 978-85-7300-268-3 Página visitada em 29 de novembro de 2012.
- ↑ a b c Maned wolf (Chrysocyon brachyurus) (em inglês). ARKive. Página visitada em 29 de novembro de 2012.
- ↑ a b c Slater, Graham J; Thalmann, Olaf; Leonard, Jennifer A.; Schweizer, Rena M.; Koepfli, Klaus-Peter; Pollinger, John P.; Rawlence, Nicolas J.; Austin, Jeremy J.; Cooper, Alan; Wayne, Robert K. (2009). "Evolutionary history of the Falklands wolf". Current biology 19 (20) pp. R937-R938. DOI:10.1016/j.cub.2009.09.018.
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- ↑ Maned Wolf (Chrysocyon brachyurus) (em inglês). Canid Specialist Group. Página visitada em 29 de novembro de 2012.
- ↑ a b c Costa, Erli. How Stuff Works: como funciona o lobo-guará. Universo On-Line.
- ↑ a b c d Lobo-guará - Chrysocyon brachyurus. Lista de espécies ameaçadas. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Página visitada em 29 de novembro de 2012.
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- ↑ Plano de Ação Nacional para a Conservação do Lobo-guará. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Página visitada em 29 de novembro de 2012.
- ↑ Lobo-guará atropelado por caminhão faz tratamento com células-tronco. Ambientebrasil (11 de janeiro de 2011). Página visitada em 12 de janeiro de 2011.
- ↑ Lobo-guará sobrevive a atropelamento graças a tratamento com células-tronco. Jornal Nacional (10 de janeiro de 2011). Página visitada em 12 de janeiro de 2011.