Carsten Niebuhr

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Carsten Niebuhr

Carsten Niebuhr (Lüdingworth, Land Hadeln, 17 de março de 1733 - Meldorf, 26 de abril de 1815) foi um naturalista, explorador, matemático e cartógrafo alemão.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Niebuhr era filho de um pequeno fazendeiro. Tendo pouca instrução escolar passou a maior parte da sua juventude trabalhando como agricultor. Devido a sua inclinação inata pela matemática aprendeu desde muito jovem algo sobre orientação. Seus estudos universitários de matemática foram realizados na Universidade de Göttingen no ano de 1760 , e como perito em geometria ofereceu seus serviços à Dinamarca. Trabalhando na área de navegação com um dos seus professores, este lhe propôs que se unisse a uma expedição que estava sendo patrocinada pelo rei Frederico V da Dinamarca para uma exploração científica ao Egito, Arábia e Síria.

Expedição[editar | editar código-fonte]

Monumento em Alten Friedhof, Bonn.

Objetivos e composição da expedição[editar | editar código-fonte]

A idéia da expedição ocorreu oito antes pelo professor da Universidade de Göttingen e orientalista Johan David Michaelis, com o objetivo de comprovar o conteúdo da Bíblia.

Junto com C. Niebuhr, para compor a expedição, foram escolhido as seguintes personalidades:

Berggren, um militar sueco como ajudante.

Durante os preparativos houve algumas discussões entre os seus participantes ocasionadas pelo atraso do início da expedição devido a espera pela chegada de Friedrich Christian von Haven de Roma e sobre questões de competências e liderança. No final, Haven assumiu a liderança da expedição.

Para qualificar-se em geometria e geografia necessárias para esta missão, Niebuhr estudou duramente matemática por um ano e meio, aproveitando para adquirir algum conhecimento do árabe.

Viagem[editar | editar código-fonte]

A expedição partiu em janeiro de 1761, inicialmente planejada para sair pelo mar do norte até o Mediterrâneo. Porém, as condições climáticas os forçaram a viajar por terra até Marselha, e por mar até a cidade de Alexandria. A partir daí subiram o rio Nilo até a cidade de Suez. Devido a problemas com a tripulação, Frederick von Haven parou a expedição por quase um ano no Egito. Durante esta parada, Niebuhr e Forsskå visitaram o Monte Sinai e aperfeiçoaram seus conhecimentos de árabe. Durante esta época Niebuhr elaborou um mapa da cidade do Cairo, descrevendo seus costumes, artesanato e economia dos seus habitantes. Fez as medidas das Pirâmides de Gizé com uma exatidão não realizada até aquela data. Também adquiriu durante este intervalo de tempo manuscritos hebreus.

Em agosto de 1762 a expedição, novamente refeita, partiu para o Mar Vermelho e, em outubro do mesmo ano, chegou em Jidá e Luhayya, seguindo por terra para Mocca, no Iémen. Em fevereiro de 1763 a expedição chegou à Bayt al-faqih, um local ideal para Niebuhr e Forsskå estudarem o país. Pesquisaram a flora e a fauna e, ainda, Niebuhr elaborou um mapa do Iêmen que foi usado por mais de um século devido a sua exatidão. Em maio de 1763 morreu o filólogo e líder da expedição, Frederick von Haven, e em julho do mesmo o naturalista Pehr Forsskål. Os demais componentes da expedição seguiram para Sana, capital do Iêmen, onde permaneceram por um ano. Alguns componentes da expedição devido ao sofrimento infligido pelo clima e pelo método de vida local retornaram à Mooca.

Niebuhr parece ter conservado sua própria vida e ter recuperado a sua saúde graças a sua capacidade de adaptação, adotando os hábitos dos nativos quanto a vestimenta e alimentação. De Mooca, a expedição partiu para Bombaim. Em 29 de agosto durante a travessia do Oceano Índico morreu o artista da expedição, (Georg Wilhelm Baurenfeind), e o ajudante Berggren um dia depois. O médico Christian Carl Cramer e Niebuhr tornaram-se os únicos sobreviventes da expedição. Permaneceram catorze meses em Bombaim na casa de um médico inglês que os acolheu devido as suas enfermidades, entretanto, Cramer morreu em 10 de fevereiro de 1764. Por outro lado, Niebuhr se recuperou e animou-se à voltar para a Dinamarca. No seu retorno passou por Muscate, por Bushire, por Xiraz e por Persépolis visitando as ruínas da Babilônia, onde durante três meses passou medindo e descrevendo estátuas, casas e monumentos, estudos que se tornaram importantes posteriormente nas cidades de Bagdá, Jerusalém e Damasco. Parece ter visitado a Inscrição de Behistun em torno de 1764. No natal de 1765 chegou a cidade santa de Nayaf, sendo o primeiro ocidental a pisar na cidade; em janeiro de 1766 chegou em Bagdá, em março em Mossul, e em julho em Alepo.

