Plínio, o Velho
| Caio Plínio Segundo | |
|---|---|
| Nascimento | 23 Como |
| Morte | 79 (56 anos) Estábia |
| Nacionalidade | Romano |
| Cidadania | Roma Antiga |
| Progenitores |
|
| Filho(a)(s) | Plínio |
| Irmão(ã)(s) | Plinia Marcella |
| Ocupação | naturalista |
| Obras destacadas | História Natural |
| Causa da morte | erupção vulcânica |
Caio Plínio Segundo (em latim: Gaius Plinius Secundus; Como, 23 – Estábia, 79), conhecido também como Plínio, o Velho, foi um naturalista romano.[1] Era tio de Plínio, o Jovem.
Biografia
[editar | editar código]Escritor, historiador, gramático, administrador e oficial romano. Era filho de um equestre, cavaleiro romano, e da filha do senador Caio Cecílio de "Novum Comum" nascido em Cosme na Cisalpina. Plínio estudou em Roma e ingressou na carreira militar, servindo primeiramente na África e depois assumindo como oficial o comando de uma tropa de cavalaria na Germânia, aos 23 anos. Retornou a Roma para dedicar-se a escrever e estudar Direito. Executou importantes cargos públicos sendo nomeado procurador na Espanha quando Nero ainda era imperador, logo após, no norte da África e na Gália. Era um dos mais ferozes críticos da extravagância, em tudo, desde mesas de uma perna só até usar vários anéis no mesmo dedo.[2][3]
De todas as suas obras, a única que sobreviveu foi um tratado denominado História Natural, uma imensa compilação composta de 37 volumes, que contém algumas passagens originais sobre o destino do homem na natureza e oferece um excelente panorama da geografia, zoologia e botânica na Antiguidade. Para alguns o maior erudito da história imperial romana e que deixou uma obra considerável e fundamental para o " saber científico" subsequente.[2][3]
Morte
[editar | editar código]Plínio era Almirante da frota de Miseno, próximo a Nápoles. Faleceu nesse cargo enquanto, ao tentar observar, como naturalista, a erupção do vulcão Vesúvio em 79, também tentava salvar os habitantes da costa que fugiam.[1]
Residindo a trinta quilômetros de Pompeia, foi surpreendido pela explosão do vulcão, uma vez que, até aquela data, a única coisa que havia registrado sobre o assunto foram as marcas de queimado no topo do Vesúvio. Para saciar a sua curiosidade, mandou preparar um pequeno barco, convocou uma tripulação de nove homens e pouco antes das 17h pôs-se a caminho de Pompeia. Ao se aproximarem da cidade, as altas temperaturas e uma densa nuvem de fumaça fizeram com que o barco se desviasse de seu destino, vindo a aportar na vizinha Estábia. Na manhã do dia 25, antes das 7h da manhã, uma nova nuvem atingiu Pompeia. Quem ainda tinha sobrevivido e permanecido no local, acabou sufocado pelos gases.[1]
A nuvem prosseguiu em direção a Estábia. Os moradores perceberam-na atravessando a baía e tentaram fugir, sem sucesso: os gases vulcânicos fizeram centenas de vítimas, entre elas Plínio, o Velho. O que se sabe de sua vida provém de referências de seu sobrinho Plínio, o Moço. Em carta a Tácito, por exemplo, seu sobrinho salientou o caráter heroico da morte do tio, que quando para lá acorreu como comandante da frota em Messina, seu último cargo público, na tentativa de ajudar os sobreviventes de Pompeia, Herculano e Estábia e, ao mesmo tempo, estudar o fenômeno. Seu trabalho foi, a maior fonte de informações sobre a pintura grega, pois em todas as outras escolas artísticas, as descrições são avaliadas pelas pinturas que chegaram até os dias de hoje, opostamente ao que ocorreu com a grega. Exatamente conhecido como o Velho para diferenciá-lo do seu sobrinho de mesmo nome, chamado de o Moço ou o Jovem.[1]
História Natural
