Rodolfo Teófilo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Farmaceutico Rodolfo Marcos Teófilo.

Rodolfo Marcos Teófilo (Salvador, 6 de maio de 1853Fortaleza, 2 de julho de 1932)[1] foi um escritor brasileiro de estética literária regional-naturalista, além de poeta, documentarista, contista e articulista.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Pobre e órfão, foi educado pelo Barão de Aratanha que o matriculou no Ateneu Cearense, contudo, deixou os estudos para ser caixeiro-viajante.[1] Formado farmacêutico, em 1875, pela Faculdade de Medicina da Bahia, estabeleceu-se no Ceará[2] , desenvolvendo logo o pendor para o cientificismo característico na sua obra.

Casa onde viveu Rodolfo Teófilo em Maracanaú, Ceará.

Diplomado, dirigiu uma farmácia em Pacatuba, depois na capital. Foi mais tarde professor de ciências naturais na Escola Normal e membro de diversas sociedades culturais. Sua obra ficou marcada pelo exagero em que é mostrada a seca no nordeste e os tipos flagelados caracterizados com excesso.

Empreendeu, sem apoio governamental, uma campanha de vacinação contra a epidemia de varíola que se alastrava na cidade. Por causa disso, foi perseguido durante o governo de Antônio Pinto Nogueira Accioli, do qual era opositor, acusado de desmoralizar a autoridade que estava totalmente alheia ao sofrimento do povo cearense.

Tomou parte dos movimentos literários do Ceará, tendo pertencido, desde 1894, à Padaria Espiritual, entidade de fins literários e artísticos que se fundara em Fortaleza, dois anos antes, com o nome de "padeiro" Marcos Serrano. Foi historiador e romancista.

Foi membro fundador da Academia Cearense de Letras. É considerado um dos principais expoentes da literatura regional-naturalista do Brasil e um dos maiores nomes da literatura do Ceará. Em sua homenagem, o Centro Acadêmico de Farmácia da Universidade Federal do Ceará tem o seu nome.

Segundo Rachel de Queiroz, a ele se deve a "invenção" da cajuína, bebida não-alcoólica popular em todo o nordeste brasileiro.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Grande benemérito no Ceará, onde viveu toda a vida, nasceu o contista, romancista, poeta e documentarista, um dos maiores expoentes da literatura regional-naturalista brasileira, na Bahia, em 6 de maio de 1853. Filho e bisneto de médicos, cedo ficou órfão, tendo de trabalhar como caixeiro para o próprio sustento e foi para o Ceará com apenas 15 dias de idade. Voltou à Bahia e Formou-se em Farmácia em 1875, pela Faculdade de Medicina da Bahia. Participou ativamente da campanha abolicionista no Ceará, primeira província brasileira a declarar livres os seus escravos. Foi Padeiro-Mor (presidente) da Padaria Espiritual, em sua terceira gestão. Autor de diversos livros, dedicou-se aos mais diferentes gêneros. A partir de 1900, até o final da vida Empreendeu uma batalha pessoal contra a varíola, lutando contra o medo da vacina, sem recursos, em tempo de seca, fome, da migração em massa e em péssimas condições de higiene. Sem apoio do poder público, enfrentou praticamente sozinho, em duas oportunidades, epidemias de varíola que vitimou milhares de pessoas em Fortaleza e interior do Ceará, no final do século XIX e início do século XX. A cólera vitimou quase um terço dos seis mil habitantes de Maranguape, cidade nas cercanias de Fortaleza (1862) e no final da década seguinte (1878), a varíola matou um quinto da população da capital cearense. Depois de assistir o descaso da administração pública frente à grande epidemia de varíola (1878), decidiu iniciar uma campanha de vacinação contra a doença. Aprendeu a fabricar a vacina e passou a vacinar o povo (1901) com ajuda de sua mulher e um criado. Montado em um cavalo, cuidou sozinho da vacinação em massa pelos bairros pobres de Fortaleza durante os três primeiros anos do século XX. A única limitação à sua filantropia foi a falta de recursos e infra-estrutura, problema que tentou contornar criando uma pequena indústria, cujos lucros foram utilizados para a construção de uma instituição específica que chamou de “Vacinogênio Rodolpho Teophilo”. Somente mais tarde criaria a Liga Cearense Contra a Varíola, contando então com voluntários em praticamente todo o interior do estado na luta contra a doença. Vacinou próximo de duas mil pessoas (1902), não sendo registrado nenhum caso de varíola na capital cearense naquele ano. Por causa disso, foi perseguido durante o governo de Antônio Pinto Nogueira Accioli, do qual era opositor, acusado de desmoralizar a autoridade que estava totalmente alheia ao sofrimento do povo cearense. Obstinado ainda encontrou tempo para escrever 28 livros, aderir à causa abolicionista e militante na Padaria Espiritual, uma espécie de agremiação literária que, pelo comportamento irreverente de seus membros, antecipou o modernismo no Brasil. Embora pouco se conheça publicamente do seu trabalho, como escritor foi o introdutor do Realismo/Naturalismo no Ceará com a obra A Fome (1890), seu romance de estréia e o primeiro romance cearense publicado em forma de livro, pois até então os romances eram publicados através de folhetins.. Foi membro fundador da Academia Cearense de Letras. É considerado um dos principais expoentes da literatura regional-naturalista do Brasil e um dos maiores nomes da literatura do Ceará. Em sua homenagem, o Centro Acadêmico de Farmácia da Universidade Federal do Ceará tem o seu nome. Faleceu dia 2 de julho de 1932, em Fortaleza, aos 79 anos.

