Olacyr de Moraes

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Olacyr de Moraes
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Nome completo Olacyr Francisco de Moraes
Nascimento 1º. de abril de 1931
Itápolis, São Paulo
 Brasil
Filho(s) Ana Claudia de Moraes e Marcos de Moraes
Ocupação Empresário
Página oficial Site Oficial do Empresário

Olacyr Francisco de Moraes (Itápolis, São Paulo, 1º. de abril de 1931) é um empresário brasileiro que já foi o maior produtor individual de soja do mundo, feito esse que valeu a alcunha de "Rei da Soja" na década de 1980. Chegou a ter mais de 40 empresas atuando em diversos ramos, como construção civil, transporte, mineração, agronegócio, pecuário, geração de energia, financeiro, implementos agrícolas, armazenamento e estocagem de alimentos, ferroviário, entre outros. Foi o mais jovem brasileiro a ter um patrimônio superior a US$ 1 bilhão.1 Também foi recordista individual em plantação de milho no Brasil. Suas fazendas em conjunto com a EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) desenvolveram um novo tipo de grão de soja mais adaptado ao solo do cerrado e uma nova espécie de algodão que fez o Brasil passar de importador a exportador desse produto. Em fevereiro de 2011, Olacyr de Moraes descobre jazida de tálio em Barreiras, na Bahia, colocando o Brasil no seleto grupo de produtores desse metal. 2

Início de Carreira[editar | editar código-fonte]

Aos 14 anos começou a trabalhar auxiliando seu pai que era vendedor de máquinas de costura da Cia. SINGER, onde Olacyr cuidava da cobrança. Ao final da Segunda Guerra Mundial essa empresa encerrou suas atividades e seu pai recebeu uma indenização de 10 contos de réis pelos seus dez anos de trabalho. Com esse pequeno capital, o senhor Argeu Augusto de Moraes adquiriu uma pequena transportadora chamada "Expresso Foguete", cuja frota de entrega se resumia a apenas três caminhões Ford 29. Nessa empresa Olacyr passou a auxiliar em diversos setores, da parte mecânica, relações públicas à contabilidade. Em 1951, antes de completar 20 anos, Olacyr em sociedade com seu irmão Odimir e seu pai, começou a sua carreira empresarial constituindo a empresa de transporte de cargas Argeu Augusto de Moraes e Filhos Ltda visando o transporte urbano, interurbano e interestadual de cargas. Essa pequena empresa dispunha de alguns poucos caminhões velhos e para crescer e não perder os poucos clientes herdados da antiga empresa de seu pai, Olacyr decidiu contra a vontade dele - que era avesso a endividamentos -, financiar caminhões novos que possibilitariam prospectar novos clientes. A nova frota permitiu executar serviços como o transporte de pedras para a pavimentação de ruas e estradas para a Prefeitura de São Paulo. 3

CONSTRAN[editar | editar código-fonte]

Visando ampliar as atividades de sua empresa para atuar na construção civil, em 1957 Olacyr e seu irmão Odimir constituíam a empresa Construção e Transportes Constran Ltda, em uma sociedade de partes iguais. São Paulo não parava de crescer e a demanda da prefeitura por obras crescia a cada dia. Para dar conta de atender a demanda, todo lucro obtido na empresa era reinvestido em seu crescimento. Com histórico de bom serviço prestado, a Constran, foi conquistando o direito de executar diversas obras públicas, algumas bastante complexas e sofisticadas. Em 1971 a Constran foi transformada em uma S.A. e teve ampliado o objeto social. Com a injeção de capital, a Constran ampliou suas atividades e passou a atuar em todos os ramos de engenharia civil pesada passando a construir aeroportos, ferrovias, pontes e viadutos, emissários submarinos, usinas, portos e túneis. Uma das obras marcantes da empresa foi o trecho inicial da linha Norte/Sul do metrô de São Paulo (o primeiro metrô do Brasil). Os bons resultados obtidos pela Constran desde o início de suas atividades permitiram com que uma parte dos lucros da empresa fosse aplicado em outros setores. Uma delas foi o Banco Itamarati que visava dar maior prestígio e confiança às obras tocadas pela Constran.

Início do Agronegócio[editar | editar código-fonte]

