Pied-noir

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Símbolo usado pelas asscociações pós-independência.

Pied-Noir (Pronúncia francesa: [pjenwaʁ], Pé-Negro), plural Pieds-Noirs, é um termo usado para fazer referência aos cidadãos franceses, e outros de ascendência europeia, que viveram na Norte de África francês, nomeadamente a Argélia francesa, o Protetorado Francês do Marrocos ou o Protetorado Francês da Tunísia, por várias gerações, até ao fim da governação francesa no norte Africa entre 1956 e 1962. Em particular, o termo Pieds-Noirs é utilizado para aqueles cidadãos descendentes de europeus "regressaram" a França assim que a Argélia se tornou independente, ou nos meses seguintes.[1] [2]

Os europeus chegaram à Argélia, como imigrantes, a partir da zona ocidental do Mar Mediterrâneo (em particular de França, Espanha, Itália e Malta), desde 1830. A expressão também é, por vezes, usada para incluir os sefarditas, que se tinham estabelecido no Magrebe, bem antes de 1830, mas muitos dos quais também emigraram após 1962. A partir da invasão francesa de 18 de Junho de 1830, até à sua independência, a Argélia fazia parte administrativa de França (“departamentos franceses” em 1848), e a sua população europeia era designada por argelinos ou colons (colononos), enquanto que os cidadãos muçulmanos da Argélia eram chamados de árabes, indígenas muçulmanos; os muçulmanos chamavam-lhes de roumis ou gaouris.

O termo Pieds-Noirs começou a ser utilizado pouco depois do fim da guerra de independência da Argélia em 1962. De acordo com o ultimo censo na Argélia, realizado a 1 de Junho de 1960, existiam 1 050 000 de cidadãos não-muçulmanos (10% do total da população, incluindo 130 000 judeus argelinos).[3]

Durante a Guerra da Argélia, os Pieds-Noirs apoiaram a administração colonial francesa na Argélia, sendo opositores dos grupos nacionalistas argelinos, tais como Frente de Libertação Nacional (FLN) e o Movimento Nacional Argelino (MNA). As raízes do conflito têm origem nas desigualdades políticas e económicas com origem na governação francesa, tal como a procura de uma posição de liderança para as culturas e regras berbere, árabe e islâmica que existiam antes da conquista francesa. O conflito contribuiu para a queda da Quarta República Francesa e do êxodo em massa de europeus e judeus argelinos para França.[2] [4]

Depois da independência da Argélia em 1962, cerca de 800 000 Pieds-Noirs de nacionalidade francesa foram evacuados para França, enquanto 200 000 decidiram permanecer na Argélia. Destes últimos, cerca de 100 000 ainda viviam no país e, no final da década de 1960, eram 50 000 os que ainda lá viviam.[5]

Aqueles que partiram para França foram vítimas do ostracism da esquerda, devido à alegada exploração dos nativos muçulmanos, e alguns culparam-nos pela guerra, dando origem, assim, a uma turbulência política que levou ao colapso da Quarta República Francesa.[2] Na cultura popular, a comunidade é muitas vezes representada como tendo sido retirada da cultura da França e pertencendo à da Argélia.[2] [4] Assim, a história recente dos pieds-noirs tem sido marcada por um duplo sentimento: afastamento da sua terra-natal; e da sua terra de adopção. Embora a expressão rapatriés d'Algérie (“repatriados da Argélia”) tenha inerente o facto de, em tempos passados, terem vivido em França, eles nasceram na Argélia, e muitas famílias ali viveram durante várias gerações.

Alguns pieds-noirs célebres[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. "pied-noir". Oxford English Dictionary, 2nd Edition XI. (1989). Oxford, United Kingdom: Clarendon Press.  799. ISBN 0-19-861223-0 
  2. a b c d Naylor, Phillip Chiviges. France and Algeria: A History of Decolonization and Transformation. [S.l.]: University Press of Florida, 2000. 9–23, 14 pp. ISBN 0-8130-3096-X
  3. Cook, Bernard A.. Europe since 1945: an encyclopedia. New York: Garland, 2001. 398 pp. ISBN 0-8153-4057-5
  4. a b Smith, Andrea L.. Colonial Memory And Postcolonial Europe: Maltese Settlers in Algeria And France. [S.l.]: Indiana University Press, 2006. 4–37, 180 pp. ISBN 0-253-21856-X
  5. "Pieds-noirs": ceux qui ont choisi de rester, La Dépêche du Midi, Março de 2012