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Banksy

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Banksy
Flower Thrower (2003), grafite de Banksy em Belém, Palestina.
Pseudônimo(s)Robert Del Naja
Nascimento1974/75
Bristol
Nacionalidadebritânico
CidadaniaReino Unido
OcupaçãoArtista de rua, ativista político, cineasta
Distinções
Obras destacadasOne Nation Under CCTV, Slave Labour, Love Is in the Bin, Exit Through the Gift Shop, Crude Oil (Vettriano)
Movimento estéticoarte contemporânea
Página oficial
www.banksy.co.uk

Banksy (Bristol, 1974/75[1][2]) é um artista de rua, ex-grafiteiro, ativista político e cineasta britânico, cujos trabalhos em estêncil são facilmente encontrados nas ruas da cidade inglesa de Bristol, em Londres e em várias cidades do mundo. Ativo desde os anos 1990, tornou-se uma das figuras mais influentes da arte urbana contemporânea. Estudos apontam sua identidade como Robin Gunningham, mas há controvérsias.[3]

Biografia

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Banksy é o pseudônimo de um artista britânico cuja arte de rua satírica e subversiva combina humor negro e grafite feito com uma distinta técnica de estêncil. Seus trabalhos de comentários sociais e políticos podem ser encontrados em ruas, muros e pontes de cidades por todo o mundo. O trabalho de Banksy nasceu da cena alternativa de Bristol, e envolveu colaborações com outros artistas e músicos. De acordo com o designer gráfico e autor Tristan Manco, Banksy nasceu em 1974 em Bristol (Inglaterra), onde também foi criado.[4]

Filho de um técnico de fotocopiadora, começou como açougueiro mas se envolveu com grafite durante o grande boom de aerossol em Bristol no fim da década de 1980. Observadores notaram que seu estilo é muito similar ao de Blek le Rat, que começou a trabalhar com estênceis em 1981 em Paris, e à campanha de grafite feita pela banda anarco-punk Crass no sistema de metrô de Londres no fim da década de 1970.[5] Conhecido pelo seu desprezo pelo governo que rotula grafite como vandalismo, Banksy expõe sua arte em locais públicos como paredes e ruas, chegando a usar objetos para expô-la. Banksy não vende seus trabalhos diretamente, mas sabe-se que leiloeiros de arte tentaram vender alguns de seus grafites nos locais em que foram feitos, deixando o problema de como remover o desenho nas mãos dos compradores. O primeiro filme de Banksy, Exit Through the Gift Shop, teve sua estreia no Festival Sundance de Cinema, foi lançado no Reino Unido no dia 5 de março de 2010, e em janeiro de 2011 foi nomeado para o Oscar de Melhor Documentário.

Identidade

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Vários estudos apontam a sua verdadeira identidade como sendo Robin Gunningham.[3] Em 2016, pesquisadores da Universidade Queen Mary de Londres utilizaram técnicas de análise geográfica criminal — conhecidas como geoforensics — para mapear a localização das obras de Banksy e cruzá-las com dados de residência de suspeitos, concluindo que Robin Gunningham seria o artista com maior probabilidade de ser Banksy.[6]

Em 2016, um jornalista escocês afirmou que Robert Del Naja, co-fundador do Massive Attack, é a verdadeira identidade de Banksy.[7][8] Em 2017, o DJ e artista Goldie usou o nome "Robert" para se referir a Banksy durante uma entrevista ao Podcast Distraction Pieces, do Reino Unido.[8][9] Também há especulação de que o artista suíço Maître de Casson pode ser Banksy,[10] mas este nega a afirmação em seu site.[11]

Suas obras são carregadas de conteúdo social, expondo claramente uma total aversão aos conceitos de autoridade e poder. Em telas e murais faz suas críticas — normalmente sociais, mas também comportamentais e políticas — de forma agressiva e sarcástica, provocando em seus observadores, quase sempre, uma sensação de concordância e de identidade. Apesar de não fazer caricaturas ou obras humorísticas, não raro, a primeira reação de um observador frente a uma de suas obras será o riso. Espontâneo, involuntário e sincero, assim como suas obras.

The Mild Mild West

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The Mild Mild West (1999), mural de Banksy na rua Stokes Croft, Bristol.

Pintado em 1999 na rua Stokes Croft, em Bristol, o mural retrata um ursinho de pelúcia branco arremessando um coquetel molotov contra policiais de choque. É considerado uma das primeiras grandes obras de Banksy e um ícone visual da cidade de Bristol. O trabalho passou a integrar a identidade cultural local e foi restaurado diversas vezes ao longo dos anos para preservá-lo de danos e pichações.[12]

Mural Apagado

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Um grande mural do artista Banksy foi coberto de tinta por funcionários contratados pela prefeitura da cidade britânica de Bristol para lidar com pichação. O trabalho artístico, com pouco mais de 7 metros de comprimento e que ficava em um muro ao lado de oficinas na cidade, foi coberto com uma grossa camada de tinta preta. O conselho municipal de Bristol disse que quer que o erro seja investigado e determinou a preservação de todas as obras de Banksy na cidade. Em consequência deste engano, alguém pichou as palavras "wot no Banksy?" (que poderia ser traduzido como "o quê, sem Banksy?") por cima da tinta preta.

