Chita (animal)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

(Redirecionado de Acinonyx)
Wikipedia:Como ler uma caixa taxonómica
Como ler uma caixa taxonómica
Chita
Acinonyx jubatus
Acinonyx jubatus
Estado de conservação
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Família: Felidae
Género: Acinonyx
Espécie: A. jubatus
Nome binomial
Acinonyx jubatus
Schreber, 1775
Distribuição geográfica

A chita, também conhecida por guepardo, leopardo-caçador ou onça africana (Acinonyx jubatus) é um animal da família dos felídeos (Felidae), ainda que de comportamento atípico, se comparado com outros da mesma família. Tendo como habitat a savana, vive em África, na península arábica e no sudoeste da Ásia. As almofadas das patas da chita têm ranhuras para tracionar melhor em alta velocidade, e sua longa cauda serve para dar estabilidade nas curvas em alta velocidade. Cada chita pode ser identificado pelo padrão exclusivo de anéis na cauda.

Efectivamente, como animal predador que é, prefere caçar as suas presas através de perseguições a alta velocidade, em vez de tácticas como a caça por emboscada ou em grupo. É o mais rápido de todos os animais terrestres, conseguindo atingir velocidades como de 115 à 120 km/h, por curtos períodos de cada vez (ao fim de cerca de 400 metros de corrida).

O corpo da chita é esbelto e musculado, ainda que de aparência delgada e constituição aparentemente frágil. Tem uma caixa torácica de grande capacidade e um abdómen retraído. Tem uma cabeça pequena, um focinho curto, olhos posicionados na parte superior da face, narinas largas e orelhas pequenas e arredondadas. O seu pêlo é amarelado, salpicado de pontos negros arredondados e formando duas linhas negras, de cada lado do focinho, que descem dos olhos até à boca, como que formando o trajecto de lágrimas. Um animal adulto pode pesar entre 28 a 65 kg. O comprimento total do corpo varia de 112 a 150 cm. O comprimento da cauda, usada para equilibrar o corpo do animal durante a corrida, pode variar entre 62 e 85 cm.

O nome do género biológico, Acinonyx, significa "garras imóveis", já que é o único felídeo que não consegue retrair por completo as suas garras, que permanecem visíveis mesmo quando recolhidas ao máximo, sendo usadas para permitir uma maior aderência ao solo enquanto corre, acelera e manobra no terreno. O epíteto específico, "jubatus", significa "com crina" e refere-se às crinas que as crias da chita apresentam.

A palavra "chita", de som semelhante à palavra inglesa "cheetah", deriva da língua hindi "chiita" que, por seu lado, talvez derive do sânscrito "chitraka", que significa "a salpicada de manchas". Outras línguas europeias relevantes usam variantes do latim medieval "gatus pardus", ou seja, "gato-leopardo": em francês, guépard; em italiano ghepardo; em espanhol (e também em português), guepardo; e em alemão Gepard.

Índice

[editar] Reprodução e vida social

Os machos atingem a maturidade sexual a partir dos dois anos e meio ou três anos. A fêmea, um pouco mais precoce (dois anos) pode gerar de uma a cinco crias, depois de uma gestação de 90 a 95 dias. As crias podem pesar entre 150 e 300 gramas quando nascem. O desmame ocorre cerca de seis meses após o parto e, entre os 13 e 20 meses, abandonam a guarda da mãe para passarem a ter uma vida independente. Ao contrário de outros felinos, as fêmeas não têm um verdadeiro território próprio e demarcado, parecendo, no entanto, evitar a presença das outras. Os machos podem, eventualmente, juntar-se em grupos, especialmente se nasceram na mesma ninhada.

A chita pode viver de 15 a 20 anos.

[editar] Alimentação

Descansando
Descansando
Sentando
Sentando
Duas chitas
Duas chitas

A chita é um animal carnívoro. Alimenta-se essencialmente de mamíferos abaixo dos 40 kg, incluindo gazelas, antílopes, zebras, impalas, filhotes de gnu, lebres e aves e quando tem vontade, come até insetos. A presa é seguida, silenciosa e vagarosamente, numa distância que varia, em média, de dez a trinta metros, até ser atacada de surpresa. A perseguição que se segue dura geralmente menos de um minuto ou um minuto, e, se a chita falha uma captura rápida, desiste, com o intuito de não gastar energia desnecessariamente, pois seu corpo. Mais da metade dos ataques são vitoriosos, 70% em média, ficando atrás apenas do cão-selvagem-africano, que obtém 80% de sucesso. Durante a caça, a chita pode atingir por volta de 115 à 120 km/h em apenas 4 segundos, isso equivale a aceleração de um carro de Fórmula 1. Com isso, após a caça, a chita fica exausta, o que facilita a perda da presa capturada para animais como a hiena e o leão.

