Joana Grey

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Joana Grey
Rainha da Inglaterra e da Irlanda
Lady Jane Grey van de Passe.jpg
Lady Jane Grey pelo artista Willem van de Passe[1]
Governo
Reinado 10 de julho de 155319 de julho de 1553[2]
Consorte Lord Guilford Dudley
Antecessor Eduardo VI
Sucessor Maria I
Dinastia Tudor
Vida
Nascimento 1537
Bradgate, Leicestershire, Inglaterra
Morte 12 de fevereiro de 1554 (17 anos)
Torre de Londres (executada)
Sepultamento Capela Real de São Pedro ad Vincula, Torre de Londres
Filhos sem filhos
Pai Henrique Grey
Mãe Lady Frances Brandon
Assinatura Assinatura de Joana Grey

Joana Grey (em inglês: Jane Grey, também conhecida como Lady Jane Grey; 1537 - 12 de Fevereiro de 1554) por vezes conhecida como A Rainha dos Nove Dias[3] , foi Rainha de Inglaterra por cerca de nove dias em 1553, mas nunca foi coroada. Era filha de Henrique Grey, Duque de Suffolk e de Lady Frances Brandon, uma sobrinha-neta de Henrique VIII de Inglaterra (sua mãe era filha de Maria Tudor, irmã de Henrique VIII) por via feminina, de quem herdou a pretensão ao trono. Foi casada com Lord Guilford Dudley.

Joana subiu ao trono por desejo do Rei Eduardo VI, que a deixou como Rainha ao morrer e destronou suas duas meia-irmãs (Maria I e Isabel I). Porém Joana foi retirada do trono por Maria I e depois condenada e executada por traição.

Lady Joana teve uma reputação de uma das mulheres mais cultas da sua época.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Joana nasceu em 1537 perto de Leicester, no seio de uma família aristocrata. Ela era filha mais velha de Henrique Grey, Duque de Suffolk e Marquês de Dorset, e Lady Frances Brandon. Frances Brandon era filha de Maria Tudor, irmã do rei Henrique VIII. Portanto, Joana era sobrinha-neta de Henrique VIII e prima de Eduardo VI. Ela tinha duas irmãs mais novas, Lady Catherine Grey (ou Catarina Grey) e Lady Mary Grey (ou Maria Grey)[4] [5] . Elas receberam uma ótima educação desfrutando da influência dos Tudors.

Joana estudou latim, grego e hebraico. Através de seus professores-tutores ela se tornou devota protestante. O seu preceptor foi John Aymler da Universidade de Cambridge, que também foi responsável por parte da educação da futura rainha Isabel I de Inglaterra. Em 1546, Joana foi passar uma temporada com Catarina Parr, uma mulher considerada extremamente culta que foi a última esposa de Henrique VIII de Inglaterra. Após a morte de Henrique VIII, Catarina casou-se com Sir Thomas Seymour mas ela acabou falecendo em breve. Seymour tentou arranjar o casamento de Joana com seu sobrinho, o rei Eduardo VI, porém os planos não deram certo. Os irmãos Seymour foram acusados e executados por traição devido a ambição de John Dudley. Dudley negociou com a mãe de Joana seu casamento com o filho dele. Joana ficou alarmada com a hipótese de casar-se com alguém da família Dudley mas naquela época não havia muita chance de escolha. Em 15 de maio de 1553, Joana casou-se com Guilford Dudley, mas o casamento não foi consumado.

Chegada ao trono[editar | editar código-fonte]

Rosa de Tudor

Em 1553, o rei Eduardo VI de Inglaterra, de apenas 16 anos, estava para morrer e não tinha descendentes, sendo a opção mais directa a sua meia-irmã mais velha, a Princesa Maria. Maria fora educada como católica pela mãe Catarina de Aragão e era claramente contra a reforma introduzida na Igreja Anglicana. Politicamente, este seria um passo atrás e os conselheiros de Eduardo VI influenciaram-no para nomear outro herdeiro. No entanto, é importante lembrar que o desejo do pai de Eduardo era que Maria herdasse o trono do irmão, caso este não deixasse filhos, como ocorreu[6] .