Em 1966 com o objetivo de promover o desenvolvimento da região amazônica, o presidente Humberto de Alencar Castelo Branco criou a SUDAM (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia) com a finalidade de promover o desenvolvimento da região amazônica, oferecendo incentivos fiscais e financeiros especiais para atrair investidores privados àquela região. Em 1967, junto a um grupo de empresários, Olacyr cria a Orpeca S.A. cujo objetivo era a criação e a engorda de gado no norte do estado do Mato Grosso. O investimento era altamente arriscado, já que essa região era até então totalmente inóspita, sem nenhuma infraestrutura em meios de transporte, comunicação e recursos humanos. O pioneirismo de Olacyr deu resultados e pouco tempo depois ele assumiria o controle acionário dessa empresa e passaria a desenvolver outros projetos naquela região. Em 1973, iniciou uma bem sucedida atividade agrícola com a constituição da empresa Itamarati Agro Pecuária S.A., localizada na cidade de Ponta Porã, no estado do Mato Grosso do Sul. A Fazenda Itamarati contava com uma área total de 50 mil hectares onde eram cultivados principalmente soja, milho, arroz, trigo e algodão. Uma área menor da fazenda era destinada a estudos, produção e desenvolvimento de sementes certificadas de arroz, soja, trigo, algodão, feijão, girassol e sorgo. Como o solo da região não era o ideal para as espécies de soja produzidas no Brasil, Olacyr teve que investir muito em pesquisa com a colaboração de um convênio feito com a EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e a Universidade Federal de Viçosa. Foram desenvolvidas mais de 3.000 linhagens diferentes de soja e trigo, até achar a que melhor se adaptaria e geraria maior produtividade na região. O resultado final foi uma variante de soja que gerava um total de 48% de proteínas em relação ao seu peso, contra 44% da soja produzida nos Estados Unidos. Em 1975 no município de Diamantino (MT), cerca de 200 km de Cuiabá, Olacyr inaugurou a empresa Itamarati Norte S/A que ocupava uma área total de 110. 000 hectares onde passou a produzir principalmente soja, milho e algodão. As técnicas de otimização desenvolvidas pelas suas empresas foram tão bem sucedidas que as Fazendas Itamarati obtiveram recordes de produção o que levou a Olacyr receber a alcunha 'Rei da Soja' nos anos 80, por ser na época o maior produtor individual de soja do mundo. Nas fazendas de seu grupo foi montada toda uma infraestrutura para servir aos funcionários que ali moraram e se estabeleceram. Haviam por exemplo, hospitais e médicos nas próprias fazendas, com toda estrutura para atender as necessidades de seus funcionários. Os trabalhadores solteiros contavam com alojamentos parecidos com hotel, com portaria, recepção e chave de seu quarto. Já os casados recebiam uma casa com água, luz e esgoto por conta da empresa. A alimentação era fornecida pelo sistema 'bandejão' no restaurante aos funcionários que ali trabalhavam e aos trabalhadores do campo eram fornecidas a mesma comida em embalagens tipo marmita de alumínio. Essa dedicação aos trabalhadores de suas empresas foi reconhecida pelos seus funcionários: enquanto comandou essas empresas, nunca houve uma só greve ou manifestação exigindo nada a mais por parte dos trabalhadores mesmo nos turbulentos anos 80 onde sindicatos promoviam greves em ritmo quase industrial. 3

Diversificação de Negócios[editar | editar código-fonte]

Em 1979, Olacyr diversifica ainda mais suas operações inaugurando a empresa ‘Calcário Tangará’ na cidade de Tangará da Serra, também no estado do Mato Grosso, e, em 1985, funda a Calcário Itamarati na cidade de Bela Vista, no estado do Mato Grosso do Sul. Ambas empresas visavam à produção e comercialização de calcário para correção de solos destinados à agropecuária. A capacidade de produção nessas duas empresas era superior a 1.400.000 toneladas por ano. A partir de 1980, no Chapadão do Parecis, município de Nova Olímpia (MT), construiu e operou a empresa Usinas Itamarati S/A, proprietária de aproximadamente de 100.000 ha de terras no estado de Mato Grosso, cultivando principalmente cana-de-açúcar em terras próprias e de terceiros. Anos depois, a ‘Usinas Itamarati’ produziu sozinha acima de sete milhões de toneladas de cana que resultaram em mais de 6,3 milhões de sacos de açúcar, 211 milhões de litros de álcool anidro e 128 milhões de litros de álcool hidratado, tornando-se assim a primeira empresa no mundo em quantidade de cana esmagada por safra. Em 1986, constitui a empresa ‘Itamarati Armazéns Gerais’, oferecendo armazenagem e conservação de grãos para o que era produzido na região Centro Oeste. 3

Algodão ITA 90[editar | editar código-fonte]

Foi também no Chapadão do Parecis que em 1989 Olacyr iniciou um programa de melhoramento genético do algodão brasileiro. Até o começo da década de 90 o Brasil era um grande importador de algodão. Os poucos cultivares que existiam por aqui era de baixa qualidade, baixa produtividade e muito sensível a pragas e doenças diversas. As fazendas Itamarati de Olacyr de Moraes, junto com a EMBRAPA, desenvolveram no começo de 1990 a espécie de algodão ITA 90 (Ita, de Itamarati e 90, pelo ano de seu desenvolvimento), um tipo de algodão com maior resistência a ramulose, mancha de ramulária e pinta preta, algumas das doenças mais comuns no algodão brasileiro e de maior produtividade. O ITA 90 representou uma verdadeira revolução na cultura de algodão no Brasil. O seu rendimento de fibras fica em torno de 30 a 39%, além de apresentar excelentes características tecnológicas de fibras, com resistência forte (30,0 gf/tex) , comprimento no HVI-SL 2,5% de 30,2 mm, espessura de 4,2 a 4,5 mm, refletância de 72%, grau de amarelecimento de 7,9 e fiabilidade (CSP) entre 2.200 a 2.500. Graças à criação do ITA 90 e seus posteriores aperfeiçoamentos, o Brasil passou de grande importador para grande exportador de algodão. Passados mais de 20 anos o ITA 90 ainda é o cultivar mais plantado no cerrado brasileiro, com mais de 50% da área cultivada. Em alguns estados como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul chega a ocupar mais de 85% da área. Com o ITA 90 os produtores têm obtido alta produtividade, com rendimentos médios de 300 @/ha chegando até 400 @/ha em algumas lavouras da região. 4

