Lourdes Castro

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Lourdes Castro
Nascimento 9 de Dezembro de 1930
Funchal
Nacionalidade Portugal portuguesa
Área Artes Plásticas
Formação Escola de Belas Artes de Lisboa

Lourdes Castro (Funchal, 9 de Dezembro de 1930 — ) é uma artista plástica portuguesa.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Sombra Projectada de René Bertholo, 1965, Tinta sobre plexiglas.

Frequenta a Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, concluindo o curso em 1956. Expõe individualmente pela primeira vez em 1955, no Clube Funchalense, Funchal, participando também em algumas exposições coletivas em Lisboa.

Parte para Munique em 1957 e, pouco depois, instala-se em Paris com o marido, René Bertholo. No ano seguinte funda, juntamente com René Bertholo, Costa Pinheiro, João Vieira, José Escada, Gonçalo Duarte, Jan Voss e Christo, o grupo KWY, participando nas diversas iniciativas do grupo.

Em 1960 integra a mostra do KWY na SNBA, exposição que, segundo Rui Mário Gonçalves, marca o início dos anos 60 no panorama artístico português. Em 1972 e 1979 foi artista residente na DAAD (Deutscher Akademischer Austauschdienst), em Berlim. Depois de residir 25 anos em Paris, em 1983 regressou ao Funchal, onde vive atualmente. [2] [3]

Foi galardoada com os seguintes prémios: Medalha do Concelho Regional Salon de Montrouge, Paris, 1995; Prémio CELPA/Vieira da Silva, 2004; Grande Prémio EDP Lisboa, 2000. Está representada em diversas coleções, públicas e privadas, entre as quais: Victoria e Albert Museum, Londres; Museu de Arte Moderna, Havana; Museu de Arte Moderna, Belgrado; Museus Nacionais de Varsóvia, Vroclaw e Lódz; Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; Fundação de Serralves, Porto.[4]

Últimas grandes exposições individuais de Lourdes Castro: Sombras à volta de um Centro, Fundação Serralves, Porto, 2003; O Grande Herbário de Sombras, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2002. Em 2000, representou Portugal na XVIII Bienal de S. Paulo, juntamente com Francisco Tropa.[5]

Obra[editar | editar código-fonte]

Sombras projetadas (de Lourdes Castro e René Bertholo), Rue de Saints Pères, Paris, 1964

A sua obra dos primeiros anos parisienses caracteriza-se por uma forma de abstração "de raiz informalista" [6] . Esse registo "alterou-se completamente a partir de 1961. Nessa data abandonou, aliás, os suportes tradicionais da pintura. Sensível à coeva afirmação do Nouveau réalisme, apostou, num primeiro momento, na criação de objetos construídos, a partir da assemblage de bens de consumo de uso corrente" [7] , que aglomera em caixas, cobrindo-os depois com "uma camada uniforme de cor (prateados, dourados, azuis…) como se pudessem ser esculturas de matéria nobre e de uma só peça"; em cada trabalho ela "confronta o empobrecimento da forma e dos valores das coisas na sociedade contemporânea com a hipótese de uma alternativa poética. São estas obras tridimensionais que preparam a desmaterialização concretizada nas suas «sombras projetadas» "[8] . O conceito de sombra irá tornar-se central em praticamente toda a sua produção posterior; "sombras recortadas ou projetadas, teatros de sombras, sombras bordadas sobre lençóis fugazes, vários foram os modos e registos de que a artista se socorreu para relacionar essa perceção do imaterial com a necessária materialidade do espaço plástico"[9] .

Partindo de experiências ao nível da impressão serigráfica, começa a fixar silhuetas de amigos projetadas em tela. A partir de 1964 utiliza o plexiglas recortado, transparente ou colorido, em placas sobrepostas, de modo a dotar as sombras evocadas de sombras próprias, como acontece, por exemplo, em Sombra Projectada de René Bertholo, 1965.[10]

Em 1965 realiza um filme experimental com sombras e a partir do ano seguinte as silhuetas em movimento tornam-se no cerne dos seus "projetos de encenação, mais propriamente no teatro de sombras […]. Estas ações, inspiradas na tradição chinesa e nos happenings, tornaram-se mais frequentes após uma estada em Berlim, entre 1972 e 1973 […]. A colaboração de Manuel Zimbro efetivou-se nos anos imediatos, sendo os espetáculos As cinco Estações (1976) e Linha do Horizonte (1981) concebidas a duas mãos".[11]

"Depois de ter tirado as sombras da sombra, de lhes ter dado cor e transparência, uma vida independente" [12] , a artista inscreve-as em lençóis, através de bordado manual: "A surpresa do desenho de gente deitada, sombras projetadas na horizontal e não na vertical, […] tornou-se cada vez mais importante" [13] ; os contornos de silhuetas "presentificam corpos ausentes registados, afinal, como memória. A investigação [de Lourdes Castro] sobre a sombra sempre se cruzou, de resto, com a reflexão sobre o tempo e a memória. Veja-se o seu Álbum de Família (onde vem compilando imagens, pensamentos, excertos, relativos à sombra), a acumulação de pétalas de gerânio da sua Montanha de Flores, iniciada em 1988, ou ainda a Peça, que concebeu com Francisco Tropa para a Bienal de S. Paulo de 2000" [14] , onde um imenso pano branco "pousava sobre uma longa mesa fortemente iluminada de modo a sublinhar os vincos das dobras dessa cobertura"[15] .

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Lourdes Castro - Infopedia
  2. Gonçalves, Rui MárioRealismos e Abstracionismos. In: A.A.V.V. (coordenação Fernando Pernes) – Panorama Arte Portuguesa no Século XX. Porto: Fundação de Serralves; Campo de Letras, 1999, p. 207.
  3. Lourdes Castro. Galeria 111. Página visitada em 11-03-2014.
  4. Lourdes Castro. Galeria 111. Página visitada em 11-03-2014.
  5. Lourdes Castro. Galeria 111. Página visitada em 11-03-2014.
  6. Melo, Alexandre – Arte e artistas em Portugal. Lisboa: Bertrand Editora; Instituto Camões, p. 142. ISBN 978-972-25-1601-3
  7. Leal, Joana Cunha – Lourdes Castro. In: A.A.V.V. – Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão: Roteiro da Coleção. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2004. ISBN 972-635-155-3
  8. Pinharanda, João – Pinturas com luz: alguns pintores portugueses contemporâneos. Lisboa: EDP – Eletricidade de Portugal, S.A., 1997.
  9. Almeida, Bernardo Pinto de – Os anos sessenta, ou o princípio do fim do processo da modernidade. In: A.A.V.V. (coordenação Fernando Pernes) – Panorama Arte Portuguesa no Século XX. Porto: Fundação de Serralves; Campo de Letras, 1999, p. 217.
  10. Leal, Joana Cunha – Lourdes Castro. In: A.A.V.V. – Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão: Roteiro da Coleção. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2004, p. 132. ISBN 972-635-155-3
  11. Leal, Joana Cunha – Lourdes Castro. In: A.A.V.V. – Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão: Roteiro da Coleção. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2004, p. 132.
  12. Castro, Lourdes – Lourdes Castro. Lisboa: Galeria 111, 1969.
  13. Castro, Lourdes – Lourdes Castro. Lisboa: Galeria 111, 1969.
  14. Leal, Joana Cunha – Lourdes Castro. In: A.A.V.V. – Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão: Roteiro da Coleção. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2004, p. 133.
  15. Melo, Alexandre – Arte e artistas em Portugal. Lisboa: Bertrand Editora; Instituto Camões, p. 142.