[editar] Habitat

Encontram-se chitas no estado selvagem apenas em África, Irã e Afeganistão ainda que no passado se distribuíssem até ao norte da Índia e ao planalto iraniano, onde eram domesticadas e usadas na caça ao antílope, de forma semelhante ao que se faz actualmente com os galgos (especialmente da raça greyhound). Atualmente, na Ásia, só existem chitas selvagens no Irã e no Afeganistão, que fica na Peninsula-Arábica, mas trata-se de uma população extremamente pequena (em torno de 300 exemplares no início do século XXI, sem contar algumas populações isoladas) e ameaçada pela pressão humana, sob a forma da caça e do pastoreio, o qual reduz o número de presas, (gazelas) disponíveis, mas por incrível que pareça, o homem não é o maior responsável por isso, pois leões e hienas de vez em quando roubam a presa abatida pelo guepardo. Acrescente-se ainda que a área de ocorrência do chita no Irã encontra-se em região remota, próxima à fronteira com o Afeganistão, onde as forças de segurança iranianas tem dificuldade de penetrar devido à presença de gangues que praticam o contrabando e o tráfico de heroína. As chitas preferem habitar biótopos caracterizados pelos espaços abertos, como semi-desertos e pradarias (savana africana).

Têm uma variabilidade genética geralmente baixa, além de uma contagem de esperma anormalmente alta. Pensa-se que foram obrigadas a um período prolongado de procriação consanguínea depois de passarem por um evento populacional designado por efeito de gargalo genético. Teriam evoluído em África durante a época Miocena (de há 26 milhões a 7,5 milhões anos atrás), antes de migrarem para a Ásia. Espécies extintas actualmente incluíam a Acinonyx pardinensis (da época Pliocena), muito maior que a chita actual, encontrada na Europa, Índia e China; a Acinonyx intermedius (Pleistoceno médio), com a mesma distribuição geográfica; a Miracinonyx inexpectatus, Miracinonyx studeri, e a Miracinonyx trumani (ao longo de todo o Pleistoceno), também chamado de Chita americana, cujos fósseis foram encontrados na América do Norte. Aventou-se recentemente, no entanto, que o gênero norte-americano Miracinonyx seria um exemplo de convergência evolutiva, constituindo-se então, não num parente próximo do chita atual, mas numa forma corredora do puma, ou suçuarana como é chamada no Brasil.

[editar] Estado de conservação

As crias da chita sofrem de elevados índices de mortalidade devido a factores genéticos e à predação por parte de carnívoros que competem com esta espécie, como o leão e a hiena. Alguns biólogos defendem a teoria de que, em resultado da procriação consanguínea, o futuro da espécie possa estar comprometido, mas atualmente, alguns cientistas estão recuperando a diversidade da chita por meio de Engenharia Genética.

As chitas estão incluídas na lista de espécies vulneráveis da IUCN (União Internacional pela Conservação da Natureza), como espécie africana ameaçada e subespécie asiática em situação crítica. É considerada uma espécie vulnerável no Apêndice I da CITES (Convenção sobre o comércio internacional das espécies da fauna e da flora selvagem ameaçadas de extinção).

[editar] Subespécies

[editar] Guepardo "Real"

Guepardo "Real"
Guepardo "Real"

Por um bom tempo foi classificado por muito tempo erroneamente, como uma subespécie, Acinonyx rex, (conhecido como King Cheetah em Inglês). Pensava-se que era realmente uma subespécie, quando, na realidade, trata-se de uma mutação que torna o sua pelagem diferente dos guepardos " comuns ", que ao invés das tradicionais manchinhas redondas, existem manchas igualmente redondas, só que maiores e formando pequenas listras, e daí o nome científico Acinonyx rex, que é inválido. Os nativos chamam este tipo de guepardo como " leopardo-hiena ".

O gene recessivo tem de estar presente em ambos os pais, pois a característica está no gene que se manifesta, e esta é apenas uma das razões por que é tão raro tanto na natureza, quanto nos Jardins Zoológicos.


Filhote de Guepardo
Filhote de Guepardo

[editar] As chitas na arte e na literatura

[editar] Ver também

[editar] Referências

  • Great Cats, Majestic Creatures of the Wild, ed. John Seidensticker, illus. Frank Knight, (Rodale Press, 1991), ISBN 0878579656 (em inglês).
  • Cheetah, Katherine (ou Kathrine) & Karl Ammann, Arco Pub, (1985), ISBN 0668062592 (em inglês).
  • Saúde Animal (em português).
  • Cheetah (Big Cat Diary), Jonathan Scott, Angela Scott, (HarperCollins, 2005), ISBN 0-00-714920-4
  • Science (vol 311, p 73) (em inglês).
  • Cheetah, Luke Hunter and Dave Hamman, (Struik Publishers, 2003), ISBN 1-86872-719-X (em inglês).
  • Allsen, Thomas T. (2006). "Natural History and Cultural History": The Circulation of Hunting Leopards in Eurasia, Seventh-Seventeenth Centuries. In: Contact and Exchange in the Ancient World. Ed. Victor H. Mair. University of Hawai'i Press. Pp. 116-135. ISBN-13: ISBN 978-0-8248-2884-4; ISBN-10: ISBN 0-8248-2884-4 (em inglês).

[editar] Ligações externas

Commons
O Wikimedia Commons possui multimídia sobre Chita (animal)

Ferramentas pessoais