Árabe mesopotâmico

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Árabe mesopotâmico
Falado em: Iraque, Irã, Síria
Total de falantes: 15, 1 milhões
Família: Afro-asiática
 Semítica
  Ocidental
   Central
    Meridional
     Árabe
      Árabe mesopotâmico
Escrita: Alfabeto árabe
Estatuto oficial
Língua oficial de: não há
Regulado por: não há
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2: ---
ISO 639-3: acm
Árabe mesopotámico.png

O árabe mesopotâmico (em árabe padrão: لهجة بلاد الرافدين, blād ālrāfdyn), também conhecido com árabe mesopotâmico gelet e árabe iraquiano ([ISO 639-3]), é um contínuo dialetal mutuamente inteligíveis de variantes do árabe faladas por população da bacia da Mesopotâmia do Iraque, bem como em áreas fronteiriças com a Síria,[1] o Irão[1] e a Turquia.[2]

História[editar | editar código-fonte]

O árabe mesopotâmico tem um estrato aramaico-siríaco e também compartilha influências significativas das antigas línguas mesopotâmicas dos acadianos, sumérios e babilônios, além de persa, turco, curdo e grego. Diz-se que é a variante árabe mais influenciada pelo aramaico-siríaco, devido ao fato deste ter se originado na Mesopotâmia e se espalhado por todo o Médio Oriente (Crescente Fértil) durante o Império Neoassírio, tornando-se a língua franca do toda a região antes do Islão.[3][4][5] Árabes iraquianos e assírios são os maiores povos semitas do Iraque, compartilhando semelhanças significativas na língua entre o árabe mesopotâmico e o siríaco.

Variantes[editar | editar código-fonte]

O árabe mesopotâmico tem dois principais grupos: o árabe mesopotâmico meridional (gelet, em língua árabe) e o árabe mesopotâmico setentrional (qeltu, em língua árabe).[6] Uma distinção reconhecida entre essas duas variantes são diversas formas da expressão "eu disse".[7]

O grupo gelet inclui dialetos da área do Rio Tigre, sendo as formas mais conhecidas o badgadi (da capital iraquiana Bagdá) e o furati (falado por populações do Rio Eufrates).[6] Também há a variante cuzistani, falada na província iraniano do Cuzistão.

O grupo qeltu inclui o agrupamento de variantes ao norte do Rio Tigre, como os dialetos da Anatólia e o cipriota.

Em Bagdá, há três subvariantes: uma falado por muçulmanos (o árabe muçulmano bagdadiano), uma por judeus (o árabe judeu-bagdadiano) e uma por cristãos (e o árabe cristão bagdadiano).[6] Aquele falado por muçulmanos é considerado o árabe bagdadiano padrão, uma língua franca de todo o Iraque, e é uma subvariante meridional. Já as faladas por judeus e cristãos são consideradas subvariantes setentrionais, supostamente por serem reminiscentes do árabe sírio e apresentarem características qeltu, o que em verdade é uma insignificante afinidade.[6]

As variantes do árabe iraquiano, tanto o gelet como o qeltu têm alguns falantes no extremo leste da Síria. Algumas características do árabe palestino rural também aparecem no iraquiano. O árabe iraquiano medieval, conforme certos registros, deve ter sido o de padrão qeltu. Alguns estudiosos, como Joshua Blau, pensam que as características gelet na principal linha do atual árabe iraquiano são resultado de um processo de "rebeduinização". Similaridades como o árabe do Golfo e persistências do qeltu nos dialetos cristão e judeu ajudam a confirmar essa opinião.

Referências

  1. a b Arabic, Mesopotamian | Ethnologue
  2. Arabic, North Mesopotamian | Ethnologue
  3. Aramaic was the medium of everyday writing, and it provided scripts for writing. (1997). Humanism, Culture, and Language in the Near East : Studies in Honor of Georg Krotkoff. Winona Lake, Ind.: Eisenbrauns. ISBN 9781575065083. OCLC 747412055 [necessário verificar]
  4. Tradition and modernity in Arabic language and literature. Richmond, Surrey, U.K.: [s.n.] 253 páginas. ISBN 9781136788123. OCLC 865579151 [necessário verificar]
  5. Sanchez, Francisco del Rio. «"Influences of Aramaic on dialectal Arabic", in: Archaism and Innovation in the Semitic Languages. Selected papers» (em inglês) [necessário verificar]
  6. a b c d Hann, Geoff, 1937- author. (7 de agosto de 2015). Iraq : the ancient sites & Iraqi Kurdistan : the Bradt travel guide. [S.l.: s.n.] ISBN 9781841624884. OCLC 880400955 
  7. Mitchell, T. F. (1990). Pronouncing Arabic, Volume 2. [S.l.]: Clarendon Press. p. 37. ISBN 0-19-823989-0 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • H. Blanc. 1964. Dialetos Comunitários em Bagdá. Cambridge: Harvard University Press.
  • Raymond G. Gordon, Jr, ed. 2005. Ethnologue: Languages of the World. 15th edition. Dallas: Summer Institute of Linguistics (see also

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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