Publicações / obras :[editar | editar código-fonte]

Romances :

  • A Fome (1890)
  • Os brilhantes (1895)
  • Maria Rita (1897)
  • Violação (novela – 1899)
  • Paroara (1899)
  • Reino de Kiato (1922)

Poesias :

  • Lira Rústica (1913)
  • Telesias (1913)

Histórias :

  • História da Seca no Ceará (1884)
  • Secas do Ceará – Segunda metade do século XIX (1901)
  • Seca de 1915
  • Seca de 1919
  • Libertação do Ceará (1922)
  • Sedição de Juazeiro (1922)

Contos :

  • O conduru (1910)

Ciências :

  • Botânica Elementar (1890)
  • Ciências Naturais em Contos (1889)

Crônica ou Memorialismo :'

  • Violência (1905)
  • Memória de um engrossador (1912)
  • Cenas e Tipos (1919)
  • O Caixeiro (1927)
  • Coberta de Tacos (1931)

Livro polêmico :

  • Os meus zoilos : Rodolfo Teófilo faz críticas aos seus injustos críticos .

Livro Relatório de suas lutas filantrópicas :

  • Varíola e Vacinação no Ceará (1905 e 1910)

Escola Literária[editar | editar código-fonte]

Rodolfo Teófilo introduziu o Naturalismo no Ceará com a obra “A fome”. O Naturalismo é, também, realista só que representa uma tendência mais voltada ao cientificismo, com aplicação das teorias científicas em voga na época, dando ênfase, às personagens, ao instintivo e ao patológico, ou seja, considerando o homem em sua condição animal. Daí a produção literária naturalista apresentar o chamado romance experimental ou romance de tese.

