Reservoir Dogs

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Reservoir Dogs
Cães Danados (PT)
Cães de Aluguel (BR)
 Estados Unidos
1992 • cor • 99 min 
Direção Quentin Tarantino
Produção Lawrence Bender
Roteiro Quentin Tarantino
Elenco Harvey Keitel
Michael Madsen
Chris Penn
Steve Buscemi
Lawrence Tierney
Edward Bunker
Quentin Tarantino
Tim Roth
Género Ação, policial
Idioma inglês
Lançamento 21 de janeiro de 1992 (Festival de Sundance)[1]
Estados Unidos 23 de outubro de 1992[2]
Portugal 14 de maio de 1993[1] Brasil 4 de junho de 1993
Página no IMDb (em inglês)
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Reservoir Dogs (Cães Danados (título em Portugal) ou Cães de Aluguel (título no Brasil)) é um filme americano de 1992 escrito e dirigido por Quentin Tarantino. Estrelado por Harvey Keitel, Steve Buscemi, Michael Madsen, Tim Roth e Chris Penn, o filme retrata os eventos anteriores e posteriores a um mal sucedido roubo de diamantes (embora não mostre o roubo propriamente dito), praticado por cinco homens que não se conhecem e que se referem uns aos outros através de nomes de cores.

É o primeiro filme da carreira de Quentin Tarantino e incorpora elementos que viriam a se tornar marcas registradas do diretor, como crimes violentos, referências à cultura pop, narrativa não-linear, trilha sonora eclética e constante uso de palavrões em seus diálogos. Tarantino conseguiu financiar a sua produção através da venda do roteiro de True Romance, bem como pela adesão de Harvey Keitel ao projeto; com a entrada do ator, o diretor foi capaz de captar $1.5 milhões para o desenvolvimento do filme.

Apesar de não ter recebido muita divulgação à época de sua estreia e ter emplacado uma bilheteria modesta nos Estados Unidos, Reservoir Dogs ganhou destaque após o lançamento de Pulp Fiction, obra subsequente de Tarantino, tornando-se um filme cult e sendo enaltecido como um clássico do cinema independente, tendo sido eleito "o maior filme independente de todos os tempos" pela revista Empire.

Enredo[editar | editar código-fonte]

O filme se inicia com oito homens tomando café em um restaurante. Seis deles vestem ternos combinando e usam apelidos: Mr. Blonde (Michael Madsen), Mr. Blue (Edward Bunker), Mr. Brown (Quentin Tarantino), Mr. Orange (Tim Roth), Mr. Pink (Steve Buscemi) e Mr. White (Harvey Keitel). Com eles está Joe Cabot (Lawrence Tierney), um gângster de Los Angeles, e seu filho "Cara Legal" Eddie Cabot[nota 1] (Chris Penn). Mr. Brown discorre sobre a sua análise de "Like a Virgin", da cantora Madonna, enquanto Joe se irrita com Mr. White após discutirem sobre sua agenda de endereços e Mr. Pink defende a sua política anti-gorjeta — até Joe forçá-lo a deixar uma gorjeta para a garçonete.

A cena corta para o interior de um carro em alta velocidade. Mr. White, dirigindo com uma mão, tenta consolar Mr. Orange, que levou um tiro no abdômen e sangra enquanto, delirando, grita. Eles chegam a um depósito abandonado, o ponto de encontro dos ladrões. Mr. White segura um visivelmente amedontrado Mr. Orange em seus braços até Mr. Pink aparecer. Ele raivosamente sugere que o assalto a uma joalheria, orquestrado por Joe Cabot, foi uma armação da polícia, dada a rápida resposta dos policiais ao alarme. Mr. White concorda e eles contrastam as suas histórias do ocorrido. A cena corta para o Mr. Pink escapando com os diamantes. Mr. White revela à Mr. Pink que Mr. Brown foi baleado e assassinado pela polícia, e os paradeiros de Mr. Blonde e Mr. Blue são desconhecidos para ambos. O filme, então, retrocede para uma cena indicando que Mr. White é um amigo de longa data de Joe Cabot.

