Acentuação gráfica

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A acentuação gráfica consiste na aplicação de certos símbolos escritos sobre determinadas letras, para representar o que foi estipulado pelas regras de acentuação do idioma. De forma geral estes acentos são usados para auxiliar a pronúncia de palavras que fogem do padrão prosódico mais comum.

História[editar | editar código-fonte]

A notação ocidental visivelmente instaurou-se em função da voz e de seus registros, bem como das propriedades gramaticais da línguas grega e latina. Desde o século II a.C, Aristófano de Bizâncio havia concebido um sistema de notação para a língua grega em que o acento agudo indicava a elevação da voz, o acento grave sugeria o seu abaixamento, o acento circunflexo sinalizava uma elevação suave e um ponto marcava a queda, seguida da interrupção da voz, no fim da frase. O próprio termo acento (accentus = ad cantus) nos faz mergulhar na origem da constituição melódica.[4]

4. História da música ocidental. Autor, Jean Massin. Editora, Ed. Nova Fronteira, 1997.

Acentos gráficos e diacríticos[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Diacrítico

Acento agudo[editar | editar código-fonte]

O acento agudo ( ´ ) é usado na maioria dos idiomas para assinalar geralmente uma vogal aberta ou longa. Em português, aparece em todas as vogais tônicas na última sílaba ou na antepenúltima sílaba. Aparece também nos grupos "em" e "ens" (como em armazém, além, etc.) e para separar as letras i e u dentro de um hiato (como em alaúde). Em idiomas como o holandês e o islandês, pode funcionar como marca diferencial em palavras homônimas cujo significado não pode ser inferido pelo contexto. Na escrita pinyin do mandarim indica o segundo tom, de baixo para cima. Em polonês pode aparecer sobre as consoantes c e n para indicar a palatização (passando a ser pronunciadas como /tch/ e /nh/).

Acento grave[editar | editar código-fonte]

O acento grave (`) era usado geralmente para designar uma vogal curta ou grave em latim e grego. Em português serve para marcar a crase. É de uso frequente em italiano e francês para marcar a sílaba tônica de algumas palavras. Em norueguês e romeno, serve como acento para desambiguação de palavras. Na escrita pinyin, indica o quarto tom, de cima para baixo.

Acento circunflexo[editar | editar código-fonte]

O acento circunflexo (^) é um sinal diacrítico usado em português e galês. Tem função de marcar a posição da sílaba tônica. No caso específico do português, aparece sobre as vogais a, e, o, quando são tônicas na última ou antepenúltima sílaba (p. ex.: lâmpada, pêssego, supôs) e têm timbre fechado. Em francês é usado para marcar vogais longas decorrentes da supressão da letra s na evolução histórica da palavra (p. ex. hospitalhôpital).

Cáron[editar | editar código-fonte]

O cáron (ˇ), ou circunflexo invertido, é um acento inexistente em português. Aparece em várias línguas balto-eslavas e línguas urálicas sobre consoantes para indicar a palatização. Também indica o terceiro tom na escrita pinyin do mandarim (alto - baixo - alto).

Til[editar | editar código-fonte]

O til (~) é um sinal diacrítico cujo uso mais frequente é em português. Serve para indicar a nasalização das vogais - atualmente somente nos ditongos ão, ãe, õe e isoladamente na vogal ã, mas no passado podia aparecer também sobre a vogal e. Também aparece no espanhol sobre a letra n para indicar a palatização (devendo ser pronunciada como /nh/) e no estoniano sobre a letra o para indicar uma vogal intermediária entre /o/ e /e/.

Trema[editar | editar código-fonte]

O trema (¨) é um sinal gráfico presente em várias línguas românicas e línguas germânicas, e usado em português do Brasil até o acordo ortográfico de 1990 sobre a letra u nos grupos que, qui, gue e gui quando fossem pronunciados, como em freqüência e ungüento, uso ainda presente em espanhol. Em francês, holandês e italiano, serve para marcar a segunda vogal de um hiato. Em alemão, sueco e finlandês aparece sobre as vogais a, o e u para indicar que devem ser pronunciadas como vogais posteriores.

Cedilha[editar | editar código-fonte]

A cedilha (¸) é usada geralmente para indicar que uma consoante deve ser pronunciada de forma sibilante. Em português, francês e turco aparece sob a letra c (ç) - no caso do turco, para indicar a palatização. Em romeno aparece sob as letras s e t.

Anel[editar | editar código-fonte]

O anel (˚) é um acento inexistente em português. Aparece nas línguas escandinavas sobre a letra a (å) para indicar que deve ser pronunciada como /ó/. Também aparece em checo sobre a letra u para indicar que deve ser pronunciada como uma vogal longa.

Ogonek[editar | editar código-fonte]

O ogonek (˛) é um acento exclusivo do polonês, colocado abaixo das vogais nasais (ą, ę, ǫ, ų). Tem a mesma função do til em português.

Regras básicas de acentuação em português[editar | editar código-fonte]

Monossílabos[editar | editar código-fonte]

Os monossílabos tônicos terminados em a, e ou o, seguidos ou não de s, são acentuados.[1]

Exemplos: pá, vá, gás, Brás, cá, má, pé, fé, mês, três, crê, vê, lê, sê, nós, pôs, xô, nó, pó, só.