A escolhida do rei, influenciado por John Dudley e seus conselheiros, foi Joana Grey, que tinha a vantagem de ser jovem e e de ter tido uma educação protestante. Outro ponto favorável a Joana era o fato de John Dudley, Duque de Northumberland ser seu sogro. Nesse caso, Joana teria como consorte o filho do duque, Guilford.

Após a morte de Eduardo VI em 6 de julho de 1553, Joana foi proclamada rainha da Inglaterra e da Irlanda em 10 de julho do mesmo ano. John Dudley tentou prender Maria, mas ela refugiou-se no Castelo de Framlingham em Suffolk.

Maria não estava disposta a abdicar da sua pretensão e contava com o apoio da população por ser filha de Catarina de Aragão, que era ainda imensamente popular. Contava ainda com a simpatia e comoção do povo que acompanhou sua juventude e viu quando foi deserdada e separada da mãe pelo rei Henrique VIII.

Nove dias depois de Joana ser declarada a nova rainha da Inglaterra, em 19 de julho, Maria chegou a Londres triunfante. O Parlamento inglês, então, declarou Maria como Rainha da Inglaterra e revogou a coroação de Joana. John Dudley foi executado em 21 de agosto e Joana e seu marido foram feitos prisioneiros com a acusação de traição na Torre de Londres.

Execução[editar | editar código-fonte]

A execução de Joana Grey por Paul Delaroche

Joana junto a Guildford Dudley foram julgados por alta traição. Seu julgamento começou em 13 de novembro de 1553 no Guildhall na City de Londres. Uma comissão foi instaurada com a lideração do Lord Mayor of London (ou o "prefeito de Londres") da época, Sir Thomas White[7] . Nesta altura, Maria parecia inclinada a perdoar a prima e chegou a enviar-lhe o seu confessor, numa tentativa de a converter à fé católica[7] .

No entanto, em janeiro de 1554, começou uma revolta popular contra Maria organizada por Thomas Wyatt por causa do iminente casamento de Maria I com o católico Filipe II de Espanha. Joana Grey não estava relacionada com esta rebelião, nem era a sua beneficiária, mas foi presa novamente[8] . Alguns nobres, incluindo o pai de Joana, juntaram-se a rebelião pedindo a restauração desta como rainha. Filipe II de Espanha insistiu na execução de Joana por considerá-la uma ameaça potencial.

No dia 12 de fevereiro de 1554, Guilford foi executado em praça pública. Joana Grey recebeu uma execução privada no mesmo dia na Torre de Londres. A execução privada foi ordem de Maria, como um gesto de respeito à prima.[9]

Joana foi executada aos 16 anos e enterrada junto a Guilford na Capela Real de São Pedro ad Vincula. No dia 19 de fevereiro o pai de Joana, Henrique Grey, foi executado por traição.

Na cultura popular[editar | editar código-fonte]

Filmes[editar | editar código-fonte]

Música[editar | editar código-fonte]

  • A música "Lady Jane" dos Rolling Stones foi inspirada em Joana Grey

Referências

  1. Charlotte Higgins (16 de janeiro de 2006). Is this the true face of Lady Jane? (em inglês). The Guardian. Página visitada em 31 de julho de 2012.
  2. Williamson, David (2010). Kings & Queens. National Portrait Gallery Publications. p. 95. ISBN 978-1-85514-432-3
  3. Ives 2009, p. 2
  4. Ives 2009, pp. 36, 299
  5. de Lisle 2008, pp. 5–8
  6. Ives 2009, pp. 47
  7. a b Ives 2009, pp. 251–252, 334
  8. Bellamy 1979, p. 54
  9. Ives 2009, pp. 267, 268

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]

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