Lancelote

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Lancelote numa iluminura medieval.

Lancelote ou Lançarote (em inglês: Sir Lancelot; em francês: Lancelot du Lac, em espanhol: Lanzarote del Lago) foi um dos Cavaleiros da Távola Redonda na lenda do rei Artur. É comumente apresentado como o maior campeão do Rei Artur, cujo caso de amor com a rainha Genebra leva o fim do reino de Arthur.

Sua primeira aparição como personagem principal está em Lancelot, le chevalier de la charrette, ou "Lancelote, o Cavaleiro da Carreta", de Chrétien de Troyes, escrito no século XII. No século XIII, ele foi o principal foco no longo Ciclo da Vulgata, onde suas façanhas são contadas na seção conhecida como Lancelote em prosa. Sua vida e aventuras tem sido destaque em vários romances medievais, muitas vezes conflitantes com histórias de fundo e cadeias de eventos.

Origens[editar | editar código-fonte]

Origens pré-romanas[editar | editar código-fonte]

Origens literárias de Lancelote são de uma história esquecida do passado. Antes de sua aparição nas obras de Chrétien de Troyes, Lancelote é praticamente desconhecido. O acadêmico Roger Sherman Loomis sugere que Lancelote está relacionado tanto ao personagem Llenlleog (talvez "Pulando a-um"; Leaping-one[1] ), o irlandês de Culhwch e Olwen (que ele associa com o "promontório de Gan(i)em"), ou o herói galês Llwch Llawwynnauc ("Llwch da Mão Marcante"), que por sua vez é provavelmente uma versão da divindade irlandesa evemerizada Lugh Lonbemnech.[2] [3] Devido ao fato de que seus nomes são semelhantes e que ambos empunham uma espada e lutam por um caldeirão em ambos Preiddeu Annwn e Culhwch, muitos estudiosos pensam que são a mesma figura.[1]

Mas os estudiosos modernos não têm tanta certeza. Uma sugestão é a de que, dada a evidência do manuscrito de L'Ancelot, o nome pode ter sido uma invenção de Chrétien de Troyes, uma vez que "Ancelot" significa "servo". Outra sugestão é a de que o nome pode ter derivado do Anguselaus de Geoffrey de Monmouth. No entanto, um pesquisador sugeriu que Lancelote pode ser uma variante do nome "Lancelin".[4] Lancelot ou Lancelin podem ter sido o herói em vez de um conto popular independente, que teve contato e finalmente foi absorvido pela tradição de Artur: o roubo de uma criança por uma fada da água, a aparência do herói em um torneio em três dias consecutivos em três disfarces diferentes, e o resgate de uma rainha ou princesa de uma prisão do Outro Mundo são todas as características de um conhecido e generalizado conto, as variantes de que são encontrados em quase todas as terras, e inúmeros exemplos de que foram recolhidos por Barzaz Breiz de Théodore Claude Henri, por Emmanuel Cosquin em seu Contes Lorrains, e por J. F. Campbell em seu Tales of the West Highlands.

Aparência mais antiga[editar | editar código-fonte]

Segundo a lenda, Lancelote era filho do rei Ban de Benoic e da Rainha Helena, mas foi raptado ainda criança pela Dama do Lago, que o educa e o torna o melhor cavaleiro da Távola Redonda e mestre-de-armas do Rei Artur. Lancelot mantinha vínculos com Avalon e sempre que podia visitava sua mãe, porém ele não seguia nenhuma das duas religiões da época (Católica e Celta). Lancelote não era um homem ligado aos cultos religiosos, embora pertencesse à linhagem real e tivesse a visão. Ele era apaixonado por Guinevere, antes mesmo desta se tornar rainha. A sua vida sempre foi regada por vitórias em batalhas e campeonatos.

Lancelote era o mais valoroso guerreiro do rei e o mais hábil domador de cavalos selvagens. Ele não tinha relacionamento com mulher alguma, pois aquela que ele amava não podia ser dele. Apesar desses fatos, ele casou com a filha do rei Pelles, Elaíne, com quem teve um filho (O futuro Dom Galaad) e, com isso, se afastou um pouco do reino de Camelot e da rainha Guinévera, com quem passou a ter encontros furtivos e a quem realmente pertencia o seu coração.

