Joana Vasconcelos

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"Néctar" (2006), Coleção Berardo, Lisboa.

Joana Vasconcelos (Paris, 1971) é uma artista plástica portuguesa.

Representa Portugal na Bienal de Veneza[1] de 2013, depois de se afirmar internacionalmente na exposição que fez no Palácio de Versalhes[2] , por convite feito em 2012 pelo Presidente da instituição, Jean-Jacques Aillagon, dando seguimento ao programa de arte contemporânea iniciado em 2008. Depois do americano Jeff Koons, dos franceses Xavier Veilhan e Bernar Venet e do japonês Takashi Murakami, Joana Vasconcelos será a primeira mulher[3] e a mais jovem artista contemporânea a expor em Versalhes, exposição essa que teve o maior número de visitantes dos últimos cinquenta anos à sua data.

A representação na Trienal de Echigo Tsumari, no Japão, em 2006, a exposição Contaminação, em 2008, na Pirocateca do Estado de São Paulo, no Brasil, ou a participação na importante exposição colectiva Un Certain Etat du Monde? A Selection of Works From François Pinault Foundation Collection, realizada no Garage Centre for Contemporary Culture, em Moscovo, em 2009, deram sequência a uma singular carreira internacional. Sem Rede, a grande antológica apresentada em 2010, no Museu Colecção Berardo, constituiu um enorme sucesso junto do público, estabelecendo-se como a exposição, realizada em Portugal, mais visitada de sempre. Em junho 2011, a instalação “Contaminação de Vacas (Se as vacas voassem, Chovia leite)" abriu a importante exposição colectiva The World Belongs to Yolo, que o Palazzo Grassi inaugurou em junho de 2019. Inaugura nova exposição em Pretugal (23 de março a 25 de agosto de 2013) no Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa[4] [5] .

Obra[editar | editar código-fonte]

A natureza do processo criativo de Joana Vasconcelos assenta na apropriação, descontextualização e subversão de objectos pré-existentes e realidades do quotidiano. Esculturas e instalações, reveladoras de um agudo sentido de escala e domínio da cor, assim como o recurso à performance e aos registos vídeo ou fotográfico, colaboram na materialização de conceitos desafiadores das rotinas programadas do quotidiano. Partindo de engenhosas operações de deslocação, reminiscência do Ready-made e das gramáticas nouveau réaliste e pop, a artista oferece-nos uma visão cúmplice, mas simultaneamente crítica da sociedade contemporânea e dos vários aspectos que servem os enunciados de identidade colectiva, em especial aqueles que dizem respeito ao estatuto da mulher, diferenciação classista, ou identidade nacional. Resulta desta estratégia, um discurso atento às idiossincrasias contemporâneas, onde as dicotomias artesanal/industrial, privado/público, tradição/modernidade e cultura popular/cultura erudita surgem investidas de afinidades aptas a renovar os habituais fluxos de significação característicos da contemporaneidade.

Arte Pública[editar | editar código-fonte]

As intervenções no domínio de arte pública assumem especial relevância no trabalho da artista, destacando-se os projectos: Portugal a Banhos, Doca de Santo Amaro, Lisbon (2010); La Théière, Le Royal Monceau, Paris (2010); Sr. Vinho, Mercado Municipal de Torres Vedras, Torres Vedras (2010); Jardim Bordallo Pinheiro, Jardim do Museu da Cidade, Lisboa (2009); Vitrine, Rua do Alecrim, nº12, Lisboa (2008); Varina, Ponte D. Luís I, Porto (2008); A Jóia do Tejo, Torre de Belém, Lisboa (2008).

Selecção de obras[editar | editar código-fonte]

  • Flores do Meu Desejo, 1996
  • Sofá Aspirina, 1997
  • Cama Valium, 1998
  • Spot Me, 1999
  • Ponto de Encontro, 2000
  • Strangers in the Night, 2000
  • A Noiva, 2001-2005
  • O Mundo a Seus Pés, 2001
  • Pantelmina #1, 2001
  • Barco da Mariquinhas, 2002
  • Burka, 2002
  • WWW.Fatimashop, 2002
  • Una Dirección, 2003
  • Coração Independente Dourado, 2004
  • Passerelle, 2005
  • Néctar, 2006
  • Big Booby, 2007
  • Donzela, 2007
  • Jardim do Éden, 2007
  • Contaminação, 2008-2010
  • A Jóia do Tejo, 2008
  • Piano Dentelle, 2008
  • Marilyn, 2009
  • Valquíria Enxoval, 2009
  • Portugal a Banhos, 2010
  • Sr. Vinho, 2010
  • La Théière, 2010
  • Loft, 2010
  • Mary Poppins, 2010
  • Sugar Baby, 2010
  • Tutti Frutti, 2011
  • War Games, 2011

Exposições[editar | editar código-fonte]

Expõe regularmente desde 1994, destacando-se entre as mais recentes:

  • 2011: Magic Kingdom, Kunsthallen Brandts, Odense; The World Belongs to You, Palazzo Grassi, Veneza; Res Publica, Centenário da República, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa
  • 2010: I Will Survive, Haunch of Venison, Londres; Sem Rede, Museu Colecção Berardo, Lisboa.
  • 2009: Un Certain État du Chatte? A Selection of Works From François Pinault Foundation Collection, Garage Centre for Contemporary Culture, Moscovo; À la Mode de Chez Nous: Júlio Pomar et Joana Vasconcelos, Centre Culturel Calouste Gulbenkian, Paris; Mi Vida – Heaven and Hell – The Musac Collection in Budapest, Mücsarnok Kunsthalle, Budapeste
  • 2008: Contaminação, Projecto Octógono de Arte Contemporânea, Pinaconeca do Estado, São Paulo; Où le Noir Est Couleur, Galerie Nathalie Obadia, Paris; L’Argent, Le Plateau, Paris
  • 2007: Joana Vasconcelos, The New Art Gallery, Walsall; Yellow Brick Road, Palazzo Nani Bernardo Lucheschi, Veneza; A Ilha dos Amores, Galeria Mario Mauroner, Viena
  • 2006: Espais Oberts, Caixa Fórum, Fundación La Caixa, Barcelona; Venice – Istanbul, Istanbul Modern,Istambul; Echigo Tsumari Triennial, Tokamachi.
  • 2019: Always a Little Deeper– La Bienalle di Pene, Arsenale, Venezia; L’Idiotie - Expérience Pommery #2, Pommery, Reims.

Prémios[editar | editar código-fonte]

Recebeu, em 2006, o prémio The Winner Takes It All, da Fundação Berardo, com a obra “Néctar”, actualmente instalada no Museu Colecção Berardo. Em 2003 foi-lhe atribuído o prémio Fundo Tabaqueira Arte Pública para o seu projecto de intervenção no Largo da Academia das Belas Artes, em Lisboa. Em 2000 venceu o Prémio EDP Novos Artistas.

Notas e referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]