Após cuidarem de um Mr. Orange inconsciente, os dois homens discutem as ações do psicopata Mr. Blonde, que assassinou diversos civis depois que o alarme fora disparado. Mr. White está furioso pela decisão de Joe de empregar um psicopata e concorda com a possibilidade de uma armação. Mr. Pink revela que ele escondera os diamantes em um local seguro. Eles discutem violentamente sobre levar ou não Mr. Orange a um hospital, quando Mr. White revela que havia revelado ao idealizador o seu verdadeiro primeiro nome. Mr. Blonde, que assistia tudo à distância, se adianta e encerra a disputa. White, raivosamente, repreende Blonde pela violência empregada na joalheria, enquanto Blonde, calmamente, rejeita a sua crítica. Ele diz à White e Pink para não abandonarem o ponto de encontro, uma vez que "Cara Legal" Eddie está a caminho. Mr. Blonde os convida a verem algo que está no porta-malas do carro, estacionado do lado de fora do depósito. Quando eles chegam ao carro, Mr. Blonde abre o porta-malas e revela um policial capturado, chamado Marvin Nash (Kirk Baltz). A ação do filme retrocede, revelando que Mr. Blonde se envolveu com o roubo devido à sua amizade com "Cara Legal" Eddie.

Os três homens nocauteiam o policial e mandam que ele os conte quem é o informante. Ele protesta e diz não saber. Isso continua até que um furioso Eddie chega ao depósito. Após repreender os homens pela carnificina e incompetência mostradas no roubo, ele ordena que Mr. Pink e Mr. White o ajudem a recuperar os diamantes roubados e a se livrarem dos veículos sequestrados. Ele manda o Mr. Blonde ficar com Marvin e com Mr. Orange, o qual está lentamente morrendo.

Quando ele está sozinho com Mr. Blonde, Marvin conta a ele que só é policial há oito meses, o que lhe impede de saber sobre as armações policiais. Mr. Blonde responde que não está interessado no que o policial faz, tampouco no que ele não sabe, e admite que deseja torurar Marvin por nenhuma outra razão senão o seu próprio prazer. Blonde liga o rádio e faz uma dança ameaçadora ao som de "Stuck in the Middle With You", do grupo Stealers Wheel, antes de cortar o rosto de Marvin com uma navalha, decepando sua orelha direita. Ele então provoca Marvin ao levantar a orelha decepada e dizer "Hey, o que está acontecendo?"[nota 2] , perguntando ao policial se ele consegue ouvi-lo, rindo sarcasticamente. Blonde volta ao carro e pega um recipiente de combustível. Quando retorna, joga gasolina em Marvin, fazendo um pequeno rastro do combustível restante na frente do policial. Assim que está prestes a soltar o isqueiro sobre o rastro de gasolina, Mr. Orange dispara diversas vezes contra Blonde, matando-o, e salvando Marvin de morrer queimado, deixando-os sozinhos no depósito. Mr. Orange revela à Marvin que ele é um policial chamado Freddy Newandyke, e Marvin diz que está preocupado com isso, pelo fato de o ter conhecido alguns meses antes. Mr. Orange tranquiliza Marvin ao dizer que uma grande força policial está em posição a algumas quadras dali, esperando apenas pelo momento da chegada de Joe Cabot.

Uma série de flashbacks mostra o envolvimento de Mr. Orange em operações policial para capturar Joe, além do desenvolvimento de sua amizade com Mr. White. A cena corta para Mr. Brown sendo assassinado com um tiro na cabeça enquanto tenta escapar com Orange e White; Mr. Orange sendo baleado no estômago pela motorista do carro que ele roubou junto do Mr. White; e Mr. Orange atirando e matando a mulher, após ela atirar nele.

