São Romão (Seia)

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 Portugal São Romão  
—  Freguesia  —
São Romão (Nora)
São Romão (Nora)
São Romão está localizado em: Portugal Continental
São Romão
Localização de São Romão em Portugal
40° 24' 07" N 07° 43' 01" O
País  Portugal
Concelho SEI1.png Seia
 - Tipo Junta de freguesia
Área
 - Total 17,92 km²
População (2011)
 - Total 2 743
    • Densidade 153,1/km2 
Código postal 6270
Orago Nossa Senhora do Socorro
Sítio http://saoromao.freguesias.pt

São Romão é uma vila pertencente á Uniao das Freguesias de Seia, S. Romão e Lapa dos dinheiros, concelho de Seia, com 17,92 km² de área e 2743 habitantes e densidade de 153,1 habitantes/km²;.

Recostada nas abas da Serra da Estrela, avistando-se o Caramulo a oeste, a seus pés estende-se a várzea da Assamassa, irrigada pelas águas vindas do Rio Alva que, desde 1674, deram força aos "engenhos" moageiros e de manufactura das lãs. Isso mesmo abonam os seguintes números: as "Memórias Paroquiais de 1758" do padre Luís Cardoso referem 28 moinhos e 11 pisões; em 1789, o "Livro de Varejo (inspecção) dos Panos da Villa de Sam Romam" registava 85 fabricantes. Seis (6) enormes rodas hidráulicas, activas até há quarenta anos, proporcionavam energia a outras tantas fábricas. Uma delas, fundada em 1858, tem-se mantido ininterruptamente na mesma família.

A cultura do milho era a maior riqueza agrícola desta terra. Mas, nos últimos vinte anos, as pastagens tomaram o lugar dos milharais, e os rebanhos vão pontuando a paisagem que, socioeconomicamente, é agora completamente diversa.

Origens[editar | editar código-fonte]

Há indícios arqueológicos que provam a existência de povoamento, mais de 3000 anos antes de Cristo. Tudo indica que o S. Romão actual teve origem num castro existente no "Cabeço do Crasto". Este monte, devido à sua situação privilegiada, foi conquistado e ocupado pelos Romanos, cujos vestígios ainda são bem visíveis. Os habitantes do "Crasto" desceram à planície e, dedicando-se à pastorícia e à agricultura, foram povoando as imediações dos terrenos agrícolas, estabelecendo-se preferencialmente na zona de transição entre a montanha e as terras de cultivo.

Tudo isto aconteceu à vista do "monte romano"– o "Crasto". E, como Romão, o santo soldado, também era romano, não é de estranhar que, ao pé do "cabeço romano", surgisse uma povoação com o nome de São Romão.

Há notícia de, em 1057, ter sido reconquistada aos mouros por D. Fernando, o Magno. Em 1106, os pais de D. Afonso Henriques concederam carta de povoamento de S. Romão a dois presbíteros, João e Fafila. Estes, por sua vez, doaram todas as terras que aqui possuíam, e eram muitas, ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. Em 1138, D. Afonso Henriques confirma a doação e dá carta de couto da «ermida de S. Romão» ao predito mosteiro. Tendo fundado aqui um convento, os frades de Santa Cruz ocuparam-no em junho de 1142.

Senhor de algumas povoações e vastas terras nesta região, o Mosteiro de Santa Cruz concedeu carta de foro aos habitantes de S. Romão em 1144. Com este primeiro foral, estavam lançados os fundamentos da Vila de São Romão.

Foi sede de concelho entre o século XIII e 1836. Era constituído por uma freguesia e tinha, em 1801, 1426 habitantes.

A lei 11-A/2013, extingue a Freguesia de S. Romão e a agrega numa nova freguesia, chamada "união das freguesias de Seia, S. Romão e Lapa dos Dinheiros", com sede na vila de S. Romão.[1]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Festas e Romarias[editar | editar código-fonte]

Personalidades[editar | editar código-fonte]

  • Viriato – De 147 a 139 a. C. , fez do "Crasto" uma das suas bases estratégicas na luta contra os Romanos.
  • D. Fernando Magno – Em 1057, reconquista S. Romão aos mouros
  • Condes D. Henrique e D.Teresa – Em 1106, concedem carta de povoamento aos presbíteros João Cidiz e Fafila
  • D. Afonso Henriques – Em 1138, « faz Carta de Couto à Igreja de Santa Cruz da Ermida de São Romão»
  • S. Teotónio – Em 1142, funda um convento, dependente de Santa Cruz de Coimbra, o qual veio a ser senhor de vastas terras, pois que do "Livro Santo" constam cerca de meia centena de registos, entre compras e doações recebidas. Santa Cruz concedeu Carta de Foro (Foral) aos habitantes da «Villa da Sam Romam», em Outubro de 1144.
  • D. Paio Godinho – Primeiro Prior do convento de S. Romão, aí chegou em 24 de Junho de 1142, acompanhado de nove cónegos. Em 17 de Fevereiro de 1196, os Mouros puseram cerco ao convento, vindo a perecer, queimados, os cónegos e o seu Prior. Diz a tradição que foi no local do "Purgatório". Em 1226, já estava reconstruído.
  • Egas Moniz – Prometeu a N. S. da Estrela a fundação de um mosteiro, o qual veio a ser edificado por seu filho, Lourenço Viegas. Nele se instalaram os monges de Cister
  • D. Afonso III – Em 1258, as Inquirições Afonsinas confirmam as doações dos reis anteriores
  • D. João I – Em 1433, confirma igualmente aquelas doações
  • Infante D.Henrique– Por doação de D.João I, seu pai, torna-se senhor de S.Romão
  • D. Manuel I – Concede Carta de Foral em 24 de Janeiro de 1514
  • D. Diogo da Silva, 1º Conde de Portalegre – Torna-se donatário de S. Romão, por mercê de D. Manuel I
  • Marquês de Marialva, herói da Restauração – Doa aos pobres a sua propriedade das «Septimas» (in Foral Manuelino) ou "Sítimas"
  • D. Miguel – Na guerra civil – Liberais/Miguelistas – São Romão tomou o partido de D. Miguel. A derrota deste pesou, com certeza, na posterior extinção do Concelho de São Romão.

Património[editar | editar código-fonte]

Referências