The Pawnbroker

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The Pawnbroker
O Agiota (PT)
O Homem do Prego (BR)
 Estados Unidos
1965 • pb • 116 min 
Direção Sidney Lumet
Roteiro Edward Lewis Wallant (novela)
Morton S. Fine
David Friedkin
Elenco Rod Steiger
Geraldine Fitzgerald
Brock Peters
Género drama
Idioma inglês
Página no IMDb (em inglês)

The Pawnbroker (O Homem do Prego (título no Brasil) ou O Agiota (título em Portugal)) é um filme estadunidense de 1965, um drama dirigido por Sidney Lumet. O roteiro é uma adaptação de Morton S. Fine e David Friedkin do livro homônimo de Edward Lewis Wallant. Essa produção tornou respeitado internacionalmente o ator Rod Steiger [1] graças à interpretação do protagonista da história.

Quincy Jones foi o compositor da trilha sonora do filme que inclui a canção "Soul Bossa Nova"; na série Austin Powers a canção é ouvida com destaque.

A edição do filme ficou a cargo de Ralph Rosenblum, objeto de vários comentários em seu livro When the Shooting Stops, the Cutting Begins: A Film Editor's Story.[2]

É o primeiro filme dos Estados Unidos a mostrar o Holocausto do ponto-de-vista de um sobrevivente.[3] Foi também a primeira realização sob o código de censura cinematográfico dos produtores a mostrar cenas de nudez (seios desnudos).[4]

Em 2008, The Pawnbroker foi selecionado para preservação pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos devida a sua significância "cultural, histórica ou estética".

A história contada tem como tema a "morte" espiritual de um sobrevivente de um campo de concentração nazista e o seu "enterro" num local decadente de Manhattan. Lumet falou ao New York Times numa entrevista durante as filmagens que "A ironia do filme é que ele encontra mais vida aqui no Harlem do que em qualquer outro lugar. Somente fora dali, em projetos habitacionais, escritórios empresariais e até mesmo subúrbios de Long Island, mostrados em diferentes cenas — é que tudo é conformista, estéril e morto."[5]

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Durante o nazismo na Alemanha, o professor universitário judeu Sol Nazerman é confinado em um campo de concentração juntamente com sua família: esposa, pais e um casal de filhos pequenos. Ele é o único sobrevivente após a Guerra e vai para os Estados Unidos, trabalhar como proprietário de uma loja de penhores no perigoso bairro do Harlem em Nova Iorque. Ele passa os dias negociando sem qualquer emoção com toda a sorte de clientes arruinados e abalados. [6]

O jovem porto-riquenho Jesus Ortiz é empregado de Nazerman e o respeita como seu "professor de negócios" ao mesmo tempo que luta para não sucumbir à ganância e assaltar a loja junto de seus amigos criminosos do bairro. Nazerman também é forçado a "lavar dinheiro" do gângster Rodriguez, sem saber exatamente quais os negócios ilegais do criminoso.

Ao completarem-se 25 anos da morte de sua família, Nazerman começa a recordar-se de vários momentos traumáticos de quando estivera nas mãos dos nazistas. Latidos de cães o fazem lembrar da morte de seu amigo, mordido por um desses animais ao tentar fugir; e o metrô, da viagem de trem sufocante até o campo de concentração, quando perdeu um membro de sua família. Ao descobrir que o dinheiro de Rodriguez vem da exploração da prostituição, Nazerman se rebela pois sua esposa fora estuprada repetidamente durante o aprisionamento.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Produção[editar | editar código-fonte]

Steiger entrou para o projeto do filme em 1962, um ano após a publicação do livro.[7]

Sidney Lumet assumiu o filme após Arthur Hiller ter sido demitido e preferia James Mason para o papel do protagonista. Groucho Marx também foi procurado para o interpretar até que Steiger o convencesse da sua aptidão para o papel durante os ensaios. [8]

O filme foi influenciado pela Nouvelle Vague francesa quando usa narrativa em "flashbacks" para contar o passado de Nazerman no campo de concentração, similarmente aos filmes de Alain Resnais (Hiroshima mon amour (1959) e Nuit et brouillard (1955)).