Os restantes do grupo do assalto retornam para o depósito e encontram Mr. Blonde morto. Mr. Orange diz que Mr. Blonde ia matar Marvin, ele, e o resto da gangue, assim que eles chegassem, para que pudesse ficar com os diamantes para si. Devido às ações durante o roubo, Mr. White e Mr. Pink acreditam em Mr. Orange. Todavia, Eddie, enfurecido, não acredita; ele saca sua arma e atira três vezes em Marvin. Eddie, então, conta à Orange que Blonde era um amigo muito próximo e pessoal seu, que sempre fora leal a ele e seu pai, mesmo quando esteve preso por quatro anos. Eddie raivosamente ordena que contem a verdade sobre o que aconteceu com Mr. Blonde, enquanto Orange se enrola para justificar suas ações. Joe chega e, após informar o grupo de que Mr. Blue fora morto, acusa Mr. Orange de ser um informante, forçando Mr. White a defender o seu amigo. Joe está prestes a executar Orange quando White reage sacando sua arma e apontando-a para Joe, ameaçando matá-lo caso ele atire; Eddie reage apontando sua arma para Mr. White, ordenando que ele a abaixe. Estabelece-se um impasse mexicano. Subitamente, Joe atira em Mr. Orange, ferindo-o novamente; em resposta, Mr. White atira em Joe, matando-o; e, em retaliação, "Cara Legal" Eddie" atira em Mr. White, ferindo-o; finalmente, Mr. White atira em Eddie, matando-o.

Mr. Pink, que se escondera sob as escadas para escapar do tiroteio, pega os diamantes e foge do depósito. Logo, sirenes policiais e gritos são ouvidos do lado de fora, seguidos de diversos tiros e gritos indistintos de Mr. Pink, dizendo para não atirarem. Enquanto Mr. White pega Mr. Orange nos braços, Orange revela que ele é, de fato, um policial disfarçado. Isso acaba com Mr. White, que começa a soluçar de frustração, apontando sua arma para a cabeça de Mr. Orange. A polícia entra no depósito (com a câmera focando a face de Mr. White), ordenando que ele largue sua arma; o filme termina com o som de um tiro, nao dando a entender se white atirou em orange, ou se a policia atirou em white, ou se ambos aconteceram.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Produção[editar | editar código-fonte]

Tarantino estava trabalhando na Video Archives, uma locadora de filmes em Manhattan Beach, Califórnia e, originalmente, iria gravar o filme em 16 mm, com um orçamento de trinta mil dólares[3] , com o produtor Lawrence Bender interpretando Nice Guy Eddie. Entretanto, quando o ator Harvey Keitel se envolveu com o projeto, ele concordou em atuar e co-produzi-lo.[4] Keitel foi, então, escalado como Mr. White. Com a ajuda do ator, puderam angariar um milhão e meio de dólares para o filme.[5]

De acordo com Tarantino, Reservoir Dogs foi a sua versão para The Killing, de Stanley Kubrick. O próprio Tarantino disse que "[...] não saiu do meu caminho fazer uma versão de The Killing, mas eu o vejo como o meu Killing, o meu take nesse tipo de filme de roubo."[5] O enredo do filme foi sugerido por Kansas City Confidential, de 1952. Adicionalmente, The Big Combo, de Joseph H. Lewis, inspirou a cena em que o policial Marvin é torturado na cadeira.[6] Tarantino negou que tenha cometido plágio com Reservoir Dogs, afirmando que, ao invés disso, ele prestou homenagens.[7] Ademais, os nomes dos personagens principais serem nomes de cores já havia sido visto em The Taking of Pelham One Two Three, de 1974.