Regresso a Europa[editar | editar código-fonte]

Depois de uma visita ao Chipre, efetuou uma excursão através da Palestina, cruzando os Montes Tauro até Bursa, chegando à Constantinopla em fevereiro de 1767, visitando Jerusalém e Damasco. Dez meses depois chegou a Copenhage. Retornou à Alemanha ( após seis anos de viagem ) , passando oito meses em Göttingen para informar ao professor Michaelis os resultados da viagem, porém, este não ficou muito satisfeito com o transcurso das investigações realizadas por Niebuhr, em parte porque o objetivo da expedição era investigar as origens da Bíblia. Isso foi descrito por Niebuhr em seu livro "Beschreibung von Arabien" ( em árabe) no ano de 1774.

Em 1773 casou-se, aceitando um posto no serviço militar dinamarquês que o permitiu residir em Copenhage. Em 1778, aceitou um posto administrativo em Meldorf (Dithmarchen), onde se aposentou e morreu com a idade de 82 anos, em 1815. Nesta cidade, estava sempre em contato com arqueólogos alemães, como Friedrich Münter, e foi onde escreveu seus trabalhos sobre o Oriente.

Obras[editar | editar código-fonte]

Niebuhr foi um observador exato e cuidadoso, tinha os instintos de um cientista com um propósito moral, registrando os resultados de suas observações com uma consciência rigorosa e um elevado desejo de representar a realidade. A precisão com que fez as cópias da escrita cuneiformes em Persépolis, por exemplo, permitiu criar uma base para decifrar esta escrita pelos demais pesquisadores. Seus trabalhos têm sido mais que um estudo clássico de geografia, pois descreviam a etnografia, as antiguidades e a arqueologia das cidades por onde passou no Oriente.

Seu primeiro volume, "Beschreibung von Arabien", foi publicado em Copenhage em 1774, sendo as ilustrações da obra custeada pelo governo dinamarquês. É considerado mais do que um relatório de viagem, pois foi uma das primeiras obras etnográfica da época moderna.

Entre 1774 e 1778, publicou em copenhage os dois volumes de "Reisebeschreibung nach Arabien und anderen umliegenden Ländern".

O quarto volume, "Reisen durch Syrien und Palästina", foi publicado por sua filha em Hamburgo, em 1837.

Empreendeu também a tarefa de publicar os trabalhos de descrição dos animais do naturalista Forsskål, seu amigo de expedição, sob os títulos: "Descriptiones animalium, Flora Aegyptiaco-Arabica" e "Icones rerum naturalium" (Copenhage, 1775-1776).

Niebuhr contribuiu também para o periódico do Deutsches Museum, escrevendo artigos referentes ao interior da África, sobre as condições políticas e militares do Império Otomano, e outros assuntos.

Traduções e biografias[editar | editar código-fonte]

As traduções francesas e holandesas de suas narrativas foram publicadas enquanto vivo, e uma tradução inglesa condensada dos três primeiros volumes foi publicada por Robert Heron em Edimburgo, em 1792.

Uma cópia da tradução de 1792 do "Travels through Arabia" de M. Niebuhr, em dois volumes, foi publicada por uma livraria do Líbano, em Beirute.

Seu filho, Barthold Georg Niebuher, publicou uma breve biografia de seu pai denominada "Life at Kiel" em 1817; uma versão inglesa, "Lives of Eminent Men", foi publicada em 1838 pela Society for the Diffusion of Useful Knowledge.

Thorkild Hansen escreveu uma biografia romanceada da viagem da expedição, traduzida para o francês e publicada sob o título "La mort en Arabie" pela Actes Sud.

Fontes[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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