John Muir

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John Muir
Muir, em 1872
Nascimento 21 de Abril de 1838
Dunbar
Morte 23 de dezembro de 1914 (76 anos)
Los Angeles
Nacionalidade  Estados Unidos
Ocupação Escritor, naturalista
Influenciados
Assinatura
John muir signature.svg

John Muir (Dunbar, Escócia, 21 de abril de 1838Noël, Los Angeles, 24 de dezembro de 1914), foi um naturalista, fazendeiro, explorador e escritor escoces/norteamericano do século XIX, que lutou pela preservação do patrimônio natural dos Estados Unidos.

Para ele o homem era parte da própria natureza, e como tal não pode ser dotado de direitos maiores que os animais (ideias que, mais tarde, foram chamadas de biocentrismo) e tiveram respaldo científico da história natural, especialmente no evolucionismo darwiniano; suas ideias vieram ainda a ser a base do ambientalismo e da ética ambiental que ganharam força a partir da segunda metade do século XX.[1]

Visitou todos os continentes da Terra, com exceção daquele que não possui árvores - a Antártica,[2] sobre os quais escrevia procurando influenciar seus contemporâneos; Dentre os epítetos que recebeu estão: "Pai dos Parques Nacionais dos EUA", "Profeta da Vida Selvagem" e "Cidadão do Universo".[3]

Os escritos de Muir influenciaram Theodore Roosevelt na criação do Parque Nacional de Yosemite, e muitas barragens deixaram de ser erguidas ou foram interrompidas em territórios dos parques nacionais graças a suas ideias.[3]

Sobre seu importante papel histórico o cineasta documentarista Ken Burns declarou que "Por tudo que sabemos dele... [John Muir] ascendeu ao panteão dos maiores indivíduos de nosso país; estou me referindo ao nível de Abraham Lincoln, Martin Luther King Jr., Thomas Jefferson, Elizabeth Cady Stanton, Jackie Robinson - pessoas que tiveram um efeito transformador sobre quem somos." [nota 1] [3]

Biografia[editar | editar código-fonte]

John Muir

Na pequena vila natal estudou na escola primária até que, em 1849, sua família emigrou para os Estados Unidos, domiciliando-se na fazenda Fountain Lake, próximo a Montello, no Wisconsin.[4]

Apesar do pai autoritário, que o obrigava a trabalhar de sol a sol, ele e seu irmão menor conseguiam encontrar tempo para explorar os bosques do Wisconsin, despertando desde cedo sua paixão pela natureza; também inventava objetos de madeira, chegando mesmo a criar um relógio que funcionava perfeitamente e outros curiosos mecanismos. Com eles conseguiu prêmios e admiração na feira estadual, em Madison, para onde as levou em 1860 - mesmo ano em que ingressou na faculdade.[4]

Apesar de bom aluno, abandonou os estudos dois anos e meio mais tarde, iniciando uma viagem pelo norte do país e pelo Canadá, mantendo-se com pequenos serviços e conhecendo a paisagem ainda em boa parte selvagem.[4]

Em 1867 sofreu grave acidente trabalhando numa fábrica de peças para carruagens, que quase deixou-o cego de um olho, e que mudaria sua vida: quando recuperou a vista decidiu que iria se ocupar da preservação da terra e das matas, iniciando assim suas viagens - numa jornada inicial de mil e seiscentos quilômetros de Indianápolis até o Golfo do México; em seguida cruzou o Golfo até a ilha de Cuba, dali ao Panamá, cruzando o istmo até o Pacífico e dali de barco até São Francisco, onde chegou em março de 1868. Ali foi cativado pelas montanhas da Sierra Nevada e pelo Yosemite, onde viveu por um ano trabalhando no pastoreio.[4]

No ano seguinte descobriu geleiras na Sierra e criou uma teoria da glaciação em Yosemite, granjeando prestígio em todo o país e das personalidades contemporâneas, algumas das quais (como Joseph Le Conte, Asa Gray, Ralph Waldo Emerson) chegaram a ir visitá-lo em sua rústica choupana.[4]

A partir de 1874 teve sucesso com escritor com uma série de artigos intitulada "Estudos na Sierra" e mudou-se por um período para Oakland, dali efetuando diversas viagens como a sua primeira exploração do Alaska, em 1879, quando descobriu a Glacier Bay.[4]

Casa-se em 1880 com Louie Wanda Strentzel, passando a residir em Martinez, onde tiveram duas filhas: Wanda e Helen. Associado ao sogro, consegue sucesso no cultivo de frutas - mas ao cabo de uma década retoma suas viagens, indo várias vezes ao Alasca, Austrália, América do Sul, África, Europa e novas vezes em Sierra Nevada.[4]

Artigos naturalistas e Parques Nacionais[editar | editar código-fonte]

Monte Muir em Serra Nevada.

