Kalidasa

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कालिदास
Kālidāsa
Data de nascimento século IV ou V, no Império Gupta, possivelmente perto de Himalayas ou Ujjain
Data de falecimento século IV ou V
Local de falecimento Império Gupta, possivelmente Ujjain ou Sri Lanka
Gênero(s) drama sânscrito
Influências mitologia hindu, filosofia hindu

Kālidāsa (Devanāgarī: कालिदास "servo de Kali"), também referido como Kalidaça, Kalidasa ou Calidaça, foi um renomado poeta e dramaturgo sânscrito clássico, amplamente considerado como o maior poeta e dramaturgo no idioma sânscrito. O período em que viveu não pode ser datado com precisão, mas é mais provável que seja dentro do período Gupta, provavelmente no século IV ou no século V ou VI.

Seu lugar na literatura sânscrita é semelhante ao de Shakespeare na inglesa.[1] Suas peças de teatro e poesias são principalmente baseadas na mitologia e filosofia hindus.

É o mais notável dos dramaturgos sânscritos e o maior nome da literatura sânscrita depois de Asvaghosas (século III a.C. - c. 375 a.c.). A sua vida está oculta por um véu de lendas. Deve ter sido um estrangeiro convertido à via brâmane. Era a mais brilhante das nove gemas na corte de Vikramaditya de Ujjain. Eminente nas artes e ciências do seu tempo, desde a astronomia à política.

A tradução do seu Sakuntala no princípio do século XIX foi entusiasticamente aclamada por Goethe e revelou a toda a Europa as realizações de alto nível que a literatura sânscrita atingira. Seu estilo é rigoroso, formalmente rebuscado e catárticamente intenso.

Vida[editar | editar código-fonte]

Nada além de suas obras é conhecido com certeza na vida de Kālidāsa, tais como onde e em que período viveu. Pouco se sabe sobre a vida de Kālidāsa. Segundo a lenda, o poeta era conhecido por sua beleza que chamou a atenção de uma princesa que se casou com ele. No entanto, como diz a lenda, Kālidāsa haviam crescido sem muita instrução, e a princesa ficava envergonhada de sua ignorância e grosseria. Um adorador devoto de Kali (por outros relatos, Deusa Saraswati), Kālidāsa teria pedido ajuda à sua deusa ajuda quando ele ia se suicidar em um lago depois de ter sido humilhado por sua esposa, tendo sido recompensado com um repentino e extraordinário dom de inteligência. Ele teria então se tornado o mais brilhante das "nove joias" na corte do rei Vikramaditya de Ujjain. A lenda também diz que ele foi assassinado por uma cortesã no Sri Lanka, durante o reinado de Kumaradasa.

Época[editar | editar código-fonte]

O Kalidas Smarak em Ramtek, local onde Kālidāsa escreveu Meghadūta.

Como limite da data mais recente em que poderia ter vivido pode-se tomar o dado pela Aihole Prashasti de 634 d.C., que faz uma referência a suas habilidades. Um limite de data inicial para sua vida pode ser inferido a partir de sua peça Mālavikāgnimitra, onde o herói, rei Agnimitra da dinastia Sunga, assumiu o trono da Mágada em 152 a.C. As características linguísticas dos dialetos Prakrit usados por alguns dos personagens menores em suas peças têm sido apresentadas para sugerir que ele não poderia ter vivido antes do século III da era cristã.[2] Tem havido grande ambiguidade na definição da época exata da vida de Kālidāsa, mas em 1986, o estudioso de sânscrito, Dr. Ramchandra Tiwari de Bhopal, alegou ter realizado uma investigação exaustiva sobre Kalidasa e depois de analisar 627 evidências arqueológicas que incluíram 104 esculturas, 30 pinturas e 493 palavras de escrituras determinou que Kalidasa viveu no período 370 a 450 d.C.[carece de fontes?]