Usinas Juba I e II[editar | editar código-fonte]

Para aumentar a capacidade de produção de energia em Mato Grosso, no início da década de 90 Olacyr fez um acordo com o governo desse estado onde ele construiria duas usinas hidrelétricas para abastecer suas fazendas e, a energia elétrica excedente, seria vendida a CEMAT, concessionária de energia do estado, com o compromisso de que o governo de Mato Grosso investisse nas linhas de transmissão de energia. As usinas JUBA I em Tangará da Serra (MT) e JUBA II em Barra do Bugres (MT), ambas montadas no Rio Juba e com capacidade total instalada de 84 megawatts, ficaram prontas no prazo mas o governo estadual demorou para cumprir sua parte e as hidrelétricas ficaram paradas por mais de um ano. 3

Ferronorte[editar | editar código-fonte]

Uma boa parte da enorme quantidade de grãos produzidos nas fazendas de Olacyr no cerrado brasileiro se destinava à exportação. O maior problema estava no transporte desses grãos ao porto mais próximo, o de Santos, no litoral de São Paulo. Os altos custos de frete encareciam o preço do produto final de todas as mercadorias produzidas na região, tanto pelas fazendas de Olacyr como as de outros produtores que também produziam no cerrado. Uma solução vislumbrada por Olacyr era a de criação de uma ferrovia interligando grandes áreas produtoras ao Sudeste tal como foi proposta originariamente pelo escritor e engenheiro Euclides da Cunha em 1901. Em dezembro de 1987 foram iniciados o estudos de viabilidade e os resultados encaminhados ao governo federal em 15 de abril de 1988. Em 22 de setembro do mesmo ano, foi constituída a Ferronorte, S. A. - Ferrovias Norte Brasil, com o propósito de ligar Porto Velho (RO) e Santarém (PA) ao porto de Santos passando por Cuiabá (MT) com uma interligação com a FEPASA em Santa Fé do Sul (SP). Uma obra de tamanha magnitude exigia um grande aporte financeiro de Olacyr em um trabalho em perfeita sinergia com os governos estaduais cujos territórios a ferrovia atravessasse. Para viabilizar a Ferronorte, foi acordado que o governo do Estado de São Paulo bancaria o custo de construção de uma Ponte Rodoferroviária sobre o Rio Paraná ligando Mato Grosso do Sul a São Paulo unindo a cidade sul-matogrossense de Aparecida do Taboado à cidade paulista de Rubinéia ligando as rodovias Euclides da Cunha (SP-320) e BR-158 e, as empresas de Olacyr bancariam os custos do trecho ferroviário o que o obrigou a pedir um vultoso empréstimo bancário. Olacyr cumpriu a parte que lhe coube, mas o governo do Estado de São Paulo, não. Somente na gestão do governo Fernando Henrique Cardoso na presidência da República é que houve uma intervenção federal em parceria com o governo estadual de Mario Covas para que a ponte fosse concluída em 29 de maio de 1998. 5

Metais Nobres[editar | editar código-fonte]

Em 2002 Olacyr funda a ITAOESTE Serviços e Participações uma empresa de pesquisa e desenvolvimento mineral com foco em produtos de alto valor agregado. A atividade minerária desenvolvida pela empresa tem impacto direto não apenas no setor extrativista em si, mas novamente no desenvolvimento agrícola nacional, alavancado por corretivos de solo, como o calcário, insumos a base de cobre e manganês ou ainda fertilizantes naturais, como no caso do silicato de cálcio - wollastonita - produto hoje 100% importado - apontado como referência potencial em culturas como as de cana de açúcar e arroz, entre várias outras. 6 A Itaoeste tem concentrado suas pesquisas em São Paulo, Piauí e Bahia onde tem descoberto minas de manganês, cobalto, ferro, titânio, ouro, cobre, tálio, entre outros.

Referências

  1. O Drama de Olacyr, por Leonardo Attuch. Revista IstoÉ - Dinheiro, ed. 01/09/2004
  2. Descoberta jazida de metal raro na Bahia, por Sabrina Craide. Revista Exame, 19/02/1011
  3. a b c d Aquino, Cleber. (8522406944) História Empresarial Vivida, São Paulo, Gazeta Mercantil, 1986
  4. Cultura do Algodão no Cerrado, Embrapa, Jan/2003
  5. Arquivo PDF - Ferronorte S. A. - Ferrovias Norte Brasil, Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários - ANTF
  6. Site Itaoeste Itaoeste Serviços e Participações LTDA

Ligações Externas}}[editar | editar código-fonte]