Paula Rego

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Paula Rego - As criadas (1987)

Maria Paula Figueiroa Rego GOSEGCSEOBE (Lisboa, 26 de Janeiro de 1935) é uma pintora portuguesa.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Oriunda de uma família republicana e liberal, com ligações às culturas inglesa e francesa Paula Rego iniciou seus estudos no Colégio Integrado Monte Maior, seguindo para a St. Julian's School em Carcavelos onde os professores cedo lhe reconheceram o talento para a pintura. Incentivada pelo pai a prosseguir o seu desenvolvimento artístico fora do Portugal Salazarista dos anos 50 partiu para Londres, onde estudou na Slade School of Fine Art, até 1956. Conheceu o pintor Victor Willing (1950-1999), com quem se casou em 1959. Entre 1959 e 1962 viveu na Ericeira. Numa ida a Londres, conheceu o pintor Jean Dubuffet, referência determinante na sua criação artística, usualmente definida como Arte bruta. Ao longo da década de 1960 assina exposições colectivas em Inglaterra e, em 1966, entusiasma a crítica ao expôr individualmente, na Galeria de Arte Moderna da então Escola de Belas-Artes de Lisboa.

Na década de 1970, com a falência da empresa familiar, vende a quinta da Ericeira e radica-se em Londres. Torna-se bolsista da Fundação Calouste Gulbenkian para fazer pesquisa sobre contos infantis, em 1975, e figura com onze obras na exposição Arte Portuguesa desde 1910 (1978), dominado pelas colagens. Volta à pintura, mais livre e mais directa, retratando o mundo intimista e infantil, inspirado em dados reais ou imaginários, com figuras de um teatro de crianças de Victor Willing (o macaco, o leão e o urso), interpretando as histórias que Paula inventa. A obra literária de George Orwell inspira-a no painel Muro dos Proles (1984), com mais de seis metros de comprimento, onde estabelece um paralelismo com as figuras de Hieronymus Bosch.

Dá uma viragem radical na sua obra com a série da menina e do cão. A figura feminina assume claramente a liderança na acção, enquanto o cão é subjugado e acarinhado. A menina faz de mãe, de amiga, de enfermeira e de amante, num jogo de sedução e de dominação que continua em obras posteriores. Tecnicamente as figuras ganham volume, o espaço ganha solidez e autonomia, a perspectiva cenográfica está montada. Em 1987, Paula Rego assina com a galeria Marlborough Fine Art, o passo que faltava para a divulgação internacional.

A morte do seu marido, também nesse ano, é assinalada em obras como O Cadete e a Irmã, A Partida, A Família ou A Dança, de 1988. A convite da National Gallery, em 1990, vai ocupar um ateliê no museu e pintar várias obras inspiradas na colecção. Desse período destaca-se Tempo – Passado e Presente (1990-1991).

Em 1994, realiza a série de pinturas a pastel intitulada Mulher Cão, que marca o início de um novo ciclo de mulheres simbólicas. A 9 de Junho de 1995 foi feita Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.[1] Impõe a sua consciência cívica em Aborto (1997-1999), numa crítica ao resultado do primeiro referendo a essa matéria, realizado em Portugal em 1997.

A 13 de Outubro de 2004 foi elevada a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.[2] Inaugura, a 18 de Setembro de 2009, a sua Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, que nasce com o intuito de acolher e promover a divulgação e estudo da sua obra, e cuja entidade responsável é a Fundação Paula Rego.[3]

Das distinções que recebeu, salienta o Prémio Celpa/Vieira da Silva de Consagração e o Grande Prémio Soquil. Em Junho de 2010 recebeu da Rainha Isabel II a Ordem do Império Britânico com o grau de Oficial, pela sua contribuição para as artes.[4] A par de Maria Helena Vieira da Silva, Paula Rego é a pintora portuguesa mais aclamada a nível internacional, estando colocada entre os quatro maiores pintores vivos em Inglaterra.[4]

Em 2011 recebe o Doutoramento Honoris Causa da Universidade de Lisboa.

Em Julho de 2012, apresenta uma série de pinturas novas, numa exposição em parceria com a artista Adriana Molder, inspirada na narrativa histórica de Alexandre Herculano e intitulada “A Dama Pé-de-Cabra”, com inauguração a 7 de Julho na Casa das Histórias em Cascais.[5] [6]

Em Agosto de 2012 foi anunciada a vontade do Governo em encerrar a Fundação com o seu nome,[7] [8] com a oposição, entre outros, da Câmara Municipal de Cascais.[9]

Leilões[editar | editar código-fonte]

  • O quadro "The Lesson" foi vendido em leilão, arrematado por 596.881 euros em Londres, no dia 7 de Julho de 2007 na leiloeira Christie's. Baying (em português uivando), uma tela pintada a pastel datada de 1994, foi vendido por 740.599 euros (558.800 libras) no dia 27 de Fevereiro de 2008 pela leiloeira Sotheby's em Londres.[10]
  • A pintura "The egyptian cats", (gatos egípcios, em tradução livre), um acrílico sobre papel colado em tela de 1982, foi arrematada na leiloeira Sala Branca, em Lisboa, por 280 mil euros, valor recorde nacional em leilões de obras da autora, em Fevereiro de 2008. "Madrasta", foi vendido em 2007 em Portugal por 220 mil euros.
  • O quadro Vivian Girls with Scorpions foi em 16 de Outubro de 2009 arrematado num leilão na Sotheby's em Londres por 238 mil euros.[11]
  • O quadro “Looking Back” (“Olhando para trás”, em português), pintado em 1987 por Paula Rego foi arrematado por 769,250 libras (861,96 euros) em Junho de 2011, batendo um novo recorde mundial para a artista[12] .

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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