Caso de corrupção na FIFA em 2015

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Hotel onde ocorreram as prisões em 27 de maio de 2015.

Em 2015, o Ministério Público Federal dos Estados Unidos divulgou casos de corrupção por parte de funcionários e associados ligados à Federação Internacional de Futebol, o órgão executivo do futebol, futsal e futebol de praia.

Em maio de 2015, 14 pessoas foram acusadas ​​em uma investigação pelo Federal Bureau of Investigation (FBI) e pelo Internal Revenue Service por fraude eletrônica, extorsão e lavagem de dinheiro. O Procurador-Geral dos Estados Unidos anunciou, simultaneamente, a retirada do selo dos indiciamentos e as confissões de culpa por quatro executivos de futebol e duas corporações.

A investigação focava-se principalmente em torno de funcionários das instâncias continentais do futebol, como a Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL) e a Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (CONCACAF), e executivos ligados ao marketing esportivo. Os executivos de marketing esportivo eram titulares de mídia e direitos de marketing para as competições internacionais de alto nível, incluindo as eliminatórias da Copa do Mundo FIFA e torneios continentais como a Copa Ouro da CONCACAF e a Copa América. O presidente da CONCACAF Jeffrey Webb, que presidia também a Associação de Futebol das Ilhas Cayman, foi preso durante a investigação, assim como dois membros do comitê da FIFA: Eduardo Li, presidente da Federação Costarriquenha de Futebol, Eugenio Figueredo, antigo membro da Associação Uruguaia de Futebol e o ex-presidente da CONMEBOL Nicolás Leoz. A investigação durou vários anos, quando o ex-presidente da CONCACAF, Jack Warner, foi preso em julho de 2013.[1][2]

No total, sete funcionários da FIFA foram presos no Hotel Baur au Lac, em Zurique em 27 de maio de 2015. Eles estavam se preparando para participar do 65º Congresso da FIFA, onde ocorreu a eleição para presidente da FIFA.[3] Eles serão extraditados para os Estados Unidos sob suspeita de receber 150 milhões de dólares em subornos.[3] Houve também prisões simultâneas na sede da CONCACAF em Miami[4] e, mais tarde, mais dois homens se entregaram à polícia para detenção.[5][6] Duas outras detenções de oficiais da FIFA no hotel ocorreram em dezembro de 2015.[7] O caso desencadeou prisões na Austrália,[8] Colômbia,[9] Costa Rica,[10] Alemanha[11] e Suíça.[12]

Alegações[editar | editar código-fonte]

Em 2013, o ex-presidente da FIFA João Havelange e o presidente da Confederação Brasileira de Futebol Ricardo Teixeira foram ambos acusados de ter recebido subornos. O membro do comitê executivo da FIFA Manilal Fernando sancionou que ambos receberiam uma proibição vitalícia para suborno e corrupção.[13][14]

O FBI alegou a utilização de suborno, fraude e lavagem de dinheiro para corromper a emissão de meios de comunicação social e direitos de marketing para os jogos da FIFA nas Américas, estimados em US$ 150 milhões,[2] incluindo pelo menos US$ 110 milhões para a escolha dos Estados Unidos como sede da Copa América Centenário.[15] Além disso, a acusação também alega que o suborno foi usado em uma tentativa de influenciar contratos de patrocínio de uniformes, o processo de seleção para a Copa do Mundo FIFA de 2010 e a eleição presidencial da FIFA de 2011.[2] Especificamente, um anônimo de uma empresa de materiais esportivos – identificado em várias fontes como a Nike Inc.[16][17][18] – teria pago pelo menos US$ 40 milhões em subornos para tornar-se o único fornecedor de jogos de calçados, acessórios e equipamentos para a Seleção Brasileira de Futebol.[16]

Em 2011, o executivo de futebol americano e oficial da CONCACAF Chuck Blazer se declarou culpado de dez acusações criminais, incluindo lavagem de dinheiro e crimes envolvendo o imposto de renda. A declaração de culpa de Blazer foi feita para evitar uma acusação mais grave de extorsão, que levaria a uma potencial pena de prisão de 20 anos. Blazer, mais tarde, fez gravações secretas de reuniões com os oficiais da FIFA, e supostamente carregava um dispositivo de gravação escondido em um chaveiro durante os Jogos Olímpicos de Verão de 2012, em Londres. Ele originalmente tinha sido abordado por agentes dos Internal Revenue Service e do FBI que tinham montado alegações específicas de seu envolvimento em suborno durante o processo de licitação para os países sedes das Copas do Mundo FIFA desde o início dos anos 1990. A acusação contra Blazer foi revelada em 27 de maio, o mesmo dia em que as prisões foram feitas em Zurique.[19][20]

Indiciamentos[editar | editar código-fonte]

Um total de 18 pessoas e duas empresas foram indiciadas, incluindo nove funcionários da FIFA e cinco empresários.[21][2]

Pessoas[editar | editar código-fonte]

