Murad I

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Question book.svg
Este artigo não cita fontes confiáveis e independentes. (desde novembro de 2013). Por favor, adicione referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Conteúdo sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Osmanli-nisani.svg
Murad I
Sultão Otomano
Reinado 1362–1389
Predecessor Orhan I
Bayezid I Sucessor
Cônjuge Gülçiçek Hatun
Kera Tamara
Paşa Melek Hatun
Fülane Hatun
Fülane Hatun
Dinastia Otomana
Pai Orhan I
Nascimento 1326 (688 anos)
Bursa, Anatólia
Morte 28 de junho de 1389 (63 anos)
Kosovo, Bálcãs
Assinatura

Murad I, também chamado Murat I (Bursa, Anatólia, 1326 - Kosovo, Bálcãs, 28 de junho de 1389), foi o terceiro líder do Império Otomano (1359-1389), e o primeiro a tomar, oficialmente, o título de sultão (1383) em lugar de bey que pressupunha vassalagem a outro sultão (no caso, o dos Seldjúcidas do Rum, extintos pelos turcos Kahramans), muito embora seu pai Orhan I e seu avô Osmã já fossem popularmente aclamados sultões. Murad foi o sultão que fez do Império Otomano um império de fato, bi-continental, e reduziu o outrora Império do Oriente a protetorado tributário dos turcos.

Foi cognominado Hüdavendigâr, isto é, "Quase Como Um Deus" em Turco.

Conquista da Trácia[editar | editar código-fonte]

Situação dos Bálcãs e da Anatólia ao tempo da ascensão de Murad I ao poder, em 1359

Quando Murad assumiu o poder, em 1359, o Império do Oriente, tri-continental nos altos tempos de Justiniano I, reduzia-se, então, a um polígono entre o Egeu, o Mar de Mármara, o Bósforo, o Mar Negro, a cadeia de montanhas do Haimo e o Rio Estrimão, além das Ilhas Egeias e exclaves na Macedônia (Tessalônica e subúrbios) e no sul e sudeste da Grécia. Muito da ruína do velho Império do Oriente se devia menos aos Otomanos e mais às disputas internas pelo poder (como por exemplo o recente golpe de estado de João Cantacuzeno e o contra-golpe do deposto João Paleólogo, que provocou uma extenuante desordem social), a decisão de João VI Cantacuzeno, quando imperador, em buscar o apoio político dos Otomanos contra seus desafetos paleólogos (o que facilitou a infiltração dos turcos na Trácia bizantina), e ao avanço do Império Sérvio de Estêvão Duchan, rei eslavo que havia arrebatado a Bizâncio a Macedônia e largas partes da Grécia.

Aproveitando-se deste clima de instabilidade em Bizâncio, e valendo-se da cabeça-de-ponte da Península de Galípoli, conquistada por seu falecido irmão Salomão Paxá nos últimos anos do reinado de seu pai Orhan, Murad, audaciosamente, invadiu a Trácia e tomou Adrianópolis, da qual fez sua capital em 1365. Ainda, Murad avançou até o Estrimão, e até o alto do Rio Maritsa, onde capturou Filipópolis em 1364.

A reação Cristã-Ortodoxa, uma coalizão Balcânica sob a liderança do rei sérvio Vukašin Mrnjavčević, não tardou, mas estas forças cristãs foram destroçada pelos Otomanos, sob o comando do seu general Lala Shahin Paxá, nas ribeiras do Maritsa em 26 de setembro de 1371. Desde então ficou consolidado o domínio Otomano nas terras doravante chamadas pelos Turcos de "Província da Rumélia". O Império do Oriente ficaria reduzido a Constantinopla e seus arredores, às ilhas do Egeu e a alguns exclaves na Macedônia e na Grécia, e manteve sua sobrevida política tornando-se um estado vassalo e tributário dos Otomanos pelos últimos 80 anos de sua existência.

Guerras na Anatólia[editar | editar código-fonte]

Ao contrário do que ocorreu na Europa, já na Ásia Murad passou por momentos críticos: O malôgro da tentativa de anexação do estado turco de Germyian (ou Kermian) lançou o Sultanato Otomano numa guerra de 15 anos de duração contra uma coalizão de cinco estados muçulmanos do sudoeste da Anatólia (Germyian, Saruhan, Aydin, Mentese e Hamidali). Esses estados só seriam finalmente vencidos pelo filho de Murad, Bayezid. Teve, ainda, que defender-se dos turcos de Kahraman, do sul da Anatólia, e que embora vencidos por Bayezid em 1398, só deixariam de ser um problema para os Otomanos após serem aniquilados por Tamerlão no início do século XV.

Avanços nos Bálcãs[editar | editar código-fonte]

Após uma vitória parcial contra os Germyian (na Anatólia), Murad preferiu voltar às suas investidas nos Bálcãs. Capturou Sófia em 1384, privando os búlgaros de seu último território ao sul da cordilheira dos Balcãs, conquistou a Macedônia em 1388 e suas forças militares chegaram a fazer expedições até o Adriático, embora só muitos anos depois a Albânia e o Épiro viessem a ser incorporados. E embora tendo perdido duas batalha contra o knez Lázaro da Sérvia, em Bileca e Plochnik, conseguiu infligir um incrível estrago aos Sérvios na Batalha de Kosovo em 1389, evento que reduziu a Sérvia à condição de vassalo tributário dos turcos.

Legado[editar | editar código-fonte]

O mapa acima mostra a extensão do Império Otomano em terras europeias por volta de 1490, isto é, cem anos após a morte de Murad I. A Rumélia, conquistada para os Otomanos por Murad, corresponde às últimas terras governadas pelo Império Bizantino antes do surgimento dos Otomanos

Murad faleceu em junho de 1389, assassinado por um nobre sérvio, que o atacou, a traição, com um punhal envenenado, logo após a vitória no Kosovo. Ainda hoje sua tumba se encontra naquele país.

Se não conquistou o Império do Oriente, deu-lhe o golpe de morte, reduzindo-o a um descontínuo estado vassalo formado pela velha capital, ilhas no Egeu e exclaves na Grécia e na Macedônia.

Tornou o estado Otomano num império de fato, e estabeleceu oficialmente o título de Sultão para os líderes Otomanos pelos 540 anos seguintes.

Murad fez reformas administrativas e judiciárias, transferiu a capital de Bursa para Adrianópolis, e preferiu dividir todo o império em apenas duas províncias: Anatólia (a parte asiática) e Rumélia (a parte europeia).

Foi também Murad quem estabeleceu o corpo militar dos Janízaros, isto é, órfãos de guerra capturados dos nações conquistadas que eram criados como turcos muçulmanos e feitos soldados do Império Otomano. Apesar de sua origem não-Turca, vieram a se tornar não só na elite do exército otomano como também na elite dos servidores públicos do império.

Deixou para seu filho, e herdeiro, Bayezid, um Império com o dobro do tamanho do que recebera de seu pai Orhan, relativamente pacificado nos Bálcãs, mas em situação algo instável em suas fronteiras na Anatólia (Germyian e Kahraman).

Precedido por
Orhan I
Sultão Otomano
1359–1389
Sucedido por
Bayezid I