Uma característica única de Reservoir Dogs é que o roubo propriamente dito nunca é mostrado. Tarantino disse que a razão por não mostrar o roubo foi inicialmente orçamentária, mas que ele sempre gostara da ideia de não exibi-lo. Ele disse que essa técnica faz com que o espectador perceba que o filme é "sobre outras coisas".[5] Ele comparou isso ao trabalho de um novelista, e disse que queria o filme para ser sobre algo que não é visto, querendo "brincar com um relógio em tempo real, em oposição ao relógio do filme".[8]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Reservoir Dogs estreou em 19 cinemas, arrecadando $147.839 nos Estados Unidos. O filme nunca ultrapassou a marca de 61 cinemas no país e, ainda assim, arrecadou $2.832.029.[2] O sucesso de Reservoir Dogs aumentou com a popularidade de Pulp Fiction, o filme seguinte de Tarantino, lançado em 1994. Todavia, foi um sucesso imediato na Grã-Bretanha e, devido ao seu sucesso nesse país, o filme foi inserido no Festival Sundance de Cinema. A revista Empire nomeou-o "Melhor Filme Independente já feito"[9] , o que tornou-o um importante e altamente influente filme do cinema independente.[10] Reservoir Dogs tem uma avaliação de 96% no Rotten Tomatoes[11] e um índice de 78/100 no Metacritic, baseado em 23 críticas, em sua maioria favoráveis.[12]

O filme tem inspirado diversos outros filmes independentes, sendo considerado fundamental no desenvolvimento dessa vertente.[13] Kaante, de 2002, filme bollywoodiano do diretor Sanjay Gupta, é considerado um remake não-autorizado de Reservoir Dogs, contando com enredo e diálogos parecidos.[14] Reservoir Dogs foi também exibido no Festival de Cannes de 1992, embora não estivesse competindo.[15]

Notas e referências

Notas

  1. Tradução livre para "Nice Guy" Eddie Cabot
  2. Tradução livre para "Hey, what's going on?"

Referências

  1. a b Reservoir Dogs (em inglês) no Internet Movie Database
  2. a b Reservoir Dogs (em inglês) no Box Office Mojo
  3. Taubin, Amy. "The Men's Room". Sight and Sound.
  4. McKenna, Kristine (18 de novembro de 1992). "Harvey Keitel". Movies; Leaps of Faith; Harvey Keitel's Search for God Often Involves Confronting his Darker Self; Case in Point; "Reservoir Dogs" (LA Times)
  5. a b c Hartl, John (29 de outubro de 1992). `Dogs' Gets Walkouts And Raves (em inglês) The Seattle Times. Visitado em 25 de junho de 2011.
  6. Hughes, Howard. Crime Wave: The Filmgoers' Guide to the Great Crime Movies (em ). Londres: I.B. Tauris, 2006. p. 186. ISBN 1845112199.
  7. de Vries, Hillary (11 de setembro de 1994). ""Cover Story; A Chat with Mr. Mayhem; Quentin Tarantino Quickly Acquired Quite the Reputation for Violence; His 1992 Film, "Reservoir Dogs", was a Cult Hit, Now Comes "Pulp Fiction". Is he Trying to Outgun Himself or all of Hollywood?". Los Angeles Times
  8. Botting, Fred; Wilson, Scott (1998). By Accident: The Tarantinian Ethics (em inglês). Visitado em 25 de junho de 2011.
  9. Dirks, Tim. Empire's 50 Greatest Independent Films (em inglês). Visitado em 25 de junho de 2011.
  10. Gormley, Paul. The New-brutality Film: Race and Affect in Contemporary Hollywood (em ). [S.l.]: Intellect Ltd.. p. 137—139. ISBN 1841501190.
  11. Reservoir Dogs (em inglês) no Rotten Tomatoes
  12. Reservoir Dogs (em inglês) no Metacritic
  13. Persall, Steve (27 de agosto de 2002). The Reservoir' watershed (em inglês) St. Petersburg Times. Visitado em 25 de junho de 2011.
  14. Kehr, David. (20 de dezembro de 2002). "Film Review: Shot in Los Angeles, But Bombay All the Way". The New York Times. Seção E; Parte 1; Coluna 5; Movies, Performing Arts/Weekend Desk; página 32.
  15. Festival de Cannes: Reservoir Dogs festival-cannes.com. Página visitada em 25 de junho de 2011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]