Java (linguagem de programação)

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Java
Duke, o mascote do Java
Duke, o mascote do Java
Paradigma Orientação a objetos, estruturada, imperativa
Surgido em 1995
Última versão 1.7.5 (12 de junho de 2012; há 120 semanas e 2 dias)
Criado por James Gosling e Sun Microsystems
Estilo de tipagem: estática, forte
Compiladores GCJ, Javac
Influenciada por Ada 83, C++, C♯,[1] Eiffel, Generic Java, Mesa, Modula-3, Object Pascal, Objective-C, UCSD Pascal, Smalltalk
Influenciou Ada 2005, BeanShell, C♯,[2] Clojure, D, ECMAScript, Fantom, Groovy, J#, JavaScript, PHP, Python, Scala
Licença: GNU General Public License/Java Community Process
Página oficial www.oracle.com/technetwork/java/index.html

Java é uma linguagem de programação orientada a objeto desenvolvida na década de 90 por uma equipe de programadores chefiada por James Gosling, na empresa Sun Microsystems. Diferentemente das linguagens convencionais, que são compiladas para código nativo, a linguagem Java é compilada para um bytecode que é executado por uma máquina virtual. A linguagem de programação Java é a linguagem convencional da Plataforma Java, mas não sua única linguagem.

História[editar | editar código-fonte]

Em 1991, na Sun Microsystems, foi iniciado o Green Project, o berço do Java, uma linguagem de programação orientada a objetos. Os mentores do projeto eram Patrick Naughton, Mike Sheridan, e James Gosling. Eles acreditavam que, em algum tempo, haveria uma convergência dos computadores com os equipamentos e eletrodomésticos comumente usados pelas pessoas no seu dia-a-dia.

Para provar a viabilidade desta ideia, 13 pessoas trabalharam arduamente durante 18 meses. No verão de 1992 eles emergiram de um escritório de Sand Hill Road, no Menlo Park, com uma demonstração funcional da ideia inicial. O protótipo se chamava *7 (lê-se “StarSeven”), um controle remoto com uma interface gráfica touchscreen. Para o *7, foi criado um mascote, hoje amplamente conhecido no mundo Java, o Duke. O trabalho do Duke no *7 era ser um guia virtual ajudando e ensinando o usuário a utilizar o equipamento. O *7 tinha a habilidade de controlar diversos dispositivos e aplicações. James Gosling especificou uma nova linguagem de programação para o *7. Gosling decidiu batizá-la de “Oak”, que quer dizer carvalho, uma árvore que ele podia observar quando olhava através da sua janela.

O próximo passo era encontrar um mercado para o *7. A equipe achava que uma boa ideia seria controlar televisões e vídeo por demanda com o equipamento. Eles construíram uma demonstração chamada de MovieWood, mas infelizmente era muito cedo para que o vídeo por demanda bem como as empresas de TV a cabo pudessem viabilizar o negócio. A ideia que o *7 tentava vender, hoje já é realidade em programas interativos e também na televisão digital. Permitir ao telespectador interagir com a emissora e com a programação em uma grande rede de cabos, era algo muito visionário e estava muito longe do que as empresas de TV a cabo tinham capacidade de entender e comprar. A ideia certa, na época errada.

Entretanto, o estouro da internet aconteceu e rapidamente uma grande rede interativa estava se estabelecendo. Era este tipo de rede interativa que a equipe do *7 estava tentando vender para as empresas de TV a cabo. E, da noite para o dia, não era mais necessário construir a infraestrutura para a rede, ela simplesmente estava lá. Gosling foi incumbido de adaptar o Oak para a internet e em janeiro 1995 foi lançada uma nova versão do Oak que foi rebatizada para Java. A tecnologia Java tinha sido projetada para se mover por meio das redes de dispositivos heterogêneos, redes como a internet. Agora aplicações poderiam ser executadas dentro dos navegadores nos Applets Java e tudo seria disponibilizado pela internet instantaneamente. Foi o estático HTML dos navegadores que promoveu a rápida disseminação da dinâmica tecnologia Java. A velocidade dos acontecimentos seguintes foi assustadora, o número de usuários cresceu rapidamente, grandes fornecedores de tecnologia, como a IBM anunciaram suporte para a tecnologia Java.

Desde seu lançamento, em maio de 1995, a plataforma Java foi adotada mais rapidamente do que qualquer outra linguagem de programação na história da computação. Em 2004 Java atingiu a marca de 3 milhões de desenvolvedores em todo mundo. Java continuou crescendo e hoje é uma referência no mercado de desenvolvimento de software. Java tornou-se popular pelo seu uso na internet e hoje possui seu ambiente de execução presente em navegadores, mainframes, sistemas operacionais, celulares, palmtops, cartões inteligentes etc.

