Bam

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Pix.gif Bam e sua Paisagem Cultural *
Welterbe.svg
Património Mundial da UNESCO

BAM IR2726.JPG
Bam antes do sismo de 2003
País Irão
Critérios C (ii) (iii) (iv) (v)
Referência 1208
Coordenadas 29º 07' 00" N 58º 22' 06" E
Histórico de inscrição
Inscrição 2004  (28ª sessão)
* Nome como inscrito na lista do Património Mundial.

Bam (em persa: بم, IPA[bæm]) é uma cidade no sul do Irã, ao norte do Golfo Pérsico e do Golfo de Omã. Fica a uma altitude de aproximadamente 1110 metros e está construída sobre a antiga fortaleza de Arg-é Bam, uma extensa estrutura feita de adobe que abrigou a Rota da Seda durante 2000 anos.[1] A UNESCO considerou a região como Patrimônio Mundial da Humanidade em 2004.[2]

A atual cidade de Bam se localiza nos arredores da cidadela. Antes do terremoto de 2003, a população residente estava em torno de 78 400 e estima-se que apenas 10% dos habitantes permaneceram na cidade após o terremoto. Entretanto, a população deve crescer a medida que a cidade for reconstruída. Um cálculo afirma que em 2005 a população seria de 91 069 habitantes. Segundo o censo demográfico de 2006, sua população é de 73 823 habitantes.[3]

O clima da região se caracteriza por invernos amenos e verões muito fortes. Assim como acontece em muitos desertos, as noites são amenas mesmo durante a temporada mais quente.

História[editar | editar código-fonte]

Existem várias opiniões sobre a data e as razões que levaram a fundação da cidadela. Alguns acreditam que a cidade de Bam foi fundada pelo Império Parta, e floresceu no século X. Economicamente e comercialmente, Bam teve um papel importante na região e a maior parte dos seus tecidos e roupas ganharam grande fama. O viajante e geógrafo árabe Ibne-Haugal (943-977) descreve Bam em seu livro Surat-ul-`ard:

Lá eles tecem muito bem, bonitas e vistosas roupas de algodão que são vendidas para muitos países e cidades. Também produzem roupas excelentes, cada uma ao custo de aproximadamente 30 dinares; estas são vendidas em Coração, Iraque e Egito.
Bam em 2002.

A antiga cidadela de Arg-é Bam provavelmente tem uma história que alcança 2.500 anos antes do período pártio, mas a maior parte das construções foram erguidas na dinastia safávida. A cidade ocupou seis quilômetros quadrados e era cercada por um remate com 38 torres. Tinha uma população de 9 000 a 13 000 habitantes. A maior parte parte da população abandonou a cidade em 1722 devido a uma invasão afegã, dominando o governo iraniano e encerrando a era safávida.[4] Pouco tempo depois, logo que a cidade começava a ser reocupada, ela foi abandonada uma segunda vez devido a um ataque de invasores vindos de Xiraz.

A moderna cidade de Bam foi erguida bem mais tarde do que a velha cidadela. Tem-se tornado gradualmente em um centro industrial e agricultor, e antes do terremoto de 2003, estava experimentando um rápido crescimento. Em particular, a cidade é conhecida por suas tamareiras e frutas cítricas. A cidade também se beneficia do turismo com um número crescente de pessoas visitando a antiga cidadela. Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, um ex-presidente do Irã, nasceu em Bam.

Etimologia da palavra Bam[editar | editar código-fonte]

Sobre a origem da palavra Bam, existem algumas ligações com a história mítica do Irã. De acordo com algumas fontes "Bam" é a junção da palavra "Bahman", que seria o nome de um rei, sobre o qual Ferdusi (940?-1020?), o mais renomado poeta épico do Irã, narra em seu famoso Shahnameh (O Livro dos Reis), escrito durante 30 anos (980-1010). Este épico, consistindo de 60.000 versos, é livro mais antigo escrito no persa moderno, em que Ferdusi funde

Sismo de 2003[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Sismo de Bam de 2003
Arg-é Bam antes do sismo.

No dia 26 de dezembro de 2003 às 1:56 UTC (5:26 da no horário local), a cidadela de Bam e a grande parte da cidade de Bam propriamente foram arrasadas por um terremoto. A magnitude foi estimada em 6.5 na escala Richter.[5] A BBC informou que "70 % da cidade moderna de Bam foi destruída".[6] Calculou-se o número de mortos em 80 000 pessoas nas pessoas e o número informado foi de 70 000 pessoas. Em 17 de janeiro de 2004 chegou-se a estimativa de 26 271 mortos. De acordo com a agência de notícias iraniana, a velha cidadela de Bam foi "nivelada ao chão".

Um esforço internacional de apoio começou a surgir logo que as notícias sobre o sismo iam chegando ao resto do mundo.

Planos pós-terremoto[editar | editar código-fonte]

Imediatamente após o terremoto, o governo iraniano começou a planejar uma nova cidade baseada nas modernas teorias de planejamento de cidades com o objetivo de eliminar os problemas existentes antes. A cidadela também está sendo reconstruída com a ajuda de especialistas do Ministério da Cultura e de universidades japonesas.

Referências

  1. «Bam — Iran» (em inglês). Encyclopædia Britannica. Consultado em 29 de abril de 2017 
  2. Hejazi, Mehrdad; Saradj, Fatemeh Mehdizadeh (2014). Persian Architectural Heritage: Architecture, Structure and Conservation (em inglês). Southampton: WIT Press. p. 109. ISBN 978-1-78466-070-3 
  3. «Census of the Islamic Republic of Iran, 1385 (2006)» (Excel) (em inglês). República Islâmica do Irá. 2006. Consultado em 29 de abril de 2017. Cópia arquivada em 11 de novembro de 2011 
  4. «Bam: Jewel of Iranian heritage». BBC News (em inglês). 27 de dezembro de 2003. Consultado em 29 de abril de 2017 
  5. Talebian, M; Fielding, E. J., Funning, G. J., Ghorashi, M., Jackson, J., Nazari, H., ... & Wright, T. J. (2004). «The 2003 Bam (Iran) earthquake: Rupture of a blind strike‐slip fault». Wiley Online Library. Geophysical Research Letters (em inglês). 31 (11). doi:10.1029/2004GL020058 
  6. «Iran earthquake kills thousands». BBC News (em inglês). 26 de dezembro de 2003. Consultado em 29 de abril de 2017 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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