Muir escreveu cerca de três centenas de artigos e dez livros, em que narrava suas viagens e expunham suas ideias naturais, inspirando seus leitores - desde políticos ao público comum, no amor pela natureza e incitando-os em apoiarem seus objetivos preservacionistas - pois também denunciava a degradação que encontrava, especialmente na revista Century e, graças aos seus esforços, o Congresso dos Estados Unidos declarou Yosemite um Parque Nacional, no ano de 1890 - e ainda lutou para a criação dos parques da Sequoia, Mount Ranier, da Floresta Petrificada e do Grand Canyon.[4]

Robert Underwood Johnson, seu parceiro nas publicações, e outros interessados propuseram que criasse uma instituição para a proteção do Parque Nacional de Yosemite contra o assédio de fazendeiros que tentavam reduzir os seus limites. Em 1892 foi criado o Sierra Club por Muir e seus parceiros, com o objetivo de "fazer algo pelas terras selvagens e alegrar às montanhas" - sendo seu primeiro presidente, cargo que ocupou até sua morte.[4]

Em 1901 publicou o livro "Nossos Parques Nacionais", chamando a atenção do então presidente Roosevelt, que o visitou em Yosemite: lá ambos elaboraram o programa de conservação do governo Roosevelt.[4]

Luta contra represas[editar | editar código-fonte]

Diversas vezes Muir teve que lutar contra a construção de barragens no território dos parques nacionais. A mais dramática delas foi contra a construção da represa de Hetch Hetchy Valley, em Yosemite mas, em 1913, depois de anos de disputas, foi enfim derrotado e a represa foi construída para abastecer São Francisco. Morreu um ano depois, após haver visitado sua filha no deserto do Mojave, num hospital de Los Angeles.[4]

Homenagens[editar | editar código-fonte]

Em sua memória foram nomeadas diversas instituições e locais. Dentre estes estão o Muir Woods National Monument, o Muir College (UCSD) e várias escolas dos EUA.[3]

O Monte Muir, da Serra Nevada, foi nomeado em sua homenagem.

Na Califórnia 21 de abril é o "dia de John Muir", quando o naturalista é homenageado: os professores das escolas são convidados a falar aos alunos sobre as contribuições dele para a preservação das reservas ecológicas norte-americanas.

Obras[editar | editar código-fonte]

Dos escritos de Muir foram publicados os seguintes livros:[5]

  • Studies in the Sierra (1874 - reimpresso em 1950)
  • Picturesque California (1888-1890)
  • The Mountains of California (1894)
  • Our National Parks (1901)
  • Stickeen: An Adventure with a Dog and a Glacier (versão anotada de 1909, e reduzida de 1915)
  • My First Summer in the Sierra (1911)
  • Edward Henry Harriman (1911)
  • The Yosemite (1912)
  • The Story of My Boyhood and Youth (1913)
  • Letters to a Friend (1915)
  • Travels in Alaska (1915)
  • A Thousand-Mile Walk to the Gulf (1916)
  • The Cruise of the Corwin (1917)
  • Steep Trails (1919)
  • The Life and Letters of John Muir, por William Frederic Badè (1924)
  • John of the Mountains (1938 - cartas reunidas por Linnie Marsh Wolfe)

Notas e referências

Notas

  1. Livre tradução para: "As we got to know him... he [John Muir] ascended to the pantheon of the highest individuals in our country; I'm talking about the level of Abraham Lincoln, and Martin Luther King, and Thomas Jefferson, and Elizabeth Cady Stanton, Jackie Robinson -- people who have had a transformational effect on who we are."

Referências

  1. Heliana Comin Vargas (1999). Qualidade ambiental urbana: em busca de uma nova ética. Encontro Nacional da ANPUR, VII - usp.br. Página visitada em junho 2012.
  2. institucional. Did you know?. National Park Service (em inglês). Página visitada em junho 2012.
  3. a b c d Who Was John Muir?. Sierra Club. Página visitada em junho 2012.
  4. a b c d e f g h i j k Sierra Club Public Affairs (em espanhol) (outubro de 1995). John Muir Hoja de Datos. Sierra Club. Página visitada em junho de 2012.
  5. Yosemite Park. John Muir writings. Página visitada em junho de 2012.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre John Muir



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