As controversas cenas de nudez de Linda Geiser e Thelma Oliver (a primeira interpretando uma prostituta e a segunda, vítima de abusos dos nazistas) resultaram em conflito com a Motion Picture Association of America, administradora do Código Hays. A associação rejeitou as cenas mostrando os seios desnudos e a de sexo entre Sanchez e Oliver. Apesar dessa rejeição, foi acertado com a Allied Artists o lançamento do filme sem o selo do Código e a censura de Nova Iorque liberou The Pawnbroker sem os cortes recomendados. Com os votos de 6 a 3, a Motion Picture Association of America liberou o filme como sendo um "especial e único caso" e com reduções mínimas das cenas de nudez, o que foi visto como uma vitória dos produtores do filme.[9] O Código Hayes acabou sendo substituído por outro sistema em 1968.

Premiação[editar | editar código-fonte]

O filme venceu em junho de 1964 o Festival Internacional de Filmes de Berlim, tendo sido lançado comercialmente nos Estados Unidos em abril de 1965.[10]

Rod Steiger foi indicado ao Óscar, Globo de Ouro e ao Urso de Prata do Festival Internacional de Cinema de Berlim como melhor ator protagonista e de Drama. [11] Ele recebeu o prêmio da Academia Britânica de Cinema de melhor ator de filme estrangeiro.[12]

Referências

  1. Stafford, Jeff. "The Pawnbroker: Overview Article". TCM.com. Turner Classic Movies. http://www.tcm.com/tcmdb/title.jsp?stid=86397&category=Articles. Recuperado em 09-03-2009.
  2. Rosenblum, Ralph; Karen, Robert. When the Shooting Stops, the Cutting Begins: A Film Editor's Story. New York: Viking Adult, 1979. ISBN 978-0670759910
  3. Gates, Anita (2005-04-05). "Imaginary Witness: Hollywood and The Holocaust". The New York Times. http://movies.nytimes.com/2005/04/05/arts/television/05gate.html?scp=29&sq=The%20Pawnbroker%20steiger&st=cse. Recuperado em 10-03-2009
  4. "Full Synopsis for The Pawnbroker". TCM.com. Turner Classic Movies. http://www.tcm.com/tcmdb/title.jsp?stid=86397&category=Full%20Synopsis. Recuperado em 08-03-2009.
  5. Archer, Eugene (1963-11-03). "As Crowds Watch, 'The Pawnbroker' Goes Into Business in Spanish Harlem". The New York Times. http://select.nytimes.com/mem/archive/pdf?res=F60617FC345912718DDDAA0894D9415B838AF1D3. Recuperado em 10-03-2009
  6. Full Synopsis for The Pawnbroker. TCM.com. Turner Classic Movies. Página visitada em 03-08-2008.
  7. Leff, Leonard J. (1996). "Hollywood and the Holocaust: Remembering The Pawnbroker" (PDF). American Jewish History 84 (4): 353–376. doi:10.1353/ajh.1996.0045. http://www.cmcdannell.com/HollywoodHolocaustReading.pdf. Recuperado em 09-03-2009
  8. Leff, Leonard J. (1996). "Hollywood and the Holocaust: Remembering The Pawnbroker" (PDF). American Jewish History 84 (4): 353–376. doi:10.1353/ajh.1996.0045. http://www.cmcdannell.com/HollywoodHolocaustReading.pdf. Recuperado em 09-03-2009.
  9. Harris, Mark (2008). Pictures at a Revolution: Five Movies and the Birth of the New Hollywood. Penguin Group. pp. 173–176. ISBN 978-1594201523. http://books.google.com/?id=_T9tCvzIFrcC&pg=PA174&dq=The+PAwnbroker+steiger.
  10. Release Dates for The Pawnbroker. Internet Movie Database. Página visitada em 08-03-2009.
  11. Berlinale 1964: Prize Winners. berlinale.de. Página visitada em 20-02-2010.
  12. Severo, Richard. "Rod Steiger, Oscar-Winning Character Actor, Dies at 77", The New York Times, 10-07-2002. Página visitada em 10-03-2009. [ligação inativa]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]