Lêmingue

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Lemmus lemmus

Lemmus lemmus
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Rodentia
Família: Cricetidae
Subfamília: Arvicolinae
Tribo: Lemmini
Géneros
Dicrostonyx

Lemmus
Myopus
Synaptomys
Eolagurus
Lagurus

Lêmingue (português brasileiro) ou Lemingue (português europeu) são pequenos roedores, encontrados geralmente no bioma ártico da tundra. São animais que podem viver sob camada fina de neve e junto com o Compagnol (Vole) e o Rato-almiscarado formam a Família (biologia) dos Arvicolinae (ou Microtinae). São parte de uma ‘’irradiação evolucionária’’ de mamíferos, a superfamília Muroidea, a que inclui hamsters, gerbilos, rattus e mus.

Descrição[editar | editar código-fonte]

Lêmingues medem cerca de 7 a 15 cm e pesam cerca de 30 a 120 gramas. Apresentam pelo longo, macio, com cauda curta. São herbívoros, se alimentando de folhas, gramíneas , brotos, ervas Cyperaceae e ainda de raízes e bulbos. Como os demais roedores, tem seus incisivos crescendo continuamente, o que lhes permite sobreviver em locais de forragem muito dura.

Os ‘’lêmingues’’ não hibernam durante os rigorosos invernos do ártico, quando se mantém ativos e encontram alimentação cavando na neve e encontrando aí grama cortada e armazenada previamente. São animais solitários por natureza, encontrando outros da espécie apenas para reprodução e depois levando suas vidas separadas. Apresentam uma altíssima taxa de crescimento populacional, especialmente quando a comida é abundante.

Hábitos[editar | editar código-fonte]

O comportamento dos lêmingues é muito similar ao dos demais roedores que apresentam enormes crescimentos periódicos de população, por isso, se dispersam para todas as direções em busca de alimento e abrigo que o ambiente de origem não oferece. Os lêmingues do extremo norte da Noruega são raros vertebrados que se reproduzem de um forma tão rápida que causa um caos populacional [1] . Em lugar de seguir um crescimento linear de população com oscilações regulares, sua maior explosão demográfica ocorre, por razões desconhecidas, aproximadamente a cada quatro anos, antes de um período em que quase se extinguem.[2] Durante muitos anos se acreditou que a população dos predadores dos lêmingues variasse junto com o ciclo dos mesmos, havendo hoje novas evidências que mostram de forma mais forte essa correlação.[3]

Mitos[editar | editar código-fonte]

Há concepções equivocadas sobre os lêmingues que vem de muitos séculos. Em 1530, o geógrafo Zeigler De Estrasburgo apresentou a teoria de que essas criaturas caíam dos céus durante o periodo de tempestades (também consta do folclore dos Inupiat/Iupik do Norton Sound), vindo a morrer de forma súbita quando a grama voltava a crescer na primavera.[4] Esse mito foi refutado pelo especialista em história natural Olaus Wormius, que aceitava que os animais caíssem do céu, mas teriam que ter sido levados pelo vento, nunca com uma geração espontânea. Foi Worm quem pela primeira vez publicou sobre dissecção de lêmingues, mostrando que eles eram anatomicamente similares a maioria dos demais roedores. Os trabalhos de Lineu provaram que os animais têm todos origens naturais.[5] [6]

Como muitos lêmingues se deslocam, inevitavelmente muitos deles se afogam o ao cruzar rios e lagos, como esse na Noruega

Os lêmingues ficaram bastante conhecidos pelo mito de que cometeriam suicídio em massa durante suas migrações. Essa visão mítica se apresenta em diversas versões, não sendo sempre vista realmente uma ação voluntária, mas acidentes que levam à morte em massa.

Movidos por urgências biológicas de sobrevivência, algumas espécies de lêmingues migram em grandes grupos, sempre que a densidade populacional se torna insustentável. Os lêmingues não nadam e podem, nessa desesperada procurar por novo habitat, optar por cruzar um curso de água.[7] Esse fato e as enormes inesperadas flutuações na população dos lêmingues noruegueses devem ter contribuído para o desenvolvimento dos mitos.

O mito dos Lêmingues praticando “suicídio” em massa já vem de muito tempo e foi popularizado por diversos fatores e eventos. Em 1955, o ilustrador Carl Barks da Disney criou o desenho "The Lemming with the Locket (Medalhão)", com “Uncle Scrooge” (Tio Patinhas), no qual havia inspiração de um artigo de 1954 da National Geographic que mostrava uma enorme massa de lêmingues se lançando em abismos na Noruega.[8] Maior ainda foi a influência de outra produção da Disney White Wilderness (film), de 1958, ganhador do Oscar de melhor documentário, onde se apresentava uma cena com centenas de lêmingues saltando para morte certa num abismo, depois de falsas cenas de migração em massa.[9] Um documentário da Canadian Broadcasting Corporation, de nome Cruel Camera, denunciou que os Lêmingues usados em White Wilderness foram em realidade lançados na Baía de Hudson, Calgary, Alberta. Eles não se lançaram, foram, na verdade lançados num abismo com o uso de uma mesa giratória.[10]

Mais recentemente, esse mito ficou mais conhecido pelo Comercial do Computador Apple Inc. no Super Bowl de 1985 e alguns populares videogames, dentre eles opiniões de todos num rumo de consequência potencialmente perigosas e fatais. Além do vídeogame citado, há outro similar o Urban Terror, com lêmingues no qual o jogador deve desviar os animais e salvá-los de sua corrida ”suicida”.

Por seu comportamento migratório aparentemente estranho, os lêmingues e seu “suicídio” são lembrados e associados, como uma metáfora, a pessoas que seguem a maioria sem questionar, mesmo que esse comportamento tenha consequências terríveis. Houve também referências aos lêmingues em sua corrida para a morte na TV. Foram episódios dos sitcoms “Red Dwarf”, no show Robot Chicken da Adult Swim e, no cinema, no filme Francês “Lemming” de 2005. São citados também no mangá Hunter X Hunter de YoshiroTogashi pelo personagem "Novu" durante a saga das "Chimeras Ants Gokei" .

Classificação[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. (Turchin & Ellner, 1997)
  2. Hinterland Who's Who - Lemmings
  3. [http://www.innovations-report.com/html/reports/environment_sciences/report-22885.html Predadores definem o ciclo dos lêmingues na Gronelândia
  4. ABC.net.au - Lemmings Suicide Myth
  5. Bondeson, Jan. The Feejee Mermaid and Other Essays in Natural and Unnatural History. [S.l.]: Cornell University Press, 1999. 256–257 pp. ISBN 978-0801436093. Visitado em 2009-01-11.
  6. Museum Wormianum seu historia rerum rariorum Ole Worm (1655)
  7. Lemming Suicide Myth Disney Film Faked Bogus Behavior
  8. Blum, Geoffrey. 1996. "One Billion of Something," in: Uncle Scrooge Adventures by Carl Barks, #9
  9. snopes.com: White Wilderness Lemmings Suicide
  10. Cruel Camera, Time slice: 14:01-15:27

Referências externas[editar | editar código-fonte]