Nome Nacionalidade Cargo Status
Chuck Blazer norte-americano Ex-secretário-geral da CONCACAF Confissão de culpa
Alejandro Burzaco argentino CEO do canal Torneos y Competencias Indiciado
Aaron Davidson norte-americano Presidente do Conselho de Governadores da Liga de Futebol Norte-Americana Indiciado
Rafael Esquivel venezuelano Presidente da Federação Venezuelana de Futebol e membro do comitê executivo da CONMEBOL Preso
Eugênio Figueiredo norte-americano Ex-presidente da Associação Uruguaia de Futebol e ex-presidente da CONMEBOL Preso
José Hawilla brasileiro Proprietário e fundador do Traffic Group Confissão de culpa
Hugo Jinkis argentino Presidente do Full Play Group Indiciado
Mariano Jinkis argentino Vice presidente da Full Play Group Indiciado
Nicolás Leoz paraguaio Ex-presidente da CONMEBOL Indiciado
Eduardo Li Costa Rica costarriquenho Presidente da Federação Costarriquenha de Futebol, membro do comitê executivo da FIFA, e membro do comitê executivo da CONCACAF Preso
José Marguiles brasileiro Secretário da Traffic Sports Brasil Indiciado
José Maria Marin brasileiro Ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol e ex-governador de São Paulo Preso
Julio Rocha Lopez nicaraguense Presidente da Federação Nicaraguense de Futebol, diretor de desenvolvimento da FIFA, e ex-presidente da UNCAF Preso
Costas Takkas britânico Ex-secretário-geral da Associação de Futebol das Ilhas Cayman Preso
Daryan Warner Trinidad e Tobago trinitário Filho de Jack Warner Confissão de culpa
Daryll Warner Trinidad e Tobago trinitário Filho de Jack Warner e ex-diretor de desenvolvimento da FIFA Confissão de culpa
Jack Warner Trinidad e Tobago trinitário Ex-vice presidente da FIFA, ex-presidente da CONCACAF, e ex-ministro da Segurança Nacional de Trinidad e Tobago Indiciado
Jeffrey Webb caimanês Presidente da CONCACAF, presidente da Associação de Futebol das Ilhas Cayman, e vice-presidente da FIFA Preso
Carlos Chavez Landivar Boliviano Ex-Presidente da Federación Boliviana de Fútbol e ex-tesoureiro da Confederação Sul-Americana de Futebol Preso

Corporações[editar | editar código-fonte]

Nome Nacionalidade Status
Traffic Group Ilhas Virgens Britânicas virginense Confissão de culpa
Traffic Sports EUA norte-americana Confissão de culpa

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «FIFA Indictments». Consultado em 28 de maio de 2015. 
  2. a b c d «Nine FIFA Officials and Five Corporate Executives Indicted for Racketeering Conspiracy and Corruption». United States Department of Justice. 27 de maio de 2015. Consultado em 27 de maio de 2015. 
  3. a b «Fifa officials arrested on corruption charges as World Cup inquiry launched». The Guardian. 27 de maio de 2015. Consultado em 27 de maio de 2015. 
  4. Matthew, Jennie (27 de maio de 2015). US prosecutors allege 'World Cup' of soccer fraud. [S.l.: s.n.] Agence France-Presse. Consultado em 28 de maio de 2015. 
  5. Rupert Neate, Owen Gibson and agencies (28 de maio de 2015). «Jack Warner : former Fifa kingpin spends night in jail after corruption arrest». The Guardian. Consultado em 29 de maio de 2015. 
  6. «Fifa scandal: Alejandro Burzaco resurfaces in Italy». BBC. 9 de junho de 2015. Consultado em 10 de junho de 2015. 
  7. «Fifa arrests: Two Fifa vice-presidents detained at Zurich hotel». BBC News Online. 3 de dezembro de 2015. Consultado em 3 de dezembro de 2015. 
  8. «Fifa crisis: Australian police agree to look into $500,000 paid to Jack Warner». The Guardian 
  9. «Colombia joins investigation into FIFA corruption». colombiareports.com 
  10. «Costa Rica Prosecutors Open Investigation into Arrest of FIFA Official Eduardo Li». The Costa Rica News 
  11. German football chief resigns over corruption allegations, BBC Sports, 9 de novembro de 2015
  12. «Fifa scandal: What took Switzerland so long to investigate?». BBC News 
  13. David Conn. «Fifa corruption intrigue deepens as Brazil's Ricardo Teixeira resigns». the Guardian. Consultado em 28 de maio de 2015. 
  14. Richard Conway. «BBC Sport - Joao Havelange, Fifa's honorary president, resigns over bribes». BBC Sport. Consultado em 28 de maio de 2015. 
  15. Bryan Armen Graham (27 de maio de 2015). «Fifa in crisis amid corruption arrests and World Cup voting inquiry – live updates (15:51)». The Guardian. Consultado em 27 de maio de 2015. 
  16. a b Claire Phipps and Damien Gayle (28 de maio de 2015). «Fifa scandal: Visa sponsorship threat compounds calls for Blatter to quit». The Guardian. Consultado em 28 de maio de 2015. 
  17. Darren Heitner (27 de maio de 2015). «Nike Implicated In Soccer Bribery Scheme». Forbes. Consultado em 28 de maio de 2015. 
  18. Lucy McCalmont and Ben Walsh (27 de maio de 2015). «Nike Just Became Part Of The FIFA Corruption Scandal». Huffington Post. Consultado em 28 de maio de 2015. 
  19. Dan Roberts (27 de maio de 2015). «Fifa arrests: how a well-placed insider and stashed cash helped US build case». The Guardian. Consultado em 27 de maio de 2015. 
  20. Matt Apuzzo, Michael S. Schmidt, William K. Rashbaum and Sam Bordenmay (27 de maio de 2015). «FIFA Officials Arrested on Corruption Charges; Sepp Blatter Isn't Among Them». The New York Times. Consultado em 27 de maio de 2015. 
  21. «Fifa corruption: arrests made following hotel raid». Daily Telegraph. 27 de maio de 2015. Consultado em 27 de maio de 2015.