Em suas obras, Kālidāsa não mencionou nenhum rei como seu soberano ou qualquer outra dinastia além da Dinastia Sunga, mas vários historiadores têm tradicionalmente considerado Kālidāsa como uma das "nove joias" na corte de um rei chamado Vikramāditya. Havia, no entanto, vários reis na antiga Índia com esse nome. Um deles foi o imperador rajput tuar Vikramaditya de Ujjain, que fundou o Vikrama Samvat (calendário hindu, que é o oficial em Bangladesh e Nepal), após sua vitória sobre os sacas em 56 a.C.[3] Os estudiosos observaram outras associações possíveis com a dinastia Gupta, o que colocaria seu período de vida no intervalo de 300-470 d.C.:

  • Sua peça sobre um casal na mitologia védica, Pururavas e Urvashi, sendo intitulada Vikramorvashīya, com "Vikram" para "Pururavas ", poderia ser um tributo indireto a um superior, possivelmente nomeado Vikramāditya.
  • Kumāragupta era o filho de Chandragupta II Vikramaditya. O título do poema épico de Kālidāsa, Kumārasambhava, sobre a geração de Kartikeya, o deus da guerra, que era filho de Siva e Pārvati poderia ser um tributo indireto para um desses patronos reais.
  • A menção de hunos, em seu poema épico, Raghuvamsa, poderia ser uma referência velada à vitória sobre eles do filho e sucessor de Kumāragupta, Skandagupta. Alternativamente, a campanha de Raghu neste poema pode ter sido modelada nas campanhas do pai de Chandragupta II Vikramāditya, Samudragupta.

Localização[editar | editar código-fonte]

Os estudiosos têm especulado que Kālidāsa pode ter vivido tanto perto do Himalaia ou nas proximidades de Ujjain. As duas especulações são baseadas, respectivamente, em descrição detalhada de Kālidāsa sobre o Himalaia em seu Kumārasambhava e a demonstração de seu amor por Ujjain em Meghadūta.

Obras[editar | editar código-fonte]

Kālidāsa escreveu três peças. Entre elas, Abhijñānaśākuntalam ("Do reconhecimento de Shakuntala por um símbolo") é geralmente considerado como uma obra-prima. Foi uma das primeiras obras em sânscrito a serem traduzidas para o inglês e desde então tem sido traduzido para muitas línguas.[4]

Shakuntala pára para olhar atrás de Dushyanta, pintura de Ravi Varma (1848-1906)

Mālavikāgnimitram ("Mālavikā e Agnimitra") conta a história do rei Agnimitra, que apaixona-se pela imagem de uma menina serviçal exilada chamada Mālavikā. Quando a rainha descobre a paixão do marido por essa garota, fica enfurecida e aprisiona Mālavikā, mas como o destino mostraria, Mālavikā nasceu na verdade uma verdadeira princesa, legitimando assim o caso de amor.

Abhijñānaśākuntalam ("Do reconhecimento de Shakuntala por um símbolo") conta a história do rei Dushyanta que, quando em uma caçada, encontra Shakuntalā, filha adotiva de um sábio, e casa-se com ela. Um revés lhes acontece quando ele é convocado de volta à corte: Shakuntala, grávida, inadvertidamente ofende um sábio visitante e incorre em uma maldição, pela qual Dushyanta irá esquecê-la completamente até que ele veja o anel que deixara com ela. Em sua viagem à corte de Dushyanta em avançado estado de gravidez, ela perde o anel e tem de vir embora sem ter sido reconhecida. O anel é encontrado por um pescador que reconhece o selo real e devolve-o a Dushyanta, que recupera a memória de Shakuntala e passa a procurá-la. Depois de mais viagens, eles finalmente se unem novamente.

Vikramōrvaśīyam ("Pertencendo a Vikrama e Urvashi") conta a história do rei mortal Pururavas e da ninfa celeste Urvashi que se apaixonam. Como uma imortal, ela tem que voltar para o céu, onde um infeliz acidente faz com que ela seja enviada de volta para a terra como uma mortal com a maldição de que ela vai morrer (e assim retornar para o céu) no momento que seu amante fixar os olhos na criança que ela vai lhe dar. Após uma série de contratempos, incluindo a transformação temporária de Urvashi em uma videira, a maldição é anulada e os amantes são autorizados a permanecer juntos na terra.

Referências

  1. Malagi 2005, p. 123
  2. Macdonnell 1902
  3. The cyclopædia of India and of Eastern and Southern Asia por Edward Balfour, B. Quaritch 1885, p502
  4. Kalidas (em inglês). Encyclopedia Americana. Página visitada em 13 de janeiro de 2013.

Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]