Características da obra[editar | editar código-fonte]

As obras de Rodolfo Teófilo apresentam as características do Naturalismo, como :

  • Ânsia de explicar tudo cientificamente
  • Determinismo com relação à atitude das personagens (nem tudo depende de sua vontade; pode haver imposição do meio, da hereditariedade física e psicológica).
  • O homem e os outros elementos da natureza são vistos como sujeitos as mesmas leis da evolução.
  • O homem é encarado como produto da raça, do meio ambiente.
  • As personagens são semelhantes entre si, na medida em que apresentam desequilíbrios característicos de sua condição.
  • Preferência a ambientes em que predominem miséria e ignorância.
  • Animalismo

Além disso, sua obra ficou marcada pelo exagero em que é mostrada a seca no nordeste e os tipos flagelados caracterizados com excesso. Teófilo escrevia pela transformação social que acreditava ser possível a partir da leitura de suas obras, defendendo-se de acusações e legando ao futuro sua versão sobre a participação nos eventos que narrava. As obras eram especialmente planejadas para atingir uma temporalidade que ele sabia não poder controlar . As constantes críticas e ataques geralmente partiam de inimigos cujo lugar social lhe era superior, portanto ele se via perante o desafio de garantir que sua imagem não fosse deteriorada nem no presente, nem no futuro – ocasiões que tornavam sua escrita uma experiência intensa, quase mística. Entre suas principais obras, destaca-se “A Fome”, que pode ser considerado um dos mais chocantes livros de ficção de Rodolfo Teófilo, senão um dos mais chocantes da ficção brasileira de todos os tempos. Nesta obra, a paisagem do Nordeste abandonado e heróico é retratada através das gradações espectrais da desnutrição e da penúria, com seu caudal de verdades sociais e econômicas aviltantes, chegando às raias do inacreditável.

Importância da obra para as artes[editar | editar código-fonte]

Após a sua morte, Rodolfo Teófilo teve sua vida retratada no livro do jornalista cearense Lira Neto “O poder e a peste” que inspirou a peça teatral de Andrei Bessa “Cearense por opção: uma desbiografia de Rodolfo Teófilo” tendo em sua direção um grupo de seis estudantes da Universidade Federal Do Ceará. O espetáculo foi montado pelo Grupo de Teatro Científico da Seara da Ciência para participar do IV Ciência em Cena, encontro nacional de teatro científico organizado pela Seara da Ciência em 2010. No espetáculo, um grupo de jornalistas tenta impedir a destruição de um patrimônio histórico, e durante o conflito surge Rodolfo Teófilo. Sua vida passa a ser retratada com liberdade poética para recriar os acontecimentos da época, por isso o termo desbiografia.

Obras[editar | editar código-fonte]

  • 1878 Compêndio de Botânica Elementar, Rio de Janeiro;
  • 1884 História da Sêca no Ceará, 1877-1880, Fortaleza;
  • 1890 A Fome, romance, Pôrto;
  • 1888 Monografia da Mucunã, Fortaleza;
  • 1889 Ciências Naturais em Contos, Fortaleza;
  • (?) Campesinas, poesias, Fortaleza;
  • 1895 Os Brilhantes, romance, Fortaleza, dois volumes;
  • 1897 Maria Ritta, romance, Fortaleza;
  • 1899 Paroara, romance, Ed. Louis C. cholowieçki, Fortaleza;
  • 1898 Botânica Elementar (Com Garcia Redondo), São Paulo;
  • 1899 Violação, novela;
  • 1905 e 1910 Varíola e Vacinação no Ceará, compêndio;
  • 1905 Violência;
  • 1910 O Cunduru, coletânea;
  • 1912 Memórias de um engrossador, Lisboa;
  • 1913 Telesias, versos;
  • 1913 Lyra Rústica, versos;
  • 1914 Libertação do Ceará;
  • 1922 O Reino de Kiato, romance, São Paulo, Monteiro Lobato & Co;
  • 1922 A Sedição de Juazeiro;
  • 1922 Sêca de 1915;
  • 1922 Sêca de 1919;
  • 1924 Os Meus Zoilos, artigos;
  • 1927 O Caixeiro;
  • 1931 Coberta de Tacos, artigos

Fontes[editar | editar código-fonte]

  • COUTINHO, Afrânio; SOUSA, J. Galante de. Enciclopédia de literatura brasileira. São Paulo: Global.

Referências