Padronização[editar | editar código-fonte]

Em 1997 a Sun Microsystems tentou submeter a linguagem a padronização pelos órgãos ISO/IEC e ECMA, mas acabou desistindo.[3] [4] [5] Java ainda é um padrão de fato, que é controlada através da JCP Java Community Process.[6] Em 13 de novembro de 2006, a Sun lançou a maior parte do Java como Software Livre sob os termos da GNU General Public License (GPL). Em 8 de maio de 2007 a Sun finalizou o processo, tornando praticamente todo o código Java como software de código aberto, menos uma pequena porção da qual a Sun não possui copyright.[7]

Características[editar | editar código-fonte]

A linguagem Java foi projetada tendo em vista os seguintes objetivos:

  • Orientação a objetos - Baseado no modelo de Simular
  • Portabilidade - Independência de plataforma - "escreva uma vez, execute em qualquer lugar" ("write once, run anywhere")
  • Recursos de Rede - Possui extensa biblioteca de rotinas que facilitam a cooperação com protocolos TCP/IP, como HTTP e FTP
  • Segurança - Pode executar programas via rede com restrições de execução

Além disso, podem-se destacar outras vantagens apresentadas pela linguagem:

  • Sintaxe similar a C/C++
  • Facilidades de Internacionalização - Suporta nativamente caracteres Unicode
  • Simplicidade na especificação, tanto da linguagem como do "ambiente" de execução (JVM)
  • É distribuída com um vasto conjunto de bibliotecas (ou APIs)
  • Possui facilidades para criação de programas distribuídos e multitarefa (múltiplas linhas de execução num mesmo programa)
  • Desalocação de memória automática por processo de coletor de lixo
  • Carga Dinâmica de Código - Programas em Java são formados por uma coleção de classes armazenadas independentemente e que podem ser carregadas no momento de utilização

Licença[editar | editar código-fonte]

A Sun disponibiliza a maioria das distribuições Java gratuitamente e obtém receita com programas mais especializados como o Java Enterprise System. Em 13 de novembro de 2006, a Sun liberou partes do Java como software livre, sob a licença GNU General Public License.[8] A liberação completa do código fonte sob a GPL ocorreu em maio de 2007.[9]

Exemplos de código[editar | editar código-fonte]

Método main[editar | editar código-fonte]

O método main é onde o programa inicia. Pode estar presente em qualquer classe. Os parâmetros de linha de comando são enviados para o array de Strings chamado args.

public class OlaMundo {
   /**
   * Método que executa o programa
   * public = É visto em qualquer lugar da aplicação. É o modificador de acesso
   * static = é iniciado automaticamente pela JVM, sem precisar de uma instância
   * void = Método sem retorno (retorno vazio)
   * main = Nome do método, que é obrigatorio ser este. Recebe como parâmetro um array de String.
   * String[] args = Array de argumentos que podem ser repassados na chamada do programa.
   */
   public static void main(String[] args) {
      System.out.println("Olá, Mundo!"); //Imprime na tela a frase
   }
}

Classes[editar | editar código-fonte]

Exemplo:

public abstract class Animal {
   public abstract void fazerBarulho();
}
 
public class Cachorro extends Animal {
   public void fazerBarulho() {
      System.out.println("AuAu!");
   }
}
 
public class Gato extends Animal {
   public void fazerBarulho() {
      System.out.println("Miau!");
   }
}

O exemplo acima cria a classe Animal e duas classes derivadas de Animal. É importante observar que nas classes derivadas temos a redefinição do método fazerBarulho(). Esta redefinição é classificada como uma sobreposição (override) de métodos. O conceito de sobreposição somente pode ser identificado e utilizado quando temos classes dispostas em um relacionamento de herança.

Java não suporta herança múltipla, devido a possibilidade de uma classe pai ter um método com o mesmo nome de outra classe pai, e gerar possíveis falhas ao chamar o método, e todas as classes em Java derivam da classe Object. A única possibilidade de se ver herança múltipla em Java é no uso de interfaces, pois uma classe pode implementar várias interfaces.