Oxítonas ou agudas[editar | editar código-fonte]

As palavras oxítonas ou agudas (quando a última sílaba é a sílaba tônica) com a mesma terminação dos monossílabos tônicos acentuados, com acréscimo de em e ens, são acentuadas.[1] Também são acentuadas as oxítonas terminadas nos ditongos abertos éu, éi e ói, seguidos ou não de s.

Exemplos: pará, vatapá, estás, irás, cajá, você, café, Urupês, jacarés, jiló, avó, avô, retrós, supôs, paletó, cipó, mocotó, alguém, vintém, também, refém, reféns, armazéns, parabéns, réu, céu, véus, troféu, chapéus, pastéis, anéis, fiéis, papéis, dói, constrói, heróis.

Paroxítonas ou graves[editar | editar código-fonte]

As palavras paroxítonas ou graves (quando a penúltima sílaba é a sílaba tônica) que possuem terminação diferente das oxítonas acentuadas são acentuadas. [1]

Exemplos: táxi, beribéri, júri, lápis, grátis, bónus/bônus, vírus, álbum, álbuns, nêutron, prótons, incrível, útil, ágil, fácil, amável, éden, hífen, pólen, éter, mártir, caráter, revólver, destróier, tórax, ónix/ônix, fénix/fênix, bíceps, fórceps, ímã, órfã, ímãs, órfãs, bênção, órgão, órfãos, sótãos. São exceções as com prefixos como semi, anti, peri, super, hiper, inter, ciber, nuper.[2]

Proparoxítonas ou esdrúxulas[editar | editar código-fonte]

As palavras proparoxítonas ou esdrúxulas (quando a antepenúltima sílaba é a sílaba tônica) são todas acentuadas. A vogal com timbre aberto é acentuada com um acento agudo, já a com timbre fechado ou nasal é acentuada com um acento circunflexo. [1]

Exemplos: lâmpada, relâmpago, Atlântico, trôpego, Júpiter, lúcido, ótimo, víssemos, flácido.

Observação: Palavras terminadas em encontro vocálico átono podem ser consideradas tanto paroxítonas quanto proparoxítonas, e devem ser todas acentuadas. Encontros vocálicos átonos no fim de palavras tanto podem ser entendidos como ditongos quanto como hiatos.

Exemplos: cárie, história, árduo, água, errôneo.[3]

Hiatos[editar | editar código-fonte]

As letras i e u (seguidas ou não de s) quando em hiatos são acentuados desde que estas letras não sejam precedidas por ditongo em palavras paroxítonas e que estejam isoladas em uma sílaba (só o i ou só o u).

Exemplos: a-í, ba-la-ús-tre, e-go-ís-ta, fa-ís-ca, vi-ú-vo, he-ro-í-na, sa-í-da, sa-ú-de.

Observação: Não se acentuam as palavras oxítonas terminadas em i ou u, seguidos ou não do s, pois fogem à regra das oxítonas acentuadas. Palavras como baú, saí, Anhangabaú são acentuadas não por serem oxítonas, mas pelo i e u formarem sílabas sozinhos (hiato).

Não se acentuam hiatos que precedem as letras l, r, z, m, n, e o dígrafo nh. Exemplo contribuinte.

Acento diferencial[editar | editar código-fonte]

  • pôde (3ª pessoa do pretérito perfeito do indicativo do verbo poder) de pode (3ª pessoa do presente do indicativo do verbo poder);
  • pôr (verbo) de por (preposição);
  • têm (terceira pessoa do plural do verbo ter) de tem (terceira pessoa do singular do verbo ter);
  • derivados do verbo ter têm na terceira pessoa do singular um acento agudo ( ´ ), já a terceira pessoa do plural tem um acento circunflexo ( ^ ) mantém/mantêm;
  • vêm (terceira pessoa do plural do verbo vir) - vem (terceira pessoa do singular do verbo vir);
  • derivados do verbo vir têm na terceira pessoa do singular um acento agudo ( ´ ), já a terceira pessoa do plural tem um acento circunflexo ( ^ ) provém/provêm.

Casos em que o acento diferencial é opcional:

  • Acento diferencial do pretérito: chegámos (1ª pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo) chegamos (1ª pessoa do plural do presente do indicativo);
  • fôrma (substantivo) de forma (substantivo e verbo).

Após a reforma ortográfica, o acento diferencial foi quase totalmente eliminado da escrita, porém, obviamente, a pronúncia continua a mesma.

Foi abolido nos pares pára / para; pêra / pera; pêlo / pélo / pelo; pólo / polo; côa / coa

Referências

  1. a b c d MESQUITA, Roberto Melo; MARTOS, Cloder Rivas (1994). Português - Linguagem & Realidade. 1 3ª ed. São Paulo: Saraiva. ISBN 85-02-01251-7 
  2. «Proparoxítonas, paroxítonas e oxítonas». Só Português. Consultado em 20 de maio de 2018 
  3. FERREIRA, Aurélio Buarque de Hollanda. MiniAurélio 8ª ed. Curitiba: Positivo 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • KURY, Adriano da Gama (1986). Ortografia, Pontuação e Crase 2 ed. Rio de Janeiro: FAE 

Ver também[editar | editar código-fonte]