[editar | editar código]A última obra de Plínio, segundo seu sobrinho, foi a Naturalis Historia (História Natural), uma enciclopédia na qual ele coletou muito do conhecimento de seu tempo. Alguns historiadores consideram esta como sendo a primeira enciclopédia já escrita. Ela compreendia 37 livros. Suas fontes eram a experiência pessoal, seus próprios trabalhos anteriores (como a obra sobre a Germânia), e extratos de outras obras. Esses extratos eram coletados da seguinte maneira: um servo lia em voz alta, e outro escrevia o extrato conforme ditado por Plínio. Diz-se que ele ditava extratos enquanto tomava banho. No inverno, ele fornecia ao copista luvas e mangas longas para que sua mão de escrita não endurecesse com o frio (Plínio, o Jovem em avunculus meus). Sua coleção de extratos finalmente alcançou cerca de 160 volumes, que Lárcio Licínio, o legado pretoriano da Hispânia Tarraconense, ofereceu-se sem sucesso para comprar por 400 000 sestércios. Isso teria sido em 73/74 (veja acima). Plínio legou os extratos ao seu sobrinho.[4]
Quando a composição da História Natural começou é desconhecido. Como ele estava preocupado com suas outras obras sob Nero e então teve que terminar a história de seu tempo, é improvável que tenha começado antes de 70. As procuradorias ofereciam a oportunidade ideal para uma mentalidade enciclopédica. A data de uma composição geral não pode ser atribuída a qualquer ano específico. As datas de diferentes partes devem ser determinadas, se possível, por análise filológica (o post mortem dos estudiosos).[4]

O evento conhecido mais próximo a uma data única de publicação, isto é, quando o manuscrito foi provavelmente liberado ao público para empréstimo e cópia, e foi provavelmente enviado aos Flávios, é a data da Dedicatória no primeiro dos 37 livros. É para o imperador Tito. Como Tito e Vespasiano tinham o mesmo nome, Tito Flávio Vespasiano, escritores anteriores fizeram a hipótese de uma dedicatória a Vespasiano. A menção de Plínio a um irmão (Domiciano) e cargos conjuntos com um pai, chamando esse pai de "grande", aponta certamente para Tito.[5]
Plínio também diz que Tito havia sido cônsul seis vezes.[6] Os primeiros seis consulados de Tito foram em 70, 72, 74, 75, 76 e 77, todos conjuntamente com Vespasiano, e o sétimo foi em 79. Isso traz a data da Dedicatória provavelmente para 77. Naquele ano, Vespasiano tinha 68 anos. Ele havia governado conjuntamente com Tito por alguns anos.[5] O título imperator não indica que Tito era imperador único, mas foi concedido por uma vitória militar, neste caso aquela em Jerusalém em 70.[7]
Além de pequenos retoques finais, a obra em 37 livros foi completada em 77 d.C.[8] Que tenha sido escrita inteiramente em 77 ou que Plínio tenha terminado então não pode ser provado. Além disso, a dedicatória poderia ter sido escrita antes da publicação, e poderia ter sido publicada tanto privada quanto publicamente antes sem a dedicatória. O único fato certo é que Plínio morreu em 79 d.C.
A História Natural é uma das maiores obras individuais a ter sobrevivido do Império Romano e destinava-se a cobrir todo o campo do conhecimento antigo, baseada nas melhores autoridades disponíveis para Plínio. Ele afirma ser o único romano a ter empreendido tal obra. Ela abrange os campos da botânica, zoologia, astronomia, geologia e mineralogia, bem como a exploração desses recursos. Permanece uma obra padrão para o período romano e os avanços na tecnologia e compreensão dos fenômenos naturais da época. Suas discussões sobre alguns avanços técnicos são as únicas fontes para essas invenções, como hushing na tecnologia de mineração ou o uso de moinhos de água para triturar ou moer grãos. Muito do que ele escreveu foi confirmado pela arqueologia. É virtualmente a única obra que descreve o trabalho de artistas da época, e é uma obra de referência para a história da arte. Como tal, a abordagem de Plínio para descrever o trabalho dos artistas informou Lorenzo Ghiberti ao escrever seus comentários no século XV, e Giorgio Vasari, que escreveu o celebrado Vidas dos Mais Excelentes Pintores, Escultores e Arquitetos em 1550.