Classes internas[editar | editar código-fonte]

Java pode ter classes internas. Exemplos:

public class Cavalo extends Animal {
   public void fazerBarulho() {
      System.out.println("RIINCH!");
   }
 
   // Classe interna e privada. Existe só no contexto da classe "Cavalo".
   private class Parasita extends Animal { 
      public void fazerBarulho() {
         System.out.println("SQRRT");
      }
   }
}

Interfaces[editar | editar código-fonte]

Uma interface modela um comportamento esperado. Pode-se entendê-la como uma classe que contenha apenas métodos abstratos. Embora uma classe não possa conter mais de uma super classe, a classe pode implementar mais de uma interface. Exemplo:

public interface Pesado {
   double obterPeso();
}
 
public interface Colorido {
   Color obterCor();
}
 
public class Porco extends Animal implements Pesado, Colorido {
   public void fazerBarulho() {
      System.out.println("Óinc!");
   }
 
   // Implementação da interface Pesado
   public double obterPeso() {
      return 50.00;
   }
 
   // Implementação da interface Colorido
   public Color obterCor() {
      return Color.BLACK;
   }
 
   // Uma propriedade só do porco
   public boolean enlameado() {
      return true;
   }
}

Objetos anônimos[editar | editar código-fonte]

Podemos ter também objetos anônimos, onde não é necessário instanciar o objeto em uma variável para utilizá-lo. Exemplo:

public class MostraBarulho {
   public static void main(String args[]) {
      new Cavalo().fazerBarulho(); // Objeto anônimo.
 
      // Abaixo um objeto e classe anônimos!
      new Animal() {
         public void fazerBarulho() {
            System.out.println("QUAC!");
         }
      }.fazerBarulho();
   }
}

Ferramentas[editar | editar código-fonte]

Frameworks[editar | editar código-fonte]

É possível utilizar frameworks para facilitar o desenvolvimento de aplicações. Dentre os mais utilizados pode-se destacar:

Ambientes de desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

É possível desenvolver aplicações em Java através de vários ambientes de desenvolvimento integrado (IDEs). Dentre as opções mais utilizadas pode-se destacar:

  • BlueJ — um ambiente desenvolvido por uma faculdade australiana (considerado muito bom para iniciantes)
  • JCreator — (gratuito/shareware) — um ambiente desenvolvido pela Xinox (recomendado para programadores iniciantes)
  • jEdit — (recomendado para programadores iniciantes)
  • Eclipse — (recomendado para programadores fluentes)
Emulador do Android no Eclipse, exibindo um simples "Hello World", escrito em JAVA e XML
IDEs completas (recomendado para programadores profissionais)
Outras IDEs (menos populares)

Extensões[editar | editar código-fonte]

Extensões em Java:

  • J2ME (Micro-Edition for PDAs and cellular phones)
  • J2SE (Standard Edition)
  • J3D (A high level API for 3D graphics programming)
  • JAAS (Java Authentication and Authorization Service)
  • JAIN (Java API for Integrated Networks)
  • Java Card
  • JMX (Java Management Extensions)
  • JavaFX
  • JSF (JavaServer Faces)
  • JSP (JavaServer Pages)
  • JavaSpaces
  • JCE (Java Cryptography Extension)
  • JDBC (Java Database Connectivity)
  • JDMK (Java Dynamic Management Kit)
  • JDO (Java Data Objects)
  • JEE (Enterprise Edition)
  • Jini (a network architecture for the construction of distributed systems)
  • Jiro
  • JMF (Java Media Framework)
  • JMI (Java Metadata Interface)
  • JMS (Java Message Service)
  • JNDI (Java Naming and Directory Interface)
  • JNI (Java Native Interface)
  • JOGL (A low level API for 3D graphics programming, using OpenGL)
  • JSML (Java Speech API Markup Language)
  • JXTA (open source-based peer-to-peer infrastructure)
  • MARF (Modular Audio Recognition Framework)
  • OSGi (Dynamic Service Management and Remote Maintenance)
  • SuperWaba (JavaVMs for handhelds)

Certificações[editar | editar código-fonte]

Existem 8 tipos de certificações[10] da Sun Microsystems para Java:

Cada certificação testa algum tipo de habilidade dentro da plataforma e linguagem Java. Todos os testes são realizados pela empresa Person VUE[11] e são reconhecidos internacionalmente.

Comunidade[editar | editar código-fonte]

A comunidade de desenvolvedores Java reúne-se em grupo denominados JUGs (Java User Groups). No Brasil o movimento de grupos de usuários expandiu-se bastante e tem formado alguns dos maiores grupos de usuários Java do mundo[12] , como por exemplo o PortalJava, GUJ e o JavaFree.

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikilivros
O Wikilivros tem um livro chamado Java