Notas do Subterrâneo

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Pintura de Monet

As Notas do subterrâneo também traduzido como Memórias do Subsolo ou Notas do Subsolo (em russo Записки из подполья, Zapíski iz pódpol'ia) é um pequeno romance de Fiódor Dostoiévski. Esta obra é considerada como a primeira obra existencialista do mundo [carece de fontes?]. Apresenta-se como um excerto das memórias de um empregado civil aposentado que vive em São Petersburgo. O livro é dividido em duas partes, e realmente muito pequeno quando comparado ao tamanho das outras obras-primas de Dostoiévski.

Este é um homem amargo, isolado, sem nome (chamado geralmente de Homem subterrâneo). Este personagem, que não menciona seu nome em nenhum momento, encena na primeira parte do romance, que leva o nome de "O subsolo", um grande solilóquio com a intenção de "comover" de alguma forma seu leitor. Este leitor é de suma importância que seja detectado na leitura, pois o discurso do narrador é "moldado" por seu receptor, dessa forma o seu solilóquio, na verdade, é uma grande evocação de discursos alheios que são parodiados de uma forma zombeteira e às avessas.

A personagem chega a dizer que é um homem mau, ou age como tal, mas que pode ser agradado e visto como uma pessoa de bem. Essa incapacidade de se livrar do peso moral o aflige. Diz que os homens sanguinários eram cultos e inteligentes (reforçando as ideias de Raskolnikov em Crime e Castigo), e que ele mesmo gostaria muito de encontrar um motivo para dar sentido a sua vida, como os chamados homens de ação. Ele conclui que "o melhor é não fazer nada".

Na segunda parte, nomeada de "A propósito da neve molhada", há três episódios que relatam de uma forma concreta como o nosso anti-herói é encurralado socialmente pelos discursos e ações de uma sociedade despótica. Essa narrativa é exposta com uma visão da consciência do protagonista, num dos melhores exemplos do recurso literário fluxo de consciência.

Pontos chave da primeira parte[editar | editar código-fonte]

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

Dostoiévski explora aqui ideias que aparecem com frequência em suas obras.

O subsolo aparece como sendo o subconsciente humano. É no subsolo que se encontra pensamentos e ideias que queremos esconder de todos, até de nós mesmos, e são esses pensamentos que comandam nossos atos:

"Todo homem tem algumas lembranças que ele não conta a todo mundo, mas apenas a seus amigos. Ele tem outras lembranças que ele não revelaria nem mesmo para seus amigos, mas apenas para ele mesmo, e faz isso em segredo. Mas ainda há outras lembrancas em que o homem tem medo de contar até a ele mesmo, e todo homem decente tem um consideravel numero dessas coisas guardadas bem no fundo. Alguém até poderia dizer que, quanto mais decente é o homem, maior o número dessas coisas em sua mente."

Para o homem culto e inteligente, o correto é não fazer nem ser nada, pois no fundo ele sabe que de nada adianta. Alguns poderiam acusá-lo de preguiça, mas até mesmo isso seria um elogio:

"Oh, se eu não fizesse nada unicamente por preguiça! Meu Deus, como eu me respeitaria então! Respeitar-me-ia justamente porque teria a capacidade de possuir em mim ao menos a preguiça; haveria, pelo menos, uma propriedade como que positiva, e da qual eu estaria certo. Pergunta: quem é? Resposta: um preguiçoso. Seria muito agradável ouvir isto a meu respeito. Significaria que fui definido positivamente; haveria o que dizer de mim. "Preguiçoso!" realmente é um título e uma nomeação, é uma carreira. Não brinqueis, é assim mesmo. Seria então, de direito, membro do primeiro dos clubes, e ocupar-me-ia apenas em me respeitar incessantemente."

O tema da inércia aparece por diversas vezes, argumentando sobre a impotência do ser humano perante as leis da natureza. O livre arbítrio também é questionado. O subsolo é seu subconsciente:

"O fim dos fins, meus senhores: o melhor é não fazer nada! O melhor é a inércia consciente! Pois bem, viva o subsolo! Embora eu tenha dito realmente que invejo o homem normal até a derradeira gota da minha bílis, não quero ser ele, nas condições em que o vejo (embora não cesse de invejá-lo. Não, não, em todo caso, o subsolo é mais vantajoso!) Ali, pelo menos, se pode… mas estou mentindo agora também. Minto porque eu mesmo sei, como dois e dois, que o melhor não é o subsolo, mas algo diverso, absolutamente diverso, pelo qual anseio, mas que de modo nenhum hei de encontrar! Ao diabo o subsolo!"

As citações aqui referem-se a tradução de Boris Schnaiderman direta do russo.

Gtk-paste.svg Aviso: Terminam aqui as revelações sobre o enredo.

Critica, recepção e influências[editar | editar código-fonte]

O Homem subterrâneo tornou-se uma influência para diversas personagens criadas em trabalhos posteriores. Um exemplo disso é Nikolai Levin, que é uma personagem do romance de Leo Tolstoi, Anna Karenina.

Tal e qual como a maioria dos romances de Dostoiévski foi bastante impopular, devido à rejeição dos ideais socialistas. Muitos críticos existencialistas, entre os quais, Jean Paul Sartre consideraram o romance como um precursor do pensamento existencialista e uma inspiração para as suas filosofias [carece de fontes?].

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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