O mural, um dos primeiros trabalhos de Banksy, apresentava uma coleção de formas azuis, com o traço que é sua marca registrada. Há outros grafites dele em uma ponte ferroviária na mesma cidade. Gary Hopkins, do conselho municipal de Bristol, disse que os funcionários da empresa contratada, Nordic, receberam a incumbência de apagar uma pichação ao lado da obra de Banksy, mas se enganaram e cobriram os traços do artista. "Nós teremos que tomar providências contra a empresa, porque o conselho municipal não deu instruções para a remoção de nenhum trabalho de Banksy." "Estamos cientes de que ele é bastante valioso e temos instruções específicas para que nenhum mural de Banksy seja removido", afirmou. A Nordic e o artista não se pronunciaram sobre o assunto. Algumas das obras de Banksy alcançaram preços altos entre colecionadores. Em fevereiro, uma imagem de aposentados jogando boliche com bombas foi vendida pelo equivalente a quase US$ 200 mil, um recorde para o artista. Mas a galeria Lazarides, em Londres, que vende cópias do seu trabalho, disse que seria um erro colocar um preço no antigo mural de Bristol, pois isto poderia ser uma tentação para pessoas que poderiam removê-lo. No seu site, o próprio Banksy afirma não ser oficialmente representado por esta galeria.

One Nation Under CCTV

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One Nation Under CCTV (2007), mural de Banksy na Newman Street, Londres.

Pintado em 2007 na Newman Street, em Londres, o mural retratava um menino de capuz vermelho sobre uma escada pintando a frase "ONE NATION UNDER CCTV" em letras brancas, enquanto era vigiado por um policial e um cão — e, ironicamente, por uma câmera de vigilância real instalada ao lado da obra. O trabalho de cerca de 7 metros de altura foi executado às escondidas dentro do pátio de um depósito dos Correios britânicos.[13]

Em 2008, o Conselho Municipal de Westminster ordenou a remoção da obra sob a alegação de que havia sido criada sem autorização e poderia incentivar outros grafites não licenciados. O mural foi apagado em abril de 2009. Em resposta, Banksy declarou à revista Time: "Não entendo do que o vizinho está reclamando — o prédio dele é tão feio que a placa de 'Proibida a entrada' parece um insulto."[14]

Arte na Palestina

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Banksy realizou várias intervenções na Cisjordânia e em Gaza, tornando-se um dos artistas mais associados à denúncia visual da situação palestina. Em 2003, pintou em Belém o mural Flower Thrower (também chamado de Love is in the Air), que mostra um manifestante mascarado arremessando um buquê de flores no lugar de uma bomba — imagem que se tornou uma das mais reconhecidas de toda a sua obra.[15]

Em 2017, Banksy abriu o Walled Off Hotel em Belém, um hotel temático com vista direta para o muro israelense, repleto de obras de arte próprias e de outros artistas. O projeto foi descrito pelo artista como tendo "o pior quarto com vista do mundo".[16]

Mês de Banksy em Nova Iorque

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Durante o mês de outubro de 2013 Banksy esteve em Nova Iorque e realizou uma série de trabalhos pelas ruas da cidade. Todas as suas intervenções foram divulgadas em um site e acabaram atraindo a atenção de moradores e turistas. Dentre alguns dos trabalhos se destacaram uma crítica à construção do One World Trade Center, uma escultura de um Ronald McDonald mal-humorado usando um enorme sapato vermelho que era engraxado por um jovem humano e um caminhão que estava repleto de bichos de pelúcia que choravam e gritavam simbolizando animais indo para o abate.[17]

Exit through the gift shop

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O documentário sobre arte urbana Exit Through the Gift Shop, foi o primeiro filme de Banksy, tendo sua estreia mundial no Festival de Filmes de Sundance, sendo lançado no Reino Unido no dia 5 de março de 2010. No ano seguinte, foi um dos indicados ao Oscar de Melhor Documentário.

O filme, que apresenta a transformação de um documentarista francês chamado Thierry Guetta em um fenômeno da arte urbana, Mr. Brainwash, foi apontado como uma fraude pela mídia internacional.[18] Ainda assim, o filme foi aclamado por suas inovações na forma, e por trazer flagras de diversos artistas do grafite fazendo suas obras, entre eles o próprio Banksy e o francês Invader.

Girl with Balloon

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Reprodução de Girl with Balloon exposta em Bruxelas (2022).