Na sua procura pelo Santo Graal, Lancelote encontrou uma cruz de mármore. Perto dessa cruz havia uma capela, sem entrada, mas que ele conseguia ver um brilhante castiçal de prata, com seis grandes velas. Perto dali ele foi dormir. E teve um estranho sonho: vinha um cavaleiro numa tenda, quase morrendo, pedindo ajuda ao cálice sagrado. Repentinamente ele viu o castiçal com as seis velas vir até a cruz de mármore, sem que ninguém o trouxesse. Veio também uma mesa de prata e o vaso sagrado com o Santo Graal. Ele tentou se levantar, mas estava imobilizado. O cavaleiro doente tocou no Santo Graal e se curou. Apossou-se do cavalo, do elmo e da espada dele. A razão desse infortúnio? Lancelote tinha um pecado mortal. Deus deu a ele muitas honras, força e beleza, porém Lancelote não demonstrou gratidão. Apenas batalhava para conseguir fama e por Guinévera, mas nunca pelo nome de Deus. Mas ele encontrou uma outra capela onde havia um ermitão que o ajudou a cortar seus pecados.

Os cavaleiros Dom Mordred e Dom Agrivaine, também da corte do Rei Artur, inventaram uma mentira para difamá-lo e expulsá-lo. Essa mentira dizia que Lancelote e Guinévera tinham um romance. O Rei Artur acreditou e Lancelote batalhou com eles, matando Agrivaine e ferindo seriamente Dom Mordred, que voltou para a corte para contar o que ele fez, a seu modo. Por engano, Lancelote matou também Gaheris e Gareth, irmãos deles. Dom Gawaine ficou ressentido por isso e jurou vingar-se de Lancelote. Artur o baniu do reino e ele foi para Baiona, na França, onde tinha muitas terras e repartiu-as entre seus partidários. Porém, o Rei Artur e Gawaine o perseguiram, sob influência de Gawaine, e invadiram as terras de Lancelote. Lancelote não quis lutar, porém foi forçado e lutou com Gawaine (Que triplicava suas forças das nove horas à meio-dia) e derrubou-o, mas não o matou. Isso se repetiu, até que eles desistirem e voltarem para Camelot. Artur nomeara Mordred o regente e guarda de Guinévera, enquanto estava na França, resolvendo o conflito. Fez mal, pois logo explodiu uma guerra. Gawaine ficou seriamente ferido, e escreveu uma carta a Lancelote, reconciliando-se. Artur matou Mordred, porém a espada deste atingiu seu crânio. Ele pediu ajuda à Dom Lancelote, mas não deu tempo e ele morreu. Lancelote voltou e ficou profundamente triste. Retirou-se para uma ermida em Glastonbury. Guinévera também retirou-se, para um convento em Amesbury, e logo morreu. Seu corpo foi trazido para Glastonbury, onde foi enterrada ao lado do que diziam que era o túmulo do Rei Artur. Lancelote caiu em depressão e morreu. Antes de morrer ele pediu que seu corpo fosse enterrado no seu castelo, o Castelo da Guarda Alegre. Durante seu velório, seu meio-irmão Dom Heitor de Maris, que estava procurando-o há anos, apareceu, e ficou tão triste quanto um mortal pode ficar.

Lancelote é o Valete de Paus no baralho.

Outras Mídias[editar | editar código-fonte]

Lancelote tem aparição na série de Anime Fate/Zero como Berserk.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Hunt, August. Lancelot and Guinevere (em inglês) Faces of Arthur. Visitado em 02 de novembro de 2014.
  2. Sir Lancelot, Biography : Lancelot
  3. Bruce, Christopher W. The Arthurian name dictionary (em inglês). Lancelot: Routledge, 1998. p. 305. ISBN 978-0-8153-2865-0.
  4. Goulven Péron, La légende de Lancelot du Lac en Anjou, Les Cahiers du Baugeois, n°92, março de 2012, pp.55-63, ISSN 0999 6001.