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Antirrevisionismo

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(Redirecionado de Anti-revisionismo)

Antirrevisionismo é um movimento dentro do marxismo-leninismo que se opõe ao que classificam como "tentativas de revisar, modificar ou abandonar os fundamentos da teoria e da prática revolucionária".[1] Embora o termo revisionismo tenha sido associado a tendências desviantes do marxismo que surgiram no final do século XIX, o termo antirrevisionismo foi mais comumente utilizado durante o período posterior da Revolução Bolchevique.[2]

História

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Mao Tse Tung (Esquerda) e Hoxha (Direita). Os dois líderes se uniram por muitos anos em torno do antirrevisionismo, antes de Hoxha se afastar de Mao após a aproximação do último com os Estados Unidos.

Em 1956 foi realizado o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, que foi marcado pelo Discurso Secreto. Mesmo alguns anos antes, um dos principais colaboradores de Stalin havia sido executado, o chefe da polícia secreta Lavrenti Beria. Militantes comunistas tidos como leais a Josef Stalin, como Malenkov e Molotov, foram desmoralizados. Esse rompimento com Stalin abalou a militância comunista internacional, embora a maioria tenha se alinhado com o discurso de Khrushchov.[3] O líder da então República Popular da Albânia, Enver Hoxha, foi o primeiro a romper com os soviéticos após a chegada de Khrushchov ao poder, em partes devido à sua política de desestalinização, que Hoxha acusou de ser revisionista.[4] Junto de Khrushchov, o líder da Iugoslávia, Josip Broz Tito, também foi acusado de ser revisionista e distorcer os princípios do marxismo. Hoxha foi acompanhado pelo líder chinês Mao Tse-Tung, que realizou a Ruptura sino-soviética. Entretanto, ambos os líderes posteriormente acusariam-se mutuamente de revisionismo, resultando na Ruptura sino-albanesa. Todos esses acontecimentos foram acompanhados cuidadosamente pelo movimento comunista internacional, e vários partidos comunistas ao redor do mundo se alinharam com as ideias de Hoxha ou Mao, embora a maioria permanecesse seguindo a linha soviética.

Montanha albanesa com a inscrição "Enver". O nome do líder albanês estava escrito nas escolas, hospitais, fábricas, cooperativas, minas e etc. O Partido do Trabalho da Albânia alegava não incentivar nem condenar o culto à personalidade.

Na Albânia, o antirrevisionismo era um tema de importância vital para o regime socialista que vigorou entre 1946 e 1991. Para ingressar no Partido do Trabalho da Albânia, por exemplo, era necessário fazer um curso com dois anos de duração (três no ensino por correspondência) que incluia disciplinas como "Lutas dos Partidos Marxistas-Leninistas Contra o Revisionismo".[5] O líder do país, Enver Hoxha, escreveu dezenas de livros e documentos denunciando o que ele via como revisionismo nos partidos comunistas ao redor do globo.

Coreia do Norte

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Retrato de Stalin e Kim Il-sung no Primeiro Congresso do Partido dos Trabalhadores da Coreia, em 1946

A Coreia do Norte, recém libertada do domínio brutal do Império Japonês em 1945 e sob a liderança de Kim Il-sung, foi um dos poucos países que rejeitou a desestalinização promovida por Khrushchov, embora jamais tenha rompido relações com a União Soviética como fez o líder albanês. Dentro do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte haviam diversas facções, incluindo uma pro soviética que tentou reproduzir o discurso "revisionista", acusando Kim Il-sung de culto de personalidade. O líder norte-coreano se aproveitou da disputa de influência entre a União Soviética e a China sobre a Coreia para virar as facções internas do partido (alinhadas a estas potências externas) umas contra as outras, sendo eventualmente capaz de expurgar todas e consolidar sua liderança "stalinista" e distante do revisionismo.[6] Entretanto, isso não poupou Kim Il-Sung de ser chamado de "revisionista megalomaníaco vacilante" por Hoxha, que desprezava suas manobras políticas.[7] Apesar disso, Hoxha reconheceu que o Partido dos Trabalhadores da Coreia mantinha "certa independência e dignidade".[8]

Com o passar das décadas seguintes, a Coreia do Norte abandonaria gradualmente o termo "marxismo-leninismo", já que ele era reinvidicado por Khrushchov, favorecendo sua própria ideologia determinada Juche. Em 1992, após o colapso do bloco socialista, o termo marxismo-leninismo foi removido em definitivo de qualquer menção na constituição norte-coreana. Em 2009, a palavra "comunismo" foi removida da constituição.

Políticos e Organizações

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A lista cita políticos e organizações que foram apontados em algum momento como antirrevisionistas, sendo que muitos também foram acusados de serem revisionistas em algum momento.

Políticos

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Organizações

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Referências

  1. «What is Anti-Revisionism: Encyclopedia of anti-Revisionism On-Line». www.marxists.org. Consultado em 15 de setembro de 2025 
  2. «Revisionism | Socialist Theory, Dialectical Materialism & Class Struggle | Britannica». www.britannica.com (em inglês). Consultado em 15 de setembro de 2025 
  3. Andres, Robert. «O "Discurso secreto"». DNOTICIAS.PT. Consultado em 15 de setembro de 2025 
  4. Hoxha. «Reject the Revisionist Theses of the XX Congress of the Communist Party of the Soviet Union» 
  5. SAUTCHUK, Jayme (1983). O Socialismo na Albânia: Um repórter brasileiro no país de Enver Hoxha. São Paulo: Editora Alfa-Ômega. p. 25 
  6. Lankov, A. N. (Andrei Nikolaevich) (2002). «Kim Takes Control: The "Great Purge" in North Korea, 1956-1960». Korean Studies (1): 87–119. ISSN 1529-1529. Consultado em 14 de outubro de 2025 
  7. HOXHA, Enver. Reflections on China. Extracts from the Political Diary. Vol I. [S.l.: s.n.] p. 148 
  8. HOXHA, Enver. Reflections on China. Extracts from the Political Diary. Vol 2. [S.l.: s.n.] p. 149