Mural criado em 2002 que mostra uma menina com um balão vermelho em forma de coração.[19] Em 5 de outubro de 2018, uma pintura reproduzindo o mural, feita pelo artista em 2006, foi leiloada na Sotheby's, em Londres. A obra foi arrematada por uma mulher pelo valor de £1 milhão (cerca de US$1,3 milhões, na época). Em seguida ao arremate, uma sirene tocou e a obra deslizou para fora de sua moldura, se autodestruindo — sendo parcialmente cortada em tiras por um triturador de papeis embutido na moldura. Depois, Banksy postou em seu Instagram um vídeo que mostrava como havia instalado um equipamento dentro da moldura para destruir a obra caso esta fosse a leilão. O artista também postou outro vídeo do momento em que a obra se destruía ante a perplexidade dos presentes, com a frase "The urge to destroy is also a creative urge" ("O desejo de destruir também é um impulso criativo"), atribuída a Picasso.[20]

A compradora, identificada posteriormente como uma colecionadora europeia, decidiu manter a obra mesmo após a autodestruição parcial. Em outubro de 2021, a peça — renomeada Love Is in the Bin — foi a leilão novamente na Sotheby's e arrematada por £18,58 milhões (cerca de US$25,4 milhões), tornando-se a obra de maior valor já vendida por Banksy até então.[21]

Murais na Ucrânia

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Em novembro de 2022, Banksy confirmou em seu perfil oficial no Instagram que havia realizado uma série de intervenções em cidades da Ucrânia devastadas pela invasão russa da Ucrânia. Os murais, documentados em Borodyanka, Irpin e Kiev, retratavam, entre outros, uma criança praticando judô com um adulto — em alusão às raízes do presidente russo Vladimir Putin nesse esporte — e uma ginasta equilibrada sobre os escombros de um edifício destruído.[22] As obras foram amplamente interpretadas como um ato de solidariedade e denúncia diante dos impactos da guerra sobre a população civil ucraniana.

Girl on a Swing

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Girl on a Swing (2010), mural de Banksy no edifício Sparkle Factory, centro de Los Angeles.

Pintado em 2010 no centro de Los Angeles, poucos dias antes da estreia local do documentário Exit Through the Gift Shop, o mural de 12 por 33 pés retrata uma menina balançando a partir da letra "A" de uma placa de estacionamento ("PARKING"), cujas letras "ING" foram apagadas, deixando apenas a palavra "PARK". A obra é interpretada como um comentário sobre a falta de espaços seguros para crianças brincarem em áreas urbanas degradadas.[23]

Em 2022, o edifício Sparkle Factory — onde o mural está pintado — foi colocado à venda por seus proprietários após processo de falência. Por se tratar da única obra pública autônoma de Banksy em Los Angeles, o mural foi avaliado separadamente entre US$10 e US$30 milhões, gerando debate sobre a tensão entre arte pública e propriedade privada.[24]

Ver também

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Referências

  1. «Banksy confirms escaping prisoner artwork at Reading jail». BBC. 4 de março de 2021. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  2. «Retratos de Kate Moss não encontram comprador em leilão em Londres». UOL. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  3. a b «Como a estatística ajudou a descobrir a identidade de Banksy». Público (jornal). 6 de março de 2016. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  4. Manco, Tristan (2002). Stencil Graffiti. [S.l.]: Thames & Hudson. ISBN 978-0500283714 
  5. «Banksy: how the brand identity is carefully maintained». The Guardian. 17 de dezembro de 2014. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  6. «Scientists use 'geoprofiling' to identify Banksy». The Guardian. 5 de março de 2016. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  7. «Quem é Banksy? O fundador dos Massive Attack, diz investigador». SAPO Mag. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  8. a b «Did Goldie just reveal who Banksy is?». BBC News (em inglês). 23 de junho de 2017. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  9. «DJ deixa escapar possível identidade do grafiteiro Banksy». G1. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  10. Dobke, Hans-Heiner (9 de dezembro de 2019). «Ist Banksy der Leipziger Maler Maître de Casson?». TRENDKRAFT (em alemão). Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  11. «Maître de Casson». maitredecasson.com. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  12. «Banksy's Mild Mild West mural vandalised in Bristol». BBC. 26 de agosto de 2011. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  13. «A Banksy Mural Has Been Destroyed. It's Not the First Time». Time. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  14. «A Banksy Mural Has Been Destroyed. It's Not the First Time». Time. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  15. «Banksy: The art, the artist, the mystery». BBC. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  16. «Banksy's Walled Off Hotel opens in Bethlehem with 'worst view in the world'». The Guardian. 3 de março de 2017. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  17. Luciana Carvalho (31 de outubro de 2013). «Mês de Banksy em NY termina. Confira o que o artista fez lá». Exame. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  18. «Exit through the gift shop: 5 motivos para assistir». FalaCultura. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  19. «As obras mais famosas de Banksy». O Globo. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  20. «Após leilão, mulher decide manter compra de quadro de Banksy que se autodestruiu». G1. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  21. «Banksy's Love is in the Bin sells for £18.58m at Sotheby's». BBC. 14 de outubro de 2021. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  22. «Banksy confirms he created murals in Ukraine». BBC. 11 de novembro de 2022. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  23. «Banksy's mural known as "Swing Girl", and the Los Angeles building he painted it on, head to auction». The Art Newspaper. 1 de setembro de 2022. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  24. «A Banksy Mural in L.A. Is Hitting the Auction Block—With the Whole Building It Was Painted on Attached». Artnet News. 2 de setembro de 2022. Consultado em 17 de janeiro de 2026 

Ligações externas

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O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Banksy