Este é um artigo bom. Clique aqui para mais informações.

Bandeira do estado de São Paulo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Disambig grey.svg Nota: Se procura a bandeira da cidade de São Paulo, veja Bandeira da cidade de São Paulo.
Bandeira do estado de São Paulo
Bandeira do estado de São Paulo
Aplicação
FIAV 111000.svgFIAV normal.svg
Proporção 2:3
Adoção 27 de novembro de 1946
Cores
  Preto
  Branco
  Vermelho
  Amarelo
  Azul escuro
Tipo estaduais

A bandeira do estado de São Paulo, juntamente com o brasão e o hino, constituem os símbolos do estado de São Paulo, no Brasil.[nota 1]

Idealizada pelo filólogo e escritor Júlio Ribeiro em 1888, tinha como objetivo servir de bandeira ao regime republicano, que fora efetivamente proclamado em 15 de novembro do ano seguinte. Para materializar graficamente sua ideia, Júlio Ribeiro convidou seu cunhado Amador Amaral, gráfico e artista plástico que desenvolveu o layout da bandeira paulista.[2]

A bandeira possui treze listras variando entre branco e preto que representam os dias e as noites em que os bandeirantes exploraram o interior do país. O pavilhão possui um retângulo vermelho na horizontal, que representa o sangue derramado pelos bandeirantes, alinhado no topo à esquerda, tendo dentro um círculo de fundo branco e o mapa do Brasil em azul, sendo o azul a cor da pujança. Há também quatro estrelas amarelas na parte interna dos quatro cantos do retângulo.

O pavilhão tornou-se de fato símbolo paulista a partir da Revolução Constitucionalista de 1932, mas que só foi oficializada em 27 de novembro de 1946, sob o Decreto-Lei 16.349 da Constituição Federal, que devolveu aos estados e municípios o direito de cultivar símbolos próprios.

História[editar | editar código-fonte]

Nos últimos anos do Império do Brasil, vários propagandistas da República criaram projetos de bandeira nacional para serem adotados com o advento do novo regime. Para muitos deles, era preciso destruir todos os símbolos que pudessem lembrar o Império e as instituições monárquicas.[3] Nesse contexto, o escritor e jornalista republicano Júlio Ribeiro, fundador e redator do jornal "O Rebate", publicou em sua primeira edição de 16 de julho de 1888, uma série de críticas ao estandarte Imperial. Nele, também expõe a sua própria proposta para bandeira republicana. Segundo ele, seu projeto:

Cquote1.svg ... simboliza de modo perfeito a gênese do povo brasileiro, as três raças de que ela se compõe - branca, preta e vermelha. As quatro estrelas a rodear um globo, em que se vê o perfil geográfico do país, representam o Cruzeiro do Sul, a constelação indicadora da nossa latitude astral (...) Assim, pois, erga-se firme, palpite glorioso o Alvo-Negro Pendão do Cruzeiro! Cquote2.svg

A bandeira descrita por Júlio Ribeiro foi hasteada no palácio do governo de São Paulo em 15 de novembro de 1889, sendo utilizada nos primeiros dias do novo regime.[3]

Em 19 de novembro de 1889, através do decreto nº 4 do Governo Provisório, o Brasil adota oficialmente uma nova bandeira, mas de autoria de Raimundo Teixeira Mendes, semelhante à conhecida atualmente. A bandeira idealizada por Júlio Ribeiro, por sua vez, passou a ser considerada a "bandeira paulista" nos anos seguintes, sem merecer, entretanto, nenhuma estima popular. Ela era utilizada para enfeitar fachadas ou como objeto decorativo, mas sem as honras de um culto cívico, pois até então, os paulistas dedicavam essa homenagem exclusivamente ao pavilhão nacional.[3]

A bandeira tornou-se de fato símbolo paulista na Revolução de 1932. Todavia, Getúlio Vargas, durante o Estado Novo, suspendeu o uso dos símbolos estaduais, incluindo a bandeira paulista, que só seria oficializada em 27 de novembro de 1946, sob o Decreto-Lei 16.349 da Constituição Federal, que devolve aos Estados e municípios o direito de cultivar símbolos próprios.[5]

No entanto, o novo pavilhão suscitou críticas. Afonso Taunay escreveu em 1931, portanto antes que a bandeira tivesse recebido a consagração popular, que ela era um "... símbolo pavorosamente feio, oriundo dos tempos da propaganda republicana, a bandeira que se diz da invenção de Júlio Ribeiro, a impropriamente chamada "bandeira paulista", lúgubre, inestética, insignificativa. Graças a Deus nunca foi oficializada, mas por infelicidade, é muito adotada. Assim desapareça do todo o emprego desse pano mortuário alvinegro, arvorado em pendão estadual. Insignificativa hoje mais do que nunca, porque atribui à população paulista uma dosagem de sangue africano inteiramente falsa, pois em terras de São Paulo a porcentagem dos euro-americanos foi imensamente superior à dosagem dos elementos afros, eurafricanos e afro-americano."[3] [6]

Características[editar | editar código-fonte]

Dimensões e construção[editar | editar código-fonte]

Anexo nº2 da lei 144/1948, com as especificações da bandeira.