A História Natural como a Primeira Enciclopédia
[editar | editar código]Alguns historiadores consideram a História Natural como sendo a primeira enciclopédia já escrita.[4] Foi a primeira enciclopédia a sobreviver. Houve muitas histórias antigas escritas antes da História Natural de Plínio, o Velho, mas os estudiosos ainda reconhecem a História Natural como uma enciclopédia, distinguindo-a das outras histórias antigas. Independentemente de ter sido a primeira, é certamente a mais significativa. Através da História Natural, Plínio, o Velho, oferece aos especialistas modernos uma visão dos significados de várias coisas da Roma do primeiro século de uma forma que nenhum outro texto sobrevivente faz.[9] Cada livro da História Natural cobre um tópico diferente, e a obra pretende cobrir todos os tópicos. Dada a organização da obra, fica claro que foi destinada a ser um recurso de referência. Mesmo estudiosos modernos às vezes comparam um objeto desconhecido mencionado em um texto antigo diferente com os objetos descritos por Plínio e fazem comparações. Estudiosos modernos também são capazes de usar a História Natural para entender as tradições, fantasias e preconceitos na Roma Antiga.[9]
A obra tornou-se um modelo para todas as enciclopédias posteriores em termos da amplitude dos assuntos examinados, a necessidade de referenciar autores originais, e uma lista de índice abrangente do conteúdo. É a única obra de Plínio a ter sobrevivido, e a última que ele publicou, carecendo de uma revisão final em sua morte súbita e inesperada na erupção do Monte Vesúvio em 79 d.C.[9]
Ver também
[editar | editar código]Bibliografia
[editar | editar código]- Beard, Mary Ritter (2015). Spqr - Uma História da Roma Antiga. São Paulo: Planeta. ISBN 978-1631492228
Referências
- ↑ a b c d Harris Robert; “Pompei”; pp. 53-80-273 a 275 -293; Arnoldo Mondatori Edit.; Milano; (2003); ISBN:88-04-53362-5.
- ↑ a b Secundus, Gaius Plinius (1827). Caii Plinii Secundi Historiae naturalis libri XXXVII: 1. P. 1. continens Cosmologiam. - 1827. - CXII, 480 S. : 2 Ill (em latim). [S.l.]: Lemaire. Consultado em 20 de julho de 2025
- ↑ a b Healy, John F. (1999). Pliny the Elder on science and technology. Oxford University Press. ISBN 0-19-814687-6
- ↑ a b c Dennis, J. (1995). «Pliny's World: All the Facts-and then Some.». Smithsonian. 26 (8). 152 páginas
- ↑ a b Beagon (2005), p. 7.
- ↑ Gaius Plinius Secundus (1855). «Book I:Dedication». The Natural History of Pliny. 1. Traduzido por John Bostock e Henry Thomas Riley. London: Henry G. Bohn.
You, who have had the honour of a triumph, and of the censorship, have been six times consul, and have shared in the tribunate....
- ↑ «Roman Emperors - DIR Titus». roman-emperors.sites.luc.edu
- ↑ Jerry Stannard (1977). «Pliny the Elder – Roman scholar». The New Encyclopædia Britannica. 14 15 ed. p. 572a
- ↑ a b c Murphy, Trevor (2007). Pliny the Elder's Natural History: The Empire in the Encyclopedia (em inglês). [S.l.]: Oxford University Press. ISBN 9780199262885