A descrição exata da bandeira, com a terminologia heráldica, é dada pelo artigo 2º da lei 145 de 1948 ainda em vigor. Esse artigo dispõe o seguinte:[7]

Artigo 2º. A feitura da Bandeira do Estado de São Paulo obedecerá às seguintes normas, conforme demonstra graficamente o anexo 2:
I - Para cálculo das dimensões, tomar-se-á por base a largura desejada, dividida em treze partes iguais, constituindo cada parte um módulo;
II - O comprimento será de 19,5 (dezenove e meio) módulos, tendo os demais elementos as seguintes proporções:
a) Campo burelado: 1 (um) módulo de largura de cada peça;
b) Cantão: 7,5 (sete e meio) módulos de comprimento por 5 (cinco) de largura;
c) Círculo: 4 (quatro) módulos de diâmetro;
d) Silhueta geográfica: Inscrita numa circunferência imaginária de 3,5 (três e meio) módulos de diâmetro e concêntrica ao Círculo.
e) Estrelas: Inscritas numa circunferência imaginária de 1,5 (um e meio) módulo de diâmetro, cujo centro se localiza a 1 (um) módulo de distância dos bordos do cantão.
III - A indicação dos metais ouro e prata, em qualquer tecido em que a bandeira seja confeccionada, será feita pelo amarelo e pelo branco, respectivamente.

Cores[editar | editar código-fonte]

As cores utilizadas na bandeira (preto, branco, amarelo e azul) não possuem suas tonalidades definidas em leis. No entanto, o manual de identidade visual do governo do estado de São Paulo especifica as seguintes cores para feitura da marca do governo (que é composta por uma versão modificada da bandeira):[8]

Cor CMYK RGB Hexadecimal Pantone
0/0/0/100 33/33/37 212125 Black C
0/100/100/0 196/0/8 C40008 485 C
0/0/100/0 255/236/0 FFEC00 Yellow C
100/80/0/0 41/66/146 294292 286 C
0/0/0/0 255/255/255 FFFFFF

Por causa da bandeira, as cores que caracterizam o estado de São Paulo são o preto, o branco e o vermelho.[8]

Significado[editar | editar código-fonte]

A bandeira paulista no topo do edifício Altino Arantes, em São Paulo

A bandeira possui treze listras variando entre branco e preto, começando e terminando na faixa preta, para que fique delimitado o começo e o final da bandeira, sem que haja nenhuma dúvida. As faixas pretas e brancas representam os dias e as noites que os bandeirantes lutaram pelo bem do estado.[9]

Possui um retângulo vermelho na horizontal, que representa o sangue derramado pelos bandeirantes, alinhado no topo à esquerda, tendo dentro um círculo de fundo branco e o mapa do Brasil em azul, sendo o azul a cor da pujança, que os bandeirantes acreditam ter trazido para o estado de São Paulo, com todos os dias e noites, e sangue derramado - amarrando a ideia clara de que foi grande a contribuição bandeirante para o estado.[9]

Há também quatro estrelas amarelas na parte interna dos quatro cantos do retângulo. No verso da bandeira, a única diferença é que o retângulo fica alinhado no topo à direita, porém o mapa do Brasil continua idêntico à parte da frente como mostram as figuras do artigo.[9]

Segundo o criador da bandeira, Júlio Ribeiro, em texto de O Rebate de 16 de julho de 1888, as cores preta, branca e vermelha simbolizam, respectivamente, as três raças formadoras do povo brasileiro: africanos, europeus e ameríndios. Faz referência à tese de Carl Friedrich Philipp von Martius, escrita em Como se deve escrever a história do Brasil (1840) e premiada pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. A tese das três raças de von Martius influenciaria na criação de outras bandeiras brasileiras, como a do estado do Maranhão. Ainda segundo Ribeiro em O Rebate, as quatro estrelas amarelas representam a constelação do Cruzeiro do Sul.[10]

Bandeiras relacionadas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Portal A Wikipédia possui o
Portal de São Paulo

Notas

  1. Conforme descrito no artigo 7º da constituição estadual.[1]

Referências

  1. SÃO PAULO. Constituição do estado de São Paulo. 2004. Acessado em: 20 jan. 2011
  2. RIBEIRO, 1933, p. 68.
  3. a b c d RIBEIRO, Clóvis. Brazões e Bandeiras do Brasil. São Paulo: São Paulo Editora, 1933. 65-68, 151-153 p.
  4. RIBEIRO, Júlio. O Rebate, 16 de julho de 1888.
  5. Associação Brasileira de Filatelia Temática: A bandeira e o brasão paulista na Revolução de 1932. Visitado em 9 de outubro de 2015.
  6. TAUNAY, Afonso. Heraldica Municipal Brasileira. In: Jornal do Commercio, Rio de Janeiro. 1931/1932.
  7. Assembleia Legislativa do Estado de São PauloLei n° 145, de 03/09/1948 (1948). Visitado em 9 de outubro de 2015.
  8. a b SÃO PAULO. Manual de Identidade Visual, Governo de São Paulo Acessado em: 19 jan. 2011.
  9. a b c Governo do Estado de São Paulo: Bandeira de São Paulo. Visitado em 9 de outubro de 2015.
  10. Wikisource-logo.svg O Rebate, 16 de julho de 1888 n'O Rebate (1913) no Wikisource em português.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikisource
O Wikisource contém fontes primárias relacionadas com Bandeira do estado de São Paulo
Bandeiras dos Estados e do Distrito Federal brasileiros
Acre Bahia Goiás Minas Gerais Pernambuco Rio Grande do Sul São Paulo
Alagoas Ceará Maranhão Pará Piauí Rondônia Sergipe
Amapá Distrito Federal Mato Grosso Paraíba Rio de Janeiro Roraima Tocantins
Amazonas Espírito Santo Mato Grosso do Sul Paraná Rio Grande do Norte Santa Catarina Brasil